Pequenas coisas detestáveis

out 25

Harold Camping, pastor maluco que já profetizou 3 fins do mundo

Perdi a solidariedade por pessoas que estão conversando com outras que não sabem a hora de parar de falar. Isso acontece muito com quem bebe, e como estou fazendo vestibular para escritor maldito, é impossível levar uma vida desta natureza sem me alcoolizar com freqüência acima da que o Discovery Home and Health recomendaria. Então por isso acabo estando muito em contato com essa espécie de ser humano que gera uma incalculável vontade de cometer assassinato (ou suicídio).

Essas pessoas provavelmente perderam o simancol em algum elo não identificado e sublimaram totalmente a consideração pelo interlocutor. E elas falam, falam, falam, inspiram um “cala boca” mental do tamanho do amor da minha mãe por mim, mas só vão parar (e te libertar da prisão) se cansarem. O que você pensa não conta. O que você diz, não importa (estão bêbadas, não vão lembrar). A barrinha que tem que esgotar é a delas, não a sua.

Gurus do fim do mundo, isso é detestável também. Não sei o que move esse pessoal e o que eles alegam ter como fonte para poder decretar o fim do planeta, o juízo final ou a chuva de caralhos flamejantes. O puto não está prevendo que o Vasco vai ser campeão brasileiro ou fingindo que vai trazer a pessoa amada em três dias, ele está dizendo que tudo na Terra vai acabar, e só alguns puros serão abduzidos por Deus. Isso é sério, meu amigo, se vai decretar um negócio bizarro, tenha o mínimo de certeza antes.  E acho que isso não passa de uma pequena coisa detestável, porque é impossível levar a sério.

Outra pequena coisa detestável é o afã pela gigantesca mudança de tempo com o horário de verão. A hora não passa de meia-noite para 5 da tarde, é só uma horinha de diferença. Em um dia já era para entender o horário novo, mas mães se recusam a fazer isso (avós recusam em dobro). Para elas, essa micro mudança de horário de verão é praticamente um jet lag. E fora que sempre, sempre dizem que o tempo passa mais rápido… Por quê!? Acho que esse pessoal toma o café da tarde com Cream Cracker e chá de cogumelo.

Tenho asco também por horóscopo de TV de ônibus. E acho que isso é uma coisa digna até para quem curte astrologia, afinal, dá para desagradar os dois lados:

Acredito

- Se você quer ver o seu signo, que é libra, mas acabou de passar o capricórnio, fudeu, desiste, porque a parte de horóscopo é fragmentada na programação (que só não é pior do que a da TV Boi, da Rede Joias e do Sistema Jesus de Televisão). Vai levar meia hora até chegar a merda do libra, então não tem como ver (a menos que valha a pena descer oito pontos depois).

Não acredito

- Não tenho nada a declarar sobre astrologia séria, o que não sei explicar o que é, mas com certeza não é a que a gente vê no ônibus. Noutro dia, consegui a proeza de ler os 12 signos, e, juro pela minha Lua em Netuno (ela chega até lá?), TODOS tinham o mesmo caráter negativo. Pensei “é, Atenas só pode estar em perigo…”.

 

O brasileiro e o limite do humor

out 19

Brasilero é um povo acostumado a se manter sempre na rédea. Já nasce cheio de limites e assim passa sua vida inteira. Sua vida tem limites, seus sonhos tem limites, seus desejos tem limites, suas vontades tem limites, seus protestos tem limites e consequentemente suas ações também.

É difícil explicar para quem nunca teve escolhas que as escolhas estão aí. É difícil explicar para quem tem como hábito se acostumar com as condições impostas, que essas mesmas condições só foram impostas por falta de reivindicação. Porque sempre há outro caminho, mas para quem prefere aceitar o inaceitável e tê-lo para si como correto, é missão impossível mudar essa mentalidade que já nasce programada.

E por esse mesmo caminho segue o humor. Num país onde Zorra Total é líder de audiência, com seu humor pobre e fácil, introduzir um tipo de humor que necessita um pouco mais de seu receptor não é tarefa fácil. E não estamos falando de gostos ou preferências, estamos falando de aceitação. Toda e qualquer forma de expressão tem que ser aceita. O humor, visto não só como forma de expressão mas também como arte, não pode possuir limites, é ridídulo e é a cima de tudo um atraso social.

