Eu suponho que a expressão “sorte no jogo, azar no amor” venha de uma época em que as pessoas já apostavam coisas valiosas em partidas ou competições. Pode ter sido em qualquer momento, quando búzios eram dinheiro ou quando Jesus era pré-adolescente. O que importa é que essa expressão está inteiramente ligada a ganhos maiores do que apenas a honra de ser o melhor em algum jogo. Já tinha grana rolando no meio (seja na forma de búzios, pedrinhas ou sacos de arroz), algo que fosse melhorar a vida do vencedor. Se eu ganhar uma partida de gamão sem apostar nada, dane-se, vou ter azar no amor a troco de nada? Bom, pelo menos eu não jogo gamão.
Mas depois que centenas de anos se passaram, a expressão perdeu esse caráter que eu propus hipoteticamente. Hoje em dia é sorte no jogo, qualquer jogo e sem valer nada necessariamente; azar no amor, pura e simplesmente.
Eu sempre fui conhecido como um cara que ganha qualquer coisa. Numa vez, quando era pequenino, estava em uma espécie de “ação da vizinhança mórmon” (mentira, não era mórmon, mas tinha alguma religião no meio), quando começou uma rifa. O prêmio era um boneco do Jiraya, um grande herói ninja japonês. Junto com o boneco, vinha um carro e uma moto. E, desculpem as meninas, só os meninos sabem o que é ganhar um boneco que vem com veÃculo – tesão total. Peguei o número 20 e esperei cheio de aflição. Quando a mulher gritou “vinte!”, eu fiquei emocionado e fui pegar meu prêmio. Quando cheguei aos vinte anos, namorei uma menina cujo apelido é Jiraya! Foi a única vez em que sorte no amor e sorte no jogo se concatenaram na minha vida, ainda que com uns 13 anos de intervalo.
Mas, tirando essa enorme exceção, eu sempre ganhei coisas que de nada me valeram. E, paralelamente a isso, sempre fui tido como um cara que não chegava a ser bundão, mas que papou moscas inaceitáveis com o sexo oposto. Ganhava praticamente tudo, e sempre que perdia, jogavam na minha cara que eu tinha perdido. Basicamente eu sou o homem a ser batido em jogos inúteis… Belo crédito, hein?
Passei por um final de semana que traduz exatamente isso tudo. No sábado, fui chamado para jogar umas partidinhas marotas de sinuca. Eu não sou um ás no bilhar (aliás, em esporte algum, só em queimado. Queimado é esporte, né?), só que nesse dia, estava iluminado pelo espÃrito de Rui Chapéu. Jogamos seis partidas com duplas que se revezavam. Eu ganhei as seis. E pô, dada a imensa gama de possibilidades, ganhar seis partidas seguidas é cabalisticamente estranho.
No domingo, fui a um aniversário de um amigo bastante valioso, e tive um dia igualmente vencedor. Jogamos Detetive e eu descobri em cinco rodadas que o Professor Black (aliás, eu mesmo no jogo) havia matado o Sr. Pessoa no salão de festas com uma corda. É vacilo matar alguém num lugar tão festivo… Quer dizer, é vacilo matar alguém, né? Eu ganhei o jogo, mas era o próprio assassino, que coisa estranha esse surto de sinceridade ao acusar a si mesmo. Enfim, coisas de Detetive.
Depois fui jogar um campeonatinho de Winning Eleven. Desculpem as meninas novamente, mas só os meninos sabem como é divertido fazer um campeonato de futebol no video game. Ganhei o campeonatinho nos pênaltis, tal como a seleção brasileira em 1994. Lembram desse momento inesquecÃvel? Eu tinha sete anos naquela época.
Quando estávamos voltando do aniversário, começamos a jogar adedanha, e eu não tomei um bolo sequer. Sagacidade pura. Quando só sobraram três pessoas no trem, emendamos numa forca. Só eu consegui fazer o boneco morrer. Também pudera, botar a palavra “joanete” é pedir para vencer. Jotas, Enes e Tês são sempre preteridos em forca, repararam?
Ao final da jornada, uma amiga minha ficou impressionada com a minha habilidade em ganhar qualquer merda de jogo (NUNCA perdi uma partida sequer de “dedômetro”, por exemplo – aquele jogo em que você tenta abaixar o polegar do seu amigo com seu polegar).
Realmente esse final de semana foi vitória pura. Eu ganhei tudo, inclusive os “par ou Ãmpar” que precediam as partidas de sinuca de sábado à noite. Voltei para casa pensando nisso, e, à s 22h47min de um domingo, estou mais carente do que uma viúva de guerra.
Pedro
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Sinta-se privilegiado por ter sorte em pelo menor uma area da sua vida Pedro! Eu tenho jogado poker praticamente todos os dias com os meus amigos (viciada meesmo) e na ultima partida eu perdi 20 hong kong dolares… coincidentemente era o dia dos namorados e eu passei sozinha…
Mas nao vamos ser pessimistas ne. Tomara que da proxima eu dobre as minhas apostas! hahaha
É, guri…
Regina Duarte sobre sua sorte: “eu tenho medo”.
Meu querido!!
eu queria saber q jogo vc ganhou na semana q antecedeu aquela festa na casa da Ana Paula, nossa amiga de cursinho…Sabe…aquela q vc foi tirar foto…no quarto…hehehehehehehe
abraço
Eitaaa, foto, quarto??
Olha o Brunão fazendo revelações do passado obscuro de Pedro Staite, hahaha!
Vai ter que escrever um texto sobre!
(Ou pelo menos me contar depois! ) XD
Aaaahh, que pena que toda essa sorte não foi aplicada ao jogo dos Curiós!
Mas ainda temos um longo campeonato pela frente! =*
po e vc ta reclamando eu não ganho nem bala nesses joguinhos e no amor eu to pior que puta romantica
minha melhor amiga se chama panela de brigadeiro
Bigo e Danizona,
Na semana anterior àquela festa, eu devo ter ganho na Megasena, mas esqueci de pegar o prêmio, tal como quase aconteceu com aquele moço de Taubaté (sortudo de merda).
Naquela festa (maldita), eu estava lá todo prosa, quando uma amiga minha e eu começamos a desenrolar um leve flerte mútuo. No entanto, como ela estava muito além das minhas expectativas, eu não acreditei no meu taco. Enfim, em dado momento, ela pediu preu pegar a máquina de fotografar no quarto. Eu, sempre benevolente, fui ao quarto escuro pegá-la (máquina). Quando chego lá, a menina vem atrás… AÃ, eu, Don Juan de primeira qualidade, falo “e aÃ? Vamos tirar umas fotos?”… Depois disso, não preciso dizer nada, né?
A gente SÓ tirou fotos mesmo =(
Foi o maior atestado de bundão que eu recebi na vida (tirando a vez do toco da menina que ama o blog, esse é insuperável).
eu não tenho sorte nem no jogo nem no amor
snif snif snif snif
Ah pedro, amor é supervalorizado, afinal namoros vem e vão mas um boneco Jiraya é – quase – pra sempre.
Ainda prefiro Jaspion e o bom e velho Ronaldinho Campeonato Brasileiro 98.
E sou especialista em papel, pedra e tesoura! Minha seqüência de vitórias no jogo é tão alta, que eu tenho certeza que venceria o Freddy Krueger colocando papel.