O dia dos namorados (gastarem horrores)

mai 27

Dia dos namorados está chegando, e com isso o olhar aflito da macharada comprometida também. Todo mundo sabe que dia dos namorados é na verdade o dia de presentear a namorada. Para o homem, você pode dar qualquer coisa,  um livro, um dvd, uma camisa. Qualquer coisa mesmo. Agora tenta dar isso pra alguma garota para você ver a sua doce menininha se transformando num dos cavaleiros do apocalipse.

O presente ideal é divido em três partes:

1) O presente romântico
Dia dos namorados é a cima de tudo uma data romântica. Até porque só comemoram os que de fato são namorados (casados e noivos também), e nada daquilo de amiga encalhada dando presente pra outra amiga, que é triste demais. Então, você tem a necessidade de ser romântico com a sua garota. Um buquê de flores resolve essa parte. Chocolate também é válido (certifique-se antes que ela ao menos gosta de chocolate, se não você falhará miseravelmente nesse item). Ela quer ser surpreendida, quer chegar em casa e ver um enorme urso de pelúcia em sua cama, uma inútil criação de ácaros, mas ainda assim, inútil e linda. Ela quer chegar no trabalho e ver um buquê de flores em sua mesa, com um cartãozinho brega rimando “flor” com “amor”, mas meu caro, é isso aí. O amor é cafona, mulheres também, você precisa entrar no jogo.

2) O presente de verdade
Esse é o item mais importante. Uma ida a um restaurante, não é um presente. Um buquê de flores, não é um presente. Um ursinho de pelúcia, não é um presente. E utencilios domésticos, favor enfiarem em vossos cus.
Um presente de verdade é justamente aquilo que ela usará para se gabar com as amigas (já abordaremos esse assunto). Uma bolsa é um presente, um sapato é um presente, um vestido é um presente. E nada de comprar na feirinha de Teresópolis, e exceto se sua tia for a Donatella Versace, pedir pra fazer uma roupinha, também não pega bem.
O presente a ser dado, deverá ser tão valioso quanto a sua garota. A proporção é sempre essa.

3) O presente sexual
Depois de todo um dia romântico em que você a levou para jantar, surpreendeu a sua garota com um buquê de flores e deu uma linda bolsa que te custou o fígado, você não está pensando em comê-la na escada do seu prédio, né?
Então é melhor que faça uma reserva para uma suíte super bacana num motel igualmente bacana desde já.
Certeza que a sua gatinha virará um furacão sexual essa noite, mas meu amigo, você precisa colaborar. No Motel sim, na beliche que você divide com o seu irmão, não!

Aí então você me pergunta: Marina, tudo isso pra quê?

Para ela se sentir amada? Também. Para ela se sentir importante? Também. Para ela saber que eu estou gastando meu precioso dinheiro com ela e não com as outras? Também, meu filho.
Mas o que você não vê e talvez não saiba, é que mais tarde, isso será usado a favor dela naquela típica conversa pós dia 12 em que uma pergunta a outra “O que o seu namorado te deu?”. É tipo uma competição de quem tem o namorado mais atencioso, romântico e dedicado.
“Meu namorado me deu uma cadeira de praia e um boné” é item de pena pro resto da vida. Pior do que isso, só se você não der nada e a fizer dizer a frase mais triste do dia dos namorados “Ah, ele me dá presente sem precisar de data, não comemoramos nada”. Pronto, são anos de psicólogo para tirar o trauma da pobre menina mal amada.

Sim, meus amigos, pode parecer um tanto quanto escroto, mas é aquele lance “Don’t hate the player, hate the game“. E não venham de mimimi besta, é só uma vez ao ano, então um esforcinho para agradar 100% a garota que vocês mesmo escolheram, não matará ninguém.

A sua namorada pode até dizer que não se importa com nada disso, mas você quer a verdade? Então aqui vai: Ela se importa sim!

