Casais que trocam senhas

abr 23

Nunca achei certo namorados trocarem senhas pessoais. Se o e-mail, ou o msn, ou o Facebook é seu, é seu e acabou. Não tem que dar a senha pra mais ninguém. Ainda mais pra alguém que vai entrar cheio de desconfiança na cabeça. A base de qualquer relacionamento é a confiança, se nem isso o casal têm, então eles não tem nada.

Imagino um namorado meu entrando nas minhas redes sociais e dando de cara com mensagens privadas de amigas do tipo “Amiga, dei pro Fulano.” ou “To menstruando feito uma porca há 8 dias.” ou até “Olha o tamanho dessa jeba [e uma foto de um senhor pau].” (Sim, minhas amigas são assim. Ou pior.)

A vida íntima das suas amigas ou o tamanho do pau de caras aleatórios não são o tipo de informação que você precisa dividir com o namorado, né? Se a informação for relevante para ele, você mesma se encarregará de repassar a mensagem. Se não for, não precisa! Sim, até num namoro você precisa ter privacidade.

O cara não paga as suas contas, não lava as suas calcinhas, não te carregou na barriga por 9 meses e vai querer te controlar só por estar te comendo oficialmente com status no Facebook? É muito pouco, minha amiga!

Mesmo que você não esteja devendo na praça e seja a pessoa mais tranquila possível no mundo virtual, se a gracinha da pessoa que você estiver namorando for altamente paranóica, irá achar maldade até nas mensagens que você troca com o perfil do Facebook do Poodle da sua tia. Não tem jeito, pessoas naturalmente desconfiadas, verão chifre em qualquer coisa.

E olha, minha amiga, por mais que o seu namorado te dê até a senha do banco dele, se ele quiser dar uma escapadinha, nem toda a desconfiança do mundo te salvará disso. Por tanto, dê gracas a Deus se ele se contentar em apenas ver uns peitinhos na webcam. Contanto que ele não saia de casa para botar a boca naqueles peitos, tá tudo bem então!

Pior do que casal que troca senha pessoal, é casal burro que troca senha pessoal. Se você está com o nome sujo na lista da fidelidade, me responde uma coisa: Porque vai trocar senha com seu conjuge? Porque??

O último relacionamento de um conhecido, acabou justamente dessa forma. A namorada estava viajando pra fora do Brasil, ele desconfiou de que algo estava acontecendo, entrou no e-mail da menina e pronto, deu de cara com infinitas trocas de e-mails com o Ricardão. Se deu ao ridículo de ler detalhes da foda da namorada com o gringo. Precisava disso? Precisava? Não, não precisava!

Troca de senha não é sinônimo de confiança mútua, pelo contrário, é uma atitude infantil de pessoas paranóicas e desconfiadas. É que nem botar “casado” no Facebook sem de fato ter casado: O término é iminente.

A cutucada

abr 21


Imagino o pequeno Zuckerberg deitado em sua cama após um cansativo dia de trabalho, pensando no que mais fazer em sua humilde rede social de controle mundial, até que uma ideia sensacional brota em sua mente perversa: “Uma cutucada. É isso o que falta. Claro, como nunca pensei nisso antes? Eu sou um gênio.”

Aparentemente, a cutucada no Facebook não serve pra porra nenhuma. É apenas uma cutucada. Mesmo.

Zuckerberg fanfarrão, deixou que o sentido da cutucada fosse dado pelos próprios usuários. Sendo assim, era óbvio que cairia para o lado sexual da coisa. Uma cutucada é um delicado jeito de dizer “Ei, quero te comer” ou “Ei, quero te dar”.

E Zuckerberg, que não é bobo nem nada, sabia disso. Mas veja bem, o Facebook é uma rede social de família, com valores e sem putaria. Pirus nervosos de avatar, não têm vez. Ou seja, o jeito de incluir algo sexual, tinha que ser da forma menos objetiva possível. Algo sem o sentido real de putaria, mas que acabasse se tornando, pois se a rede social espelha a vida do individuo, além de frasezinhas de Lispector, joguinhos toscos, e videozinhos no mural, tem que ter também o “chega junto, minha nega”, e é aí que a cutucada entra.

