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Boas intenções

Boas intenções não valem de nada. As pessoas parecem ter uma enorme necessidade em querer arrumar desculpas para as ações de outras pessoas. Normalmente, esse papo de “boas intenções” surge nesses casos específicos de talvez não querer aceitar, ou de covardemente querer justificar uma ação injustificável. Até um crime pode ser cometido por uma boa intenção. O [...]
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jan 09

A Mariuzzin e a Casa da Matriz

E aí, pessoal? Vamos falar mal delas?

Certa vez no passado escrevi que lutei contra todos os prognósticos e fui para a Mariuzzin  de Copacabana: um lugar essencialmente brega e perigoso por vários aspectos:

- Você pode apanhar simplesmente por estar acompanhado de uma menina. É que ela despertou ares reprodutivos tão fortes em um Zé buceta bombado que ele vem disposto a te bater. Ele vai te bater, tomar um toco da sua acompanhante e, possivelmente, bater nela depois. Aí sim ele é convidado a se retirar educadamente pela sentinela da galeria.

- Os drinks matam da mesma forma que as pedrinhas brilhantes de Césio 137 fizeram em Goiânia na década de 80. O primeiro drink tem gostinho de frutas, é levinho. O segundo, teoricamente igual, tem urina de alcoólatra e chumbo em pó. Você tropeça sozinho no banheiro, meu amigo! Sua alma dá um looping dentro de si!

- As músicas são os drinks em formato de som. A combinação dos dois causa trombose no cérebro. Se alguém disser que é viciado na Mariuzzin, procure urgentemente um psiquiatra como se fosse procurar um Narcóticos Anônimos pro teu amigo viciado em cocaína.

Saí de lá pensando com carinho nas nights roquenrol do meu Brasil varonil. Mentira, eu estava bêbado demais para isso (afinal, eu tinha 2 lagoas azuis, ou 7% do álcool da Terra no meu estômago). Mas vou te contar que esses lugarzinhos hipe master cools são muito esquisitinhos também.

No terceiro dia do vigente ano (se você está lendo o texto em 2017, o vigente ano é 2010. Bom saber que você está lendo, os maias não mataram a gente) resolvi exalar meus hormônios dançarinos na Casa da Matriz. Lugar bacana, com uma quantidade infindável de meninas que, de tão limpas e bonitas, parecem lavadas a Pinho Sol sabor Cherry Dolls, e rapazes que nem de longe parecem os bombados suados e com limitações intelectuais da concorrente leske. Até aí, uma graça. Uma higiene digna do palácio de Buckingham.

Só que lá também tem muita coisa esquisita. A Mariuzzin tenta te matar, mas não é por querer, sabe? Ela te serve um drink com tesão de vaca justamente para que você espalhe seu amor na pista, se divirta, tenha filhos, seja feliz. A Casa da Matriz me parece mais desonesta. Os donos, parlapatões malandróticos, fixam o horário de corte para desconto: meia-noite. Levando em consideração de que uma lata de cerveja lá dentro é mais cara do que uma garrafa aqui fora, é óbvio que as pessoas não vão chegar antes das 22 horas.

Até aí tudo bem, o que me irrita é que você chega à fila, e ela engorda como um chouriço gigante até que as sentinelas mandam:

- Um atrás do outro.

Pensei que fosse uma piada para descontrair o ambiente, porque se a fila chouriço chegava ao final do quateirão, a fila “um atrás do outro” iria até o final do bairro. Era muita gente estilosa junta, elas precisam se olhar.

Outra coisa irritante é quando você está extenuado no chouriço, pensando se realmente vale à pena gastar toda a sua energia vital para pagar cerveja cara, e aparece um furador de fila. Se ele furar atrás de mim, eu já fico puto, se for na frente, não consigo me segurar.

- Ééééé… Depois reclamam dos políticos… Falam que são corruptos. Mas pagar propina pra policial, ultrapassar o sinal vermelho, furar fila… Essas coisas são corrupção também. O congresso é uma mostra da nossa sociedade, a gente é tão desonesto quanto.

O puto continua impassível. O que me resta é torcer para que ele tenha diarreia lá dentro. Porque ao sair de casa, todos são muito cheirosos e maquiados, mas o banheiro é digno do boteco do seu Prachedes, ali perto do Sambódromo, onde há um mictório só para os ratos. A Vigilância Sanitária agradeceria!

