Sexta-feira á noite – Parte 1

out 02

“Uma pessoa olhando para um celular que não toca – não há cena mais idiota. Os celulares foram justamente inventados para que ninguém precise mais ficar aguardando uma ligação ao lado do telefone.”
(Fernanda Young)

Sexta-feira à noite. Você não estava lá muito animada para sair, mas por insistência das amigas, toma uma chuveirada e vai à luta.
Elas te levam numa festinha “da galera da faculdade”.
Da faculdade delas, é claro.
V
ocê não conhece ninguém. Chega, senta num canto e vira melhor amiga da garrafa de Tequila.

Lá pelas tantas, saca o telefone da bolsa, coisa típica de quando você não tem absolutamente nada pra fazer, e resolve então ligar para o boy.

O boy:
Um carinha boa-pinta, primo da sua amiga, que você sempre encontrava quando dormia na casa dela. Ele quase nunca ia lá, mas sempre resolvia dar um oi pra tia quando você se encontrava de pijama, cabelo preso e creme no rosto.
Mas apesar de tudo, ele ainda se interessou por você, e vocês começaram então a se ver.
Um rapaz que definitivamente possuía todas as qualidades para ser seu.
É, pois é, mas aí que se encontrava o problema: Ele não era seu.
Mas como mulher forte que você sempre foi, estufava o peito e dizia: Ainda não!

O telefone tocou… Tocou… Tocou… Tocou… Toc.. Puta que pariu, não vai atender não, bosta?
E você desliga o telefone e faz cara de empadinha:
É, ele não atendeu… De novo!
Ele não quer falar com você.
Óbvio que não. Deve ter conhecido uma guria lindíssima esses dias. Tipo coelhinha da Playboy, se apaixonou por ela e se mandaram para Bora Bora.
Ela é rica, tem a bunda do tamanho do Brasil, peitos siliconados e é burra feito uma porta.
Pronto, ele não larga dela, nunca mais.

Mas cadê a consideração? Ta certo que se ele te ligasse e falasse tudo isso, você o chamaria de tudo, menos de bonito. Mas na situação em que você se encontrava, qualquer coisa era melhor do que ser rejeitada.
Você se encontrava bêbada, numa festa cheia de faculdandinhos estúpidos, com suas amigas perdidas e um celular na mão que irritantemente não emitia nenhum sinal de vida.

Ta, mas e se ele estiver no banho?
É uma hipótese, né? As pessoas tomam banho (pelo menos, espera-se que sim, ainda mais quando a pessoa em questão é o cara com quem você está saindo), então é normal que não tenha ouvido, e vai que quando ele voltar, se esqueça de olhar o celular… Pode não ver que você ligou.
Quanto tempo já se passou?
15 minutos…  Hmmm… Ah, vai, homem não tem nem que depilar a perna, já deu tempo de sobra desse banho acabar. É bom você ligar de novo.

E o telefone tocou… Tocou… Tocou… Tocou… Tocou… Tocou… E dessa vez tocou tanto que caiu na caixa postal.

Esse é o ponto alto da sua humilhação. Ouvir aquela voz de máquina irritante que na sua mente deturpada não parava de te dizer:
Otária, você ligou para o cara que nunca vai te atender. Após o sinal, tome vergonha na cara e apague-o do seu celular… biiiip.

É… Ele com certeza não estava no banho. Ou se estava, deve ter se afogado nos 10 cm de água.
Bem feito. Tomara que morra. E bem feio e nojento ainda por cima. Inchado e roxo.
Pronto, é isso o que ele merece.
Num impulso repentino e raivoso, você apaga o número dele, as mensagens e qualquer rastro dessa praga na sua vida.
Definitivamente não quer mais saber. E ai dele se passar na sua frente pelos próximos… Hmmm… 60 anos. Vai ouvir um bocado. Você é linda, tá certo que não é nenhuma coelhinha da playboy, mas ele também não ía conseguir coisa melhor mesmo…

TRIIIMMM… TRIMMMMM…

- Oi lindona, me ligou?
- Ooooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, Xuxu… Liguei simm!!!!

[continua...]

 



8 Comentários

  1. Hans Castorp /

    As aflições áridas que todos nós, leitores, somos tentados a nos submeter pelos devaneios da jovem heroína que de maneira cruel (mas eloquente) se faz representar por “você” (eu, todos nós) são acometidas por uma camada específica de sensibilidade pequeno-burguesa.
    Ora, mas a autora é a deusa onisciente dessa estória e deve observar sua personagem crescer, reivindicar água, tempestade: mesmo que esta ainda seja pequena, corpo faminto em terra seca.

    Espero, então, a continuação com ansiedade, mas com expectativa de evolução.

    Obs: Desculpe se pareci desejar ensinar alguma coisa, é só um olhar, uma análise e alguma vontade diante do que pode vir. O texto é seu.

  2. André Sampaio /

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  3. HAHAHAHAHA
    muito boooooooooooooooooooom, mulher é otária mesmo né?
    e o pior que é bem assim…
    quero ler logo o resto, faz o favor de postar?
    beijo gostosa

  4. sorte dessa menina que ele ligou….ou não
    veremos…
    mas mesmo que fosse pra coisa ruim, eu queria que o meu ligasse
    Ah Mary, a minha estória dá um texto aqui
    seria legal na sua visão
    =*

  5. Mariana Ramoa /

    huiahuiahuiahuahui perfeito ! XD

  6. pq eu me identifiquei tanto com esse texto =(

  7. Pior que é exatamente assim sempre, hahaha!!
    Nos deixam esperando mas só falar qualquer coisinha que a mulherada cai de joelhos =/

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