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Lembre-se

Quando você estiver trabalhando, lembre-se. Quando você estiver dormindo, comendo, se vestindo, lembre-se. Quando você estiver assistindo televisão, comendo churrasco, e tomando uma gelada, lembre-se. Quando você estiver beijando outras bocas lembre-se. Quando você estiver dirigindo o carro, a moto, o caminhão lembre-se. Quando você sentir vontade de fazer xixi nas calças de tanto rir, [...]
Leia Mais Por Corra Mary   |   3 Comentários
dez 19

Mulheres sofrem

E isso não tem nada a ver com menstruação. Nem gravidez.

Mulheres sofrem porque elas possuem seios, bundas, coxas, umbigos, piercings neles, rostos e uma substância invisível que desperta sentimentos de pura sodomização na cabeça dos machos que cruzam por elas. Você mulher passa por homens quaisquer (velhos, novos, abnegados, eruditos, carecas ou pentecostais) com a convicção de que ele vai pensar que quer te comer, não é verdade? Pois é, se você for bonita, desculpe a grosseria com as menos abençoadas, é fato que eles realmente vão pensar. Se você for razoável, cai para 70%, mas ainda assim é um belo dum contingente.

Deve ser esquisito conviver com isso. Se olhar esquentasse, as bundas de todas vocês já estariam bem passadas.

Tenho uma amiga que, por acidentes catacômbicos das relações humanas, já foi minha namorada. Hoje em dia temos vaselina na alma suficiente para conversarmos sobre questões que ex-namorados não conversam usualmente. Ela me conta das paradas dela – sem grandes detalhes, afinal, minha alma está vaselinada, mas não é um cu – e eu conto das minhas.

Ela tem o malogrado talento de atrair toda a sorte de tarados para si. Eu fui um deles. Mentira, estou falando de tarados mesmo, daqueles que mijaram o superego acidentalmente e perderam por completo a noção do bom senso. Porque uma coisa é um cara que quer te comer, outra é aquele que te mostra isso sem nem saber seu nome e da forma menos atraente possível. Mostrar seu pinto para uma moçoila não vai despertar paixão alguma. Será que as pessoas acham que filme pornô é baseado em fatos reais?

Pois é, mostrar as vergonhas. Essa amiga estava num ponto de ônibus esperando uma condução para ir sabe Deus onde. Ao lado dela tinha um tarado sistemático, daqueles que desenvolve todo um método para te taradear, um ardil para te pegar com calças curtas:

Tarado – Quando passar o 47, me avisa?

(Ah! Estamos em Niterói. Lá é uma cidade mágica em que os ônibus só têm dois números; os museus voam e os fornicadores elaboram planos complexos).

Ela – Aviso.

O piruzento se afasta sorrateiramente, talvez para ter uma visão melhor dela. Alguns minutos e ônibus dispensáveis depois, o maluco grita:

- E aí!? Passou meu ônibus?!

Quando ela vira para responder, o tarado está praticando o ato mais rudimentar de amor-próprio no meio da calçada. Uma, desculpe o palavreado, punheta que a fez correr chorando para casa (agora me diga, isso lá é a função da masturbação? Assustar as pessoas? Se fosse, o Lobo Mau se masturbaria vestido de vovozinha).

Vale lembrar que esse cara era de uma cordialidade fora do normal. Sorriso sincero, simpatia exalando pela orelha, normalidade total aparente.

Noutra vez, essa mesma amiga pegou uma van para vir ao Rio. Creio eu que nossas vidas ainda eram entrelaçadas amorosamente, afinal, lembro-me remotamente de falar “você tem certeza de que ele estava se masturbando do seu lado?” enquanto ela se expressava em choque. Sim, um cara também se amando, só que do ladinho dela na Van. Quem já andou de van sabe que ali não há espaço para nada além de respirar e olhar para os lados. São coxas e ombros se esfregando durante uma hora. Há quem ache isso extremamente excitante, talvez o caso do rapaz que estava do lado dela.

Houve também uma ocasião em que ela foi ao banheiro da faculdade para tirar a gigantesca porção de urina de dentro de si (a bexiga feminina é uma caixa d’água, não é possível). O bloco estava vazio, pouquíssimas pessoas vagando pelos corredores. Foi lá ela marota fazendo seu xixi na tranquilidade que pede uma necessidade fisiológica. Quando ela olha para cima tem uma cabeça observando, cabeça essa que some e sai correndo (suponho que ela tenha pernas). Restou terminar de urinar e ver se tinha algum filho da puta correndo. Não achou. O cara é tipo um fantasma punheteiro do 1º andar, algo com um quê de Harry Potter, sei lá.

