Sair na porrada
jul 09
Todo mundo já saiu na porrada e tem alguma história para contar sobre. Assim como os leões, os macacos e os albatrozes, nós animais, na impossibilidade de mijar nas coisas que teoricamente nos pertencem, brigamos por causa delas. Tipo quando aquele cara escroto chega na sua mulher; ou aquele beberrão que te provoca do nada e pega sua bebida; ou aquela velha que insiste em te vender o seu próprio suéter… Porrada é porrada, meu amigo, quem já tomou, sabe que não é tão duro assim, a menos que quebre os dentes. E quem dá a primeira, ganha a briga.
Só eu não briguei. E juro que penso nisso com certo receio. A única vez extra-familiar em que rolou um kung fu na minha vida foi com Thiago Oliveira, na segunda série. Eu dei uma banda nele, parceiro, ele tremeu nas tabelas… É sério, meu único confronto foi contra alguém da segunda série (bem, pelo menos eu também era da segunda série. Eu sou fraco, mas não sou tão covarde). Eu disse extra-familiar porque porrada com irmão não vale. Ainda mais um irmão que você ama muito (ohh). Eu e meu maninho só brigávamos quando ele me chamava de Angélica, pois eu tinha um sinal, que desapareceu, na coxa. Esse xingamento (bom, eu considerava um xingamento), me dava uma tremenda vontade de dar um soco na cara dele. É claro que eu sempre errava, mas ele nunca me acertava pra valer também.
Eu sempre fui assim. O mais sociável, diplomático e fraco da turma. Eu só derrubava alguém quando fazia judô. mas judô é mongol, só conseguiria usar em briga se fosse faixa preta. Eu era faixa transparente, bege, sei lá! Já lutei capoeira também. Não sei se você reparou, mas eu só fiz lutas que só fazem sentido se você for fodão. Eu fico imaginando um cara me provocando, aí eu começo a gingar cheio de malemolência e atitude, um espectador tira um berimbau da mochila e começa um “Paranauêêê, Paranauê, Paraná!”, e eu tomo um soco no meio do olho, caio de cabeça no chão e só acordo no dia seguinte com flores na minha cabeceira. Não é como Krav Magá que, além de ter um belíssimo nome, te faz torcer as pessoas e bater que nem o Steven Seagal.
Meu irmão já saiu na porrada e, assim como Mike Tyson, já perdeu e já venceu (só não comeu orelha… Eu acho). Ele é assim como eu: magrinho, com uma banha aqui e outra acolá e de aspecto inofensivo. Só que ele, quando está com sangue nos olhos, vira um lutador astuto e sagaz. Quando eu fico com sangue nos olhos, eu choro. Ele já fez Kung Fu estilo Jon Jon Law (mentira, eu inventei esse estilo), sempre defendia os amigos (e o mais importante: tinha um amigo que o defendia!). Eu não… Só tenho um abraço extremamente carinhoso e quentinho. O problema é que se eu fizer isso no ringue, perderei a orelha, uns dentes e a minha dignidade.
É por isso que eu me pelo de medo. Eu tenho medo de dar motivos para alguém se emputecer comigo a ponto de querer me bater; ou então de estar na hora errada e no lugar errado. Não estou falando que eu sou um saco de pancada sem personalidade, até porque eu acabaria entrando numa briga se esgotasse meus argumentos para evitá-la. O que me encafifa é que eu não vejo sentido em duas pessoas duelando.
Se você vê sentido em porrada, vai tomar no olho do teu cu e vem pra mão. Mentira, siga meus passos para entender a arte da covardia coerente e autopreservativa:
1 – Tenha plena visão holística da coisa:
Se um rapaz mal intencionado (leia-se “filho da puta”) passa a mão na bunda da sua namorada, lembre-se de que você também passa, só que com o consentimento dela. Quer vingança melhor do que essa? O cara não vai levar a bunda dela para casa. Uma passada desavisada de mão NUNCA teve esse resultado – nem com as solteiras.
2 – Seja o psicólogo do seu agressor
Fale com ele olhando nos olhos e entenda (ou finja entender) tudo o que ele fala. E mostre que o melhor caminho é o diálogo e a comunhão na resolução de problemas. Por que ele está tão possesso? O que há de ser feito para que isso não aconteça? Retórica e psicologia nunca são demais nessas horas.
3 – Faça piadas divertidas
O piadista é sempre poupado. Ele é gente boa.