Esquecendo alguém

mai 23

Ontem a noite, recebi uma inbox no Facebook de um rapazinho desesperado. Ele contava que há anos é apaixonado por uma garota que aparentemente não quer nada com ele, dizia que a menina é leitora do blog e me pedia ajuda.
Não há muito o que eu possa fazer em relação a ela. Na verdade não há muito o que eu possa fazer em relação a ninguém, mas é mais fácil incentivá-lo a esquecer o amor não correspondido do que botar uma arma na cabeça da menina e obrigá-la a amar o rapaz. Se ela ainda não o ama, nunca vai amar.

Como esquecer alguém?

Se eu tivesse a solução mágica para isso, certamente estaria rica nesse exato momento.
É nessa hora que aparecerão conselhos e mais conselhos de todos os tipos, alguns bons, outros nem tantos. Todo mundo sabe que o melhor mesmo é deixar o tempo passar. Ok, o tempo cura tudo, e cura mesmo, mas e enquanto ele não passa, o que fazer?

1) Sofra

Por incrível que pareça esse é sempre o primeiro conselho. Pular o luto, é adiar o sofrimento. Então deixe as musiquinhas felizes e baladas super animadas para o momento certo. Sofra o que tiver que sofrer, seja um dia ou uma semana, mas sofra o suficiente para não precisar sofrer parceladamente depois.

2) Perdoe

O principal motivo para se empacar em alguma relação que já passou mas o sentimento ainda não, é não conseguir perdoar. Somos acostumados a achar que teremos em dobro tudo o que fizermos. Mas a vida não é tão justa assim. Na maioria das vezes você vai fazer, fazer e fazer, e nunca terá nada em troca. Você pode até achar que perdoando está livrando a pessoa de toda a culpa que ela tem, mas na verdade o perdão só irá fazer bem a você, te livrando de toda a raiva que carrega. Você não precisa dizer o quão merda uma pessoa é. Ela sabe e terá que conviver a vida toda com as merdas que fez. Os erros foram dela, e ela que conviva com isso. Você não precisa dividir mais esse fardo.

3) Não virem amigos

Virar amigo de ex logo após o término é como querer virar vegetariano no meio de um churrasco. Não funciona e você sofre mais ainda. Isso limpa a consciência pesada que o outro lado está sentindo, mas fode mais ainda a sua cabeça. Não dá para tirar alguém de dentro de você, se essa pessoa ainda permanece constantemente no seu dia a dia. Se essa pessoa te tirou da vida dela, faça o mesmo.

4) Não se importe com o que a pessoa vai pensar

Muitas pessoas te dirão “Não dê o gostinho ao outro lado de saber que você está sofrendo”, mas quer saber? Foda-se. Sim, foda-se o que a pessoa irá achar do que você teve que fazer para esquecê-la. Não importa mais.
Você não pode se sentir culpado por simplemente estar sentindo a ausência de alguém. Porque você deveria se importar com o que pensa ou deixa de pensar alguém que você quer esquecer? Se é para esquecer, então esqueça direito!

5) Jogue no lixo tudo o que te fizer lembrar

Delete telefones, e-mails, mensagens. Jogue fora cartas, presentes, fotos, bilhetinhos. Tudo. Você não vai precisar de nada disso para relembrar do que tiveram. Tudo o que você precisa já está dentro de você, e não existe botão de delete capaz de apagar. Se agarrar a pequenas demonstrações de carinho só fará com que o passado se mantenha cada vez mais presente. Ou você acha mesmo que seguirá em frente acordando todas as manhãs e dando de cara com o retrato da viagem que fizeram nas últimas férias? O passado passa. Ele tem sempre que passar.

6) Ocupe-se

Comece um novo curso, faça uma viagem, escreva um livro, organize seus albúns de foto, mude o visual, compre roupas novas; enfim, faça algo por você que ocupe a sua cabeça e te faça sentir bem. Pare de sentir pena de você mesmo. Ficar em casa olhando para o teto não resolverá nada. Ninguém baterá na sua porta para te entregar uma garrafinha mágica de felicidade.

