Corra Mary
08 mai 2013

Passaporte

passaporte

Existem pessoas fáceis de conviver, mas deve ser uma chatice conviver com elas. Existem também as impossíveis de conviver, e deve ser uma luta conviver com elas. Mas ele fica ali no meio entre o fácil e o difícil. Antes de você se entediar, ele bagunça completamente o seu mundo e antes que você possa sofrer, ele te mostra a fidelidade de um cão adestrado. Nem por um segundo pense que ele é mediano. Esse rapaz não tem nada de mediano. Ele é sempre mais em tudo que é bom e em tudo que é ruim, ele não passa nem na calçada.

Mostre a ele tudo o que você tem de melhor, ele saberá aproveitar cada resquício de bondade que ainda resta em você depois que todos os que não eram ele, passaram na sua vida. E se faltar bondade, não se preocupe, ele tem de sobra. Te vende e você terá a vida inteira para pagá-lo com beijos verdadeiros. Não falsifique seus beijos, eles serão o passaporte com visto vitalício para a felicidade.
Cuidado, a felicidade ao lado dele é tão grande que você se doerá. Mas não se preocupe, quando você estiver certa de que irá explodir a qualquer momento, é quando estará mais plena.

Não seja ciumenta com ele. Entenda que ele é a busca. Troque o ciúmes pela gratidão e pela honra. É uma honra estar ao lado dele. Quando o sangue ferver, beije-o. Aquele beijo é tão viciante que estou certa de que a saliva dele é feita de cocaína. Eu só ainda não descobri como ele faz isso. Não tente descobrir também.
Seja compreensiva com os segredos dele. Ele é cheio de segredos e tentar desvendá-los é empurrá-lo para longe. E acredite, você não quer empurrá-lo para longe. Os segredos foram o cimento que o moldaram e ele é perfeito em cada segredo, em cada omissão, em cada mentira.

Quando não usar a boca para beijá-lo, use-a para sorrir. O sorriso com que ele retribuirá um sorriso seu, te fará querer grudar nele como um bicho preguiça numa árvore. Controle-se, ele prefere andar lado a lado. E se ele colocar a mão na sua perna enquanto dirige, sorria mais uma vez, você o ganhou.

Não se irrite com problemas pequenos. O tempo ao lado dele passa rápido. Gaste cada segundo amando esse rapaz.
Ah, se você soubesse a dor que é não aproveitá-lo em cada oportunidade.

Não o machuque. Machucá-lo é machucar a si mesma duas vezes mais. Ele não gosta de se machucar, mas gostará menos ainda de te ver machucada. E o castigo por machucá-lo é viver sem ele. Um preço alto demais para se arriscar.

Durma ao lado dele sempre que tiver a chance. Antes dele sair para trabalhar, o beijo que te dará na testa te fará sonhar com tudo o que há de mais belo. Ele é o que há de mais belo, mas não o deixe saber. Você também precisa ter os seus segredos.

Seja boa em tudo o que eu fui e seja melhor ainda no que eu não pude ser. Não o deixe sentir a minha falta como sinto a dele. E principalmente não o deixe olhar pela janela. Eu posso estar passando e se os nossos olhares se cruzarem mais uma vez, eu não respondo por mim. Aqueles olhos castanhos são perigosos. Depois que você se perde, só acha restos de você. Deixei algumas partes de mim lá dentro e se você as achar, deixe aonde estão. Não te serão úteis. E nem mais a mim.

E se por algum momento ele se questionar se eu ainda escrevo sobre ele, diga que eu só escrevo por ele.

Postado por Marina | Categorias: Contos, Marina
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04 abr 2013

Os novos cambistas

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Hoje começou (e terminou também) a venda dos ingressos do Rock in Rio. A internet só falava disso, todo mundo feito louco tentando e se frustrando no site para realizar a compra. Alguns conseguiram, mas muitos só ficaram na vontade mesmo. Não é todo mundo que pode parar a sua vida para ficar, numa manhã de quinta feira, tentando por horas realizar uma compra num site completamente instável até conseguir.