Essa minha amiga tem uns 154 centímetros. É de uma feição pueril flagrante, embora já esteja com seus 21 anos. Ela é um exemplo bizarro de que nós homens somos uns monstros. Eu, mais hétero do que um touro reprodutor (foi uma piada, mas é verdade), abdico dos meus prazeres só para pedir que todas vocês virem lésbicas. Nós não merecemos vocês.

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Se bem que 98% dos homens têm um tesão maior ainda em lésbicas. 99% em lésbicas se pegando… É melhor ficar como está.

Eu faço parte do 1%. Primeiro porque eu não tenho dois pirus. Segundo porque, mesmo que tivesse, arranjaria um motivo duplo para ser ignorado. Se lésbicas não gostam de um piru, que dirá de dois.

Por Pedro   |   11 Comentários
dez 15

O cabelo e as mulheres

long-hair

Ao longo da vida, o cabelo de uma mulher vai assumindo um papel cada vez mais vital. Acontece de modo gradual, cada etapa vivida enfatiza um grau de importância cada vez maior. Creio eu que o começo pode ser definido antes mesmo do nascimento, quando numa sessão de ultrassonografia, sempre tem alguém para apontar o borrão no monitor e exclamar: “Olha, é cabeluda!”. E então aquele quase-ser, antes mesmo de ter noção de qualquer coisa, já se torna escravo do tecido morto que brota do alto da sua cabeça.

Minha prima de cinco anos deixou o cabelo crescer até a altura da parte interna dos joelhos. Tirando o fato de que a mãe já deveria ter cortado muito antes de chegar aí, a pobre menina não quer cortar de jeito nenhum. Diz a mãe que só a palavra “tesoura” já a faz chorar e gritar como se estivessem querendo lhe amputar um braço.
Em contrapartida, essa mesma priminha, ainda não se acostumou a usar calcinhas, e tem fortemente o hábito de arrancar a calcinha com toda a ferocidade de uma incomodada criança de cinco anos e atirá-la o mais longe possível. Não se importando muito se está na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê. Para ela, o importante é se livrar da calcinha.

Ou seja, minha prima de cinco anos se preocupa mais em manter seu cabelo grande, do que sua bunda coberta.

É indiscutível o valor que o cabelo tem para uma mulher. Antes mesmo da própria se reconhecer como mulher, seu cabelo já representa boa parte de sua feminilidade, e enquanto vai aprendendo que Seda só funciona nos comerciais da TV e que bom mesmo é Kérastase, a idéia do que seria o belo, se torna mais concreta para ela:
Ora bolas, o belo é cabelo. Simplesmente cabelo. E quanto mais, melhor.

E aí, gastar mais com o cabelo do que com comida, se torna não só normal, como necessário.

Corra Mary

Por Corra Mary   |   5 Comentários
dez 12

Doismilidose

Fofocas maias, atravessadas pelos milhares de anos, não dizem outra coisa: nos fuderemos em conjunto em 2012. É um presságio encravado nos anais do calendário deles, aliás, calendário esse que já deve ter acertado alguma coisa na humanidade, porque é inegável que eles têm uma bela duma credibilidade. Um exemplo fatídico é que essa profecia não soa canastrona que nem as do Nostradamus, que não passa de um velho safado cheio de teoria da conspiração na cabeça doente.

Mesmo defendendo os caras, não estou dizendo que dá para acreditar nisso. Estou só falando do espetáculo. O ser humano tem verdadeiro tesão pela tragédia – tiroteios, ônibus pegando fogo, sequestro em rede nacional… Se o microcosmo em caos já excita as almas, imagina o planeta inteiro?

Eu não consigo conceber na mente como seria se o mundo desse provas concretas de que ia para o saco. Primeiro porque o espaço entre o primeiro aviso cabalístico (sei lá, um terremoto bolado, ou o céu ficar vermelho, ou ter uma nuvem de gafanhotos malignos e carnívoros cobrindo as cidades…) e a destruição total pode ser de um dia ou um ano. Então ferrou, não dá para fazer planos, entende?