A fila não anda, passa da meia noite e todo mundo paga mais caro. Nota 10. Isso porque a sentinela-mor prende a fila para mostrar para quem passar que a night lá dentro está bombando. Ou seja, acompanhe o raciocínio:

- Você vai pagar para entrar, pagar para consumir, fica uma hora na fila suando e estragando a maquiagem poker face, passa do horário e acaba tendo que pagar mais ainda. Ou seja, pagamos MAIS CARO justamente porque estamos servindo de propaganda pros transeuntes. Não era pra ganhar um desconto bacana pelo trabalho feito?

Além disso, odeio gente que nasceu com sangue azul ou que é peixe de alguém lá dentro, que entra a hora que quer porque é amiga do DJ, vai se fuder! Isso é muito escroto.

Tudo que é demais faz mal. Políticos de extrema esquerda ou direita são igualmente ditadores; comidas doces ou salgadas demais fazem mal à saúde; pessoas inteiramente castas ou ninfomaníacas têm parafuso a menos; A night lesk e a night cool me mostraram que ambas conseguem ser absolutamente insuportáveis quando querem. É uma pena!

Por Pedro   |   5 Comentários
jan 04

Assassinos de nome fofo

A história mundial é caprichosa, salpica a cronologia com bastante sangue e dengo, uma controvérsia bélico-fonética difícil de descrever.

Houve, nos idos dos anos 70, um ditador cambojano que possuía uma convicção sanguinolenta e uma maldade minuciosa que chegava a dar medo. Ele, comuna bizarro, tinha um grupo guerrilheiro chamado “Khmer Vermelho” (Semioticamente, esse vermelho é de comunismo, não de hemácia) que, numa paranoia convulsiva, resolveu tolher qualquer resquício de intelectualidade em seu país. Destruiu as universidades, transformando-as em chiqueiros (literalmente), matou praticamente todo mundo que gritou “ai” contra ele. Quem pensou “ai” morreu também, diga-se de passagem.

O governo dele, sem um puto no bolso, fazia fila com os pobres-diabos na hora da execução. Uma bala para atravessar o máximo de gente possível, uma grande economia. Quando não havia fuzis, o negócio era saco plástico: era menos rápido do que um projétil, mas para matar sem pressa era um adianto. Quando não havia saco plástico, eles usavam a criatividade – estraçalhar crânios jovens em troncos de árvore, por exemplo.

Estima-se que entre 25% e 40% da população cambojana tenha morrido nos quatro anos em que ele ficou no poder. Dos mais de dois milhões de mortos, grande parte foi assassinada. A outra morreu em decorrência de trabalhos forçados e doenças. Ou seja, se esse massacre se desse de forma igualitária em todo o território, é bem possível que cada cambojano que não morreu arcasse com a tristeza de chorar por quem não tivesse a mesma sorte.

Talvez você saiba que eu estou falando de Pol Pot. Sim, um dos caras com o maior débito com Deus que a história já viu, tem nome de Fox Paulistinha, de Poodle. Tudo bem que seu inimigo número 1, o general Lon Nol, também tinha um nome gostoso de se falar. Mas acho que Lon Nol (um palíndromo, se você reparar) não matou ninguém. Na verdade, Pol Pot se chamava Saloth Sar, outro nome neném, mas resolveu mudar para um nome super comum na época, sei lá, acho que para rolar mais empatia com o povo. Acho que se eu fosse um cambojano, nem se ele tivesse o nome da minha mãe, eu ia gostar dele.

Como uma pessoa com esse nome pôde matar tanta gente? O curioso é que muitos outros ditadores, cujo principal ofício era finalizar vidas, tinham nomes mimosos como o de Pol Pot.

Idi Amin (Uganda) – Torturou e matou quase 300 mil.

Mao Tsé-Tung (China) – Suas perseguições e torturas levaram mais de um milhão de chineses para o céu (O que me traz a dura constatação de que o Céu também está entulhado de chinês… Merda!).

Pinochet (Chile) – Responsável pela morte de 3 mil opositores e pela tortura de 30 mil pessoas que deram bom dia depois das 12 horas.

Stalin (União Soviética) – Há quem diga que ele matou 12 milhões de pessoas.

Fanatismo, paranoia, maldade, sangue frio, loucura… O que passa na cabeça de gente assim? Só sei que graças a essas barbáries, perdemos nomes lindos, afinal, quem se arriscaria a dar nome de assassino pro filho ou pro cachorro?

Não pensem em Hitler. O nome dele não era nem um pouco fofo.

