
Até hoje, nunca escrevi sobre Big Brother aqui no blog. Não é novidade para ninguém que me acompanha no Facebook ou Twitter que assisto o programa e eventualmente expresso opiniões sobre, mas esse texto na verdade não é sobre o programa, mas sim sobre um comportamento de uma participante que estranhamente possui o favoritismo dessa edição, o que me choca, diga-se de passagem. Por tanto, mesmo que você não assista ao programa, tenho certeza que conhece muitas Fernandas por aí.
Desconstruindo Fernanda
Dificilmente alguém conseguiria passar 3 meses sendo realmente um jogador. Calculando cada ato, pensando antes de agir e deixando de lado quem realmente é. Uma hora, o personagem sai e a pessoa se mostra completamente nua em toda sua essência. Fernanda não está sendo nada além do que é. Fernanda é linda e isso é indiscutível, e não é preciso ser um gênio para saber que a vida de uma mulher bonita é sempre mais fácil. Sempre tendo alguém para cortejar, para encantar, para fazer todas as suas vontades. As mulheres bonitas se acostumam com isso. As Fernandas da vida real lutam pelos seus objetivos, claro que lutam, mas com a facilidade de por onde passam, encontrarem pessoas dispostas a darem sempre um empurrãozinho a mais, fazendo com que suas lutas não sejam assim tão massacrantes, afinal o sorriso das Fernandas é encantador e derrete qualquer coração.
Fernanda não é a primeira Fernanda do reality e nem será a última, mas as Fernandas se perdem completamente quando se dão conta que há algo muito mais importante e forte que seus sorrisos meigos em jogo: o dinheiro. E então, suas belezas e carismas não possuem mais os mesmos resultados que possuíam na vida real. E o que acontece? Elas não sabem mais como interagir com as pessoas, já que algo que fizeram a vida inteira, não funciona mais e então, perdidas e desequilibradas, entregam o jogo para qualquer homem, que nunca teve isso durante sua vida e que por isso não se perdeu, leve o prêmio para casa. Esse é o motivo de nenhuma mulher bonita ter ganhado o BBB, com exceção de Maria, que na verdade só foi vencedora não por mérito próprio, mas sim por outro participante, Maumau, ter lhe entregado o prêmio numa bandeja, embrulhado para presente com laço vermelho em cima e tudo.
Nunca sozinha
As Fernandas nunca estão sozinhas. Em suas vidas, os homens fazem fila para terem sua companhia, para terem uma chance de desfilar com elas ao lado e isso acostuma mal, muito mal. Então Fernanda nunca conseguiria passar 3 meses, mesmo que num programa de tv, sem formar casal. Porque é assim que é a sua vida fora dali. Mas e se o rapaz não quiser uma Fernanda? Então é óbvio que é gay, já que em suas mentes insanas, o único motivo para um homem não as quererem, é que não goste de maneira nenhuma de mulher. Qualquer mulher. Já que para elas, elas próprias são a melhor categoria de mulher que um homem pode ter, exigir e esperar. Uma prepotência sem igual, mas não é de se estranhar, já que para as Fernandas, o mundo só gira em torno de terem suas vontades egoístas supridas e não importe o que isso custará ao outro.
Não necessariamente o que motiva esse comportamento carente seja apenas o sexo, o toque, ou o beijo, mas sim a presença masculina. Os cavalheirismos, os mimos, tudo aquilo que potencializa esse sentimento de “eu sou mais eu, e qualquer um também deve ser” que centraliza suas vidas.
E então elas sugam seus companheiros. Grudam e são extremamente dependentes, já que declaradamente não conseguem viver sem um homem ao lado, atrás, na frente, nelas por completo, que viva por elas, que se alimente delas, que respire elas 25 horas por dia, 8 dias a semana. É incabível para qualquer Fernanda que um homem tenha uma vida. Para elas, a vida de um homem tem que ser ela mesma.

O príncipe de papel alumínio completamente descartável
Não existe maior símbolo de idealização do que um príncipe. O príncipe é aquele que monta num cavalo e enfrenta bruxas, dragões, maldições, apenas para ter a princesa, que por sua vez não faz nada. Só dorme, de olhos bem fechados, sem mover um dedo que seja e fica lá, linda e bela apenas esperando. E qualquer pessoa que já passou dos 15 anos de idade, sabe que relacionamentos não são contos de fada e que a vontade e dedicação de ambos precisa ser na mesma intensidade para que dê certo. Mas porque uma Fernanda iria se preocupar com um relacionamento, já que se esse príncipe se cansar e for embora, rapidamente aparecerá outro disposto a ocupar o lugar vazio, mesmo que por pouco tempo?
Fernanda vestiu André, o primeiro que apareceu, com todas as suas fantasias adolescentes. Se não fosse ele a ocupar o lugar de príncipe, seria qualquer outro. Fernandas não se apaixonam por pessoas, se apaixonam pelas suas próprias idealizações.
André desde o início mostrou que não estava disposto a ser príncipe de ninguém e isso soou como uma afronta, como um desafio para ela. E isso foi um prato cheio para que pudesse fazer o que mais gosta: joguinhos.
Provocar ciumes, dramatizar, se vitimizar, sentir pena de si mesma, pagar de sofredora e viver a novela que tanto almeja viver. Fernandas não querem viver uma vida, querem viver uma novela, e mexicana, onde pisam e maltratam um homem e ao virarem as costas, ele puxar seus braços e lascar um beijasso de 20 minutos. E aí, pronto, não importa mais o que aconteceu, qualquer ato se torna desculpável e assim vão vivendo até o próximo capítulo, onde tudo volta a acontecer.