Uma cutucada significa “Só quero te avisar que eu to disponível, se você estiver também, quer assistir um DVD lá em casa?

E então começa a dúvida na cabeça do cutucado. O que fazer agora? Uma cutucada de volta significaria que você também quer, ignorá-la significaria que você preferia ser empalado vivo por um cavalo a ir pra cama com aquela pessoa. Mas e se você ainda não tiver a resposta clara em sua mente? Não dá para se jogar, e nem fechar as portas sem que essa decisão esteja definida para você mesmo. É preciso muito pensar antes de responder ou ignorar uma cutucada. Sua vida sexual é o que está em discussão no momento.

Para quem cutucou, é uma situação cômoda. Se colar, colou. Se não colar, pode fingir que foi apenas uma brincadeira, e que o botão estava ali e… Opss, apertei sem querer, mas não estou querendo dizer nada com isso, ok?

Imagina só se essa ideia pega no mundo real. Lá está você fazendo coisas rotineiras, como ir ao mercado, comprar jornal ou visitar sua tia-avó, quando do outro lado da rua, vem alguém desesperado, correndo em sua direção. O quê?? Um assalto? Não, é apenas aquele carinha que você conheceu no batizado da filha do irmão da sua melhor amiga. Um semi-conhecido, daqueles que quando você vê na rua, finge que está falando no celular, para não ter que fazer média e perguntar como vai a família toda, que na verdade você está cagando horrores. Ele se aproxima com um sorriso na cara e um dedinho nervoso, e então te cutuca e fica te olhando, esperando uma cutucada de volta.

Não, né? Não mesmo!

Então amigos, vamos combinar uma coisa? Cutuquem o coleguinha do Facebook, somente se você tiver o menor pingo de intimidade. Se não tiver, contente-se em ter sido adicionado, que já está bom demais.

 

Trocando nomes

abr 15

Lá está você com o homem mais gentil, carinhoso e maravilhoso do mundo. Tudo está a mil maravilhas, vocês estão no provável momento mais romântico de suas vidas, entre abraços, beijos e declarações, quando ele abre a boca e diz: Elisabeth, eu te amo!

Lindo, não?

Sim, seria lindo. Se você não se chamasse Abigail.

Trocar o nome da pessoa é o maior corta tesão do mundo. Não importa quem seja a Fulana do nome. Pode ser ex-namorada, pode ser ex-ficante, pode ser sonho de consumo, pode ser a mãe do cara, pode ser a tia da cantina, pode até não ser ninguém que mesmo assim o vacilo ainda é grande.

A mãe da criatura a batizou com um nome com a intenção de ela seja chamada pelo mesmo. Então chamar a Letícia de Regina não pega bem, amigo. É até válido chamar por algum apelidinho. Chama de amor, de xuxu, de linda. Pronto, se você troca de mulher como troca de cuecas, serve para todas e você não precisa passar por esse tipo de situação embaraçosa.

Se você não está saindo com a Sarah Sheeva que um dia já foi Riroca, você não tem desculpas para trocar o nome da mocinha. É de extrema falta de respeito e não importa se ela é sua esposa há 20 anos ou seu lanchinho da madrugada, ela merece o mínimo de consideração em você chamá-la pelo seu nome verdadeiro, e não pelo primeiro nome que vier a sua cabeça.

Mermão, me chama de “saco de merda”, mas não troca o meu nome.

 

Não é o assunto do post, mas enquanto escrevia esse texto, conversava com uma amiga, e ela me contou uma das histórias mais engraçadas que eu já ouvi na vida, então lá vai:

Minha querida amiga, Fabiana, estava saindo com um carinha há uns meses. Não estava muito animada, ele era meio bobo e não tinha muita pegada.

Ela, como boa mulher brasileira que era, não desistia nunca e tentou dar várias chances para o boy ser mais atitude, mais macho alfa e conquistá-la.

Estavam na cama, quando Fabiana o olhou com cara de safada e disse:

- Me xinga!

Sem pensar duas vezes, o rapazinho atendeu seu pedido da forma que mais lhe convinha:

- Retardada!

FIM

As pessoas acontecem

abr 11

As pessoas acontecem em nossas vidas. Elas não são chamadas, elas não pedem licença. Elas simplesmente acontecem.