4 – Esteja sempre em maioria
E quando estiver, seja o apartador da briga. Vai inspirar no agressor o seguinte sentimento: “que sujeito coerente, mesmo em maioria ele quer evitar briga… É verdade, não há motivo para isso…”.
5 – Respeite os maiores e mais sóbrios
Quando for ao contrário, foda-se. Se o cara então for menor e mais bêbado (ou seja, juntar os dois aspectos) e ainda quiser entrar na porrada, esqueça tudo o que eu disse, porque alguém assim merece apanhar.
6 – Não se deslumbre com uma faixa verde
Seja lá qual luta você fizer, uma faixa verde nunca é a mais graduada. Mas é aquela que começa a te inspirar a sensação de ser um autêntico Jet Li ou Shang Tsung. Essa gente é a mais suscetível para brigas. São aquelas que estão no meio do caminho entre os que não tem a mínima auto-estima (os faixas transparentes) e os que estão acima da briga, pois sabem que vão dizimar o coitado (os faixas pretas, primeiros dans, segundos dans etc).
7 – Só provoque se estiver longe
Bem longe, de preferência você no seu computador e ele no dele.
8 – Nunca dê a outra face
Desculpe, Jesus, mas ninguém consegue dar a outra face quando se está inconsciente (afinal, seguindo meus passos, você será um verdadeiro merdão, como o mestre Pedro Staite).
9 – Pratique o amor
Quer coisa melhor do que o amor?
10 – Tenha uma amiga grávida
Se não houver jeito, e a porrada estancar, tenha sua amiga grávida por perto. Elas são mais preciosas que os piadistas.




tztztztztz, que bolha hein! hahahaha
HAHHAHAHAHAHA como o bom covarde e fracote que sempre fui, sou hábil praticante desses passos!!! Mas esse da amiga grávida é genial!!! Pena que tenho tão poucas amigas grávidas…
PS.: Eu tb só entrei em briga extra-familiar uma vez na minha vida, foi quando eu estava na sexta-série e o garoto era mais baixo que eu, porém era super rápido e com uma força não aparente(leia-se: apanhei… =/), não gosto de comentar sobre esse assunto…
Te apóio. Porrada é O QUE HÁ de inútil. Não dá pra entender…
Tb sigo os mesmos passos que vc. Só que com menos frequência pq eu sou mulher e mulher só cai na porrada quando realmente QUER.
Não entendi o preconceito com os faixas verdes…… tenha medo dos faixas verdes…. juro.
uhauhauahuahuahuaha
muito bom Pedro!!!
‘Nunca dê a outra face’ uhaeuhuaheuaheuahaue!!
è..acho q a única vez q eu caí na porrada com alguém foi quando um menino da minha sala, na quarta série, veio me enforcar..pq eu tinha chamado ele de algum desses nomes super ofensivos (tipo “chato”), e cara ele ia me matar com certeza…senti o ódio pulsando sinistramente..ele ia bater com minha cabeça na parede…e provocar um “pequeno” traumatismo…e foi aí q a minha girl power surgiu, fechei a mão e…dei na cara dele com toda a força do mundo… ele saiu chorando e nunca mais encostou em mim e eu saí tipo “mulher maravilha”…covarde fdp…perdeu p mim!!!!!ahhaha \o/
SENSACIONAL!
eu também sempre odiei esses faixa verde metidos a shang tsung!
vale lembrar também que é importante nunca tentar os golpes que você acha que sabe numa briga séria: nada de tiger robocops, tectectugets, alex fulls e nem, citando liu kang, owlowlowlowlowlowlowlo’s.
Uma vez briguei na rua. N a verdade eu teria perdido se minhas duas amigas não tivessem me salvado. O pior é que eu que parti para cima.
Depois disso virei uma pessoa paz e amor, e só uso a capoeira para pegar negão gostoso
Cara, me divirto horrores com as suas postagens! O lance da briga e do cara tirando o berimbau e tocando “paranauê” foi o ó! Tô rindo até agora! Adooooro seus textos, Pedro! beijos
Ótimo texto! Eu ri muito na parte do espectador tirando o berimbau e você apanhando. Quase vi a cena acontecendo na minha frente agora.
eu nunca briguei tb pedro, se te consola!
nem com irmão, pq eu não tenho … nunca pensei em bater na minha mãe ou pai e acho isso uma boa coisa! hahahah
mas acho que levar uma amiga grávida na bolsa é bem válido! hahaha