Se bem que fazer planos para o fim dos tempos é um contrassenso abissal. Mas de qualquer forma, todo mundo já pensou no que faria se houvesse o fim dos fins. E em toda lista tem alguma coisa sexual, porque está na essência do ser humano pensar e fazer putaria (pensar mais que fazer). Uma orgia; uma história mínima de sexo com alguém que te envergonha; liberar os anseios em público… Sei lá, mil opções, além, claro, das resoluções cristãs, familiares e fraternais… Você lista seus compromissos para morrer sem a sensação de missão incompleta, groso modo falando.

E é engraçado que a iminência da morte te desperta esse dever de faturar as contas pendentes. Algo que nem passa pela nossa cabeça quando temos a vida toda pela frente (vida toda = duas horas, se você for um cara bastante azarado; um século, se você for tão azarado quanto). Mas eu entendo isso. As pessoas não fazem loucuras quaisquer dignas de “estou com prazo pra ver Deus” normalmente pelo simples motivo de que seria uma puta queimação de filme. Iam achar você maluco.

- Celso! Que surpresa, o que você está fazendo aqui?

- Amanda, eu viajei 500 km só para dizer que te amo…

- Celso… Você sabe que eu sou casada… É melhor você ir embora…

Se fosse o fim dos tempos, Amanda e Celso se entenderiam às escondidas, afinal, ela ainda se lembra dele com carinho desde quando eram namorados. Além do mais, Ricardo, o marido de Amanda, também estaria carimbando suas resoluções com Fátima, então está tudo certo. Quem é Fátima?

- Mãe, obrigado por tudo… Te amo muito. Você foi essencial na minha vida.

- Que isso filho? Tá louco?

Se estivesse chovendo prego do céu, mãe e filho se abraçariam e chorariam a valer.

Bom, eu realmente espero que o mundo não acabe em 2012. Tudo bem que seria uma sensação espetacular e medonha presenciar a destruição total, e eu posso até dar a sorte de sobreviver com cerca de 10 meninas da minha idade e assumir a missão de repopular a Terra (aham, até parece que Deus me escolheria para isso). Mas acho que vai ser tão legal quanto ver de perto a Copa do Mundo e as Olimpíadas aqui no Brasil, a diferença é que eu não vou morrer depois de acompanhar o espetáculo.

Por Pedro   |   2 Comentários
dez 06

Papando uma mosca varejeira

Em 2005, eu era um rapaz que passava por profundas mudanças estéticas. Foi nessa época em que mudei de sexo e passei a me chamar Pedro. Antes era conhecida por Ângela e era profundamente insatisfeita por ter uma vagina. Mentira. Eu, que sempre fui homem (acredite), comecei 2005 com cabelo grande, que chegou a bater no ombro, uma autêntica autoafronta. Não sei o que estava querendo provar deixando o cabelo crescer (talvez os limites incopreensíveis do mau gosto… Ou estava provando só o gosto da solidão mesmo), só sei que tive uma bela (jeito de falar) estopa no meu cocuruto por muito tempo. Sempre quando acordava, era um suplício, tinha que tomar banhos complexos, passar cremes das mais duvidosas procedências (pré-banho, com enxague, sem enxague, com mais ou menos enxague, pós-banho…), era infernal.

E eu assumo que eu não cortava a juba porque tinha preguiça… São nesses momentos que a gente entende por que preguiça é um pecado capital.

Bem, resolvi cortar e tive um salto de qualidade. Saí do horrível para o normal. E normais, quando são gente boa, vez ou outra se dão bem, não é verdade? Pois é, foi o que aconteceu comigo. Ou melhor, o que ia acontecer comigo se eu não tivesse papado uma mosca varejeira real africana (Africanus varejerus).

Entrou, no meio desse ano de 2005, uma menina bonita de morrer no meu cursinho. Ela, cujo nome não seria prudente revelar, é loira (acho que é farmacêutico, mas isso não embaça sua beleza), tem um rosto fino, sorriso divertido e altura perfeita. Nosso primeiro papo foi meio estranho, porque foi ela quem puxou:

- Você toca algum instrumento?

- Toco você se quiser, minha tchutchuca…

Mentira, eu jamais daria uma resposta dessa sóbrio. Ela realmente havia perguntado se eu tocava alguma coisa. Isso porque ela afirmou ter visto uma palheta na minha carteira no exato momento em que eu a abria para tirar um tostão. Pensei “que freak essa menina, que visão de águia… Que rosto lindo, ai ai”.

