Corra Mary
10 out 2010

Amorzinho sujo

Eles beberam o mundo antes de chegar a casa dela. Ele, em certo ponto embotado pelo álcool e estimulado pelo que ia acontecer lá dentro, ficou meio sem ação no elevador de porta pantográfica. Ela se sentia mais tranquila, pois voltava para a toca com ou sem álcool, com ou sem alguém todos os dias, era rotina. Ela abriu a porta, e foi observada de soslaio por uma gata preta em cima de um emaranhado de não sei o quê. Pelo aspecto da casa, outros organismos menores e menos nobres provavelmente observavam também a dona entrando em casa com seu affair de cinco horas antes.

Ele entrou no apartamento e sentiu, no ponto mais sólido que um gasoso pode estar, a fragrância desanimadora de bituca de cigarro com incenso de ananda. Ele bateu a porta e foi seguindo para o corredor não sem antes dar uma má olhada na cozinha, um cômodo que, se tivesse vontades e ações, convidá-lo-ia gentilmente a voltar para a porta pantográfica o mais rápido possível. A pia era a constatação do acúmulo. Uma frigideira, seis pratos, duas panelas, sete copos e sabe Deus quantos talheres jaziam sem a menor esperança de que um dia voltariam a ficar limpos. A pequena grade redonda presa no ralo segurava contra vontade toda a sorte de macarrões de anteontem.

Na sala, ele se perguntava que tipo de desapego pela limpeza uma pessoa como ela – tão potencialmente higiênica – poderia cultivar dentro de si. Um cinzeiro de bunda para o alto – bitucas distantes o suficiente em um metro de queda – adornavam o chão ao lado de uma garrafa que era caco puro. Cinzeiro e garrafa haviam caído da cômoda e ficaram no chão como se dependesse deles a volta para cima. Dava para ver que cada coisa espalhada pelo piso de taco tinha um endereço antigo em estantes, cômodas ou armários, mas por questões de estabanação, tropeço, relaxamento, ou Alzheimer, elas ficavam onde ficavam. Uma empregada ali seria um Hércules diarista de avental.

Ele entrou no quarto e praticamente não se assombrou ao ver um espelho – achado no lixo – em cima do sofá. O espelho estava estilhaçado pois alguém sentara nele por descuido na semana anterior. Ela tirou a camisa e tacou em direção ao cabideiro, que lutava contra o peso de suportar tanta roupa. O arremesso saiu errado, mas a camisa com certeza não ficou sozinha no chão. Ela tinha companhia de duas calças e outras duas camisas. Isso se esquecendo que contabilizar os cascos de cerveja. Um desses cascos parecia um membro da Ku Klux Klan, pois estava coberto por uma camisa branca – esse arremesso só pode ter sido certeiro.

Enquanto ela jogava suas roupas desordenadamente, pois sabia que encontraria o que quisesse, embora não com a limpeza que um sanitarista desejaria, ele era meticuloso. Tirava sua roupa e fazia o possível para que as peças ficassem juntas, afinal, não gostaria que uma delas ficasse esquecida para sempre naquele limbo. Fizeram o que tinham e fazer, e ela dormiu o que o álcool dizia que ela tinha que dormir. Ele ficou mais meia hora na cama se recusando a fechar o olho.

Até que ele levantou e pegou todas as garrafas do quarto e da sala e levou para a cozinha. Varreu o chão, tirou os cacos, reuniu todas as bitucas possíveis e imaginárias e jogou no lixo. Na pequena lixeira da pia da cozinha, havia o lixo compactado pela preguiça de trocar o saco. Ele o fez. Além disso, lavou a louça e livrou a pobre grade daqueles macarrões que só queriam descer pelo ralo. Pensou em como a comida pode ser nojenta quando está fora do prato ou da panela, e enquanto pensava, botava os copos limpos no escorredor. Dobrou as roupas dela e colocou onde achava digno repousá-las e juntou os calçados cada um com seu par no pé do armário. Fechou o laptop, ajeitou a cúpula do ventilador de teto e matou uma barata. Deixou a barata morta onde estava para mostrar à dona da casa que se não fosse ele, a barata podia estar na cara dela pela manhã. Comparada com a indecência que era antes, a casa estava impecável.