E se por um lado brasileiro é preguiçoso pelas suas próprias causas, pelo outro é acostumado ao ato do benefício em cima do outro. Sendo que se envergonha e se indigna quando a cabeça pisada é a sua, mas quando surge a chance de se dar bem pisando na cabeça alheia, não pensa duas vezes.

Brasileiro é o povo que massacra o humorista na primeira página do jornal, mas anuncia o roubo do político de Brasília numa minúscula notinha perdida em qualquer canto desse mesmo jornal. Porque é mais fácil atacar um do que se defender de cem. Por um lado ele é brutalmente atacado e usando da mesma agressividade, ao invés de se virar contra seu agressor, transfere essa raiva para um terceiro que nada tem a ver com suas injúrias pessoais. É a lei do “se ele pode eu também posso”, fazendo com que a urgência de amar as pessoas como se não houvesse amanhã não passe de musiquinha tocada em fim de festa.

Enquanto as pessoas focarem em obter lucro em cima de tudo e de todos, procurando motivos pelo simples prazer de ferrar o coleguinha ao lado e principalmente enquanto admirarem esse tipo de atitude, estarão ocupadas demais usando a boca para denegrir o vizinho ao invés de usá-la para sorrir.

Não é o humor que possui limites, são as pessoas.

Conto da mulher compreensiva

out 16

Se mulher tivesse manual de instruções, não digo que a vida seria mais fácil porque ele provavelmente viria em mandarim arcaico. Muito pouco em relação ao sexo feminino é fácil, e acho que esse excesso de complicação contribui para a nossa imagem pública de sexo imaturo. A gente não entende nada delas enquanto nós, mesmo com alguns nós cegos na essência, somos autoexplicativos demais. É óbvio que a gente acha milhares de exceções, mas se nos preocuparmos com isso, nunca brincaremos de cagar regra sobre algo.

O que não tem exceção é que todos os homens que se relacionaram minimamente com alguma mulher já sofreram com o conto da mulher compreensiva. Toda guerra dos sexos já teve pelo menos uma vez uma batalha iniciada por causa de uma pseudo-compreensão da mulher que vai se transformar em chuva de ódio se você entendê-la errado.

Exemplos não faltam. Às vezes a namorada tem o aniversário do primo do avô da madrasta de um outro primo, e o namorado, teoricamente a priori, não está escalado para ir. Mas eventos familiares de namoro são que nem os de facebook, só que obrigatórios. Por você, ignoraria quase todos, mas a facada metafórica que vem embutida nesta deserção será enfiada no seu cu metafórico em algum momento.

A namorada diz “ahhhhh, se você não quiser, não precisa ir”, o namorado pergunta incrédulo “jura? Não tem problema mesmo?”, a namorada, fazendo estágio para Madre Maria das Criancinhas Necessitadas, retruca “nããão, não tem problema mesmo”, o namorado acredita e fala “tá, não sei, acho que não vou então, mas depois te digo”. A namorada fala “tudo bem”, mas os níveis hormonais do início da conversa já se desregularam. Duas horas depois ele diz que não vai mesmo, e ela mantém a classe. Ele sai dessa pensando “eu tenho a melhor namorada do mundo”.

No dia seguinte, quando o namorado ligar dizendo “oi, meu amor”, ela vai responder “oi…”, ele vai perguntar “aconteceu alguma coisa?”, e ela vai responder “não”. Pronto, coloque as luvas, o protetor de dentes porque o MMA (Momento da Mulher Assassina) vai começar. Será uma briga que teoricamente não tem o menor sentido, afinal, tudo foi concordado à luz de alguma razão aparente, ela liberou o namorado de não ir. Mas não, ela não havia liberado porra nenhuma. Foi simplesmente uma oportunidade que ela deu ao namorado de esboçar a vontade de ir a algo que ele jamais quereria se não estivesse sob pressão.

De quatro, uma:

- O namorado realmente acredita na namorada quando ela diz que não há problema de ele não ir. E isso prova que ele acredita nela. Só que não é assim que ele vai ser visto. Ela vai pensar que ele não tem sensibilidade para entender as entrelinhas. Sim, se você, namorado, não for e disser que acreditou nela, você caiu num ardil. Coisas que só ditadores russos faziam.

