
Vira e mexe a internet nos brinda com preciosidades. A do ano, sem dúvidas, foi esse texto do blog Machos de respeito sobre o livro 50 tons de cinza.
Não sou fã de contos e muito menos de livros eróticos, o único que li até hoje e aplaudi de pé foi Filosofia na Alcôva, mas devido ao enorme sucesso de 50 tons, me arrisquei em ler um trecho para tentar ganhar nem que fosse o mínimo de interesse em ler a obra inteira. Fracassei lindamente nessa tentativa. Não consegui nem terminar de ler o trecho, quanto mais ganhar interesse no livro todo. E isso porque eu li toda a saga Crepúsculo. Pra vocês verem o quanto 50 tons não me interessou em absolutamente nada!
Na verdade, fazendo um paralelo entre os dois, 50 tons não passa de um Crepúsculo para mulheres sexualmente ativas, mas que ainda mantém a mesma mente adolescente e iludidada das jovens leitoras dos vampiros.
Entrei no blog por ótimas indicações e me deparei com essa fantástica e detalhada crítica que além de me fazer dar gargalhadas altas, me fez também pensar na porra do universo feminino, ao qual eu também faço parte, e mesmo assim vira e mexe não entendo um nada tão grande que às vezes gostaria de estar fora dele.
Diferente do autor do texto, não concordo que o interesse feminino nesse livro gira em torno da vontade das mulheres em terem um cara, que mesmo em 5 bombadas, as faça gozar. Até porque orgasmo por orgasmo, a mulher pode ter até sozinha e quantas vezes por dia quiser.
Acontece que uma parte grande das mulheres, possuem prazer em serem sentimentalmente torturadas. Esse é o motivo pelo qual aquela sua amiga morre de amores por aquele babaca que nunca atende suas ligações porque está ocupado demais comendo outra vagabunda; ou aquela sua tia que continua casada há 30 anos com um bêbado desempregado que bate nela dia sim, dia também; ou qualquer outra mulher que insiste todas as suas forças em relacionamentos fadados ao fracasso com uma pitada forte de torturas sentimentais. A maioria das mulheres gostam de drama. Acham que a vida é uma novela e que no final, serão notadas, terão seus esforços recompensados e seu incrível e incansável amor retribuído.
O que fode a vida real é sempre a fantasia. Você fantasiar com algo, é a certeza de que a realidade será qualquer coisa, menos aquilo que sonhou. A vida não possui a menor obrigação em retribuir ilusões, e ela certamente não retribuirá.
Outra lamentável característica feminina, é sempre inventar desculpas pelos péssimos comportamentos masculinos. O que inclusive, o livro usa muitíssimo bem. Como quando a mesma amiga das ligações nunca atendidas, justifica seu amado acreditando que ele só age assim porque foi muito machucado no passado, ou a sua tia com síndrome de Rihanna que justifica o vagabundo do marido dizendo que ele tem problemas em controlar a raiva, ou todas as infinitas desculpas que já ouvimos de “ele está passando por uma fase difícil”, “ele tem medo de relacionamento sério”, “a mãe dele está internada”, “o cachorro dele morreu” ou Christian Grey teve uma infância difícil. Conversa fiada!
Querem saber a verdade? Todo mundo tem seus medos, todo mundo tem seus traumas passados, todo mundo tem seus próprios problemas pessoais, mas nenhum deles, absolutamente nenhum, é um motivo razoável para tratar outra pessoa, que não possui nenhuma ligação com eles, como lixo. Isso não é bonito, isso não é romântico, isso não é nem ao menos sexualmente atraente.
Se a mulher sente um pingo de tesão num cara que a trata como bosta, ela prova aí que é ainda mais merda do que ele pensa que ela é e não só merece, como se acha merecedora, de um tratamento digno de puro depósito de porra.
Talvez o nome do livro seja justamente por isso. “Minha filha, se você acha que comportamento de homem babaca deve ser reverenciado e desejado, sua vida daqui pra frente será toda cinza. Variando em 50 tons diferentes.”
Praticamente a linha especial Faber Castell da amargura.