Era um agrado de despedida. Não voltaria nunca mais a aparecer.

Postado por Pedro | Categorias: Crônicas, Pedro
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08 out 2010

Cuecas e calcinhas

As mulheres são um mistério para mim. Há 50 anos, elas tiravam os sutiãs e os queimavam em praça pública aludindo a um “fodam-se os homens” que aconteceu só de leve. Tempos depois, elas botam calcinhas absolutamente desconfortáveis quando sabem que vão se embrenhar em alguma aventura amorosa. Eu nunca usei calcinha, e mesmo que usasse, não teria a tradução ideal do que é, pois tenho, assim como todo rapaz, um excedente corporal pélvico que elas não têm. De qualquer forma, já ouvi inúmeras vezes meninas reclamando que usaram calcinhas lindas, porém absolutamente desconfortáveis, piniquentas só para na hora H o cara se deslumbrar com alguma coisa a mais. Aí eles tiram tudo junto, calça, calcinha, ciroula, e  elas ficam decepcionadas.

No outro extremo do prazer que uma roupa íntima provocante pode proporcionar, existe o velho clichê de que uma calcinha bege é o emblema universal da impotência. Sem querer parecer um materialista infantiloide, mas já sendo, usarei como exemplo um video game para dizer que isso é uma imensa balela.

Em 1998 quando ganhei um Nintendo 64, tive o auge do prazer material da minha vida. A embalagem era linda, toda colorida, adornada com pequenos desenhos de presentes… Era a autêntica magia natalina impressa em papel. Mas se a minha mãe me desse o Nintendo 64 embalado em papel de pão (não há coisa mais bege para comparar), eu teria ficado feliz do mesmo jeito. Eu não falaria “ahh, mãe, a embalagem é tão sem graça. Não quero mais jogar Mario 64″. Independentemente da embalagem, abriria com a mesma paixão.

Ou seja, todo mundo que está de frente para uma mulher com calcinha, sabe o Nintendo 64 que tem dentro. Se você rapaz acha brochante se uma calcinha bege vier como cartão de visita, é possível que haja alguma falta de testosterona na sua fisiologia. E olha que de falta de testosterona eu entendo. Na verdade, creio que nenhum homem se desanime por uma calcinha sem graça, o problema está na cabeça das mulheres, que convencionaram por elas mesmas que calcinha bege é calcinha queima-filme.

Não estou falando que é a melhor coisa do mundo. Só estou dizendo que não é a pior.

Essas elucubrações de rouparia íntima também encontram eco entre nós varões. Meu amigo tem uma teoria sobre aquelas cuecas vendidas em pacote, aquelas sem o menor apelo sexual, que são compradas por nossas mães e tias com o intuito de que nunca consigamos seduzir ninguém com a ajuda familiar. Se a gente quer usar cueca maneira, a gente que compre. O papel social da nossa mãe é evitar ao máximo ser avó, nem que seja comprando cuecas inteiramente sem apelo.

O silogismo hipotético dele reside justamente neste subsídio têxtil de nossas progenitoras. Se um cara tem uma dessas cuequinhas, é porque é um cara do bem, um cara bom. Afinal, se ele usa cuecas assim, é porque a mãe compra pra ele (se ele comprasse as próprias, certamente não seriam essas), e se a mãe compra é porque ela tem níveis relevantes de apreço pelo filho. Logo, podemos inferir que ele é um cara de família, de raiz e de etc. Logo, se você esbarra nas camas da vida com um cara de cuequinha de pacote “5 cuecas – 1 preço”, dê graças a Deus: há um bom elemento prestes a te comer.

De qualquer forma, acho que a importância empregada nessas peças tão elementares é demasiada. Tem gente que fala que esse tipo de cueca é escroto, e que a boxer é muito mais atraente. As pessoas já pensam tanto antes de tirar a roupa, para que mais um tópico a se considerar, uma vez que você precisa estar nu para as coisas acontecerem?

