Mulheres sofrem
E isso não tem nada a ver com menstruação. Nem gravidez.
Mulheres sofrem porque elas possuem seios, bundas, coxas, umbigos, piercings neles, rostos e uma substância invisível que desperta sentimentos de pura sodomização na cabeça dos machos que cruzam por elas. Você mulher passa por homens quaisquer (velhos, novos, abnegados, eruditos, carecas ou pentecostais) com a convicção de que ele vai pensar que quer te comer, não é verdade? Pois é, se você for bonita, desculpe a grosseria com as menos abençoadas, é fato que eles realmente vão pensar. Se você for razoável, cai para 70%, mas ainda assim é um belo dum contingente.
Deve ser esquisito conviver com isso. Se olhar esquentasse, as bundas de todas vocês já estariam bem passadas.
Tenho uma amiga que, por acidentes catacômbicos das relações humanas, já foi minha namorada. Hoje em dia temos vaselina na alma suficiente para conversarmos sobre questões que ex-namorados não conversam usualmente. Ela me conta das paradas dela – sem grandes detalhes, afinal, minha alma está vaselinada, mas não é um cu – e eu conto das minhas.
Ela tem o malogrado talento de atrair toda a sorte de tarados para si. Eu fui um deles. Mentira, estou falando de tarados mesmo, daqueles que mijaram o superego acidentalmente e perderam por completo a noção do bom senso. Porque uma coisa é um cara que quer te comer, outra é aquele que te mostra isso sem nem saber seu nome e da forma menos atraente possível. Mostrar seu pinto para uma moçoila não vai despertar paixão alguma. Será que as pessoas acham que filme pornô é baseado em fatos reais?
Pois é, mostrar as vergonhas. Essa amiga estava num ponto de ônibus esperando uma condução para ir sabe Deus onde. Ao lado dela tinha um tarado sistemático, daqueles que desenvolve todo um método para te taradear, um ardil para te pegar com calças curtas:
Tarado – Quando passar o 47, me avisa?
(Ah! Estamos em Niterói. Lá é uma cidade mágica em que os ônibus só têm dois números; os museus voam e os fornicadores elaboram planos complexos).
Ela – Aviso.
O piruzento se afasta sorrateiramente, talvez para ter uma visão melhor dela. Alguns minutos e ônibus dispensáveis depois, o maluco grita:
- E aí!? Passou meu ônibus?!
Quando ela vira para responder, o tarado está praticando o ato mais rudimentar de amor-próprio no meio da calçada. Uma, desculpe o palavreado, punheta que a fez correr chorando para casa (agora me diga, isso lá é a função da masturbação? Assustar as pessoas? Se fosse, o Lobo Mau se masturbaria vestido de vovozinha).
Vale lembrar que esse cara era de uma cordialidade fora do normal. Sorriso sincero, simpatia exalando pela orelha, normalidade total aparente.
Noutra vez, essa mesma amiga pegou uma van para vir ao Rio. Creio eu que nossas vidas ainda eram entrelaçadas amorosamente, afinal, lembro-me remotamente de falar “você tem certeza de que ele estava se masturbando do seu lado?” enquanto ela se expressava em choque. Sim, um cara também se amando, só que do ladinho dela na Van. Quem já andou de van sabe que ali não há espaço para nada além de respirar e olhar para os lados. São coxas e ombros se esfregando durante uma hora. Há quem ache isso extremamente excitante, talvez o caso do rapaz que estava do lado dela.
Houve também uma ocasião em que ela foi ao banheiro da faculdade para tirar a gigantesca porção de urina de dentro de si (a bexiga feminina é uma caixa d’água, não é possível). O bloco estava vazio, pouquíssimas pessoas vagando pelos corredores. Foi lá ela marota fazendo seu xixi na tranquilidade que pede uma necessidade fisiológica. Quando ela olha para cima tem uma cabeça observando, cabeça essa que some e sai correndo (suponho que ela tenha pernas). Restou terminar de urinar e ver se tinha algum filho da puta correndo. Não achou. O cara é tipo um fantasma punheteiro do 1º andar, algo com um quê de Harry Potter, sei lá.
Essa minha amiga tem uns 154 centímetros. É de uma feição pueril flagrante, embora já esteja com seus 21 anos. Ela é um exemplo bizarro de que nós homens somos uns monstros. Eu, mais hétero do que um touro reprodutor (foi uma piada, mas é verdade), abdico dos meus prazeres só para pedir que todas vocês virem lésbicas. Nós não merecemos vocês.
-
-
-
Se bem que 98% dos homens têm um tesão maior ainda em lésbicas. 99% em lésbicas se pegando… É melhor ficar como está.
Eu faço parte do 1%. Primeiro porque eu não tenho dois pirus. Segundo porque, mesmo que tivesse, arranjaria um motivo duplo para ser ignorado. Se lésbicas não gostam de um piru, que dirá de dois.