7) Suma

O momento mais difícil é sempre quando o outro insiste em procurar. Se a pessoa não está te ligando para se desculpar dos erros que cometeu com você e pedindo para que tenham um novo começo, leve em consideração que você pode ser apenas um alvo fácil e frágil disposto a saciar a carência momentânea do outro. É isso mesmo o que você quer?

8 ) Não tenha pressa em conhecer outras pessoas

Não sou a favor da teoria de que só se esquece um amor com outro amor. Das vezes em que tentei isso, percebia que estava na verdade desesperadamente tentando ocupar aquele buraco com pecinhas que nunca se encaixariam. Antes de gostar novamente de alguém, é preciso faxinar tudo o que ainda não foi embora do que já passou. E a cima de tudo, não envolver uma terceira pessoa em algo que ela não tem culpa nenhuma. Não transfira a sua dor para alguém que não teve nada a ver com ela.

9) Um dia de cada vez

Abstinência de um amor funciona como abstinência de qualquer droga. Você acha que vai enlouquecer, quer a todo custo e se não tomar uma atitude, pode ficar nessa para sempre. Não pense a longo prazo, pense em não procurar por apenas aquele dia, e no dia seguinte faça o mesmo. Cada vez que cair em tentação, tudo o que fizera antes, vai direto pra privada e você volta ao ponto de partida.

10) Ame-se

Pode parecer conselho de mãe, e realmente é, mas é um dos passos mais importantes. Você viveu a sua vida toda sem aquela pessoa, e viveu bem, porque não poderia voltar a viver sem? Você não precisa de ninguém que não precise de você, e quanto mais se sentir a pior pessoa do universo, menos conseguirá seguir em frente. Você se sente meio merda, meio feio, meio burro, meio não merecedor de amor, mas quando começar a se amar e voltar a se sentir no topo, vai perceber que aquela pessoa que antes parecia a pessoa perfeita pra você, na verdade nem era tudo isso.

11) Não se traumatize

Pessoas inteligentes transformam experiências negativas em aprendizado, nunca em trauma. Se você levou uma porrada hoje, levante-se e siga em frente, nem que seja para levar outra. Viver eternamente com medo não é viver, é sobreviver.

Humildade

mai 19

HUMILDADE
s.f. Ausência completa de orgulho.
Rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito: praticar a humildade.

Gostaria de entender exatamente em que ponto da humanidade, a humildade virou virtude. Longe de mim querer criar rebuliço, mas qual o problema em você ser bom, e o mais importante, você saber que é bom?

Desde o momento em que botamos o pé na vida, somos ensinados a acreditar no nosso potencial, a “confiar no nosso taco”, mas quer dizer então que essa confiança vem com um enorme e gordo porém? Toda essa crença em si mesmo, é necessária que vá até onde convém? – Aos outros, claro.

Não estou dizendo que precisamos sair por aí esfregando nossas qualidades na cara dos outros, mas qual o erro tão mortal em saber que em determinado ponto, você é bom, e provavelmente melhor do que a grande maioria? Se você é realmente bom em algo que se propõe a ser ou fazer, não deveria ser você a primeira pessoa a crer e admitir isso? E se não, quem deveria ser então?

Meus amigos, não sei quanto a vocês, mas estou em dia com todas as minhas faculdades mentais para reconhecer e me orgulhar das minhas qualidades, não preciso que ninguém as reconheça por mim, e se isso é se gabar, então sim, me gabo delas o tempo todo.

A verdade é que a humildade nada mais é do que uma substituta perfeita e apática para a falta de capacidade. Se orgulhar em ser humilde, é assinar um atestado de imbecilidade sem igual. É admitir para si mesmo a derrota, se não completa, em determinado ponto. É sentar e aceitar. E porque? O tempo que se perde aceitando e se vangloriando de uma falsa e imposta humildade, não deveria ser usado para superação, aprendizado e trabalho?