É mais provável que posturas ou falas esquisitas sejam as reais cortadoras de clima, por mais bem intencionadas que possam parecer. Tenho um amigo que vende muito barato a própria dignidade, seja onde for, seja lá em qual situação. Certa vez, ele, ao abrir o sutiã de uma menina, exclamou:

- Liberte meus dois pombinhos!

Ela se cagou de rir por uns 10 minutos.

Se eles chegaram às vias de fato, é um mistério. Se ele fez outra piada semelhante, com certeza não chegaram. Nenhuma sexualidade resiste a 20 minutos de gargalhada.

Postado por Pedro | Categorias: Crônicas, Pedro
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03 out 2010

Descobrindo o onanismo

Coloquei onanismo no título porque é bem possível que ficasse agressivo se eu usasse um sinônimo mais conhecido entre nós logo de cara. Essa palavra vem de Onã, um carinha que apareceu na bíblia e se fudeu de verde e amarelo por ter desperdiçado seu sêmen na terra. Deus ficou bolado por notar que Onã jogou seus possíveis filhos fora e não os usou para fecundar a esposa, uma tal de Tamar (hoje em dia, um projeto que salva tartarugas marinhas. Não creio que haja conexão bíblica). Acho que você já entendeu o que significa a palavra do título. Para elucidar mais sem colocar a palavra “masturbação”, poderia dizer que se a bíblia fosse escrita hoje em dia, Onã teria morrido por desperdiçar seu sêmen no banho. E é bizarro porque as religiões que se baseiam no Velho Testamento usam o probre Onã como exemplo de que se masturbar é coisa do demônio, faz crescer pelos nas mãos e vai te matar.

A gente sabe que a religião erra algumas (milhares de) vezes, logo, a prerrogativa bíblica é inteiramente dispensável no nosso papo. Foi só para você ter tempo de parar de ler, caso essa prática animal lhe perturbe os espíritos.

Descobrir a masturbação é um dos grandes passos na vida do homem. Eu descobri anteontem e desde então minha vida ganhou outro significado. Mentira, isso aconteceu quando era um jovem infante de 11 anos.

Tudo começou por causa de uma família devassa, com hormônios demais e tabus de menos chamada Staite. Por coincidência é a minha. Desde os remotos tempos, as tias safadas falavam coisas que eu e meu irmão não entendíamos e que ficavam na nossa cabeça.

- Já tocou uma punheta, meu filho?

- ???? Não…

Elas falavam isso reiteradas vezes, mas sem o compromisso incestuoso de nos ensinar na prática. Acho que faz parte da vida da criança receber um empurrãozinho e aprender o resto da lição com as próprias mãos (sobretudo para os ambidestros). É a mesma coisa que aprender a andar de bicicleta: seu pai te empurra e você começa a pedalar sozinho. Nossas tias nos empurravam falando besteiras que seriam nossos resquícios de conhecimento sobre a masturbação. No entanto, não sei como uma pessoa se propõe com a própria atitude a tentar uma coisa dessas. Digo isso, porque eu fui totalmente aliciado pelo meu irmão.

Calma, antes que você pense que nós ficávamos no quartinho praticando o “mostra o seu que eu mostro o meu”, deixa eu explicar. Era uma vez em Maricá, por volta de 1997, quando nós estávamos naquelas piscinas de mil litros que vendem na Casa e Vídeo. Meu irmão me contou que finalmente aprendeu tocar essa tal de punheta e que era algo sensacional. Eu não poderia continuar vivendo sem saber fazer aquilo. Acho que foi a única vez em que nossas tias malucas tiveram razão.

A gente fez um trato: íamos fazer a paradinha ao mesmo tempo, CADA UM NA SUA CAMA DO BELICHE (é importante frisar), à meia-noite de domingo. Quando chegou o fatídico dia, fiquei muito nervoso e fingi que estava dormindo. Do nada, me vem a voz do meu irmão, ecoando lá de cima (sem dúvida era ele. Deus não falaria comigo sobre isso).