Para aqueles que não conseguiram, só resta agora a opção de esperar a sorte de futuramente conseguirem ganhar àquela promoção esperta da rádio ou comprar o ingresso de alguém que por algum motivo desistiu. Quem comprou hoje, talvez na data por algum imprevisto não possa ir, e sabe o que essa pessoa fará? Ela não apenas venderá o seu ingresso, ela irá querer lucrar fortemente com ele. E então, por saber que está tudo esgotado, venderá o seu ingresso não pelo preço que comprou, mas por duas, três vezes o seu preço original.

Um ingresso que já não é barato (R$ 260 a inteira) sairá por uns R$ 600. Esse será o preço que você, meu amigo, terá que desembolsar para assistir ao seu ídolo de pertinho.

Essa é a nova geração de cambistas. Não são mais aqueles caras que compravam 10, 20 ingressos para venderem na porta do evento por preços absurdos. Agora, os cambistas estão nos seus amigos da rede social e te chamam de amigo, mas não hesitam na hora de lucrarem com o seu, ou de qualquer outro, precioso dinheirinho por algo que não servirá mais para eles. O preço só será justo para o bolso deles.

São essas mesmas pessoas que tanto se chocam com o desvio de dinheiro público do político ladrão, ou que acham um absurdo o preço caríssimo daquele video game no Brasil enquanto lá fora ele cai quase que pela metade. O espertinho não gosta que alguém o faça de otário lucrando com o seu dinheiro, mas não perde a oportunidade de fazer o mesmo com outro alguém se puder se beneficiar com isso.

Existe um ditado que diz que se você quiser conhecer uma pessoa de verdade, basta dar poder a ela. Nessa situação, a pessoa que tem o ingresso tão cobiçado, tem o poder e o que ela fizer com esse poder, diz muito sobre quem ela é.

Num mundo perfeito, ninguém aceitaria ser feito de otário, e o ingresso super ultra mega inflacionado encalharia na mão dos espertinhos que não só deixariam de lucrar rios com ele, mas perderiam o dinheiro que pagaram inicialmente pelo ingresso, mas infelizmente estamos falando de sonhos. Então aquela pessoa que sonha em ver o seu ídolo ao vivo, pagará. Com raiva, mas fechará os olhos e pagará.

Para quem é espertinho, deitar a cabeça no travesseiro e ter a consciência plenamente limpa de ser uma pessoa naturalmente honesta, pode facilmente ser substituída por dinheiro no bolso. E foda-se se é sujo ou não, o Iphone 5 não pode ser comprado com honestidade, então para que mesmo ela serve?

[Editado]
A atividade do cambista constitui crime contra a economia popular, previsto na lei 1521/51, com pena de até dois anos de prisão. Então, meu amigo, se você se deparar com alguém vendendo ingressos por um preço muito acima do que realmente valem, saiba que a pessoa não está só sendo desonesta, ela está cometendo um crime, então denuncie!

A denuncia pode ser feita pelo Disque Denuncia 181, pelo 190 ou pessoalmente numa delegacia de crimes virtuais.

    “CRIME CONTRA A ECONOMIA POPULAR- Cambista que compra ingressos de espetáculo e os revende por preço superior ao real – Configuração: – Inteligência: art. 2º, IX da Lei de Economia Popular

    251 – Configura, em tese, o delito do art. 2º, IX, da Lei nº 1.521/51, a conduta do cambista que compra ingressos de espetáculo e os revende por preço superior ao real, máxime porque os cambistas, atuando de modo organizado e ardiloso, têm constantemente saqueado a economia popular com suas investidas, condicionando a diversão da população ao próprio enriquecimento. (Recurso em Sentido Estrito nº 911.579/1, Julgado em 20/12/1.994, 13ª Câmara, Relator: – Roberto Mortari, RJDTACRIM 24/474)”

Postado por Marina | Categorias: Crônicas, Marina
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20 mar 2013

Fernanda, o retrato de muitas

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Até hoje, nunca escrevi sobre Big Brother aqui no blog. Não é novidade para ninguém que me acompanha no Facebook ou Twitter que assisto o programa e eventualmente expresso opiniões sobre, mas esse texto na verdade não é sobre o programa, mas sim sobre um comportamento de uma participante que estranhamente possui o favoritismo dessa edição, o que me choca, diga-se de passagem. Por tanto, mesmo que você não assista ao programa, tenho certeza que conhece muitas Fernandas por aí.