E sendo assim, por outro lado, qual a dificuldade em aceitar que o coleguinha ao lado é melhor do que você? Se ele é, é mérito única e exclusivamente dele, e transformá-lo num ser humilde em relação a si mesmo, não rebaixará seu potencial em relação a você ou aos outros. Ele continuará sendo melhor do que você.

Mas ok, se o vizinho é bom em “a”, seja você melhor do que ele em “b”. Não se pode ser bom em tudo, e quer coisa mais triste do que ser mediano e ainda achar isso bonito?

Para os realmente grandes, a humildade não possui serventia alguma, é um desleixo com seu próprio orgulho, uma afronta a sua força e a cima de tudo, a aceitação pelo senso comum da mediocridade e submissão.
Se você é humilde, tente ser bom.

“O verme pisado encolhe-se. Atitude inteligente. Com isso reduz a probabilidade de ser pisado de novo. Na linguagem da moral: humildade.” (Friedrich Nietzsche)

Todas nós estamos saindo com o mesmo cara

mai 16

Ontem a noite peguei um livro que li há uns anos atrás para dar uma relida. Fui salvando as melhores partes e hoje pela manhã enviei para uma amiga que achei que precisava ler aquelas palavras. Depois achei que poderia também enviar para as minhas seguidoras do Twitter, e de tanto que pediram, acabei transformando o e-mail nesse post também.

O livro se chama “Ele simplesmente não está afim de você”, o que não tem nada a ver com o filme. É escrito por um homem e uma mulher. O Greg e a Liz, e a conclusão que se chega, é uma só: As pessoas só fazem com a gente o que deixamos que elas façam.

Ei, eu conheço esse cara com quem você está saindo!
É, conheço mesmo. É aquele cara que está muito cansado por conta do trabalho, muito estressado com o projeto ao qual está se dedicando no momento. Acabou de sair de uma separação horrível, e está abaladíssimo. O divórcio dos pais deixou cicatrizes profundas, e ele agora sente dificuldade em confiar nas mulheres. Nesse momento, ele precisa se concentrar na carreira. Não pode se comprometer com ninguém até arrumar a vida dele. Acabou de comprar um apartamento novo, e a mudança toma todo o seu tempo. Assim que tudo se acalmar, ele vai largar a mulher, a namorada, a porcaria do emprego. Meu Deus, ele é tão complicado!
Esse homem é todo formado por essas desculpas. E, na hora que você parar de inventar desculpas para esse cara, ele desaparecerá completamente da sua vida. E será que existem homens assim tão ocupados, ou que passaram por algo tão horrível que os impeça de se envolver com alguém? Sim, eles existem, mas são tão poucos que deviam ser considerados lendas urbanas. Pois, como já foi dito, os homens preferem ser atropelados por elefantes pegando fogo do que dizer que simplesmente não estão a fim de você. Foi por isso que escrevemos este livro. Queríamos tirar as desculpas de dentro do armário, por assim dizer, para serem vistas exatamente como são: desculpas esfarrapadas.
As pessoas se sentem inspiradas a fazer coisas extraordinárias para encontrar e permanecer ao lado do ser amado. Fazem grandes filmes sobre isso, e todo relacionamento que você admira explode com uma grandeza que é o que você realmente deseja na sua vida. E quanto mais você se valoriza, maior a chance de conseguir algo parecido. Por isso, leia essas desculpas, dê boas risadas e depois… esqueça todas elas. Você merece.

Ah, claro, eles dizem que estão muito ocupados. Que não tiveram nem um segundo livre, naquele dia caótico, para pôr a mão no telefone. Que foi uma doideira completa. Tudo mentira. Com o advento dos telefones celulares e do botão de redial, é praticamente impossível alguém não conseguir telefonar. Às vezes, dou telefonemas até do bolso da minha calça, sem querer. Podemos tentar fazer você pensar que somos diferentes, mas nós, homens, somos iguaizinhos a vocês, mulheres. Gostamos de fazer um intervalo no nosso dia, em geral sem graça, para conversar com alguém de quem gostamos. Ficamos felizes com isso. E gostamos de ficar felizes. Exatamente como vocês. Se eu estivesse a fim de você, falar contigo seria uma bênção nesse meu dia infernal. E exatamente nesse dia, eu nunca estaria ocupado demais para ligar para você.


