“Não tenho plantas na minha casa. Não consigo fazer com que elas fiquem vivas. Algumas nem esperam morrer, cometem suicÃdio. Uma vez, cheguei em casa e encontrei uma planta pendurada numa corda, com o vaso de xaxim caÃdo no chão. Tinha um bilhete de despedida dizendo: “Detesto você e seus CDs.”"
(Jerry Seinfeld)
Parou o carro em frente à praia e foi andando até o apartamento. Era um apartamento velho, com cores de assombração, escadas largas e um elevador que provavelmente não funcionava há mais de 20 anos. Só para dizer que o apartamento tinha elevador, daqueles que fazem barulho ao subir, e Deus-me-acuda-ao-descer.
Chegou ofegante ao último andar. Em situações como essa, parar de fumar parecia a coisa mais certa a fazer. Tirou a única chave da bolsa e entrou.
Silencio.
A casa não possuÃa luzes ou sons. Era provavelmente a caverna próxima a praia mais aconchegante que existia.
Gritou o nome de alguém sem obter respostas e a cada cômodo que entrava, deixava uma luz acessa. Odiava a escuridão num apartamento com cores em rosa, roxo e azul.
Na enorme cama do quarto principal, uma velhinha se encontrava deitada de bruços envolvida por lençóis tão brancos quanto ela.
Não havia dúvidas de que era um corpo. Não como o seu, não como o das pessoas que desejavam bom dia na banca de jornal, era um corpo menos colorido, mais enrugado e muito menos velhinha.
Lembrou-se de Marilyn, num dia tão linda, e no outro tão morta. E por mais que se esforçasse, não conseguia reconhecer os traços antes tão familiares. A morte não se encaixava naquelas fortes linhas faciais.
O mundo ainda continuava mundo, e era estranho. Alguém não fazia mais parte dele, e ela se deu conta, que na verdade isso não era nada. As pessoas ainda andavam no calçadão, os telefones dos apartamentos vizinhos ainda tocavam, e as gordas do 601 ainda fofocavam.
O dia estava tão bonito, que aquela beleza toda chegava a doer. Ela queria catástrofes, choros e comoções desnecessárias para o que a rasgava por dentro. Não queria sentir sozinha.
Pegou o telefone da cômoda ao lado da cama e discou aqueles números que nunca saÃam da cabeça:
- Ela foi uma privilegiada.
- Ham? Quem?
- Morrer dormindo não é para qualquer um. Só para os realmente bons. Não sabemos quem ela foi antes, não sabemos o passado de alguém que para nós, não nasceu criança, e por pior que ela possa ter sido durante a vida, foi provado que alguém a perdoou. Ela fechou os olhos e essa noite não acabou em dia. É outra realidade, meu irmão.
- Nossa velhinha está com Marilyn!
Corra Mary
Morrer dormindo realmente é só pra pessoas to boas… eu espero morrer assim. Ms to achando dificil
Adorei seu blog, muito bom os textos, especialmente este…
Abraços…
“Na enorme cama do quarto principal, uma velhinha se encontrava deitada de bruços”
Nessa parte eu tive uma ereção.
“O mundo ainda continuava mundo, e era estranho. Alguém não fazia mais parte dele…”
“Morrer dormindo não é para qualquer um. Só para os realmente bons…”
ahhhh sua boba me fez chorar …
seu texto me lembra meu avô que escolheu o momento de morrer . Parece estranho mas foi isso mesmo, ele se despediu de toda a familia que está espalhada pelo Brasil e depois voltou para sua terra natal e morreu, assim simples, sem ficar doente nem nada
lindo texto!!!Parabéns!!!
absurdo hein!
ai, esse André é retardado!
mt bom o texto, pra ser mais clichê: vc escreve muito bem!
fiquei arrepianda
agora, só comento se achar o texto muito ruim,tá foda elogiar todo dia… isso não faz meu tipo
A escritora mais bacana deste blog, sem dúvida. Uma maturidade literata que a cada texto vai se aperfeiçando a olhos vistos tal qual a matéria num torniquete de algo próprio. Texto lindo gostei muito, meu predileto até agora. Parabéns e beijões pra ti.
quero estar com Marilyn tambem hahahahahhaa