Desconstruindo Fernanda

Dificilmente alguém conseguiria passar 3 meses sendo realmente um jogador. Calculando cada ato, pensando antes de agir e deixando de lado quem realmente é. Uma hora, o personagem sai e a pessoa se mostra completamente nua em toda sua essência. Fernanda não está sendo nada além do que é. Fernanda é linda e isso é indiscutível, e não é preciso ser um gênio para saber que a vida de uma mulher bonita é sempre mais fácil. Sempre tendo alguém para cortejar, para encantar, para fazer todas as suas vontades. As mulheres bonitas se acostumam com isso. As Fernandas da vida real lutam pelos seus objetivos, claro que lutam, mas com a facilidade de por onde passam, encontrarem pessoas dispostas a darem sempre um empurrãozinho a mais, fazendo com que suas lutas não sejam assim tão massacrantes, afinal o sorriso das Fernandas é encantador e derrete qualquer coração.

Fernanda não é a primeira Fernanda do reality e nem será a última, mas as Fernandas se perdem completamente quando se dão conta que há algo muito mais importante e forte que seus sorrisos meigos em jogo: o dinheiro. E então, suas belezas e carismas não possuem mais os mesmos resultados que possuíam na vida real. E o que acontece? Elas não sabem mais como interagir com as pessoas, já que algo que fizeram a vida inteira, não funciona mais e então, perdidas e desequilibradas, entregam o jogo para qualquer homem, que nunca teve isso durante sua vida e que por isso não se perdeu, leve o prêmio para casa. Esse é o motivo de nenhuma mulher bonita ter ganhado o BBB, com exceção de Maria, que na verdade só foi vencedora não por mérito próprio, mas sim por outro participante, Maumau, ter lhe entregado o prêmio numa bandeja, embrulhado para presente com laço vermelho em cima e tudo.

Nunca sozinha

As Fernandas nunca estão sozinhas. Em suas vidas, os homens fazem fila para terem sua companhia, para terem uma chance de desfilar com elas ao lado e isso acostuma mal, muito mal. Então Fernanda nunca conseguiria passar 3 meses, mesmo que num programa de tv, sem formar casal. Porque é assim que é a sua vida fora dali. Mas e se o rapaz não quiser uma Fernanda? Então é óbvio que é gay, já que em suas mentes insanas, o único motivo para um homem não as quererem, é que não goste de maneira nenhuma de mulher. Qualquer mulher. Já que para elas, elas próprias são a melhor categoria de mulher que um homem pode ter, exigir e esperar. Uma prepotência sem igual, mas não é de se estranhar, já que para as Fernandas, o mundo só gira em torno de terem suas vontades egoístas supridas e não importe o que isso custará ao outro.

Não necessariamente o que motiva esse comportamento carente seja apenas o sexo, o toque, ou o beijo, mas sim a presença masculina. Os cavalheirismos, os mimos, tudo aquilo que potencializa esse sentimento de “eu sou mais eu, e qualquer um também deve ser” que centraliza suas vidas.

E então elas sugam seus companheiros. Grudam e são extremamente dependentes, já que declaradamente não conseguem viver sem um homem ao lado, atrás, na frente, nelas por completo, que viva por elas, que se alimente delas, que respire elas 25 horas por dia, 8 dias a semana. É incabível para qualquer Fernanda que um homem tenha uma vida. Para elas, a vida de um homem tem que ser ela mesma.