A partir deste momento, agora mesmo, enquanto você está lendo isso, faça esse juramento solene a respeito dos seus futuros relacionamentos românticos: nada de indefinição, nada de zonas nebulosas, nada não identificado e nada de omissão. E, se der, procure conhecer os caras o melhor possível, antes de se deitar com eles.

 

Quando o cara está a fim de você, ele demonstra isso. Ele telefona, aparece, quer conhecer seus amigos, não consegue manter os olhos e as mãos longe de você e, quando chega a hora do sexo, fica mais que satisfeito de fazer esse favor. Não importa se ele começa seu novo emprego de presidente dos Estados Unidos na manhã seguinte, às quatro (isto é, quatro da manhã, senhoras!). Ele vai subir até o seu apartamento, sim!

 

Resolver voltar com alguém é uma decisão complicada e difícil. Apenas lembre que a pessoa para quem você está voltando é a mesma que, pouco tempo antes, olhou bem para o seu lindo rosto, avaliou você inteira, e todas as suas qualidades, e disse que não precisava mais da sua companhia. Se alienígenas não abduziram recentemente o seu amado e trocaram o cérebro dele pelo cérebro de um cara que está realmente a fim de você, por favor leve em consideração a opção de que o safado talvez tenha apenas se sentido meio solitário.

 

Todos nós queremos ser amados e queridos, especialmente pela pessoa que acabou de terminar tudo conosco. Eu compreendo. O que poderia ser melhor do que ouvir do homem que acabou de dizer que não quer mais você a triste e suplicante declaração “Estou com muita saudade”, ao telefone? É gostoso. É excitante. Irresistível. Mas, você precisa resistir. Se ele não está telefonando para dizer que alugou um reboque para pegar todas as suas coisas e levar de volta para a casa dele, então considere-se apenas um simpático travesseiro macio que serve para amortecer a sensação de solidão e perda que ele ainda não está completamente preparado para enfrentar sozinho.

 

Um homem que quer fazer o relacionamento dar certo move montanhas para ficar com a mulher que ama. Se ele não está ligando para dizer que a ama e que a quer de volta, só poderia ser porque pretende aparecer na sua nova residência e dizer isso pessoalmente. Se não está tentando seduzi-la, convidando-a para sair, mandando flores e poesias, então é porque está envolvido demais com os exercícios do aconselhamento de casais e tem como prioridade voltar para os trilhos. Se não está fazendo nada disso, pode até amar você, pode sentir sua falta, mas a verdade é que simplesmente não está a fim de você. Pare de atender as ligações dele e deixe que descubra direitinho como é viver sem a sua companhia.
Não se sinta lisonjeada porque ele tem saudade de você. Ele devia mesmo sentir saudade. Você faz uma falta enorme. No entanto, ele continua sendo a mesma pessoa que acabou de terminar tudo com você. Lembre que ele só pode mesmo sentir sua falta, porque a cada dia que passa ele decide, com firmeza, viver sem você.

 

Sim, você pode mandar um e-mail, se quiser dar a ele a oportunidade de rejeitá-la mais uma vez. Não há nada pior do que não receber resposta, nos negócios, nas amizades e especialmente nos relacionamentos românticos. Mas a má notícia é que a sua resposta é não haver respostas. Ele pode não ter escrito um bilhete de despedida, mas o silêncio dele é um “adeus” ensurdecedor. O único motivo para escrever para ele de novo é dar-lhe uma chance de dizer isso mais alto ainda, com palavras.

 

Você escolheu um limão azedo. Jogue-o fora. Você está superestimando a limonada.