E eu tenho medo das pessoas acontecendo e desacontecendo dessa forma louca que não consigo controlar.
Tenho medo de quando elas acontecem e acontecem de forma linda, porque já penso no dia em que elas desacontecerão. E isso dói.

Penso no dia em que elas morrerão, e isso dói. Penso no dia em que a vida as levará embora inconscientemente, e isso dói. Penso no dia em que elas escolherão ir embora, e isso dói ainda mais. Porque dói quando alguém escolhe ir sem você deixar. E quem é você para achar que deve assinar embaixo a permanência ou a ausência de alguém?
As pessoas ficam e vão quando querem, e isso dói. A escolha que não é minha, me afeta, e no final dói.

A vontade de querer que alguém fique, e raspar com a colher bem no fundo de tudo o que você é e tem a oferecer, vem também carregada do medo de que essa vontade possa ser tão grande, tão gigantescamente cheia de responsabilidades que essa pessoa não se sinta capaz de segurar, e que justamente essa sua linda e sincera vontade, seja a culpada por afastar aquela pessoa. Porque é natural do ser humano fugir quando se sente ameaçado.
E quer ameaça maior do que ter a responsabilidade de um outro alguém?

É tão difícil cuidar de nós mesmos, fazer escolhas certas e inteligentes, que é assustador demais imaginar em ter que fazer tudo isso por outra pessoa. E ainda com o agravante de que se você erra com você, tudo bem, ok, você consegue lidar com a sua própria dor. Mas e quando o erro é na vida de outro? Você pode cuidar da felicidade, mas nunca será capaz de cuidar da dor de outro alguém.

Então eu abaixo a cabeça e aceito que a vida é mesmo uma grande filha da puta, uma mãe sádica que dá e tira as coisas mais lindas de seus próprios filhos: Eles mesmos. Uns aos outros. Com a missão de que escrevam logo suas histórias, porque tem uma data de validade a ser respeitada, e que quando a data de cada um chega, não tem lamentação que amoleça o coração da Sra. Vida. Ela tira, ela afasta, ela não avisa.

A vida, assim como toda mãe, não quer ensinar seus filhos a amar. Todo mundo sabe amar. Mesmo que ame errado, mesmo que ame torto. Ainda é amor. A vida quer ensinar a perder. E para isso, talvez sejam necessárias várias outras vidas para finalmente aprender.

Olha o piu piu ô

abr 07

Não sou a favor desse preconceito exacerbado com as bandas da modinha de atualmente. É fácil para alguém aos 25 anos, meter pau nas adolescentes de 13. Mas não sejamos tão ruins assim, elas estão mesmo na fase de ouvirem porcaria.

Até porque, você, que agora me lê, se você já passou dos 20, amigo, seu passado te condena. E muito.

Você teve o cd Axé Bahia 97, que eu sei!
Você sabia a coreografia toda do É o Tchan no Havaí, que eu sei!
Você cantava a melô do pirulito, que eu sei!
Você ouvia Chiquititas antes de dormir, que eu sei!

Então, mermão, você acha mesmo que tem alguma moral pra falar de Restart, Cine e companhia?
Não, você não tem.
Nem você, nem eu, nem qualquer um que nasceu na década de 80, porque você ouviu coisa pior, sim. Não adianta querer dizer que aos 10 anos de idade você só ouvia Djavan, porque é mentira!

E veja só que diferença, na sua infância você escutava “Uh Tiazinha, mexe essa bundinha e vem, Uh Tiazinha, mexe aqui pra mim também” e a infância de hoje tá escutando “E eu vou te esperar, aonde quer que eu vá. Aonde quer que eu vá, te levo comigo”, então você quer mesmo discutir sobre a qualidade do que a mulecada anda ouvindo?
Olha, dê graças a Deus que as bandinhas pop estão na moda, porque se não fossem por elas, era muito capaz do seu filho, do meu e o de todos nós nascerem ouvindo coisa muito pior. E quando eu digo pior, não há limites para tal.

Quando eu tinha 10 anos, encasquetei que eu queria um cd do Rodolfo e Et. Sim, por algum motivo misterioso, eu achei que deveria ouvir em casa a dança do et, e que isso era extremamente necessário para mim.
Lembro de pedir pro meu pai, e ele não acreditar no que eu estava pedindo. Tanta coisa preu pedir e eu pedi logo aquilo?