- O namorado não acredita nela, o que prova que ele tem sensibilidade (ou que já apanhou em outras 29 ocasiões), e vai mesmo contra a vontade. Chega lá e fica com cara de bunda a tarde inteira. A chance de que a briga que ele evitou aceitando ir se inicie no meio da festa é enorme.

- O namorado não acredita nela, mas já que ela jogou o jogo da compreensão infinita, ele vai fingir que acreditou. Se tem colhões para bancar essa, que banque até o fim. Essa é a mais complicada, mas mostra que o namorado se preocupa com a honestidade da garota. Ele meio que a condiciona a sempre falar a verdade, porque charminho não vai colar.

- O namorado não acredita, pois tem sensibilidade, e aceita ir com toda a boa vontade do mundo, o que mostra que o namoro ainda não passou de três meses. O começo do namoro é o momento mais carinhoso, mais apaixonado e mais inspirador de todos, mas quando o tempo passa, os dois já têm mais segurança em tudo, inclusive para dizer que não gostariam de ir a algum programa tido como chato. Isso pode ser bom, pois o contrato de namoro não prevê simbiose, mas pode ser ruim, porque pode passar a ideia de falta de companheirismo. Decidam-se.

Mas uma coisa é certa. De acordo com as minhas pesquisas para realizar este artigo científico, muitas mulheres ficam chateadas com isso, mas não querem ficar. Elas realmente acreditam no que estão falando na hora que desobrigam o namorado a fazer algo que ele não está muito a fim de fazer. Mas depois acabam magoadas sem querer e sem ter coragem de empregar 100% da culpa no cara. Outras fazem o jogo mesmo, querem que eles queiram, mas não dizem isso com todas as palavras. Essas merecem ir para o inferno, pois se acham que o homem é imaturo, precisam usar de mais clareza então.

Acho que não custa fazer três coisas. Ser sincero e evitar jogos, porque isso pode minar a credibilidade do que é dito (mulheres). Ter um pouco de boa vontade, afinal, se você está namorando alguém, supõe-se que você quer estar perto dessa pessoa em muitos momentos (homens). E, por último, ter a consciência de que faltar a um compromisso chato não significa o fim do amor, mas só um exercício do livre-arbítrio. E não há coisa pior do que estar num namoro em que você sente que não tem poder de escolha.

Investimento de alto risco (psicológico)

out 09

Paulo tinha razões saindo pelas calças para se preocupar com o futuro próximo. Havia levado uma pernada do destino que lhe solapou as garantias profissionais quando o diretor de redação do jornal no qual trabalhava deu uma de Robespierre e fez todas as cabeças dos companheiros rolarem miséria adentro. O jornal, um impresso que perdeu força com o passar dos anos, reduziu-se a um grupo-anão da internet, que nem passando por uma chuva de ouro garantiria o emprego de todo o pessoal das antigas.

Mariana, a esposa do recém-decapitado jornalista, estava se virando como podia. Mas as circunstâncias maternais brecaram suas possibilidades. Estava prestes a parir o segundo filho do casal, o pequeno Agenor, que, coitado, seria um indivíduo novo em folha, mas com nome de avô. Ele sofreria as consequências no momento certo, ainda não era hora de ter a alma queimada pela sacanagem alheia.

Mas o que apagava os archotes mentais do casal na merda era a possibilidade de faltar algo ao filho mais velho (afinal, o mais novo ainda tinha um resto de alimentação por umbigo e aconchego através daqueles caldos de útero). Fabinho era um menino tímido, simpático, espirituoso e dono de uma cinta lipídica típica dos gordinhos de 10 anos. Ele tinha acabado de ser matriculado em uma respeitável escola cuja mensalidade representava um estupro no seco em qualquer orçamento mediano. O deles, agora banguela de pai e mãe, definitivamente não estava preparado para essa pica.

Foi quando o Diabo sentou no ombro de Paulo durante um sonho.

Faltava um mês cravado para as aulas começarem, e os pais decidiram pagar para ver. “A gente vai dar um jeito na escola do Fabinho”, dizia Paulo com um bafo metafórico de enxofre. Pouco a pouco, quando a rotina de busca ao emprego permitia, Paulo empanturrava o filho de doces, como se fosse uma espécie de João e Maria pós-moderno, no qual a bruxa daria lugar ao pai em particular e à vida social em geral. Fabinho encheu cinco quilos.

