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Pílulas sem propósito ou conexão

Se houvesse um concurso para eleger as pessoas mais cools do orkut, com certeza 99% dos finalistas seriam aqueles que só têm testimonials de uma linha só em seus perfis. Você já reparou que aquele seu amigo hype só tem depoimentos hypes de uma linha, vindos de amigos igualmente hypes, formando uma teia de amigos [...]
Leia Mais Por Pedro   |   0 Comentários
dez 10

Deus te abençoe

Eu não acredito, exatamente, em Deus. Não que eu não veja a perfeição da natureza, dos seres, e da vida em geral. Mas é que a realidade é um pouco diferente.

Todos buscam acreditar em Deus por motivos, desculpem, um tanto egoístas. Alguns buscam a salvação de suas almas o sofrimento eterno, e se ficarem próximos ao Todo Poderoso terão mais chances de escapar. Outros não suportam pensar que seus entes queridos, e até eles mesmos, viram comida de minhoca depois de morrer, a idéia de um lugar superior é melhor. Há quem creia que vai voltar aqui, o que dá oportunidade para fazerem o que quiserem, porque não existe céu e inferno, e sim reencarnações de maneira indefinida.

Porém, quando abrimos os olhos para o mundo inteiro, parece sacanagem. Eu tenho estudado a Ãfrica para meu TCC, e quanto mais estudo, mais Deus parece injusto. Os africanos são altamente crentes (sendo crentes aqueles que acreditam em Deus) e só levam na cabeça. Guerra, fome, escravidão, colonização, e eles seguem rezando todos os dias de suas vidas, para que ela melhore. É incrível como os mais abastados são os mais crentes, eu não consigo entender.

Confesso, tenho inveja dos religiosos. Quando ocorre uma tragédia eu me sinto impotente, sem conseguir fazer nada. Os crentes ajudam rezando; e rezam dias a fio, se julgarem necessário. Quando ocorre alguma coisa ruim comigo ou com a minha família, também não sei como agir; alguém que acredita vai à igreja/templo/mesquita e sai de lá com a certeza que vai dar tudo certo.

Tudo bem, eu poderia rezar. Mas eu acho que eu estou no fim da fila divina. Supondo que existam quatro bilhões de crentes no mundo (observando que na China a religião foi proibida, coisa do Mao), entre eles pessoas que sabem a Bíblia, ou o Corão, ou o Torah de trás para frente, que possuem laços de fidelidade com Deus, eu não acho que eu tenha prioridade.

Imagino assim: dos quatro bilhões de crentes que rezam todos os dias, podemos adicionar que o 1,5 bi de muçulmanos (estou chutando) reze as cinco vezes diárias descritas no Corão. Só eles enviam para o call center divino 7,5 bilhões de orações. Somadas aos 2,5 bi restantes, temos 10 bilhões de orações recebidas por dia, isso tirando quem resolve rezar em um dia por algum motivo X. Dessas orações, imagino que Deus separe em casos urgentes, casos ordinários, críticas/agradecimentos, casos impossíveis (como o Garotinho pedir para ser presidente), e lixeira (orações no estilo “se eu ganhar na loteria, dou 500 reais para a igrejaâ€, ou “quero ganhar um cachorrinho no Natalâ€, ou ainda “Senhor, 15 cm? Fui sacaneado. Arruma isso, por favor.â€). Dos pedidos urgentes, Deus deve olhar o grau de confiança que a pessoa tem com Ele. Alguma coisa como “orador since…â€, estrelinhas de confiança, número de preces enviadas, boas ações, última vez que foi a algum lugar de culto, enfim. Óbvio que ele vai ajudar a mãe da menininha com câncer, mas se quem pediu ajuda, em vez da funkeira da mãe dela, foi a avó, que todo domingo bate ponto na missa, a menina vai ser curada mais rápido. Ele é que não vai perder uma cliente tão boa.

A realidade é que Deus deve olhar por mim, afinal eu acho que o trabalho dele não é só responder orações, mas cuidar pra que a Terra não vire uma zona só. Mas que eu trocava isso por uma apaziguada em Serra Leoa, uma refeição por dia para as crianças do Laos, eu trocava. Se Deus der uma passadinha por aqui, fica o pedido. Ou talvez ele não exista.

Helô

Por Helo   |   15 Comentários
dez 08

Dependência

Há dias o mundo estava triste, feio, sem graça como um filme de comédia francês. Eu sabia o que tinha que ser feito, sabia em que lugar ir, afinal já era um velho conhecido meu. Coloquei a primeira roupa do guarda roupa e saí correndo, mais que o Forrest Gump.

