Corra Mary
30 jul 2012

Feminismo moderno

Esse papo de feminismo moderno do ultimo post me fez lembrar de um ocorrido num restaurante de fast food alguns meses atrás. Estava voltando de Buzios com o namorado e alguns amigos quando fiquei apertada para fazer xixi. Paramos no tal fast food e eu corri para o banheiro.

Não fiquei surpresa quando vi a fila enorme que eu teria que enfrentar para fazer um simples xixizinho. Já cheguei e as mulheres da fila estavam soltando fumaça pelos ouvidos de insatisfação com a fila. Até aí normal, eu também fico puta em ter que esperar por qualquer coisa, ainda mais quando o chamado da natureza é tão forte.

Certa hora, um grupinho de umas três mulheres se juntaram para usar o banheiro masculino que estava vazio.
Enquanto uma usava, a outra cuidava da porta.

Certa hora apareceu um homem. A mulher que estava na porta não queria deixa-lo entrar. Ele não deu ouvidos, nem respondeu uma palavra se quer e sem cerimonias entrou no banheiro que era, de fato, designado para ele.

A mulher ficou indignadíssima, começou um longo e chato discurso de uma lição de moral sem moral alguma. Não consegui me manter calada e rolou o seguinte diálogo:

Eu: – Ele só entrou no banheiro que foi designado para ele.

Ela: – Mas tinha uma mulher lá dentro.

Eu: – Foi ela que invadiu o espaço dele. Não ele o dela. Se ela entrou lá, sabia que um homem poderia entrar a qualquer hora.

Ela: – Mas olha o tamanho dessa fila!

Eu: – Se fosse o contrario, fila enorme no banheiro masculino, os homens poderiam usar o feminino?

Ela: – Não!

Eu: E pq você pode?

Ela: Pq eu sou mulher!

Resolvi não gastar mais nenhuma palavra diante dessa resposta, já que ela era a prova de que qualquer argumento que eu usasse, nunca seria poderoso o suficiente para derrotar tamanha imbecilidade.
A minha vontade era de pegar o enorme boneco do Ronald Mc Donald em que eu me apoiava e varar na cabeça da mulher na esperança de dar um tranco naquele cérebro para que funcionasse minimamente.

O feminismo moderno virou oportunismo, o discurso de igualdade se deturpou tanto que a mulher chega a se achar superior ao homem só por ser mulher.

Quando eu era pequena, minha mãe me ensinou que homens tem pipi e meninas tem borboletinha. Desde pequena eu já estava ligada de que não éramos iguais, alguma diferença aí rolava, mas que nem por isso um necessariamente era melhor que o outro.

A sua avó lutou nos anos 60 pelos seus direitos legais, por ser reconhecida como cidadã, por uma sociedade mais justa. Não por privilégios e nem por igualdade entre sexos.
No seu relacionamento ela com certeza não abria mão do cavalheirismo masculino. Ainda queria ser cortejada, buscada em casa, receber serenata e todos os mimos do amor romântico, mas sabia que isso em nada influenciava no seu papel de cidadã na sociedade. Ser mulher não exclui ser cidadã.

O problema das feministas modernas é foco. Estão se focando no ponto errado. Querem lutar por salários menos desiguais? Têm o meu apoio! Querem lutar pelo direito ao aborto? Têm o meu apoio! Querem lutar pelo direito de usar a roupa que quiserem sem que corram o risco de serem estupradas? Tem o meu apoio!
Mas não me venham com ladainha de direitos iguais e blá blá blá, pq além de não serem iguais, se realmente quisessem isso, teriam se alistado no serviço militar aos 18 anos.

Aceitem as diferenças da vida, elas estão aí e são lindas!

Postado por Marina | Categorias: Marina
POSTS Relacionados
26 jul 2012

Lingerie Day X Feminismo moderno

Minha participação no Lingerie Day do ano passado.

Todo ano acontece o Lingerie Day no Twitter (o dia em que as meninas – e meninos também – trocam seus avatares por fotos vestindo lingerie), uma brincadeira que começou inocente e sem muita pretensão por parte de seus criadores, mas que a cada edição aumenta a popularidade sempre garantido uma nova edição no ano seguinte. É divertido, é bonito, e acima de tudo é uma brincadeira. Nada mais do que isso.

