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Pílulas sem propósito ou conexão

Se houvesse um concurso para eleger as pessoas mais cools do orkut, com certeza 99% dos finalistas seriam aqueles que só têm testimonials de uma linha só em seus perfis. Você já reparou que aquele seu amigo hype só tem depoimentos hypes de uma linha, vindos de amigos igualmente hypes, formando uma teia de amigos [...]
Leia Mais Por Pedro   |   0 Comentários
nov 08

Geraldo classe-média

“O Brasil é o único pais onde puta goza, cafetão tem ciúmes, traficante é viciado e pobre é de direita.”

Era época de eleição e Geraldo se levantava da cama com o suspiro de quem certamente não gostava da situação atual. Não digo situação do país, do estado, da cidade. Situação de ter que levantar cedo para escolher o próximo safado a se dar bem, enquanto ele continuaria a lutar e sofrer feito um cão para não chegar a lugar nenhum.

“Que bosta de lugar é esse onde eu sou obrigado a escolher entre o ruim e o pior ainda?” e Geraldo lavava o rosto para não assustar os mesários que de certo, não tinham culpa alguma e estavam numa situação pior do que a dele.
Ele não agüentava mais sua tia avô falando do filho da irmã da empregada que seria ótimo para o cargo. A verdade é que Geraldo estava cagando para isso, e não importava quem conseguisse, de qualquer maneira sua situação continuaria a mesma merda.

Geraldo não era do tipo revolucionário, não participava de passeata, não chorava pela vitória de um, ou derrota de outro, e procurava não pensar muito em tudo isso. Lotar sua cabeça de pensamentos estúpidos que iriam totalmente contra a natureza da ambição humana era burrice demais para uma pessoa como ele.

Geraldo era classe-média, e não era preciso muito realismo ou entendimento para saber que nada mudaria em sua vida. Político nenhum se preocuparia com a classe-média. Enquanto Geraldo pagasse suas contas, limpasse o cocô do seu cachorro, e não matasse a vizinha, estaria tudo certo.

Corra Mary

Por Corra Mary   |   6 Comentários
nov 04

Matemática de vovó

“Somos criminosos, mas não completamente imorais.”

Minha vó casou com meu avô aos 16 anos. Foram morar numa casa com 5 quartos, mesmo sendo apenas dois. Com 20 anos de casados, vovô conheceu a moça da loteria. Ela não era melhor que vovó, mas mesmo assim ele a quis. Ele a quis tanto, que transpareceu para os filhos, os amigos e até para vovó. E mesmo depois de os encontrar juntos, vovó voltou para a casa e fez o jantar com o mesmo número de pratos de sempre.
Eles sentaram, comeram e sorriram como se tivessem acabado de se conhecer.
Passaram mais 38 anos juntos, e então ele morreu.
Depois de 16 anos sozinha, suas memórias de vovô já eram fracas, seu cheiro se perdeu pela casa, e ela já não sabia mais sem olhar para as fotos se a pinta dele era do lado direito ou esquerdo do rosto. Mas por 54 anos, não houvera um dia se quer, que vovó não lembrasse da moça da loteria e seus olhos castanhos, com a perfeita exatidão que só uma mulher traída poderia conseguir.

Posso até jurar que sua última imagem não tivesse sido vovô, e sim os enormes olhos castanhos. Isso é amor.

Corra Mary

Por Corra Mary   |   8 Comentários
nov 01

Peão colorido

“Pain is temporary, quitting lasts forever”

Por trás do que você não entende, há sempre o que você não consegue entender.
As atitudes de alguém não são malucas. Elas tem um propósito, um objetivo, e isso é sempre o que as move em direção à alguma coisa.
Achar que alguém fez algo incompreensível e dizer “eu o conheço, não sei porque fez isso”, é querer fingir que conhece o que não conhece. Você pode não saber, mas o outro com certeza sabe.
Às vezes as pessoas nos surpreendem. E esse às vezes, pode se tornar mais constante do que o agradável.

