
Minha participação no Lingerie Day do ano passado.
Todo ano acontece o Lingerie Day no Twitter (o dia em que as meninas – e meninos também – trocam seus avatares por fotos vestindo lingerie), uma brincadeira que começou inocente e sem muita pretensão por parte de seus criadores, mas que a cada edição aumenta a popularidade sempre garantido uma nova edição no ano seguinte. É divertido, é bonito, e acima de tudo é uma brincadeira. Nada mais do que isso.
Todo ano também nos deparamos com as militantes feministas que são tão contra o Lingerie Day que chega a dar a impressão que as bundas expostas são as delas.
Não é novidade para ninguém que lê o Corra Mary, que possuo um enorme desgosto pelo movimento feminista moderno. As feministas modernas adoram abrir a boca para pedir direitos iguais, mas nunca vi uma se quer, reclamando que quando fez 18 anos não teve que se alistar no serviço militar, ou na porta da balada discutindo com a caixa por não querer pagar meia entrada, e sim o valor inteiro como os homens normalmente pagam. Os direitos iguais feministas vão até onde convém, porque a verdadeira essência do feminismo, a bonita luta pelos seus direitos legais, foi esquecida lá nos anos 60.
“Ah, mas o Lingerie Day trata as mulheres como pedaços de carne.”
Minha cara, todos nós somos um amontoado de pedaços de carne. Uns bonitos, outros feios, uns inteligentes, outros nem tanto, uns que valem a pena, e outros que não valem nem a lingerie que vestem, a questão é que com roupa ou sem roupa você continuará sendo exatamente aquilo que você é. Se você é vulgar, continuará sendo vulgar no inverno da Sibéria vestindo sete casacos, e se você não é, continuará não sendo mesmo que seja a capa da Playboy desse mês. Não há roupa nesse mundo que esconda atitudes. E são elas que dizem sobre você, e não as suas roupas ou a falta delas.
“Há outras coisas mais importantes do que tirar a roupa na internet.”
Sim, há, mas um não anula o outro. Se nos focarmos unicamente nas causas importantes da vida, não existirá mais a diversão pela diversão. Não haverá mais os momentos das gargalhadas descompromissadas. E quem consegue viver a vida sem curti-la?
Para aderir à uma brincadeira virtual, não é necessário abdicar de suas causas sociais. Um convive pacificamente com o outro.
“O Lingerie Day só serve para um bando de macho se masturbar com novas fotos no HD.”
Querida leitora, saiba que nesse exato segundo em que você lê esse texto, há pelo menos um cara se masturbando enquanto pensa em você. Com ou sem Lingerie Day. E, ei, leve isso como um elogio. Qual o problema em ser desejada? Você não gosta? Então nem saia de casa, por que acredite, toda vez em que você bota seus lindos pezinhos para fora de casa, uma penca de homem no metrô, na faculdade, no escritório, na banca de jornal e até na igreja, imaginam como é seu belo corpinho de quatro numa cama redonda. Você é constantemente desejada, e não há absolutamente nada de errado nisso. Até por que você também deseja outras pessoas. Ou vai me dizer que você se masturba pensando em coelhinhos?
“Homem não leva a sério mulher que participa do Lingerie Day.”
O primeiro pensamento de um homem de verdade ao te ver numa bela lingerie é o quão linda você fica nela. O segundo, é o quão linda você realmente fica nela. O terceiro, e todos os outros, não são algo diferente disso. É preciso separar o joio do trigo, não confunda homem com moleque, isso soa como uma enorme ofensa. Você realmente se importa com a opinião infantil e insegura de meros garotinhos bobos sobre você? Um homem sabe valorizar a beleza da mulher que escolheu pra si. Um garoto, acha que é proprietário dessa mulher. Um cara não é dono de você só porque te come oficialmente com status no Facebook. Você é sua e ele que aprenda a lidar com isso.
Da mesma forma que apenas o fato isolado de participar do Lingerie Day não diz nada sobre você, seu caráter e sua índole, não participar também não. Mas então que seja pelo motivo certo. Um sincero e bonito “não to afim” é sem dúvidas o melhor motivo e a melhor explicacão.
Ser dona do seu próprio corpo é ter a liberdade para fazer com ele o que você bem entender. Seja abortar, tatuar, modificar ou se sentir sensual. Ele é seu e de mais ninguém, então não saia por aí repetindo um discurso velho e batido só porque martelaram isso por anos na sua cabeça. A cabeça também é sua, então tenha você suas próprias ideias.