Todo ano também nos deparamos com as militantes feministas que são tão contra o Lingerie Day que chega a dar a impressão que as bundas expostas são as delas.

Não é novidade para ninguém que lê o Corra Mary, que possuo um enorme desgosto pelo movimento feminista moderno. As feministas modernas adoram abrir a boca para pedir direitos iguais, mas nunca vi uma se quer, reclamando que quando fez 18 anos não teve que se alistar no serviço militar, ou na porta da balada discutindo com a caixa por não querer pagar meia entrada, e sim o valor inteiro como os homens normalmente pagam. Os direitos iguais feministas vão até onde convém, porque a verdadeira essência do feminismo, a bonita luta pelos seus direitos legais, foi esquecida lá nos anos 60.

“Ah, mas o Lingerie Day trata as mulheres como pedaços de carne.”
Minha cara, todos nós somos um amontoado de pedaços de carne. Uns bonitos, outros feios, uns inteligentes, outros nem tanto, uns que valem a pena, e outros que não valem nem a lingerie que vestem, a questão é que com roupa ou sem roupa você continuará sendo exatamente aquilo que você é. Se você é vulgar, continuará sendo vulgar no inverno da Sibéria vestindo sete casacos, e se você não é, continuará não sendo mesmo que seja a capa da Playboy desse mês. Não há roupa nesse mundo que esconda atitudes. E são elas que dizem sobre você, e não as suas roupas ou a falta delas.

“Há outras coisas mais importantes do que tirar a roupa na internet.”
Sim, há, mas um não anula o outro. Se nos focarmos unicamente nas causas importantes da vida, não existirá mais a diversão pela diversão. Não haverá mais os momentos das gargalhadas descompromissadas. E quem consegue viver a vida sem curti-la?
Para aderir à uma brincadeira virtual, não é necessário abdicar de suas causas sociais. Um convive pacificamente com o outro.

“O Lingerie Day só serve para um bando de macho se masturbar com novas fotos no HD.
Querida leitora, saiba que nesse exato segundo em que você lê esse texto, há pelo menos um cara se masturbando enquanto pensa em você. Com ou sem Lingerie Day. E, ei, leve isso como um elogio. Qual o problema em ser desejada? Você não gosta? Então nem saia de casa, por que acredite, toda vez em que você bota seus lindos pezinhos para fora de casa, uma penca de homem no metrô, na faculdade, no escritório, na banca de jornal e até na igreja, imaginam como é seu belo corpinho de quatro numa cama redonda. Você é constantemente desejada, e não há absolutamente nada de errado nisso. Até por que você também deseja outras pessoas. Ou vai me dizer que você se masturba pensando em coelhinhos?

“Homem não leva a sério mulher que participa do Lingerie Day.”
O primeiro pensamento de um homem de verdade ao te ver numa bela lingerie é o quão linda você fica nela. O segundo, é o quão linda você realmente fica nela. O terceiro, e todos os outros, não são algo diferente disso. É preciso separar o joio do trigo, não confunda homem com moleque, isso soa como uma enorme ofensa. Você realmente se importa com a opinião infantil e insegura de meros garotinhos bobos sobre você? Um homem sabe valorizar a beleza da mulher que escolheu pra si. Um garoto, acha que é proprietário dessa mulher. Um cara não é dono de você só porque te come oficialmente com status no Facebook. Você é sua e ele que aprenda a lidar com isso.

Da mesma forma que apenas o fato isolado de participar do Lingerie Day não diz nada sobre você, seu caráter e sua índole, não participar também não. Mas então que seja pelo motivo certo. Um sincero e bonito “não to afim” é sem dúvidas o melhor motivo e a melhor explicacão.

Ser dona do seu próprio corpo é ter a liberdade para fazer com ele o que você bem entender. Seja abortar, tatuar, modificar ou se sentir sensual. Ele é seu e de mais ninguém, então não saia por aí repetindo um discurso velho e batido só porque martelaram isso por anos na sua cabeça. A cabeça também é sua, então tenha você suas próprias ideias.

Postado por Marina | Categorias: Marina
POSTS Relacionados
29 jun 2012

Curtir a vida

Numa das milhares madrugadas que passei em claro no computador, tive o prazer e a honra de bater um longo e gostoso papo com um querido amigo de longa data.