É tudo minimamente calculado, como num jogo de tabuleiro, cada movimento, cada (re)aproximação, não importando de quem forem as pecinhas que ficarão pra trás.

E sabe aquele lance de nunca dizer o objetivo para não estragar com as chances de consegui-lo?
Durante todo o jogo, as pessoas vão achando que o objetivo é o que não é, vão achando então que tem certeza do que nem imaginam que seja, e aquele peão colorido continua a ganhar casinhas, vai subindo, vai derrubando outros, e seu objetivo não é nem de longe, o que todos juravam que fosse.

Mas quem está aparentemente ganhando, lá na frente, num azar de dados, pode cair justamente na casinha que todos fogem, e se ver novamente de onde começou.
E se aquela casa existe, alguém uma hora cai nela.

E  correr o risco de cair um milhão de vezes de novo e de novo é desgastante até mesmo para o jogador mais experiente, e tudo isso dependendo apenas da sorte de um dado.
Nem sempre o 6 é a melhor opção. As vezes só o 1 já te salva.


Corra Mary

Por Corra Mary   |   6 Comentários
out 31

A utopia da felicidade

Para se ser feliz com outra pessoa, é necessário ser feliz sozinho primeiro. Brega, ridículo, digno de música do Wando, mas é verdade. 90% das mulheres (estatística falsa para dar credibilidade à crônica) dizem “estou horrível e triste hoje, mas se eu tivesse um namorado, ele ia falar que eu estou linda, e eu ia me sentir feliz”. Incrivelmente, uma vez por semana ouço variações dessa frase de todo o tipo de amiga minha.

O mais legal é que, quando uma delas acha um namorado, nos três primeiros meses, a conversa passa a ser “ta tudo lindo! Ele é tudo que eu sonhei! Ele me entende”. Os problemas com mães, trabalho, irmãos pentelhos, cabelos desembaraçados somem. Os dois vivem na melhor baba romântica a lá Meg Ryan, vendo filmes juntos dividindo uma pipoca gigante, rindo das piadas do Jim Carrey, andando de mãos dadas sob uma tarde ensolarada, vão à praia e ficam correndo na areia e chutando água um no outro, como se a vida fosse perfeita.

Três meses depois, cinco quilos mais gordos de tanta pipoca, achando que o Adam Sandler é o pior ator do mundo, voltam os velhos problemas: a mãe dela deu um pito enorme por que “a mocinha esqueceu de desligar o arroz”. Ela chora, faz beicinho, e liga para o bofe. Toca, toca, toca e nada dele atender. “Ok, ele deve estar ouvindo uma música alta”.

Seu irmão apagou um trabalho importante do pc dela. Ela liga para o gatinho, pede pra mãe dele chama-lo. A sogra manda “ele ta no futebol, liga depois”. A guria resolve fazer uma coisa melhor: se arruma ma-ra-vi-lho-sa, fica duas horas fazendo chapinha pra ter certeza que vai ficar com o cabelo perfeito, passa tanto pó no rosto que parece que levou um susto, rouba um par de brincos de prata da mãe, põe aquele tubinho preto, se entope de perfume, e vai buscar o namorado no futebol.

Chega lá, o namorado todo suado, com a camisa do time dele nas costas, com o cabelo todo desarrumado, olha pra ela e fala:

- Ta fazendo o quê aqui?
-Sua mãe disse que você tava jogando, vim te ver! – e abre aquele sorrisão de quem diz “agora fala que eu to linda!”.
-Ah, beleza, vou tomar uma bucha e a gente já se fala. – vira as costas e sai.

“Ele ta fazendo suspense, óbvio que reparou na minha produção”, ela pensa. Só pra conferir, pega o espelho, passa mais gloss, mais um pouco de pó no nariz, e fica esperando aqueles longos 15 minutos. Ele volta:

- Vamos?
-Claro! Como foi o jogo?
-Irado, fizemos 4 a 1! 4 a 1! – vira para o amigo que jogava no outro time – UUUUHHHH MARCELO, TÁ FRACO HEIN? VAMOS LÁ PRA CASA TOMAR UMA?

