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set-12-2008

Viva os banheiros!

Escrito por Pedro

Em dado momento de 2005, estava eu em uma festinha na Lagoa. A casa estava permeada de biricoticos gostosinhos, parceiragens descoladas e menininhas sensuais. No meio de tudo isso estava eu, com uma menininha não tão sensual, mais ainda assim com certa beleza interior e exterior, bebinho com os amigos e me sentindo o rei do mundo.
Depois de tanto beber, meu estômago se tornou uma espécie de casa de suingue alcoólica que fervia a valer. Meu affair, coitada, sentada no meu colo, pressionava de certa forma a minha barriga com seu dorso, e eu já pensando no pior: vou vomitar na nuca dela se não agir a tempo… Levantei tropeçando até nas formigas e fui ao banheiro para negociar com a privada a limpeza da orgia no meu estômago.
Passei mal, mas com iniciativa própria, algo típico dos fortes.
Levantei e comecei a conversar com o espelho, coisa que toda pessoa faz nas 317 vezes em que vai mijar numa festa.
- Fudeu. Estou todo poluído por dentro e ela vai reparar imediatamente, o que eu faço!? Já sei! Vou escovar os dentes com essa escova… Bom, não sei de quem é, mas com certeza ela está mais limpa do que eu.
- Humm… E se a escova for dela?
- For dela é quase um cacófato… Bem, eu bochecho antes de usar, ninguém vai perceber.
Depois de conversar comigo mesmo, escovei os dentes, dei descarga e saí prontíssimo para outra. Fui tomar uma coca para disfarçar o gosto da pasta de dente que foi usada para disfarçar o gosto do leque de bebidas que eu expeli. De qualquer forma, no final deu tudo certo!
Só contei essa história para mostrar que o banheiro é o cômodo mais especial da casa e é o que mexe com mais energias e anseios do homem, sejam eles os mais primitivos ou os mais derivados. Ele é tão importante que merecia um livro tipo “Feng Chui só para toaletes”.
É só reparar que nunca entramos no banheiro à toa. Sempre há um propósito que nos transformará em pessoas diferentes das que entraram. É como se fosse uma sala da transformação: saímos do banheiro mais limpos, ou mais aliviados, ou mais frescos, ou mais cheirosos. É um lugar que cria cumplicidade com seus ocupantes. Ele, no mínimo, te vê pelado, ou em posições super constrangedoras pelo menos uma vez por dia. Tem gente que tem tanta cumplicidade com o próprio banheiro, que nem defecar fora de casa consegue. É um misto de serenidade, aconchego e costume que só o próprio lar pode oferecer, a tal ponto que há praticamente um contrato não-verbal entre ânus e privada. Grosso modo, fazer fora de casa é como trair a própria bunda.
Clichês a parte, eu só tenho a agradecer a quem inventou esse cômodo, embora seja apenas lembrado nas horas difíceis e preterido ao longo das décadas.


Pedro

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  1. Corra Mary em 13 de setembro, 2008

    Sou uma pessoa que tem ALTA amizade com o banheiro.
    No tempo em que uma pessoa normal faz um xixi, eu já fiz uns quatro e já estou apertada me segurando para o quinto.
    E isso, num dia de semana, a tarde. Sem uma gota de cerva na cabeça, sóbria, sóbríssima.

    É… Viva os banheiros!

  2. Nando :D em 13 de setembro, 2008

    Era no banheiro que eu tinha o sinal de celular. :D

  3. André Sampaio em 13 de setembro, 2008

    Bom texto, mas esqueceu de dizer que o banheiro é também um lugar muito bom para a prática da auto satisfação sexual.

  4. Bruna Matos em 15 de setembro, 2008

    Eu adoro banheiros. Acho que só somos nos mesmos lá dentro. Ainda desenvolverei essa teoria!
    HAUHAU!
    Beijos!

  5. Layana em 15 de setembro, 2008

    excelente texto!
    banheiro é um ambiente purificador!
    o supra-sumo da intimidade, do encontro com seu “eu” interior =P

    me lembrarei da próxima vez que for dar (epa!) uma festinha lá em casa, de esconder minha escova de dentes ¬¬

  6. Nina em 15 de setembro, 2008

    Minha casa tem 3 banheiros… cara, eu amo³³³ banheiro!



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