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O príncipe de papel alumínio completamente descartável

Não existe maior símbolo de idealização do que um príncipe. O príncipe é aquele que monta num cavalo e enfrenta bruxas, dragões, maldições, apenas para ter a princesa, que por sua vez não faz nada. Só dorme, de olhos bem fechados, sem mover um dedo que seja e fica lá, linda e bela apenas esperando. E qualquer pessoa que já passou dos 15 anos de idade, sabe que relacionamentos não são contos de fada e que a vontade e dedicação de ambos precisa ser na mesma intensidade para que dê certo. Mas porque uma Fernanda iria se preocupar com um relacionamento, já que se esse príncipe se cansar e for embora, rapidamente aparecerá outro disposto a ocupar o lugar vazio, mesmo que por pouco tempo?

Fernanda vestiu André, o primeiro que apareceu, com todas as suas fantasias adolescentes. Se não fosse ele a ocupar o lugar de príncipe, seria qualquer outro. Fernandas não se apaixonam por pessoas, se apaixonam pelas suas próprias idealizações.

André desde o início mostrou que não estava disposto a ser príncipe de ninguém e isso soou como uma afronta, como um desafio para ela. E isso foi um prato cheio para que pudesse fazer o que mais gosta: joguinhos.
Provocar ciumes, dramatizar, se vitimizar, sentir pena de si mesma, pagar de sofredora e viver a novela que tanto almeja viver. Fernandas não querem viver uma vida, querem viver uma novela, e mexicana, onde pisam e maltratam um homem e ao virarem as costas, ele puxar seus braços e lascar um beijasso de 20 minutos. E aí, pronto, não importa mais o que aconteceu, qualquer ato se torna desculpável e assim vão vivendo até o próximo capítulo, onde tudo volta a acontecer.

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A incapacidade de lidar com as frustrações da vida

Sabe o que acontece quando uma Fernanda não consegue o que quer? Ela culpa o mundo. Ela culpa qualquer um, nunca ela mesma. Ela se descontrola, ela não sabe como agir, ela não age racionalmente e doa a quem doer, a vontade da princesinha mimada não foi realizada e isso se transforma num apocalipse.

Fernanda agrediu fisicamente dois participantes diante de uma frustração pessoal sua. Jogou bebida na cara, um ato de desrespeito sem igual, e pasme, um desses era o seu próprio “príncipe”.

Mulheres como a Fernanda acham que ser mulher as dá total direito de poderem tratar os outros da forma como bem entenderem, principalmente os homens, já que cresceram com a ideologia de que um homem nunca pode de jeito nenhum agredir uma mulher, faça o que ela fizer, mas se esqueceram de aprender que agressão é agressão, seja vinda de qualquer um, e não se torna mais amena quando vinda de uma mulher.

Para as Fernandas, as consequências de seus atos são um insulto e não podem ser aplicadas à elas. Porque? Ah, porque elas querem, ora bolas. E em seus mundos, isso basta.

O ato de jogar bebida na cara de alguém é exatamente a forma como Fernanda vê os outros: um grande nada, com todo o desprezo possível. O desrespeito dessa atitude é como Fernanda enxerga qualquer um que não seja ela: um joão bobo com a única finalidade de descarregar suas frustrações.

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As amizades frágeis 

Quem nunca ouviu piadinhas a cerca das amizades femininas? Piadas que expressam que amizades femininas são falsas, descartáveis, com uma tentando detonar a outra pelas costas. As amizades femininas não são assim. As amizades Fernanda é que são.

Fernandas dificilmente conseguem fazer amizade com mulheres não Fernandas. Elas precisam de alguém com pensamentos e atitudes que reforcem as suas próprias. E porque essas amizades vivem turbulentas? Porque duas Fernandas nunca conseguiriam abrir mão do egocentrismo para uma convivência minimamente saudável. A forma como lidam com o mundo, é obviamente a forma como lidarão com suas amizades. Uma Fernanda não fará as vontades da outra, já que só conseguirá se focar em suas próprias. Da mesma forma que também dificilmente conseguirão manter uma amizade com um homem, já que esse, num papel apenas de amigo, não terá obrigação alguma de estender um tapete vermelho para cada passo dela.