A patética menina vai junto, faz companhia para a violeta da sogra a noite toda, enquanto uns 15 homens ficam discutindo o fato de o Corinthians ter voltado para a primeira divisão, mais bêbados que o mendigo que pede esmola na esquina da sua casa. A produção já foi, o ânimo já foi, e tudo que ela precisava naquela noite era de uns 20 minutos de carinho, como ele sempre adorou fazer, na concepção dela.

Umas duas da manhã ela resolve ir pra casa, o namorado leva ela até a porta, dá um selinho e parte pra uma partida de winning eleven com os amigos.

A infeliz vai dirigindo, chorando e fazendo ultrapassagens arriscadas até em casa. Chega lá e a mãe, que por algum motivo ainda estava acordada, manda “seu pai não depositou a sua pensão esse mês”. Ela nem ouve, se tranca no quarto.

A coisa mais patética do mundo é acreditar que a felicidade que não pode ser encontrada em si mesma pode ser encontrada nos outros.

Helô

Por Helo   |   6 Comentários
out 29

3 de fevereiro de 1999 – Três gordos com cara de babaca

Da série “Dias inesquecíveis” – Adaptado para o Orkut / Blog.

3 de fevereiro de 1999 – Três gordos com cara de babaca

Um ano antes, eu e Medeiros nos conhecemos e nos tornamos grandes amigos. Depois ele conheceu o Piá, e a nossa amizade terminou. Fim.

Mentira, a nossa amizade ainda existe, mas voltemos ao ano de 1999. Naquela época, nós, sempre malandros e pegadores, tínhamos um grupo da mais pura malandragem e pegação: T.T (Tê ponto Tê), que significava “Todas todas”. Esse conluio de jovens foi formado no intuito de ser uma maçonaria em busca do amor das meninas que nos rodeavam. É basicamente isso, nós inventávamos códigos secretos e apelidos descontextualizados para poder falar delas ao lado delas! Era demais! Mas no final das contas, ninguém pegou ninguém e somos praticamente BVs até hoje.

Nossa obsessão por algumas das meninas foi tão acachapante, que fazíamos coisas que beiravam o ridículo para que elas nos dessem atenção. Num dia, uma de nossas musas máximas chegou e falou com a gente do nada:

- Vocês têm tampa de caneta Bic?

- Err… É… Não… Por quê?

- Porque é legal quebrar com os dedos!

Depois desse episódio, nós começamos a juntar todas as tampas de caneta Bic ou genéricas, porque se ela nos perguntasse novamente, poderíamos passar horas quebrando tampas de caneta, e talvez até fazendo amor. Só sei que no final tínhamos umas 28 tampas. Mas elas nunca mais chamaram a gente para nada =(.

Bom, nós éramos patéticos como qualquer jovem de 12 anos, mas pelo menos tínhamos algum estilo. No começo de 1999, nós firmamos o pacto de conceder a algum novo aluno a honra de entrar no T.T, e essa pessoa tinha que ser maneira e pintosa que nem a gente (hahaha). Mas quando os “calouros” entraram na sala, só decepção, e Medeiros não se conformou:

- Porra, três gordos com cara de babaca.

David e Suma eram dois deles. O David era gordo e um pouco babaca. O Suma nem era tão gordo, e a babaquice ficava só na cara mesmo.  Mas a gente acabou elegendo o terceiro, porque ele parecia o mais interessante dos três. Ele era gordinho e, coitado, nem tinha cara de babaca. O que importa é que no final ele se tornou parte da gente como nunca poderíamos esperar.

O gordo de 1999 é o Deco - um dos caras em melhor forma que eu conheço, mas já vou dizendo que ele tem namorada.

Obs.: O único que será gordo para sempre é o Marcelo, porque gordura de alma nenhuma dieta faz sumir. =D

Por Pedro   |   2 Comentários
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