A incapacidade de lidar com as frustrações da vida
Sabe o que acontece quando uma Fernanda não consegue o que quer? Ela culpa o mundo. Ela culpa qualquer um, nunca ela mesma. Ela se descontrola, ela não sabe como agir, ela não age racionalmente e doa a quem doer, a vontade da princesinha mimada não foi realizada e isso se transforma num apocalipse.
Fernanda agrediu fisicamente dois participantes diante de uma frustração pessoal sua. Jogou bebida na cara, um ato de desrespeito sem igual, e pasme, um desses era o seu próprio “príncipe”.
Mulheres como a Fernanda acham que ser mulher as dá total direito de poderem tratar os outros da forma como bem entenderem, principalmente os homens, já que cresceram com a ideologia de que um homem nunca pode de jeito nenhum agredir uma mulher, faça o que ela fizer, mas se esqueceram de aprender que agressão é agressão, seja vinda de qualquer um, e não se torna mais amena quando vinda de uma mulher.
Para as Fernandas, as consequências de seus atos são um insulto e não podem ser aplicadas à elas. Porque? Ah, porque elas querem, ora bolas. E em seus mundos, isso basta.
O ato de jogar bebida na cara de alguém é exatamente a forma como Fernanda vê os outros: um grande nada, com todo o desprezo possível. O desrespeito dessa atitude é como Fernanda enxerga qualquer um que não seja ela: um joão bobo com a única finalidade de descarregar suas frustrações.

As amizades frágeis
Quem nunca ouviu piadinhas a cerca das amizades femininas? Piadas que expressam que amizades femininas são falsas, descartáveis, com uma tentando detonar a outra pelas costas. As amizades femininas não são assim. As amizades Fernanda é que são.
Fernandas dificilmente conseguem fazer amizade com mulheres não Fernandas. Elas precisam de alguém com pensamentos e atitudes que reforcem as suas próprias. E porque essas amizades vivem turbulentas? Porque duas Fernandas nunca conseguiriam abrir mão do egocentrismo para uma convivência minimamente saudável. A forma como lidam com o mundo, é obviamente a forma como lidarão com suas amizades. Uma Fernanda não fará as vontades da outra, já que só conseguirá se focar em suas próprias. Da mesma forma que também dificilmente conseguirão manter uma amizade com um homem, já que esse, num papel apenas de amigo, não terá obrigação alguma de estender um tapete vermelho para cada passo dela.
Suas amizades só possuem uma regra: Conto com você, mas não conte comigo.
O que acontece então é que uma Fernanda troca uma amiga Fernanda por outra amiga Fernanda. E suga cada uma da mesma forma que suga um affair e a trata não como uma amiga que possui uma vida e outras amigas além dela, mas a trata como uma amiga namorado, uma amiga que exige veemente toda a dedicação, exclusividade e a fidelidade de um cachorro, sem que sinta a obrigação de retribuir. Relacionamentos unilaterais, amizades unilaterais.
O mundo eu
Imagine-se numa mesa de jantar com outras quatro pessoas dividindo a mesma mesa. Para qualquer uma das pessoas presentes, a cena se mostra sob a perspectiva de dois ângulos, dois mundos. O ângulo geral, do mundo, como se visto por alguém fora da cena, onde 5 pessoas jantam numa mesa, e o ângulo mundo eu, onde cada pessoa, vista por seus próprios olhos, enxerga apenas 4 pessoas à mesa. Por mais que você saiba que existem 5 pessoas naquele espaço, você, do seu ponto de vista, só enxergará quatro.
As Fernandas só conseguem enxergar o mundo eu, onde assistem suas próprias vidas como telespectadoras, e não se dão conta que também fazem parte daquele ambiente e que se tudo acontece da forma como acontece, elas também possuem direta influencia naquilo.
Para elas, todos os acontecimentos acontecem à sua volta, para elas e por elas, fazendo delas não meras participantes, mas sim, deusas, que exigem adoração exclusiva e ininterrupta.
É difícil conviver com uma Fernanda. Eu, particularmente, não tenho paciência para aturar comportamentos mimados excessivos. Não suporto gente egocêntrica. Não carreguei ninguém na barriga por 9 meses para ter alguém dependente de mim e nem para amar incondicionalmente sempre desculpando e se anulando nesse tipo de convivência doentia.
Esse é o comportamento que toda mulher deveria fugir, ir na contra mão, correr o mais longe possível para o outro lado, mas infelizmente é o comportamento de muitas, ouso ainda dizer que da maioria, e senhoras e senhores, essa mulher, a personificação do egocentrismo e do desprezo pelos outros, será premiada justamente por esse comportamento. Um prêmio que só enfatiza tal comportamento. Não exclusivamente numa pessoa que provavelmente nem eu e nem você conheceremos algum dia, mas enfatiza o comportamento de todas as Fernandas por aí, que ao verem uma Fernanda receber um prêmio desses, se convencem que o certo mesmo é serem cada vez mais Fernandas.
Um minuto de silêncio por todas e todos nós, por favor.