Suas amizades só possuem uma regra: Conto com você, mas não conte comigo.

O que acontece então é que uma Fernanda troca uma amiga Fernanda por outra amiga Fernanda. E suga cada uma da mesma forma que suga um affair e a trata não como uma amiga que possui uma vida e outras amigas além dela, mas a trata como uma amiga namorado, uma amiga que exige veemente toda a dedicação, exclusividade e a fidelidade de um cachorro, sem que sinta a obrigação de retribuir. Relacionamentos unilaterais, amizades unilaterais.

O mundo eu

Imagine-se numa mesa de jantar com outras quatro pessoas dividindo a mesma mesa. Para qualquer uma das pessoas presentes, a cena se mostra sob a perspectiva de dois ângulos, dois mundos. O ângulo geral, do mundo, como se visto por alguém fora da cena, onde 5 pessoas jantam numa mesa, e o ângulo mundo eu, onde cada pessoa, vista por seus próprios olhos, enxerga apenas 4 pessoas à mesa. Por mais que você saiba que existem 5 pessoas naquele espaço, você, do seu ponto de vista, só enxergará quatro.

As Fernandas só conseguem enxergar o mundo eu, onde assistem suas próprias vidas como telespectadoras, e não se dão conta que também fazem parte daquele ambiente e que se tudo acontece da forma como acontece, elas também possuem direta influencia naquilo.

Para elas, todos os acontecimentos acontecem à sua volta, para elas e por elas, fazendo delas não meras participantes, mas sim, deusas, que exigem adoração exclusiva e ininterrupta.

É difícil conviver com uma Fernanda. Eu, particularmente, não tenho paciência para aturar comportamentos mimados excessivos. Não suporto gente egocêntrica. Não carreguei ninguém na barriga por 9 meses para ter alguém dependente de mim e nem para amar incondicionalmente sempre desculpando e se anulando nesse tipo de convivência doentia.

Esse é o comportamento que toda mulher deveria fugir, ir na contra mão, correr o mais longe possível para o outro lado, mas infelizmente é o comportamento de muitas, ouso ainda dizer que da maioria, e senhoras e senhores, essa mulher, a personificação do egocentrismo e do desprezo pelos outros, será premiada justamente por esse comportamento. Um prêmio que só enfatiza tal comportamento. Não exclusivamente numa pessoa que provavelmente nem eu e nem você conheceremos algum dia, mas enfatiza o comportamento de todas as Fernandas por aí, que ao verem uma Fernanda receber um prêmio desses, se convencem que o certo mesmo é serem cada vez mais Fernandas.

Um minuto de silêncio por todas e todos nós, por favor.

Postado por Marina | Categorias: Crônicas, Marina
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18 mar 2013

Marco Karofsky Feliciano

glee

Muitas vezes não sabemos se é a arte que imita a vida ou se é a vida que imita a arte. Arte e vida se encontram até mesmo na ficção mais improvável. Sempre haverá uma vida para se assemelhar ao que a arte nos apresenta.

Quando assistia a serie musical Glee, lembro-me de um personagem muito marcante, o Karofsky. Era um aluno da escola onde se passa o seriado, jogador de futebol do estilo “machão” e que implicava constantemente com outro personagem assumidamente gay, o Kurt. Agressões verbais e inclusive físicas não eram raras. O ódio de Karofsky contra Kurt era gratuito, apenas pelo fato de Kurt ser homossexual.  Até que em um episódio, quando Kurt confrontou Karofsky, esse então o beijou e assumiu que seu ódio por ele era na verdade um amor secreto, com uma pitada de inveja por ele viver tão bem assumindo ser quem é, sem medo ou vergonha, já que Karofsky vivia atormentado por seus desejos renegados. Ou seja, Karofsky agredia Kurt porque além de nutrir um amor que  enxergava como errado, via nele o que ele tanto queria ser, mas não tinha coragem para. O ódio na verdade não era de Kurt, era de si mesmo.