Por Pedro   |   3 Comentários
dez 28

Listas

Certa vez, estava tomando uns birinaites com a rapaziada num bar. Bem, parece que eu só faço isso da vida, né? Não é verdade, mas é só isso que eu faço com gosto e alegria. Estávamos conversando sobre besterinhas diversas, quando meu amigo lista os quatro animais favoritos dele. Não estou muito lembrado sobre qual era o contexto, acho que falávamos da minha paixão por pôneis com cabelos lisos nas patas. É que uma amiga, sabendo desse meu ardor pelos cavalos anões, disse entusiasmadamente que bricou com um pônei numa viagem que fizera uns dias antes.

Tudo bem, eu gosto de pôneis. Mas esse assunto trouxe à tona uma lista dos quatro animais favoritos do meu amigo, e isso é muito mais estranho. A primeira coisa esquisita é o número que ele escolheu para compor a lista. Por que não três, para ficar tipo um pódio? Por que não cinco, que traz a confortável sensação de coesão? Números bons de ranking são três, cinco, dez, cem, mil, sei lá! Números com propósito, sabe? Quatro é uma circunstância no meio do caminho. Você não usa todos os dedos da mão, entende? Tudo bem, o Lula usa, mas ele é presidente, estou falando de seres normais.

A outra coisa louca é: por que alguém faz uma lista dos animais favoritos? Ele estuda engenharia química, nada que passe nem perto de veterinária, biologia… Ele não tem animais de estimação, talvez só um peixe (que eu não considero animal de estimação – se não dá para fazer carinho, não serve pra nada). Resumindo, ele arranjou uma brecha na matrix para poder elaborar uma lista de QUATRO animais favoritos. Parece bobeira, mas isso me deixou perplexo no momento.

Vou te falar que eu não lembro ao certo quais bichos eram. Se não me engano era macaco, cachorro, elefante e cavalo. Eu fiz uma de sacanagem, que continha pônei (com cabelos lisos nas patas, senão não serve), girafa, albatroz e gato. Na verdade, eu nunca vi um albatroz, mas com um nome desse é difícil não respeitar.

Mas essas aves gigantes e com ótimos nomes (albatroz, cegonha, pelicano, valotrina – mentira, esse último eu inventei) são legais só na teoria. Eu creio que meus animais favoritos sejam gato, cachorro, pônei e o meu irmão. Vou botar apenas quatro porque, embora ache absurdo quantificar assim, vou respeitar o autor do modelo.

Listas são pêndulos que viajam entre o extremamente útil e o totalmente desnecessário. Eu lembro que eu tinha uma lista dos meus pokemóns favoritos (você é perfeito, né? Só gosta dos filmes do Selton Melo, né? Seu cool…), esse é um exemplo de lista inútil. Aqui em casa, nós temos uma listagem de alimentos funcionais, para melhorar cada vez mais a nossa saúde. Esse é um outro exemplo de lista inútil, porque a gente nunca come o que está lá. É pura encenação.

Mas, por falar em comida, lista de compras é de pura utilidade. A menos que você seja milionário ou gênio, é sempre bom ter tim tim por tim tim o que você vai comprar, se não você esquece algo ou compra coisas demais. A lista telefônica é, ou era, bastante útil também. Fica a dúvida porque ninguém mais usa as telelistas…. Acabou-se a época glamurosa em que catávamos o número das nossas amadas nas listas amarelas (ruiva, boquinha de veludo, artista do sexo, 23…… anos! Não centímetros), hoje em dia é tudo na internet, está tudo aberto para quem queira ver.

Tem também as mais ou menos úteis, como a lista de convidados de um aniversário. Primeiro porque, a menos que você faça a festa em Guantánamo, SEMPRE vai haver pelo menos um penetra. Segundo porque quando fazemos uma lista de aniversário, nos sentimos os donos do mundo… A gente acha que é capaz de incluir absolutamente todas as pessoas do Hemisfério Sul na lista, o que é uma grande besteira porque se nem de todas as 438 pessoas do orkut você gosta, imagina do Hemisfério Sul todo?

No entanto, a lista mais inútil do século é aquela que fazemos em dezembro, as famosas resoluções de ano novo. Ano que vem eu vou parar de fumar, entrar na academia, me dedicar mais à faculdade… Nesse momento, um trovão ecoa no céu: é Deus rindo da sua cara. É aquele tipo de lista em que toda a dedicação de que precisamos acaba justamente no exato momento em que terminamos de botar as resoluções no papel. A vida continua a mesma coisa e o símbolo de mudança que o ano novo traz dura uma semana. Que beleza: mais um ano fumando, cheio de banha e levando a faculdade nas coxas.