- Está na hora.

Só que eu dei para trás. Estava muito na vibe do Velho Testamento, achava aquilo profano demais.

- Não quero não, Raphael.

- Pô, Pedro, vai desistir?

- Vou.

E fui dormir banhado na derrota e no medo de dar uma pedalada sequer.

Esse episódio me deixou um pouco transtornado, ainda mais porque meu irmão achava ridículo eu ter medo de uma coisa tão maneira. Pensando nisso, uma semana depois estava sozinho no banho e reuni toda a minha determinação. Se masturbar pela primeira vez é finalmente dar continuidade a flashes de sensações que a gente tinha, mas não sabia direito o que era (tesão pueril). Quando estava prestes a fincar a bandeirinha no topo do Everest, titubeei novamente e o Velho Testamento me abraçou. Mal sabia eu que pré-pré-pré-adolescentes não tinham como desperdiçar o sêmen na terra (ou no banho, ou na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê).

Mas depois de refletir mais (ainda no banho – esse foi épico), voltei a escalar pujantemente rumo ao topo. Eu, um moleque de 11 anos, estava descobrindo a nossa Bomba de Hiroshima interna e pensando “caraaaaaacas, eu deveria ter feito isso aos seis!”. Tanto que, nos meses posteriores à primeira masturbação, a gente nem precisa de tanta inspiração, é o ato pelo ato com o intuito de ter todo o prazer que faltou na vida até então.

Isso se comprova pelos recordes. Eu tenho um amigo (não sou eu, juro), que se masturbou em 13 ocasiões num mesmo dia! Ele tinha uns 13 anos, um déficit gigantesco para dar conta e nada de útil para fazer. Esses números exagerados são típicos dos primeiros anos. Era numa época em que qualquer coisinha rendia pauta para o banho, ainda mais para nós, que ainda não tínhamos tantas opções visuais como os recém-chegados possuem.

Postado por Pedro | Categorias: Crônicas, Pedro
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02 out 2010

No restaurante japonês

Não sei por quais desculpas, mas eu nunca tinha ido ao cinema e nunca comi comida japonesa sozinho. Não tem explicação, acho que calhou de calhar, a vida passou e um tabu insignificante se instalou. Com os filmes, continuo virgem de solidão, mas quebrei os paradigmas em relação à culinária do extremo oriente. Fui comer solitário numa sexta-feira, no horário secreto em que não se trabalha e nem se diverte, por volta das 20 horas.

É engraçado porque comida japonesa é que nem igreja evangélica ou Star Wars: se você se entrega, ferrou, vira um culto; amor cego; e rola o achismo velado de que aquela pessoa que não está na sua onda é um profundo infeliz e desamparado. Eu não sou fã de Star Wars (Um dos filmes novos deve ter umas 12 horas, não há aeronave espacial que me prenda a atenção); não sou fã da igreja evangélica (e me sinto um profundo infeliz e desamparado por isso…); mas sou absolutamente devoto de São Sushi e São Sashimi. São Temaki também me apetece, mas sou partidário das peças menores.

Aí quando chegamos ao restaurante, estamos famintos, quase excitados, tais como combatentes voltando da guerra prestes a rever as esposas.

- Boa noite, já conhece o nosso cardá…

- CONHEÇO! TRAZ LOGO 10 SUSHIS, PELO AMOR DE DEUS! E 30 HOT FILADÉLFIAS!!!

É assim que a gente pensa, mas graças aos cosmos dos umbrais da nossa consciência, sempre usamos de educação e de uma paciência que, embora corriqueira, onera um custo alto de energia.

- Conheço, conheço… Vou querer o buffet completo. (pega a ficha).

Em boa parte dos restaurantes, o cliente pega uma ficha com todas as peças e coloca o número que quer consumir de cada uma delas. Depois ele pode usar a ficha de novo. Nessa hora, parece que bebemos 16 litros seguidos de Biotônico Fontoura (essa porra tem álcool, não exagere ao dar para seu rebento): rola um olho abissalmente grande. Mas é bom tomar cuidado porque eles cobram R$ 1,50 por peça não consumida.