Desconfio de todo ódio gratuito à uma pessoa, uma classe ou grupo. Ódios gratuitos normalmente são frutos de problemas pessoais que a pessoa não consegue lidar de forma racional.

Como todos já devem estar cientes, o pastor Marco Feliciano é o atual presidente da comissão de direitos humanos e minorias, o que tem gerado indignação já que Feliciano dá constantemente declarações preconceituosas, homofóbicas, ignorantes e fanáticas, sem medo de retaliação. Ao menos, coragem o pastor tem.

“Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é polêmica.”

    “a maldição q Noe lança sobre seu neto, canaã, respinga sobre continente africano, dai a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!”

    “Sendo possivelmente o 1o. Ato de homossexualismo da história. A maldição de Noé sobre canaã toca seus descendentes diretos, os africanos”

    “Não foi racista. É uma questão teológica. O caso do continente africano é sui generis: quase todas as seitas satânicas, de vodu, são oriundas de lá. Essas doenças, como a Aids, são todas provenientes da África”

    “a AIDS é o câncer gay”

“A podridão dos sentimentos Dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, a rejeição.”

“Não tenho nenhum tipo de preconceito: na minha secretaria vou atender negros e gays como se fosse qualquer pessoa normal.”

(Essas são algumas das declarações de Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.)

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Como um presidente da comissão de direitos humanos e minorias pode ser tão preconceituoso e com tanto ódio justamente das minorias as quais deveria o mesmo representar?

Diante de tais declarações, imagina-se que Feliciano seja uma espécie de Hitler tupiniquim, e que sua aparência seja justamente o oposto do que tanto odeia. Quanto às declarações racistas, Feliciano, não pode esconder que é, no mínimo, mestiço. E, por favor, somos brasileiros. Chega a ser ridículo um brasileiro racista. Odiar o que está em seu próprio sangue soa, por baixo, triste e digno de pena.

Já seria bizarro se parasse por aí, mas aparentemente a questão vai ainda mais fundo.

Semana passada, assisti à um vídeo onde o então deputado, declarava que havia chamado a polícia por ter clicado num link GAY no site UOL e ter achado conteúdo GAY. Ora, o que o gênio achava que encontraria no link Gay? Receitas de bolo?

Seria então Feliciano apenas ingenuo e incoerente? Na verdade não.

No site UOL, não existe nenhum link GAY, mas existe o link SEXO GAY. Sim, se Marco Feliciano clicou em algum link, foi nesse. E antes de se deparar com os homens nus, recebeu um aviso da UOL, informando exatamente o que veria e com a opção de sair. E o que o deputado fez? Confirmou que era exatamente aquilo que gostaria de ver.

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E porque então ele chamou a polícia? Quando Feliciano se deu conta de que não estava no anonimato de seu lar, e sim em seu gabinete, onde o uso da internet é monitorado, precisou inventar rapidamente alguma desculpa para estar acessando tal conteúdo.

Marco Feliciano não é apenas um fanático religioso ignorante, nem um preconceituoso babaca. Ele é um Karofsky da vida real. É alguém com ódio de si mesmo, que possui extrema dificuldade em se aceitar do jeito que é: um mestiço gay. E que ao invés de tentar se entender consigo mesmo, ataca e oprime os que não possuem essa dificuldade.

E o que eu e você temos a ver com isso? Tudo!
É inaceitável que alguém que não consegue conviver com quem é, possa presidir tal cargo. Que benefício alguém que mesmo fazendo parte dessa minoria, a repudia veemente, pode trazer?

A vida pessoal do pastor não é de interesse de ninguém, mas se passa a influenciar diretamente em seu cargo público, então se torna sim uma questão geral.

Espero, com o pouco de esperança que ainda mantenho, que o atual presidente seja afastado e que outro, realmente capacitado, ocupe o lugar, e que Feliciano se reprima pro resto de sua vida, ou dê a bunda loucamente em paz, mas que em nenhum dos casos, sua escolha pessoal tenha a possibilidade de interferir negativamente na vida de mais ninguém.