Começamos a conversar sobre as coisas mais belas da vida (quando se começa a falar sobre as coisas mais belas da vida, a parada não pode dar certo) e estabelecemos ótimas conexões. Viramos bons colegas, mas eu nunca tinha tentado nada, porque imaginei que ela jamais fosse querer alguma coisa com um réles bunda como eu, que um diria escreveria em blog com coelhinhas da playboy estampadas – não dá para respeitar.

Foi quando rolou uma festinha da nossa amiga, e toda a rapaziada estava presente: Trombeta, Mescalina, Gravata, Geleia, Hamburger, Zé Buceta, Espirro, Antônio Costa Prachedes de Almeida, eu e ela… Bem, usei nomes fictícios para evitar o constrangimento público (embora só o Mescalina leia o blog de vez em quando. Bruno Miranda, você é o Mescalina, beleza? Tô contando aquela história ridícula da festa da Ana Paula).

A musicalidade rolava solta, os esqueletos balançavam, as pessoas tiravam fotos, e os birinaites batiam no estômago como pantufas em museus – um primor absoluto. Tudo estava muito divertido, e eu na minha, contando as piadas nos momentos certos, mas sem pretensões. Aí eu tirei uma foto com a minha amada e foi fofinho, porque dei-lhe um abraço mais intenso do que aquele que o figurino pedia. Ela deve ter notado que eu, mesmo sem mostrar muito, estava cheio de maldade. Mas aquela maldade bem tímida, pois não estava nos meus planos chegar nela.

Para espanto meu, ela também estava de maldade.

Depois de terminar a latinha de cerveja (eu estou sempre bebendo, que cachorro alcoólatra), levantei para pegar outra, mas minha amada faz um pedido.

- Balu, pega a minha máquina fotográfica?

Ou melhor, já que eu sou eu, e não preciso preservar meu nome:

- Pedro, pega a minha máquina fotográfica?

- Onde ela está?

- Na minha bolsa, lá no quarto (No quarto escuro, bem escuro e sensual).

Saio da sala, virando à esquerda, no corredor. Antes, dou uma olhadela no espelho, pois sabia que tiraria fotos com ela quando voltasse para a sala. Entro no quarto e a bolsa está lá, em cima da cabeceira, pronta para ser aberta por um estranho. Enquanto estou procurando a porra da máquina fotográfica, ouço passos atrás de mim. Era a minha amada na porta… Tudo escuro, só a luz de onde a festa estava rolando dizia que era ela.

- Pegou a máquina?

Eu, malandro que sou, com a máquina na mão, só que dentro da bolsa:

- Estou procurando.

Aí ela veio, sentou do meu lado e eu perguntei:

- Vamos tirar uma foto?

Ahá!

Nem preciso dizer o que aconteceu, né?

A gente tirou fotos… Literalmente.

No dia seguinte, o Mescalina pergunta para a minha amada:

- E você e o Pedro, hein!? Rola um clima, né?

- Ah, pô, dei o maior mole ontem pra ele e ele não aproveitou…

Poderia soar injusto, mas a menina, linda e divertida, praticamente me dá uma emboscada no quarto escuro – um avanço do poder feminino – e eu procedo cheio de infância na mente. É de doer o coração. Ela estava inteiramente coberta de razão.

Foi uma mosca que eu papei e que ficou engasgada na minha alma por muito tempo. De vez em quando tenho pesadelos em que uma máquina digital começa a me xingar e a me perseguir gritando “otááário!”. Menos Pedro, não exagera.

Obs.: A menina NUNCA mais me deu sequer um mole, embora continuasse legal. O divertido é que depois ela começou a namorar um Pedro. Maneiríssimo saber que, dependendo dos desmandos cósmicos, o Pedro poderia ter sido eu.

Obs 2.: Até hoje eu sou profundamente zoado pelo viado do Mescalina. Graças a Deus eu não sou o único a fazer merda na vida, então tenho moeda de troca.

Obs 3.: Se você tiver saco para ver como as coisas na vida se entrelaçam, dê uma olhada nos comentários do texto “Sorte no jogo, azar no resto”. Tem um comentário do Mescalina (Bruno) que não me deixa mentir.

Obs 4.: As fotos que eu e a minha amada tiramos até hoje estão no meu computador. Mas as pessoas jamais verão.