Nesse ponto, eu sugiro que você apele para a desonestidade.

- Que isso, Pedro, seu monstro!

Não é isso. Os farsantes que nos servem se utilizam de uma tática muito baixa. Se lá pela terceira ficha (ou seja, quando já está saindo arroz pelos tímpanos) você quiser comer mais, nem que seja pelo pecado capital, uns 5 sashimis e uns 3 sushis, eles abjetamente colocarão 6 sashimis e 4 sushis. Eles partem do pressuposto de que você já está anestesiado, nem lembra o que pediu, aí eles botam a mais para você ou morrer de overdose ou pagar pelas peças não comidas. Porra, eles devem ter lido a bibliografia inteira de Maquiavel.

Nesse momento, você pode fazer diversas coisas (eu nunca fiz, porque honro os compromissos com meu estômago):

* Enfiar peças na boca e ir ao banheiro cuspir. O problema é que se você estiver enjoado, quatro peças podem agravar sua situação, aí você pode acabar indo ao banheiro vomitar. Pelo menos, de acordo com os mais arraigados valores romanos, você poderá voltar a comer normalmente. Écate!

* Embrulhar no guardanapo e colocar na mochila. Essa precisa de todo o estoque de perícia e descrição que você tem armazenado. Só cuidado para não esquecer e, três dias depois, sentir um cheiro de podre na casa e achar que seu pai matou seu hamster e escondeu. Era só o sushi apodrecendo.

* Esconder as peças nos adornos na mesa. Por exemplo, embaixo do vidro de shoyu; entre os guardanapos; atrás do aparato de madeira que sustenta o açúcar o sal, essas coisas. Mas é preciso ser um verdadeiro artista, porque você vai pagar a conta e o garçom não pode perceber até que você esteja na esquina. Lembrando que você vai estar uma bola de peixe e arroz, correr fatalmente não vai te fazer bem, portanto, tem que ser bem-feito.

* Propor o pagamento da dívida com o seu corpo. Por achar que seu corpo valha mais do que 5 ou 6 peças, recomendo que de duas uma: ou você propõe caso deixe mais de 15 peças não consumidas ou então, se deixar poucas, peça um desconto no valor total da conta. É bom vender o corpo depois de digerir a comida, mas aí depende do contrato que você fizer com o garçom.

Larguei minha filosofia epicurista de comer somente o necessário e enchi o rabo de comida. Em dado momento, fui preencher o vasilhame de shoyu. Quando acabei de colocar, percebi que estava pondo molho shoyu no meu copo de coca-cola, olha que ato-falho vergonhoso. Olhei para o lado e um cara parou de rir. Supus que ele estava rindo de mim, aí me bateu uma bad trip. Pensei:

- Que ridículo, já virei piada na mesa ao lado, não posso virar entre os garçons. Vou pedir outra Coca e torcer para trazerem um copo novo. Esse restinho de coca-cola com shoyu parece coca pura, então ninguém vai perceber… Hua Hua Hua, eu também li Maquiavel!

- Opa! Me vê outra coca?

O simpático moço veio – para a minha felicidade – com um copo novinho, cheio de gelo!

- Isso! Meu plano deu certo!

Aí o cara, com uma hospitalidade absurdamente desnecessária, abriu minha coca, mas antes botou o restinho do copo velho no copo novo.

- NÃÃÃO…

- Oi?

- (o que eu falo pra esse puto?) Err… É que eu deixei cair shoyu ACIDENTALMENTE no copo. Pode trazer outro?

Foi uma vergonha..

Postado por Pedro | Categorias: Crônicas, Pedro
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29 set 2010

Corra Mary – O livro

Lembram da época em que o fotolog bombava? Pois é, eu me lembro muito bem. Não é surpresa para ninguém que fui uma fotologger realmente viciada. Em 2004, ganhei de uma amiga, uma conta no fotolog.net. E lá comecei a escrever meus textos. O fotolog foi crescendo, os e-mails e a reverse também (o equivalente a seguidores hoje).