Paulo começou a usar um gel suspeito no cabelo e a fazer um penteado para o lado que faria até um nerd não querer andar por perto. Estava com a esperança de que o filho quisesse incorporar a escrotice dele, porque é assim que funciona a relação entre pai e filho: a gente agrega em si muitas glórias e vergonhas do nosso modelo paterno. Faltando dois dias para as aulas começarem, Fabinho pediu para fazer o cabelo igual ao do pai. Paulo suspirou de alívio. Mariana não conseguia conceber nitidamente o plano maquiavélico que o marido estava tramando, mas sabia que algo escuso estava sendo feito.

No primeiro dia de aula, Paulo fez questão de arrumar o filho da maneira mais constrangedora possível. Colocou a camisa do menino para dentro do short de helanca (o short ser de helanca já conta pontos negativos na vida), fez o penteado com aquela gomalina questionável e reparou que as imperfeições iniciadas na infância, como miopia e dentes tortos, dariam o arremate necessário com os óculos e o aparelho. “Boa aula, Fabinho”, disse Paulo ao se dar conta de que jogou uma zebra virgem no meio das hienas malvadas do Rei Leão.

Duas horas depois, o telefone de Paulo tocou. Era Zuleika de Albuquerque, um anjo vestido de bruxa, com direito a nome de megera e tudo, do outro lado da linha. Embora ela parecesse tudo o que havia de ruim, era uma mulher justa, boa gente mesmo. Nos dias úteis era diretora do colégio respeitável.

Ela ligou dizendo que Fabinho foi escorraçado pela nata malandrote da quarta-série, e que estava chorando todo o Mar Morto na sala da direção. Parece que os meninos não foram muito tolerantes ao visual arrojadamente nerd de Fábio. Antes de se pendurar pelo saco de tanto remorso, Paulo reuniu o último gás para fazer um pseudoescândalo pelo telefone.

Zuleika sugeriu um acordo, pois levar o caso para a justiça, ainda mais em um momento em que o bullying havia sido elevado a patamares estratosféricos de reprovação, causaria uma poda completa na respeitabilidade da escola. Um bolsa de estudos transformaria a revolta em resignação, essa é a regra favorita de quem está acostumado a estuprar orçamentos familiares.

Paulo desligou o telefone e disse à mulher:

- Pronto, a escola do Fabinho está resolvida.

 

A ida ao mercado

out 06

Depois de Copacabana, o mercado é o lugar onde mais se encontra gente estranha por metro quadrado. Na verdade não só as estranhas, mas gente de todos os tipos, porque assim como os loucos, os normais também eventualmente precisam abastecer as prateleiras de suas casas. Mas há algo no mercado que atrai especialmente os malucos e psicóticos de todos os tipos.

Se houver alguma espécie de irmandade dos malucos anônimos, tenho certeza que o ponto de encontro deles é no mercado.

Ontem eu e Luiza, amiga e fiel escudeira, resolvemos fazer uma festa de aniversário surpresa para outra amiga nossa. Fizemos a listinha de compras, respiramos fundo e fomos ao mercado.

Nossa ida ao mercado já começou estranha desde a porta de entrada (que também é a de saída). Enquanto entrávamos, fomos empurradas por um funcionário que carregava nos braços outra funcionária desmaiada. Ao fundo ouvimos uma terceira funcionária: - De novo?
Ou seja, a funcionária apagada nos braços do rapaz, já possuía um histórico de apagões em pleno trabalho.

Normal, até porque, se eu trabalhasse num mercado, eu também desmaiaria de desgosto com certa frequência.

Luiza se virou e disse: - Creepy!

Acenei com a cabeça e continuamos andando rumo ao inferno mercado.

Procuramos logo na entrada as fileiras de carrinhos que todo mercado dispões aos clientes. Mas aparentemente o nosso não. Perguntei a um funcionário onde estavam os carrinhos e recebi a melhor resposta que um funcionário pode dar sobre um item que teoricamente seu local de trabalho deve proporcionar: - Ah, devem estar por aí.

Percebemos então que nós mesmas deveríamos achá-los.

O mercado estava lotado e sem nem sombra de um carrinho vazio. Pessoas vinham e iam com compras nos braços. Percebemos que teríamos que degladiar com os outros se realmente quiséssemos um carrinho.