 

Ele sabe que você está bolada. Ele é um completo babaca, não um idiota. Planejou tudo na cabeça dele. Foi por isso que simplesmente desapareceu. O que ele não sabe é com que rapidez você vai superar os efeitos do mau comportamento dele. Você vai demonstrar isso nunca mais falando com ele, nem com os amigos dele.
E ele não está escapando impune de nada. Para todo canto que for, continuará sendo o mesmo babaca.
A curto prazo, pode ser uma boa sensação telefonar e gritar com ele. Mas, a longo prazo, você vai acabar desejando não ter-lhe dado essa satisfação de ter arruinado sua vida. Ou o seu dia. Deixe que outra pessoa gaste esse tipo de energia com ele. Pode parecer que você está deixando o cara “escapar impune”. Mas, confie em mim, nada que você diga será novidade para ele. E você tem coisa melhor para fazer com o seu tempo.

 

O mais doloroso quando alguém desaparece é ter de encarar o fato de que a pessoa que você amou provavelmente deixou de gostar de você muito antes de pegar o seu paletó e sumir. A parte difícil é descobrir que ele mentia para você, de alguma forma, antes do sumiço. Não fique se perguntando o que você fez de errado, ou o que poderia ter feito diferente. Não desperdice mente e coração, que lhe são tão preciosos, tentando compreender por que ele fez o que fez. Ou relembrando todas as coisas que ele disse, imaginando o que seria verdade e o que seria mentira. A única coisa boa que você precisa saber é: ele foi embora. Aleluia! Vejo você no dia de São Nunca, seu babaca!

 

Essas palavras podem gerar controvérsias, mas vou dizê-las mesmo assim. Por mais fortes e verdadeiros que sejam seus sentimentos por alguém, se essa pessoa não for capaz de retribuí-los, completa e sinceramente, e assim amar você de forma concreta, esses sentimentos não significam nada. É claro que eles podem parecer poderosos, profundos, míticos, em alcance e proporções. Você pode até “nunca ter sentido nada parecido antes”. Mas, quem se importa? Se a pessoa que você “ama” (observe as aspas desdenhosas nessa palavra) não é capaz de passar os dias pensando em você, com você, isso não é amor verdadeiro.

 