“Criei 10 anos uma filha para ela me pedir o cd do Rodolfo e Et? Ó, céus, onde foi que eu errei?”

Imaginem meu pai, um homem sério, inteligente e bem arrumado entrando numa loja e se dirigindo ao caixa com três cds em mão: Pink Floyd, Beatles e Rodolfo e Et.
Ridículo, patético, beira ao vergonhoso, mas ele tinha uma filha. Uma filha de 10 anos com a cabeça cheia de Domingo Legal e sua bizarras atrações, então fazer o que? Presenteá-la com Kafka em seu 11º aniversário?
Nããããão. Alimentar suas porcarias pré-adolescentes, sejam elas quais forem, claro!
Até porque, ninguém quer traumatizar precocemente sua cria, não é mesmo?

Não importava a qualidade do que eu, aos 10 anos de idade, queria. Se era bom, ou ruim, foda-se. O que importava é que eu era uma criança, meus gostos ainda estavam em formação, e eu tinha que ser, me vestir, ouvir e me comportar como qualquer menina normal da minha idade. Fosse isso ouvir Rodolfo e Et ou Fiuk.

Então a garotada de hoje tá ouvindo o que? É bandinha emo? Então tá ok, temos mais é que dar força mesmo. Temos que apoiar, achar lindo, cantar junto e dar o maior incentivo, porque é só se lembrar da nossa época e ver que poderia ser pior. Beeeeeem pior, meu amigo.

Homens que somem

abr 04

Vez ou outra, homens tem uma irritante mania que só eles conseguem arquitetar com tamanha sapiência: eles somem.

E não é só isso, eles somem com uma maestria invejável, eles tomam chá de sumiço bem no momento em que você estava quase enganada de que tudo estava indo muito bem, obrigada.

Eles somem sem dar sinal, sem dar pista; somem sem ligar, sem mandar sms, código Morse, pombo correio, sinal de fumaça. Eles somem de você, sem pensar que avisar seria no mínimo uma atitude educada.

E sabem por que eles somem? Eles somem quando acham que você quer casar, ter 5 filhos e uma casa de campo com eles.

Porque por mais que o boy não passe de um agradável passatempo, se você não estiver dando para outro (e deixar isso bem claro), é exatamente isso o que ele vai pensar.

É, minhas caras, caímos então no cruel dilema das relações humanas: como demonstrar para o outro o que está se passando dentro de você?

Quem dera tudo fosse resolvido com uma simples conversa. Mas não, o ser humano não é tão simples assim, as pessoas só escutam o que querem escutar, e os homens em especial têm uma característica peculiar que eu chamo de ouvido seletivo.

Eles selecionam o que vão ouvir. Muito útil para quando você começa a falar sobre a morte do seu cachorro ou a viagem que fez com seus pais no verão passado, mas um tremendo erro quando o que está sendo discutido é a relação de vocês dois.

Sim, relação, porque mesmo que seja apenas relação sexual, ainda assim é uma relação.

O que você dirá: “eu não quero nada sério, estamos bem assim.”

O que ele vai ouvir: “eu estou dizendo que não quero nada sério, mas é só para me fazer de durona. A verdade é que estou louca para que me peça em casamento agora mesmo, dentro desse carro imundo que você não lava há 5 meses, mas que estou apaixonada demais para me importar”.

De certo é algum tipo de trauma, alguma defesa burra e desnecessária, o que não é desculpa para nada. Independente do motivo que o leve a acreditar que além de você não ser a pessoa certa para ele, ele também está afim de acabar, seja lá o que vocês tenham, o mínimo esperado é que ele acabe.

Se ele foi homem o suficiente para entrar nessa, que seja para sair também.

É um ato desrespeitoso e covarde, mas veja pelo lado positivo: Ele fez um favor a você, poupando o seu trabalho de descobrir mais tarde o homem frouxo e cagão que ele na verdade é.

Sumir não é tomar uma atitude, sumir é fugir do que você não consegue encarar.

Texto que escrevi para o blog TPMsemanal.

 

Página 10 de 34« Primeira6789101112131415