Certa hora, quando andava mais a frente, ouvi a Luiza gritando:
- Marina, aqui!!

Virei-me e vi Luiza debruçada no carrinho cheio de uma senhora, enquanto a mesma olhava assustada, segurando um carrinho vazio que estava ao lado.

Mergulhei naquele mar de gente e fui nadando empurrando uma velhinha aqui, um funcionário ali até chegar ao carrinho e abraça-lo como se minha vida dependesse daquilo. Por pouco não senti a necessidade de mijar para marcar meu território.

Era difícil andar pelos corredores apertados cheios de pessoas sem a menor noção de espaço ou respeito. Numa dessas, nos encontramos numa sinuca com outros três carrinhos. Uma senhora prendeu completamente o fluxo dos carrinhos e resolveu que não se moveria pois queria pegar um objeto que estava atrás do nosso carrinho.

Depois de esperarmos em vão para que conscientemente a senhora entendesse que somente o carrinho dela andando poderia destravar o de todo o resto, travamos o seguinte diálogo:

Luiza: - A senhora poderia andar pra frente?
Velha encrenqueira: - Mas eu quero pegar aquilo. (apontando para um objeto atrás do nosso carrinho)
Luiza: - Mas a senhora precisa ir pra frente para que todos os carrinhos se movam. Inclusive o seu.
Velha encrenqueira: - E é você quem dá as ordens aqui?
Eu: - Então vamos ficar todas paradas aqui, sem sair do lugar porque a senhora não tem a boa vontade de dar míseros três passos pra frente. Que tal?

Luiza com toda a sua educação não conseguiu fazer com que aquela senhora desprovida de bom senso e inteligência básica conseguisse entender a lógica de algo tão simples. Mas nada que uma boa grosseria altamente necessária não a fizesse se mover.

Já estávamos achando que aquele mercado era uma enorme pegadinha ou que fosse localizado numa espécie de Twilight Zone de Botafogo. Fomos correndo pegar os últimos itens. Já estávamos com medo imaginando o que mais poderia acontecer ali.

Enquanto pegávamos velas e forminhas de brigadeiro, deixamos o carrinho um pouco afastado e ao voltarmos percebemos que nesses 10 segundos de descuido, nosso carrinho fora lotado de itens descartados pelas outras pessoas.

Sem entender que tipo de filho da puta desova suas mercadorias bastardas no carrinho de outro, corremos para a fila. Deixei a Luiza com o carrinho e fui buscar os últimos itens da lista: dois engradados de cerveja.

Depois de levar o primeiro, quando ainda estava pegando o segundo, ouvi um murmurinho e vi as pessoas daquele formigueiro se afastarem rapidamente criando uma roda vazia.

No meio dessa roda estava Luiza, debruçada no carrinho. Cheguei mais perto e pude perceber o que estava acontecendo: Uma das latas de cerveja do primeiro engradado havia estourado, molhando quem estava na nossa frente, nossas compras e obviamente a Luiza.

Um bendito homem, enviado pelo Deus das compras via Internet, veio nos ajudar a retirar o engradado do carrinho.

Àquela altura, foda-se a cerveja, só queríamos ir embora daquele manicómio. Chegando nossa vez no caixa, quando terminávamos de passar nossos itens, um percevejo pousou no nosso carrinho, provavelmente atraído pelo cheiro da cerveja estourada. Antes que pudéssemos tomar qualquer atitude, para completar o nosso dia, uma senhora que estava na nossa traseira na fila, achou que era uma boa ideia matá-lo.

Voltamos para casa exaustas, estressadas, irritadas, descrentes na humanidade e cheirando um gostoso mix de cerveja e percevejo recém falecido.

Como não podia esquecer de mencionar, a festa foi ótima. Obrigamos a aniversariante a comer o bolo inteiro, 100 brigadeiros e 3 litros de refrigerante. Deve estar arrotando doce até agora.

Palestra do Corra Mary

out 03

Queridos filhotes, a Marina, segunda pessoa mais sensual deste blog, vai dar uma palestra sobre o nosso livro lindo amanhã, nas Faculdades Integradas Helio Alonso, mais conhecida como FACHA, no campus de Botafogo.