Primeiro você fica magoada. Mas depois sente-se indefesa, completa e totalmente indefesa. Ele simplesmente desapareceu, e fez você sentir que não vale nada, nem significa nada para ele. E você também pode ficar chocada. Talvez ele nunca tenha se comportado dessa maneira antes. Então agora você também está tremendamente decepcionada. “Ah, é? Agora eu tenho de parar de gostar dele? Agora tenho de achar que ele é um cretino? Foi isso que sobrou desse relacionamento? Tem de haver alguma explicação plausível.” Então, você começa a dedicar a esse cara maravilhoso um monte da sua energia e do seu tempo, inventando desculpas para o desaparecimento (ele está ocupado, está ocupado… e ele deve estar muito ocupado), e ainda tem esperança de que ele crie juízo e mande, pelo menos, um e-mail. Então você começa a se lembrar de tudo que você disse, tudo que fez, tudo que escreveu que poderia ter provocado nele o desejo de ir embora. O que você disse de tão horrível, que cobrança tão veemente, que ele não teve escolha, senão sair batido? E você se condena por algum passo estratégico errado. “Oh, se ao menos eu tivesse jogado melhor! Ele ainda seria meu!” Ou, simplesmente, você fica preocupada pensando que ele pode estar morto numa sarjeta em algum lugar. Senão por que teria desaparecido desse jeito?
E aí você quer telefonar para ele e dizer alguma coisa. Ou escrever-lhe algo. Você está com raiva ou ferida, ou ainda se agarra à esperança do cara estar em coma, num hospital, em algum lugar? Mas, independente do que esteja sentindo, você acha, definitivamente, que tem o direito de berrar com ele, ou de descobrir o que aconteceu. O que é pior do que não saber? Nada. Exceto, talvez, não conseguir lhe dizer umas boas verdades.
Greg diria que a melhor vingança nessa situação não é raiva, mas distância emocional, o mais rápido possível. Greg diria que nós temos a resposta. Ele não queria mais continuar, e não era suficientemente macho para dizer isso na nossa cara. Isso não é resposta suficiente? Nesse momento eu diria para Greg: “Não, para dizer a verdade, não é. Essa resposta certamente não basta. Eu quero saber por quê.” E então Greg diria: “Ah, é? Tem certeza? Você realmente quer que ele dê todos os detalhes de cada motivo de não querer nunca mais ver você?
Eu odeio o Greg.
Os fins dos relacionamentos são horríveis. Mas, para mim, arrasador mesmo é sentir que você não valia nem uma discussão no fim. Repito que é natural querer fazer alguma coisa. Greg apenas quer que essa “coisa” seja seguir em frente, em vez de olhar para trás. Não ter um desfecho adequado é uma das coisas mais difíceis para mim (e para muita gente), por isso eu sei por que pode ser impossível não acusar o mal-educado. Mas imagino que o Greg fosse, de novo, fazer um sermão (ele é muito metido a sabe-tudo), dizendo que antes de telefonar ou mandar aquele e-mail, você deveria pelo menos ensaiar mentalmente. Será que isso vai, de fato, fazer com que você se sinta melhor? Você pensa que isso vai fazer o cara mudar de idéia a respeito dos seus atos, ou do que sente por você? Será que essa é a única solução que você encontrou para ajudar a si mesma a seguir com a sua vida? Se for, então mande o Greg catar coquinho… e procure o cara. Mas, eu sinceramente acho que a esperança é (pelo menos para mim) que quando um cara não quer mais falar comigo, e não tem educação ou coragem de me dizer isso cara a cara, eu descubra que ele já deu toda a informação de que preciso. E essa é a coisa mais difícil de pôr em prática. Mas eu definitivamente admiro as mulheres que conseguem fazer isso. Boa sorte para nós todas!


Ok, meninas, eu sei o que vocês estão pensando depois de lerem palavras tão azedas. Foi um tapa na cara, admito. Mas acreditem, é melhor um tapa na cara agora do que um soco no nariz mais tarde.

O humor está morto

mai 09

Depois da morte do rock ‘n’ roll, a vítima agora é o humor. Não se pode mais rir. É proibido e é pecado. A graça se perdeu em algum ponto da regressão humana e deu lugar ao politicamente correto.

Não se pode mais chamar preto de preto. Não se pode mais chamar retardado de retardado. Não se pode mais chamar gordo de gordo. Não se pode mais chamar aleijado de aleijado. Não se pode mais chamar pobre de pobre. Não se pode mais chamar viado de viado. E chegamos num nível tão preocupante que tem até morena se incomodando com piada de loira.

O humor virou dano moral e a risada virou processo. A ditadura é social e para cada piada, há sempre um grupo para se sentir lesado (ou lezado). A graça se transformou em ofensa gravíssima e agora, o bom e correto é aquele que se vangloria pela tristeza da pena alheia. O humor negro morreu e nem sequer deu lugar ao humor afrodescendente.

É o fim da risada descompromissada e o começo da era dos eternamente infelizes.

O que era para evoluir, está regredindo e até os babacas ganharam novo nome, agora eles são os politicamente corretos, e por qualquer risadinha de canto de boca, eles te processam e te tomam até as calças.

Estamos sendo jogados dentro de uma bolha moral que não para de atrair novos membros, estamos sendo massacrados pela burrice alheia, e essa conjutivite da ignorância é altamente contagiosa. Porque ao mesmo tempo que estão ferindo a nossa liberdade, estão se iludindo que resolverão suas frustrações pessoais com pura semântica.

O politicamente correto é o câncer moderno de uma sociedade já doente o suficiente.