É no momento que eu entro no carro que eu vejo como eu preciso. As pessoas são ridículas para dirigir, se eu pudesse eu matava aquele ford Ka que me fechou. Xingamentos e expressões em sentido voam da minha boca, parecia que todos sabiam que aquilo me faltava, e como eu precisava dele.

Quando eu finalmente chego ao lugar que eu tanto preciso, não há uma vaguinha sequer para eu colocar um carro… Um vãozinho que eu possa me enfiar mais ou menos enquanto eu pego o que tanto preciso. Eu dou uma volta na quadra, e nada… procuro em outra rua, e nada. Subo, desço, me perco algumas vezes, e nenhum espacinho. Eu pagaria até 20 reais a hora em algum estacionamento. Por falar nisso, como que não existe um estacionamento por aqui?

Existia um estacionamento. Obrigada Deus, obrigada Jesus, obrigada Shiva, obrigada Moisés, obrigada Ogum, obrigada Alá, obrigada Deusa mãe, obrigada David Blaine. O tio que guarda os carros quer puxar papo, ele não vê a minha situação? Ele guarda carros em Curitiba e ainda tenta puxar papo com alguém? Explico o segredo do carro e saio correndo, ele só pode ser maluco.

Subo naquele prédio reparando em cada pessoa. Estariam lá pelo mesmo motivo que eu? Aguardando naquela sala de silêncio constrangedor, ouço um homem de uns 20 anos dizer que foi de Foz do Iguaçu para chegar ali. Existem pessoas mais desesperadas do que eu.

Finalmente ele me recebe, percebe meu olhar cansado e prepara-se para me dar o que eu preciso. Quando ele finalmente me entrega, tenho vontade de chorar.

Obrigada Doutor, o senhor garantiu minha felicidade por mais dois meses.

Saí de lá saltitante com a receita de Trazodona nas mãos.

Helô

Por Helo   |   2 Comentários
dez 05

Os homens da minha vida - Parte 1

Sábado dormi na casa da Laura e no domingo tinha churrasco na casa de uns parentes dela, fui junto.

Chegando lá cumprimentei os 34 familiares dela(sendo que só conhecia o irmão e os pais), fiz aquela social bonita e tudo mais.

- Vamos te apresentar meu sobrinho: Eduardo – disse a mãe da Laura, animada.

[Mini-flash back]

Eu, sozinha em casa, tomando banho, o chuveiro pega fogo, me enrolo numa toalha, saio apitando nos vizinhos buscando ajuda, a vózinha do 402 chama o zelador, a moça simpática do 401 só faz cara de pavor mas a mãe dela me conheceu ali ensaboada e com cabelo cheio de shampoo e me adorou.

- Uma hora dessas vou te apresentar meu sobrinho, o Gleidison.

[Fim]

Fudeu.

Eis que surge o tal do Eduardo, alto, perfumado, bem vestido, óculos de grau, aparelho.

- Perguntei pro Edu se ele tinha reparado a coisa boa que tinha hoje, ele respondeu: sim, uma loira tri bonita. Ele gostou de ti, mora perto da tua casa e vai te dar uma carona. Aproveita, ele tem carro!

Entrei no carro muda e saí calada.

- Tu é sempre quieta assim?

- Aham.

Chegando em casa. Laura acabou de pedir sua atenção.

- Me conta!!!

- Contar o que?

- Ora o que, quero saber como foi.

- Abri a porta, sentei a bunda no banco, 10 minutos depois disse obrigada, tchau, abri a porta e saí.

- Não deram nem uma voltinha?

…

45 dias depois

Estava eu no trabalho quando de repente um colega novato diz:

- Tem um amigo teu que é meu colega na faculdade.

- Quem?

- O Edu.

- Tu deve estar confundindo.

- Ele disse uma loira que trabalha na mesma empresa que eu, só pode ser tu.

Lembrei de quem se tratava, vai ver ele tinha gostado de mim mesmo e eu aqui sem fazer nada, né? Vou adicionar no Orkut, mas não vou deixar scrap, não to afim dele, eu só estou sem nada pra fazer.

Em seguida trocamos scraps, msn, conversamos pra dedeu. No mesmo dia, sábado, como de costume fui dormir na casa da Laura.

- Adicionei teu primo hoje no Orkut.

- Ah, esqueci de te contar. Ele ta apaixonado por ti. Disse pra mãe dele que contou pra minha mãe que nunca deu uma carona pra uma guria tão bonita e que ficou todo nervoso, que fez um monte de barberagem.

- É mesmo? Nem percebi.

- Ele queria saber também se tu tinha perguntado dele, mas eu disse pra mãe que não. Percebi que tu não tava afim, mas dei uma enrolada dizendo que tu não fala dessas coisas, pra não ficar chato.

