Geraldo classe-média
“O Brasil é o único pais onde puta goza, cafetão tem ciúmes, traficante é viciado e pobre é de direita.”
Era época de eleição e Geraldo se levantava da cama com o suspiro de quem certamente não gostava da situação atual. Não digo situação do país, do estado, da cidade. Situação de ter que levantar cedo para escolher o próximo safado a se dar bem, enquanto ele continuaria a lutar e sofrer feito um cão para não chegar a lugar nenhum.
“Que bosta de lugar é esse onde eu sou obrigado a escolher entre o ruim e o pior ainda?” e Geraldo lavava o rosto para não assustar os mesários que de certo, não tinham culpa alguma e estavam numa situação pior do que a dele.
Ele não agüentava mais sua tia avô falando do filho da irmã da empregada que seria ótimo para o cargo. A verdade é que Geraldo estava cagando para isso, e não importava quem conseguisse, de qualquer maneira sua situação continuaria a mesma merda.
Geraldo não era do tipo revolucionário, não participava de passeata, não chorava pela vitória de um, ou derrota de outro, e procurava não pensar muito em tudo isso. Lotar sua cabeça de pensamentos estúpidos que iriam totalmente contra a natureza da ambição humana era burrice demais para uma pessoa como ele.
Geraldo era classe-média, e não era preciso muito realismo ou entendimento para saber que nada mudaria em sua vida. Político nenhum se preocuparia com a classe-média. Enquanto Geraldo pagasse suas contas, limpasse o cocô do seu cachorro, e não matasse a vizinha, estaria tudo certo.
Corra Mary