Lembranças da menarca

mai 05

Menstruei aos 11 anos da idade. Não moro na roça e nem fui criada por uma matilha de lobos, então obviamente eu sabia o que era aquilo, mas ignorei solenemente quando aconteceu comigo. Acordei como de costume para ir a escola, tirei a calcinha, vi, mas não me preocupei em chamar minha mãe para todo aquele ritual chato de “minha pequena filha virou uma mocinha”, então como se isso fosse cessar meu fluxo menstrual, eu fechei os olhos, vesti a roupa do colégio e fui pegar a van.

Horas depois, quando já estava no colégio, a diretora entra na sala e diz:

- Marina, sua mãe no telefone.

Pronto, já achei que alguém havia morrido. Fui com o coração na boca até a diretoria esquecendo-me completamente do ocorrido mais cedo. Quando atendi o telefone, minha mãe super feliz gritava:

- Minha filha, você virou mocinha! Parabéns!
(Era exatamente disso que eu estava querendo fugir)

Minha diretora me deu um absorvente reserva da escola que ficava numa gaveta secreta da diretoria, para mocinhas desavisadas como eu. E bem, não preciso nem dizer que o absorvente era um tijolo de algodão, né? Parecia uma fralda e era tão desconfortável quanto as cólicas que sentiria nos anos seguintes.

No dia seguinte, minha mãe me deu alguns absorventes reservas para levar na bolsa para a escola. Ainda estava sendo tudo muito novo para mim e ter a obrigação de trocar aquela merda de 4 em 4 horas era um saco para uma criança de 11 anos que só queria saber de correr feito uma desesperada na hora do recreio.

Enquanto fazíamos nossos deveres na classe, começou um burburinho que foi se espalhando para a classe inteira. Os meninos estavam colando algo nos costas dos outros meninos e pareciam se divertir com isso.

Quando colaram nas costas do rapazinho da minha frente, pude perceber do que se tratava: Era um dos meus absorventes que provavelmente caira da minha bolsa sem eu perceber e que agora fazia a graça da sala da 5º série A. O que devia estar entre as minhas pernas, estava nas costas do nerd da cadeira da frente e a turma inteira estava achando a maior graça. Menos ele. E eu, claro.

Depois dessa, eu nunca mais levei absorvente na bolsa. Minha menstruação era tão fraquinha, que um Carefree só, conseguia segurar todo o fluxo, mas como tudo na minha vida tem que uma hora me boicotar, com isso não foi diferente.

Alguns meses depois, enquanto estava na sala, fui me levantar e uma menina apontou para a minha cadeira e exclamou com a cara mais apavorada que vi em toda a minha vida:

- O QUE É ISSO?

Olhei para baixo e vi. Era toda a menstruação que poderia sair do meu pequeno corpinho, na cadeira branca.
Sentei de novo e decidi que não levantaria dali por nada. Passaria o resto dos meus dias com a bunda naquela cadeira, e nada seria capaz de me fazer levantar. Pronto, havia tomado uma decisão e a minha vergonha máxima apoiava completamente.

Passei o dia inteiro ali, não levantei para ir ao banheiro, não levantei para o recreio e na hora da saída o pânico bateu, mas não me deixei abalar. Continuei sentada ali. Sem me tocar que uma hora era fato que eu teria que me levantar. Todos os alunos foram embora eu fiquei lá.

Quando já não tinha mais ninguém mais na classe, tive a genial idéia de me levantar, trocar a cadeira com qualquer outra, amarrar meu casaco na cintura e ir feliz e saltitante para minha casinha. O problema foi que eu troquei a cadeira com uma cadeira de um menino. O menino da frente (o mesmo nerd do absorvente colado nas costas). E no dia seguinte, quando todos os alunos chegaram e viram a cadeira completamente suja, não tiveram dúvidas: É cocô! E então o pobre rapaz ficou conhecido como o menino que aos 11 anos ainda caga nas calças.

Coitado, não tinha culpa nenhuma do meu vazamento menstrual e levou toda a culpa. Minha consciência só não pesou forte, porque a essa altura eu já estava traumatizada demais em ser mulher, e senti quase que uma necessidade de traumatizr alguém também por conta disso.