Ele me contava sobre as notícias que tivera recentemente sobre sua ex-namorada, uma pessoa com tantos problemas psicológicos que deixariam Courtney Love com inveja. Não eram das mais animadoras: drogas, bebedeiras exageradas, promiscuidade igualmente exagerada, etc. Quase um estágio para Christiane F. Uma espécie de crise de identidade de uma adolescente de 15 anos ainda buscando qual rumo seguir. Exceto pelo fato da pessoa em questão já ter passado dos 20.

Entramos em seguida numa discussão sobre se isso não seria o tão visado “curtir a vida” e em caso negativo, o que então seria.

É impossível entrar nesse assunto sem antes se questionar a maior dúvida existente: Qual o sentido da vida?
Se você se dispõe a pensar sobre o que é aproveitá-la, precisa antes decidir o que de fato ela é, e sua finalidade.

Gosto de pensar que a finalidade é a luta para conseguir se desprender do substantivo e se focar no verbo. O sentido da vida é viver. Essa é a sua finalidade. Essa é a sua resposta.

Não encaro a vida como um presente. Ninguém pede para nascer. Encaro como uma consequencia biológica. Mas não apenas como isso. Não é como se fóssemos uma galinha que cai de paraquedas no mundo, e como a todos os outros animais irracionais, a vida à leva. Com o ser humano é o oposto: ele leva a vida, ou pelo menos deveria levar. O presente não é a vida, mas a racionalidade para notá-la. E fazer jus à essa racionalidade é justamente usá-la.

Partindo do ponto em que você aceitou viver, é melhor fazer direito. Não há certezas quanto a uma segunda chance. Na verdade, as possibilidades disso acontecer são tão ínfimas que não devem ser levadas em consideração. Esse é o primeiro ponto para o seu total aproveitamento: a noção de que a vida não se repete. Encarar a vida como uma sala de espera não é viver, é sobreviver.

Ao mesmo tempo que nasce uma vida aqui, nasce outra em Marrocos. A vida não é um acontecimento isolado. É um conjunto de vidas que acontecem simultaneamente, ela acontece no plural, nunca no singular. Sendo assim, viver não é a monopolização para si mesmo das forças para seu aproveitamento, é considerar o todo como parte fundamental dessa busca. Parafraseando John Donne: nenhum homem é uma ilha isolada.

Não se pode aproveitar algo que se mata, que se destrói, que se contamina. Curtir a vida é se focar tanto no “curtir” quanto no “vida” e cuidar dela e de sua continuidade de forma amável e responsável como uma mãe cuida de um filho. Novamente falando, de forma ampla. A vida de maneira geral.
Pessoalmente falando, esse é o meu tendão de Aquiles. Escrevo esse texto com o mouse em uma mão e um Marlboro na outra, com a consciencia de que a cada tragada, um pouco de vida vai embora junto.

Tudo o que prende, priva, manipula, amedronta, amarra e cega, não faz parte da vida. É preciso se desprender de todo e qualquer dogma, é preciso viver em sociedade sem se deixar envenenar. A crença é o câncer da vida, que por sua vez não acontece pela metade. Querer viver a vida pela metade é não vivê-la por inteiro.

Tenha sempre em mente que a sua vida é sua e você é o único responsável por comandá-la. O aproveitamento da vida exige liberdade. Ela é a gasolina que impulsiona o viver.

Não é fácil, eu sei, mas ninguém disse que seria. O mais difícil da vida, é sem dúvida nenhuma, vivê-la.

Postado por Marina | Categorias: Marina
POSTS Relacionados
22 jun 2012

18 anos

Quando eu tinha 14 anos, esperava ansiosamente pelos meus 18. 18 anos tem toda a magia da idade que modifica a vida de uma pessoa. Achava que tudo seria diferente, que faria 27 tatuagens, 11 piercings, pintaria o cabelo de verde e sairia dirigindo até a Argentina com a minha melhor amiga sem que meus pais pudessem fazer nada para impedir. Resumindo, eu achava que 18 anos era um clip do Aerosmith.

Fiz 18 e ainda estava na escola. Ainda morava com meus pais. Ainda pedia dinheiro pra sair, ía duas vezes na semana no cursinho de inglês e quando fui à Argentina, minhas companhias foram minha mãe e minha vó. Uhul, radical!

