Sonhos do Leo
mai 08

"O Leo é piroca das ideias", afirma Freud, em psicografia exclusiva ao Corrinha.
Tenho um amigo chamado Leo, apelidado carinhosamente de Leonardo, que se mostrou uma pessoa esquisitamente sonhadora com o passar do tempo. Talvez por ter ficado enclausurado ao longo de cinco temporadas no pragmatismo indecente da engenharia (e da escassez de pélvis que se encaixassem na dele), Leo descambou a sonhar, pois era uma forma de abstração necessária para quem tem um coração artístico como o dele.
Agora, como todo bom ser humano que preza pela arte do bem-viver, Leo mandou a engenharia à merda e virou fotógrafo. Ele sabe que a vaca vai emagrecer, mas vacas magras posam muito melhor para fotos do que as gordas. Fotógrafos aprendem isso com Sebastião Salgado, eu acho. Supus que com sua guinada para a fotografia – levando o brinde de desbravar a inocência de inúmeras Marias-Nikon das cercanias – Leo fosse direcionar sua energia onírica exclusivamente para a nova profissão. Mas, não. Ele continua sonhando um monte de coisas loucas.
Sonhos no alto I
Na caixinha comprida de dons no arquivo cerebral do Leo existe o hábito de sonhar nas alturas. Certa vez ele devaneou que estava conversando com uma chica ardente que lhe perturbava o miocárdio. Ela estava na janela, ele do lado de fora, sentado numa cadeira (acho que tomando um chá, mas talvez seja sonho meu). Mas ela estava no 10º andar, e ele numa cadeira gigantescamente alta, conversando de frente para ela.
- Como você fez pra subir na cadeira?
- Não sei, eu já estava lá quando o sonho começou.
Isso me lembra dos meus próprios sonhos de ser rico. Nunca sei como vou me tornar um – quando o sonho começa já estou limpando a bunda com um chumaço de dólar.
Sonhos no alto II
O outro sonho acrobático é um filme pornô com algum tipo cabalístico de mensagem que não consegui decodificar. No segundo sonho, ele ficava se engalfinhando sexualmente com uma mocinha que também lhe podava o ventrículo. Isso numa cama. Numa cama com vários colchões, bem alta. Aí você pensa, “ah, Pedro, ele pôs a vagina da menina num patamar superior, mas no fundo tem certeza de que consegue alcançá-la, não é nada demais”.
Mas o detalhe surreal do sonho é que entre os colchões outros casais também estavam lesco-lescando. Ou seja, era uma espécie de x-tudo, no qual os pães eram os colchões, e os recheios, os casais se pegando. A atriz principal do sonho dele estava em um colchão embaixo de onde se encontrava Leo (sim, ela tinha um colchão enfiado na cara. Você está entendendo o sonho, é isso mesmo!). Para poder chegar até o Leo, a amada escalou pelo lado, tomando cuidado para não despencar lá de cima. Enfim ela chegou, mas o conteúdo do que aconteceu depois é proibido para leitores com algum resquício de moral na essência.
A girafa de origami roubada
Nesta história, Leo era um próspero empresário dono de um zoológico de origami. Todos os animais estavam lá, mas feitos de papel, como se Noé tivesse sido o primeiro Akira Yoshizawa da humanidade. Os bichos todos – leão, ornitorrinco, arara, urso, minha ex-sogra – eram feitos de origami e tinham tamanho real.
Em dado momento, Leo percebeu que a girafa estava sendo roubada. O ladrão era o Homer Simpson. Ele disparou ao encalço de Homer, esperneando como só alguém que perde a sua girafa em tamanho real de origami poderia espernear. Acordou gritando pelo Homer Simpson, o que fez seu colega de internato de engenharia ter certeza de que ele tinha sérios problemas em suas engrenagens mentais. Concordo com o colega de internato.
Thiago x Anderson Silva x Aquaman
Thiago é pseudônimo de um amigo que, por ter seu nome na boca dos agiotas, não me permite a identificação adequada. Ele é nosso amigo, uma raposa arisca que desperta os sentimentos mais enigmáticos nos outros. Tenho certeza de que Leo já quis bater nele (é como ter a necessidade de comer gelatina, às vezes dá vontade), e o subconsciente dele tem mais certeza ainda.
Certa vez ele sonhou que Thiago Pontes (pseudônimo) levou uma surra inesquecível de Anderson Silva no meio da rua. O lutador fugiu da cena do crime (ou da boa ação) e entrou num helicóptero. No entanto, o mesmo subconsciente que estabelece o ódio, assume o amor. Aquaman, o herói que conversa com peixes (assim como um amigo de Trindade que bebeu um chá irreversível), apareceu para vingar Thiago Pontes da Costa (ainda pseudônimo). Aquaman soltou um hadouken de água na cara de Anderson Silva, dizimando-o como “um Blastoise faria com um Pidgey” (isso é Cortázar, vocês não vão entender)…
Jogos vorazes da dinda
Nesta aventura, Leo estava com alguns amigos (inclusive eu) em sua antiga casa de veraneio em Teresópolis participando de uma gincana muito divertida: todos deveriam matar uns aos outros, até que só sobrasse um. Depois o Leo soube (pelo visto eu morri no sonho) que essa tragédia fazia parte de uma tese de doutorado de sua madrinha, e que sua mãe estava sabendo de tudo. Ele acordou antes de saber o que a madrinha fez no pós-doutorado.
- Leo, posso escrever sobre os seus sonhos no Corramary?
- Pô, Pedro, meu sonho é que você escrevesse sobre mim no seu blog!
Bem, acho que esse é o único sonho que dá para realizar.


A friend zone acontece justamente quando as classificações feitas por uma pessoa, não batem com as da outra. João classificou Maria como a número 1 na sua lista de interessante, enquanto Maria o classificou como desinteressante, mas além disso, o classificou socialmente como apto a manter alguma outra relação, seja como um amigo, melhor amigo, conhecido ou colega de trabalho.
Da mesma forma que é direito da outra pessoa não querer se envolver com você, é direito seu também não querer uma amizade, e a friend zone é justamente quando a pessoa esquece desse direito e se expõe a situações desnecessárias e dolorosas por pura falta de vontade de sair da mesma.