Obs.: Vaporeon, Squirtle, Kakuna, Charizard e Pikachu. Merda, não dá para listar só quatro!

Feliz ano novo!

Por Pedro   |   10 Comentários
dez 24

Azar no amigo-oculto

O ano dobra a última esquina entrando no mês derradeiro, momento em que sempre acontece a mesma coisa – há milhares de dezembros, alguma força interior embute nas nossas cabeças previsíveis as mesmas sensações de sempre:

  • Que esse verão vai ser o mais quente de todos – se o Aquecimento global fosse embasado na nossa crença, a Terra já teria derretido
  • Que o tempo está passando cada vez mais rápido – acho que é culpa da pós-modernidade (quando não houver culpado aparente, recorra à pós-modernidade, aos alimentos transgênicos ou ao demônio. Sempre funciona!).
  • Que amigo-oculto só serve para gastar dinheiro com presente bom e ganhar presente ruim – Essa história é muito esquisita, afinal, se pelo menos você levou um presente bom, alguém tem que se dar bem. É que nem falar que os guarda-chuvas caem num buraco negro… Não é possível que a mística do mundo se resuma aos guarda-chuvas.

E vou te contar que, sem querer maquiar o clichê em que eu estou me metendo, o verão vai ser quente pra caralho; o tempo realmente está passando rápido pra caralho e eu só me fodo em amigo-oculto. Desculpe os palavrões.

Em 1992, tive meu primeiro amigo-secreto. Havia tirado Ana Claudia, uma menina por quem eu não era apaixonado (deveria ser um monstro, porque eu me apaixonava por todas as meninas ao mesmo tempo). Provavelmente minha mãe também achava Ana Claudia um trubufu, pois ao vê-la, pensou em comprar um estojo de maquiagem.

Na hora da roda, os presentes iam sendo entregues, mas eu só conseguia reparar em Warley. É porque nessa época, eu também me apaixonava pelos meninos. Mentira, é que ele estava com um embrulho mínimo, quase 2D, na mão. Pensava “será um cartão?”, “Será uma luva de pelica especial para tocar piano?”, “Eu só tenho seis anos, como tenho mentalidade para falar sobre luva de pelica?”. Bem, a brincadeira foi chegando ao final, quando um aluno indigno de registro tira o Warley e lhe dá um imenso helicóptero dos Comandos em Ação (só um rapaz sabe o que é a emoção de ganhar um helicóptero dos Comandos em Ação. É tipo você menina ganhar o Box com a série completa de Gilmore Girls, sacou?).

Warley guarda o gigantesco helicóptero no cu (mentira, era só o que eu gostaria), ou melhor, guarda atrás dele. O helicóptero era tão imenso que, dependendo da perspectiva com a qual você olhava para ele, você imaginava que uma criança do jardim III conseguiria entrar nele. Warley, papelzinho numa mão, presente na outra, olha para mim e começa a falar. Nesse momento, eu rezava “por favor, eu não, eu não, eu não”, mas nada adiantou. Ele me chama e eu vou buscar o presente. Chuta o que era:

a)      Um vale compras no valor de 1.500 cruzeiros (1992, meu amigo!).

b)      Um cartão de crédito sem limites.

c)       Uma passagem para o Beto Carrero World.

d)      Uma escova de dente amarela com a cara de um palhaço na ponta.

Se você chutou opção D, meus parabéns. Quando abri o saquinho e tirei a escova, minha cara de bunda foi tão evidente, que eu conseguiria fazer um comercial de supositórios só mostrando o rosto. Não estou me queixando do presente, escovas de dente são úteis, importantes para a nossa saúde, piriri parará pororó. Só achei uma injustiça tremenda.

Sentei, dei o caralho do estojo de maquiagem para a feia da Ana Claudia e amaldiçoei internamente o Warley. Não sei por onde eles andam até hoje.

Feliz Natal

Por Pedro   |   10 Comentários
dez 19

Mulheres sofrem

E isso não tem nada a ver com menstruação. Nem gravidez.

Mulheres sofrem porque elas possuem seios, bundas, coxas, umbigos, piercings neles, rostos e uma substância invisível que desperta sentimentos de pura sodomização na cabeça dos machos que cruzam por elas. Você mulher passa por homens quaisquer (velhos, novos, abnegados, eruditos, carecas ou pentecostais) com a convicção de que ele vai pensar que quer te comer, não é verdade? Pois é, se você for bonita, desculpe a grosseria com as menos abençoadas, é fato que eles realmente vão pensar. Se você for razoável, cai para 70%, mas ainda assim é um belo dum contingente.