Mas um dia tudo acaba, ou quando não acaba, evolui. E foi isso que aconteceu com o fotolog. Corra Mary já era mais do que um apelido. Era um personagem, era uma marca, era a minha criação, e eu decidi que levaria adiante, cada vez maior, cada vez melhor.

Quando decidi fechar o fotolog, senti muita falta de tudo que havia conquistado. Sentia falta dos leitores, do carinho, e principalmente de ter o meu canto para escrever. Então Anderssauro, meu querido, compadecendo-se da minha causa, me deu esse blog de presente. Não precisamos nem pensar muito no nome, sem dúvida se chamaria Corra Mary.

Alguns leitores do fotolog, migraram imediatamente para o blog. Esses são os leitores fiéis, aqueles que realmente gostam, se identificam, e sentem como se estivessem pertinho, por mais que estejam do outro lado do mundo. São eles que dão força, incentivo, que fazem valer a pena escrever, publicar, e continuar com o blog.

Com o tempo, chamei alguns amigos para o Corra Mary. Todos foram muito bem aceitos, mas um em especial se destacou. Alguém que eu já era fã há anos, e sabia de todo o seu potencial.

Pedro acrescentou muito ao blog, e mesmo criando depois seu blog pessoal, não abandonou o Corra Mary.

Há um mês atrás, inscrevi o Corra Mary no 2º Prêmio Blogbooks. Um concurso que premiaria os melhores blogs, transformando-os em livro.

Foram Dois mil participantes. Dois mil blogs lutando pelo mesmo objetivo, o mesmo sonho, e como sabemos, se um ganha, os outros perdem.

Quais eram as chances reais de se ganhar? Mínimas, né?
Sabíamos disso. Sabíamos que seria difícil, mas confiávamos no que sempre nos moveu: Os leitores e a qualidade.

Sabíamos que tínhamos leitores que tomariam a causa como se fosse deles, que nos ajudariam no que fosse preciso. E confiávamos também na qualidade do nosso material.

Na primeira fase, o blog competiria com os outros 1999, por voto. Só 10 se classificariam (em cada categoria).
Tivemos 10220 votos. E fomos classificados para a segunda fase.

A segunda fase então, seria a mais difícil.
A própria editora avaliaria os blogs, e escolheria o melhor de cada categoria. O mais literário, o que mais se encaixasse no formato livro.

De todos os dois mil blogs, 150 foram avaliados, mas apenas 15 ganhariam o prêmio. 15 blogs iriam para as prateleiras das livrarias.
O Corra Mary estava entre os 150, mas será que estaria entre os 15?

Às 14:00 do dia 28/09 saiu o resultado.
Entrei imediatamente no site da Ediouro. Estava cheia de medo, com rinocerontes no estomago (porque quem fala que são borboletas, de fato nunca sentiu tal ansiedade).

E estava lá:

Não 15, mas 17 blogs foram premiados, e foi incrível. Foi uma sensação simplesmente incrível: O Corra Mary era um deles!

Liguei imediatamente para o Pedro:

GANHAMOS, PORRA!

Esse post não é uma habitual crônica, ou um conto, nem mesmo um pedido. É um post de agradecimento. O agradecimento mais verdadeiro que eu e Pedro poderíamos fazer.
É um agradecimento não só aos fiéis leitores do Corra Mary, mas também a todos os responsáveis pelo Blogbooks:

Obrigada por acreditarem no Corra Mary. Obrigada por confiarem no nosso potencial. Obrigada pela realização de um sonho. Obrigada! Obrigada!

Bem galera, já podem ir separando um espacinho na estante, porque o Corra Mary agora é livro também!

Conforme forem saindo as informações, preço, pontos de venda, evento de lançamento e bla bla bla, postaremos aqui no blog.
Enquando isso, fiquem de olho e façam parte da comunidade do blog no orkut, e da página do Facebook:

Postado por Marina | Categorias: Contos, Crônicas, Marina, Pedro
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