Mais ao final, quando os espectadores puderem nos xingar e fazer perguntas ofensivas, vou entrar no randevú ao lado da Marina. Vai ser diversão pura, e, melhor, grátis. Portanto, se você estiver de bobeira amanhã, por volta das 19 horas, dê uma passada lá na Facha de Botafogo para conversar com a gente, prometo que vai ser legal!

O endereço é rua Muniz Barreto, 51, Botafogo.

O horário, não custa repetir, é às 19 horas. E o dia é 4 de outubro, vulgo “terça-feira” ou “amanhã”, ok?

 

Esperamos você lá!

Como criar buzz negativo

set 30

Já vimos pela internet muita empresa criando buzz negativo para si mesma. É ridículo, é burro, não é nada profissional, mas elas parecem ter um gosto por isso. Chuva de Twix, Nissan, Arezzo, etc. E a cada empresa que erra feio, cada vez mais nos chocamos e achamos que não pode ser pior, mas eis então que a Sai do Sofá chega e nos mostra que pode ser pior. Bem pior.

A empresa cagou fedido e além de cagar fedido ainda pisou na merda, rodou o pezinho e foi limpar na cortina da casa da avó. E se não tivessem matado as aulas de física, saberiam que para toda ação, há uma reação oposta e de igual intensidade.

No começo do ano, rolou um evento de mídias sociais maneiríssimo em Fortaleza. Mobilizou gente de todo o Brasil, e até fora dele, tanto público quanto palestrantes. Vendo aí uma grande oportunidade, várias empresas e marcas fizeram questão de se fazer presente lá dando mimos e presentinhos aos palestrantes.

A Sai do Sofá foi uma delas, nos deram um dvd de um artista do Rock in Rio e junto dele, um folder dizendo que havíamos ganho um ingresso com direito a acompanhante para o Rock in Rio.

O folder:

Todos nós achamos muito legal, agradecemos e enchemos a empresa de elogios em todas as redes sociais possíveis.

Foi então que a coisa começou a ficar estranha. O tempo foi passando, e a data do Rock in Rio chegando e nada de ingresso para ninguém. Ou eles não respondiam os e-mail, ou inventam alguma desculpa, ou jogavam para outra pessoa. Parecia telemarkenting virtual.

No final das contas, alguns ganharam os dois ingressos, outros ganharam apenas um e outros não ganharam nenhum. E sem nenhuma satisfação, não tiveram a menor preocupação em dar alguma explicação para quem foi lesado pela falta de profissionalismo e organização por parte deles.

Acharam que se ignorassem, uma hora íam parar de reclamar, esquecer e ía ficar por isso mesmo.

Além de não entregarem os ingressos prometidos, a surpresa maior foi ver qual foi o destino desses ingressos:


Eles estavam sorteando no Facebook em troca de número fácil de likes em sua página.

Ou seja, não quiseram cumprir com a promessa que inicialmente nos fizeram não por falta de ingressos, mas por má fé mesmo.

Depois de mais e-mails e mais contatos e sem resposta nenhuma, resolvemos então jogar a merda toda no ventilador. Foi criada uma hashtag #SaidoSofaFacts

E mais algumas outras piadinhas:


E como não poderia faltar, até um Funk:


Criação de Fellipo Rocha e Marina Mello (sim, eu mesma)

E se vocês acham que mesmo depois disso tudo o site veio se desculpar com os blogueiros, tentar se redimir ou apenas nos xingar até a 14º geração, nada disso. Eles continuaram nos ignorando e agindo como se nada estivesse acontecendo.

Sendo assim, resolvemos então atacar no ponto fraco. Se eles fizeram toda a picaretagem apenas para no final sortearem os tais ingressos no Facebook em troca de número de “curtir”, vamos denunciar a página e fazer o trabalho sujo deles ir todo por água abaixo, sendo assim, pedimos que todos ajudem. É rápido e são apenas dois cliques.

Entrem na página do Facebook deles. Cliquem aqui!

E cliquem em Denunciar página no canto inferior esquerdo da página e logo após em Spam ou Fraude. Assim ó:

Contamos com a ajuda de todos os amigos e leitores, porque tenho certeza que má fé, charlatonismo e pilantragem não enfurece só a nós.

Se eles tentaram enfiar no nosso cu, vamos devolver. Mas dessa vez com areia e no susto.

 

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