Postado por Marina | Categorias: Marina
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09 dez 2012

Do chão não passa

Estava interessadíssima no irmão de uma amiga minha há uns bons meses. Rapaz lindo, inteligente e extremamente agradável. Como estava solteira, tratei de botar as manguinhas pra fora e tentar fisgar o rapaz antes que outra o fizesse.

Como quem não quer nada, entrei no assunto com a minha amiga sobre o irmão dela e recolhi todas as informações necessárias:
Ele é hétero. CHECK
Ele é solteiro. CHECK

Pronto, já sabia o importante. O resto que se foda!

Não era preciso nenhum evento especial para nos reunirmos na casa dessa amiga. Era quase o clube da galera. Uma casa enorme, com piscina, churrasqueira, cachorros bonzinhos e pais com sono pesado. A combinação perfeita!

Na semana seguinte marcamos de fazer um churrasco noturno na piscina. Cada um levava uma bebida e ía todo mundo ser feliz. Como eu não gosto muito de beber, levei logo um engradado de Coca-cola todo só pra mim, já que tinha certeza que seria a única pessoa a beber Coca. Afinal, tem sempre que ter pelo menos um sóbrio para por os outros para dormir, né?

Estava decidida a matar o rapaz do coração naquela noite. Me arrumei toda. Botei meu vestido mais mortal, fiz o cabelo e a maquiagem no estilo “estou sem maquiagem nenhuma porque acordo assim, linda e bela todos os dias” e me preparei para jogar todo o meu charme em cima daquela criatura tão linda, mas tão linda que chegava a doer.

Cheguei no churrasco cheia de sorrisos. Aquela era a minha noite, disso eu estava certa! Meus melhores amigos reunidos, música boa, nenhuma preocupação em mente e um solteiro hétero lindo à espera do meu ataque. Não tinha como estar mais feliz.

Estávamos todos conversando em volta da piscina e eu e o bonito trocávamos olhares e sorrisos. Ele estava na minha. Não havia dúvida. A regra é clara: Se os olhares se cruzam e nenhum dos dois desvia por pelo menos 5 segundos, é fato: um deseja o corpo do outro nu. Ahhh, como a vida é linda!

Certa hora me levantei para buscar minha Coca que estava no refrigerador do andar de cima e na hora de descer as escadas de volta para a piscina, a vida, mais uma vez sendo a filha da puta de sempre, deixou bem claro que no que depender dela, nunca adiantará o meu lado.

Logo no início da escada, me embolei no salto alto da minha sandália e fui descendo ela inteirinha dando mais cambalhotas do que um ser humano consegue dar e finalmente aterrissando com toda a sutileza e delicadeza de um saco de cocô se espatifando no chão. Minha saia foi parar na cabeça, meu pé na testa e minha dignidade na casa do caralho.

O churrasco inteiro parou. Todos olhavam catatônicos para mim. Uns levaram as mãos à boca, outros emitiram palavrões de susto e preocupação, e eu tratei de me levantar rapidamente e confortar meus queridos amigos.

- Opa, tô ótima! – Disse abrindo um enorme e mentiroso sorriso.

Pude sentir algo escorrendo pelo meu rosto e caindo em todo o meu vestido. E ao mesmo tempo que percebi a buceta que abri em minha própria testa que agora jorrava sangue para todos os lados, descobri também que além de respeitabilidade, também me faltava outra coisa: um dente.

Fui jogava às pressas dentro de um carro e levada ao pronto socorro. Depois de muita novalgina e choro, enquanto tinha a testa costurada por uma enfermeira evidentemente infeliz de estar trabalhando na madrugada de um final de semana, virei-me para a minha amiga, sorri com agora meus 31 dentes e disse:

- Pede pro seu irmão me ligar!

Ele nunca ligou.

Postado por Marina | Categorias: Crônicas, Marina
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