Faço 25 esse ano. Não faz muito tempo desde os meus 18, ou pelo menos eu gosto de acreditar que não, e me pergunto onde eu enfiei os meus sonhos não realizados aos 18. Não é possível que tenham simplesmente evaporado. Não é possível que tenham sido substituídos por planos de casar e escrever numa revista. Que sonhos mais sem graça, menina! Cadê os planos de mochilão pela Europa? Cadê os planos de nadar com os tubarões? Cadê os planos de pular de asa delta? Vocês acreditam que no último dia das mães, eu acordei chorando porque não tinha filho pra me dar presente feito de macarrão na escolinha? Eu, logo eu!

Estou cada dia mais perto dos 30 anos e isso tem me apavorado. Nunca fui do tipo que se acha velha e tem medo de fazer aniversário. Sempre achei isso uma babaquice, mas talvez eu esteja justamente me tornando o que antes eu achava babaca. Imaginei minha vida completamente diferente quando fosse uma adulta. Posso me considerar uma adulta, não posso? E olha eu, nem formada sou, abandonei duas faculdades e todos os empregos que arrumei e o mais radical que fiz nos últimos meses foi mandar minha síndica procurar infiltração na casa do caralho.

Não quero ser alguém com síndrome de Peter Pan, longe de mim não querer crescer. Tenho calafrios de pensar que filosofias assim são as que levam senhoras que deveriam ser vovós cozinhando biscoitos de chocolate, a fazerem 42 plásticas e quererem ficar iguais a Barbie. Eu não sou igual a Barbie e não vai ser daqui a 40 anos que vou ficar. Não quero ter medo de envelhecer, eu só queria que demorasse um pouco mais.

E me pergunto o que exatamente eu fazia aos 18 anos ao invés de realizar meus sonhos impulsivos e inconsequentes. Ah, sim, eu tinha medo do meu pai esfolar meu couro caso meus planos não coincidissem com os dele e preferia então ser boa filha trancada no meu quarto. E nem sei se nessa tarefa tive sucesso. Na verdade acho que nunca servi de bom exemplo. Mas também nem de mal.

Postado por Marina | Categorias: Marina
POSTS Relacionados
06 jun 2012

Os desaparecidos do Facebook

O adolescente briga com a mãe porque ninguém o entende. Foge de casa na madrugada. Dorme dois dias na praça. Volta pra casa quando o dinheiro dos salgados acaba.

Adolescentes sempre foram adolescentes. Imaturos, exagerados, impulsivos e babacas. Extremamente babacas! É fácil compreender a adolescência depois que ela passa, mas nem tanto quando ainda se está nela. Atitudes inconsequentes e impensadas são o que movem essas crianças com síndrome de adulto, e a verdade é que não há nada de errado nisso. Adolescentes se comportam como adolescentes. Sempre foi assim e sempre será.

Adolescentes da época da minha vó, fugiam de casa e se casavam. Adolescentes da época do meu pai fugiam e levavam surra de cinto quando voltavam. Adolescentes da minha época fugiam e ficavam de castigo quando voltavam. Adolescentes de hoje fogem e tem suas caras estampadas nas redes sociais como desaparecidos. Eles não estão desaparecidos, só estão tendo crise de babaquice adolescente.

Desaparecidos são casos de polícia. Babaquices, de redes sociais. Um celular desligado não faz de ninguém desaparecido. Um dia fora de casa, também não. Mais ridículo do que um adolescente fugindo de casa, só mesmo um adulto patético e afobado compartilhando na internet.

É desnecessário, é incômodo, é exagerado e é ineficaz. O problema dos incessantes compartilhamentos de falsos desaparecidos, é que eles ofuscam e descredibilizam os que realmente merecem atenção. Depois de 10 compartilhamentos falsos, quem vai dar atenção para 1 verdadeiro?

O grande problema da internet é que seu conteúdo é igual xixi na piscina: uma vez que entra é impossível tirar tudo por completo. Tudo o que você faz e registra, estará lá para sempre. Assim como tudo relacionado ao seu nome, e para achar, basta uma busca superficial. O adolescente falsamente desaparecido de hoje, será o adulto envergonhado de amanhã.

Se alguém vai pedir ajuda na internet para achar Fulano desaparecido, e não na polícia, é porque não está tão desaparecido assim.

Postado por Marina | Categorias: Marina
POSTS Relacionados