Por Pedro   |   6 Comentários
nov 29

Ideia idiota

É… As ideias… Existem as boas, as más, as do mundo do Platão e as idiotas. Uma ideia idiota é aquela que, assim que é concebida, te apresenta um rápido gráfico de aplicabilidade com o seguinte resultado:

- Chances de dar certo: 0,2%

- Chances de nada mudar na sua vida: 1,8%

- Chances de você se fuder gostoso: 137%. Não faça isso, senta e fica quieto!

Você sabe que não deve fazer o que está pensando, primeiro porque a sua cabeça é uma caixa de Pandora, só tem merda dentro, segundo porque não dá para lutar contra o óbvio. No entanto um arroubo de coragem te besunta nessa hora infeliz e te transforma num cowboy da Marlboro, daqueles que não acham nada impossível. Mas confiar no cowboy dentro de você é a mesma coisa que pular carniça bêbado: muito arriscado.

E foi exatamente essa a minha última ideia idiota digna de registro.

Estava bebendo o elixir dourado da vida na casa nova de um amigo. A nova morada dele tem uma varanda enorme, especialmente projetada para as traquinagens adolescentes. Tem uma luneta e um parapeito bem pequeno, daqueles em que você pode sentar sem esforço (uma ideia idiota clássica – você pode morrer). Estávamos numa roda, excitados pela oportunidade de estar com grandes amigos em plena segunda-feira à noite, quando eu propus ao dono da residência:

- Vamos pular carniça?

E o meu raciocínio foi tão meticuloso nessa hora que eu propus a brincadeira ao anfitrião, pois só ele saberia avaliar se pular carniça causaria transtorno aos vizinhos. Eu parei para pensar na coisa mais difícil possível e me esqueci de lembrar que eu não tenho mais 13 anos. Nessa idade pueril, eu era quase um Tigre e o Dragão da carniça, era praticamente um acrobata. Hoje eu tenho lá minhas habilidades corporais, mas, sem querer dizer que a idade é um papagaio de chumbo no meu ombro, não tenho mais a flexibilidade de antes. Espero ter um dia quando entrar no pilates, claro, mas isso só vai acontecer quando eu tiver dinheiro para pilates. Hoje não tenho dinheiro nem para o meu querido balé, que dirá para essa ginástica estranha de artista.

Levantei , e meu amigo ficou na minha frente, só que de bundinha pra mim. A segunda ideia estúpida foi pedir para ele ficar um pouco mais alto. É que eu estava me sentindo subestimado, eu não me considerava um café com leite nesse esporte. Pulei e sobrevivi. Ele pulou depois e sobreviveu. Resolvi pôr em prática minha terceira ideia idiota na mesma noite (um hat trick do capeta ensaboado) que era pular mais uma vez. Pulei e sobrevivi, mas não sem antes prender minha dobra da perna esquerda no pescoço dele e cair com todo o lado direito no chão. Foi uma queda feia, afinal, todos fizeram cara de susto antes de rir da minha cara. Eu caí de lado, batendo com o osso que fica na altura dos glúteos (da busanfa, ném) e só não o fissurei ou coisa e tal porque eu me apoiei com a mão. Resultado: dor por uma semana no pulso e na porra desse osso que eu não sei o nome.

E eu não tenho que ficar puto da vida. Tenho só que agradecer a Deus por não ter me quebrado. É inteiramente diferente de um acidente normal, pois você agradece a Ele por estar vivo, mas não sabe com qual divindade reclamar por estar com traumatismo craniano.

Mas é isso mesmo que tem que acontecer a quem põe merda em prática – algo vergonhoso, dolorido e degradante. Essa é a essência das vídeo-cassetadas, afinal, quem nunca viu aquela criança (nessa época da vida, nosso cowboy interior monta um unicórnio onipotente) que tenta pular obstáculos depois de subir uma rampinha de madeira feita pelos amiguinhos da vizinhança? Meu irmão, quando jovem, lutou capoeira sob uma luz estroboscópica (daquelas que piscam e te dão a impressão de lentidão): tomou um chute na cara no meio da festa. Mereceu, não mereceu? Que ideia é essa de bancar o Besouro Mangangá na festa da prima?

-

Se você me deixar um relato sobre alguma ideia idiota sua ou do seu amigo (ou seja, sua, pensa que me engana?), ficarei imensamente feliz.

Por Pedro   |   13 Comentários
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