(Continua…)

Fulana

Por Fulana   |   4 Comentários
dez 03

Pedaço de cena - Eufemismo

Aquele texto velho sobre eufemismo me fez escrever a respeito em uma cena, para meu ex-grupo de teatro, com quem, diferentemente da minha ex namorada, ainda tenho um ótimo convívio. É sobre um publicitário que resolve tirar os eufemismos dos comerciais e botar a verdade das ruas, sem maquiagem! Não vou contar o final porque um dia, quem sabe, vocês podem assistir à peça e aí não vai ter graça alguma.

(…)

Br – LIIIINDO! LIIIINDO! EXUBERANTE! Vou morrer sufocado pelos milhões… Mas vamos lá, pessoal, dêem tudo de si, porque esse Roteiro de agora é uma bosta. (Comenta com o assistente) Um garotinho quer cagar na casa do amigo, porque lá eles usam bom ar… (riso preso)… Isso não vai dar certo nunca… Mas estão pagando, que se dane. Vamos lá! Luz, câmera, ação!

Garoto (entra com voz fina, de criancinha, que nem a do comercial do Gleid Plug) – Mãããe, quero cagar.

Mãe – Vai ué, o cu é teu.

Garoto – Mas eu quero ir na casa do Pedrinho.

Mãe – Mas nosso banheiro está desocupado, seu pederasta, vai logo antes que você se cague, vai!

Garoto – Não! Eu quero ir na casa do Pedrinho!

Mãe – Qual o problema do nosso banheiro?

Garoto – Ele tem cheiro de merda… É nojento!

Mãe – Nojento é você, seu ingrato! Eu lavo, passo, cozinho, costuro pra fora. Aquele alcoólatra do seu pai não faz porra nenhuma, não ajuda, não te compra um tênis, uma roupa, não lava um prato e você vem reclamar do banheiro? A tua escola está atrasada, o aluguel não é pago desde agosto, você vai morar na rua, filho da puta, lá não tem banheiro de Pedrinho não. Então vai se acostumando com a idéia. Aliás, você já ta com idade de ajudar em casa, meu filho, já tem 4 anos.

Garoto – Pára, mamãe! Eu quero ir na casa do Pedrinho. Lá é cheiroso, eles usam cheirinho de Alfazema.

Mãe – Mas é muito viadinho… Quer saber? Vai então, mas fique sabendo que não adianta gritar de lá que eu não vou limpar a sua bunda.

Garoto – Tudo bem, o Pedrinho limpa. (sai correndo feliz)

Mãe – (vira sorrindo para platéia) – Se você não quiser passar por cenas constrangedoras como essa, compre o novo aerossol “Peido Cheirosoâ€. Agride só um pouquinho a camada de Ozônio, mas é bem melhor do que ficar com a casa fedendo! Peido Cheiroso, se for peidar, tem que ser cheiroso.

(…)

Pedro

Por Pedro   |   2 Comentários
dez 01

Garotos serão garotos

Eles deviam ter por volta dos 15 anos. E elas também. Por mais que tentassem parecer descontraídos, elas encostavam os pés na parede e passavam as mãos pelos cabelos tratados com Babosa, sem nem fazerem idéia do que seja isso.
Eles andavam por todos os lados e puxavam o irmãozinho menor para onde fossem, e talvez ele não tivesse se dado conta da situação e os chamava para jogar bola, sem entender o porquê das risadas. Não era hora disso.

E quanto mais o tempo passava, mais eles se olhavam, mais nervosos ficavam e mais velha eu me sentia. Eles não sabiam, mas naquela semana, exatamente naquela, eu tinha o dobro.
E as experiências já não cabiam mais, a nostalgia de todo aquele nervosismo, era enorme. Depois dos 20 as coisas são diferentes, e os movimentos variam entre o mecanismo total, e a descontração exagerada, sabendo do que está fazendo, e como está fazendo, e o irmão mais novo é deixado em casa. O melhor amigo também.

Elas não se movimentavam muito. Garotas têm disso, disfarçam o nervosismo olhando para os lados, ou mexendo na manga do casaco, mas se mantém imóveis no mesmo espaço desde o início. E elas me olhavam com o respeito de quem já havia saído do lugar há muito tempo. E eu havia.

Eles estavam em número menor. Sem contar com o irmão, que ainda não estava na idade de fazer número, e eles sabiam que mesmo sem quererem, tinham a obrigação de conduzirem a constrangedora situação, e toda aquela ingenuidade, depois de 2 horas começara a me dar nos nervos.
E eles me olhavam com o respeito de quem sabia que garotos nunca mais me foram assim. E nunca mais me foram mesmo.

Corra Mary

Por Corra Mary   |   8 Comentários
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