Deve ser esquisito conviver com isso. Se olhar esquentasse, as bundas de todas vocês já estariam bem passadas.

Tenho uma amiga que, por acidentes catacômbicos das relações humanas, já foi minha namorada. Hoje em dia temos vaselina na alma suficiente para conversarmos sobre questões que ex-namorados não conversam usualmente. Ela me conta das paradas dela – sem grandes detalhes, afinal, minha alma está vaselinada, mas não é um cu – e eu conto das minhas.

Ela tem o malogrado talento de atrair toda a sorte de tarados para si. Eu fui um deles. Mentira, estou falando de tarados mesmo, daqueles que mijaram o superego acidentalmente e perderam por completo a noção do bom senso. Porque uma coisa é um cara que quer te comer, outra é aquele que te mostra isso sem nem saber seu nome e da forma menos atraente possível. Mostrar seu pinto para uma moçoila não vai despertar paixão alguma. Será que as pessoas acham que filme pornô é baseado em fatos reais?

Pois é, mostrar as vergonhas. Essa amiga estava num ponto de ônibus esperando uma condução para ir sabe Deus onde. Ao lado dela tinha um tarado sistemático, daqueles que desenvolve todo um método para te taradear, um ardil para te pegar com calças curtas:

Tarado – Quando passar o 47, me avisa?

(Ah! Estamos em Niterói. Lá é uma cidade mágica em que os ônibus só têm dois números; os museus voam e os fornicadores elaboram planos complexos).

Ela – Aviso.

O piruzento se afasta sorrateiramente, talvez para ter uma visão melhor dela. Alguns minutos e ônibus dispensáveis depois, o maluco grita:

- E aí!? Passou meu ônibus?!

Quando ela vira para responder, o tarado está praticando o ato mais rudimentar de amor-próprio no meio da calçada. Uma, desculpe o palavreado, punheta que a fez correr chorando para casa (agora me diga, isso lá é a função da masturbação? Assustar as pessoas? Se fosse, o Lobo Mau se masturbaria vestido de vovozinha).

Vale lembrar que esse cara era de uma cordialidade fora do normal. Sorriso sincero, simpatia exalando pela orelha, normalidade total aparente.

Noutra vez, essa mesma amiga pegou uma van para vir ao Rio. Creio eu que nossas vidas ainda eram entrelaçadas amorosamente, afinal, lembro-me remotamente de falar “você tem certeza de que ele estava se masturbando do seu lado?” enquanto ela se expressava em choque. Sim, um cara também se amando, só que do ladinho dela na Van. Quem já andou de van sabe que ali não há espaço para nada além de respirar e olhar para os lados. São coxas e ombros se esfregando durante uma hora. Há quem ache isso extremamente excitante, talvez o caso do rapaz que estava do lado dela.

Houve também uma ocasião em que ela foi ao banheiro da faculdade para tirar a gigantesca porção de urina de dentro de si (a bexiga feminina é uma caixa d’água, não é possível). O bloco estava vazio, pouquíssimas pessoas vagando pelos corredores. Foi lá ela marota fazendo seu xixi na tranquilidade que pede uma necessidade fisiológica. Quando ela olha para cima tem uma cabeça observando, cabeça essa que some e sai correndo (suponho que ela tenha pernas). Restou terminar de urinar e ver se tinha algum filho da puta correndo. Não achou. O cara é tipo um fantasma punheteiro do 1º andar, algo com um quê de Harry Potter, sei lá.

Essa minha amiga tem uns 154 centímetros. É de uma feição pueril flagrante, embora já esteja com seus 21 anos. Ela é um exemplo bizarro de que nós homens somos uns monstros. Eu, mais hétero do que um touro reprodutor (foi uma piada, mas é verdade), abdico dos meus prazeres só para pedir que todas vocês virem lésbicas. Nós não merecemos vocês.

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Se bem que 98% dos homens têm um tesão maior ainda em lésbicas. 99% em lésbicas se pegando… É melhor ficar como está.

Eu faço parte do 1%. Primeiro porque eu não tenho dois pirus. Segundo porque, mesmo que tivesse, arranjaria um motivo duplo para ser ignorado. Se lésbicas não gostam de um piru, que dirá de dois.

Por Pedro   |   11 Comentários
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