Manual do banheiro público para mulheres

ago 13

Banheiro público nunca é algo agradável. Pode ser um banheiro extremamente limpo, com musiquinha ambiente e sabonete líquido que ainda não será o banheiro de casa. É desagradável e incomodo, mas nem sempre tem como aguentar até chegar no conforto do lar.

O grande problema em se usar banheiro público é o de nunca saber quem usou antes de você. Por mais limpo e cheiroso que o banheiro seja, a pessoa antes de você pode não ser, e então toda a limpeza do banheiro de nada mais serve.

Um dos mais importantes ensinamentos maternos que uma mulher recebe, é o da forma correta de usar banheiros públicos. Ensinamentos esses que são evoluídos de acordo com as necessidades e assim passados novamente adiante.

Reuní as maiores dificuldades que uma mulher passa em banheiros públicos e as melhores saídas, aprendidas com minha sensacional matriarca, amigas, conhecidas e estranhas que eventualmente viram melhores amigas numa simples ida ao banheiro.

  • A fila

Os problemas num banheiro público começam antes mesmo de entrar nele. A fila é sempre escatologicamente gigante, e levando em consideração que sempre deixamos para ir ao banheiro depois de prender até não conseguir mais, chegar ao banheiro e verificar que outras 778018 tiveram a mesma ideia e na mesma hora, é de um desespero ímpar.
O motivo da fila enorme é sempre o mesmo: As mocinhas desesperadas, esquecem do desespero das outras e resolvem que pela raiva que estão da vida e do universo por terem esperando tanto, demoram pra caralho propositalmente, e então o que era pra ser só um xixizinho, vira um xixi + retoque na maquiagem + se olhar no espelho por 2 hrs + fazer amizades + falar ao telefone + chorar porque viu o ex com outra + criar barraco + etc.

Solução
Você sempre tem a opção de furar a fila, mas como sabemos que você é uma mocinha educada e papai e mamãe te criaram muito bem, essa não é uma alternativa viável.
1) Entrar no banheiro masculino – Essa é a minha preferida. Não existem filas em banheiro masculino. Homem é um bicho simples. Entra, faz xixi, se veste do lado de fora e vai embora. Mas é importante verificar antes se não há nenhum homem no banheiro. Não queremos que ninguém saia constrangido e/ou traumatizado.
2) Entrar no banheiro para dificientes, se existir – Banheiros de deficientes físicos são sempre maiores, mais limpos e com privada, pia e espelho exclusivos. Exceto que você esteja numa convenção de cadeirantes, sera muito difícil roubar a vez de um deficiente, sendo assim, não se sinta culpada, papai do céu (se existir) entenderá perfeitamente.

  • O cheiro

É possível sentir cheiro de banheiro público mesmo antes de entrar nele. Cada vez que uma pessoa abre a porta, aquele cheiro sobe e o jantar vem na garganta. É nojento, é escroto, é um banheiro público.

Solução
Não há muito o que fazer. A dúvida mortal e que só poderá ser respondida por você mesma é: Continuar respirando e aguentar bravamente o cheiro de chorume, ou respirar pela boca enquanto o cheiro de esgoto não tratado desce lentamente pela garganta?

  • Não encostar em nada

Você nunca sabe quem passou antes por ali. O que fez, onde encostou e que tipo de nojeira estava em suas mãos. É melhor não arriscar e lembrar fervorosamente de não encostar em lugar nenhum. Absolutamente nenhum!

Solução
1) Usar os pés – No começo é estranho e um tanto quanto complicado, mas com o tempo a prática levará a perfeição e você se tornará mestra em dar descarga, abrir e fechar a porta com os pés. O problema é quando a torneira da pia não possui sensor de movimento e você acaba sendo obrigada a usar as mãos.
2) Usar um papel para encostar no que for preciso – Você entra no banheiro empurrando a porta com a bunda, pega um pedaço de papel toalha e vai a luta. Dá descarga com o papel, abre a porta da cabine com ele e a torneira também. Pronto, entrou e saiu do banheiro sem encostar em nojeira nenhuma de ninguém.

  • A privada

A privada é uma situação única de desespero. Você precisa utilizá-la sem que nenhuma parte do seu corpo toque-a em momento algum, ao mesmo tempo que precisa se preocupar em não mijar em si mesma. Mas veja pelo lado bom: Academia pra quê se você pode tonificar as pernas se agaxando em privada de banheiro público?

Solução
1) Cobrir a privada com papel higiênico – Uma péssima opção, já que corre um grande risco de você cobrir com pouco papel ou esquecer algum cantinho estratégico e quando sentar, sentir o molhadinho de alguma substância que você não faz a mais remota ideia de qual seja, e provavelmente, preferiria nem saber.
2) A agachadinha – É preciso se agachar o suficiente para acertar o jato de xixi na privada (de preferência dentro dela), não encostar sua delicada pele em lugar nenhum, e não deixar escorrer em você mesma. Tudo isso ao mesmo tempo!
P.s.: Lembre-se de nunca subir na privada.  O Google imagens já me ensinou o quão burra essa ideia pode ser.

  • A bolsa

Uma mulher sem sua bolsa não é ninguém. E nem sempre é possível deixar a bolsa com uma amiga ou namorado do lado de fora, então é importante saber o que fazer com ela caso não haja um gancho para pendurá-la dentro da cabine. Colocar no chão a sua amada bolsa que custou o PIB de um país, está longe de ser uma opção.

Solução
1) Pendurar em si mesma – O chão, assim como toda e qualquer superfície daquele banheiro não é confiável para entrar em contato com a sua bolsa, que posteriormente entrará em contato direto com você, então a solução é que ela se mantenha em contato apenas com você e a sua roupa. Pendurar no pescoço, é a melhor opção. Há quem morda a alça também, mas acho extremamente nojento. Não é porque a bolsa é sua, que ela está em pleno estado de ser colocada em sua boca.
2) Pendurar na fechadura da porta -  Nem sempre é possível, já que muitos banheiros públicos possuem apenas um pequeno trinco (isso se possuírem), mas se for o caso, pendure-a.

  • Falta de papel

Você entra apertadíssima, faz malabarismo pra fazer xixi, e quando vai se secar, não tem nem um quadradinho de papel higiênico. Balançar o quadril pra cima e pra baixo na esperança de que o que tiver que pingar, pingue na privada e não na calcinha não é nada eficiente.

Solução
Levar lencinho de papel na bolsa – No kit de sobrevivênia da bolsa de uma mulher é importantíssimo levar um pacote de lencinho de papel. Não é muito gostoso (nem higiênico) passar o resto do dia, até chegar em casa, com a calcinha molhada poque o banheiro público não tinha papel.

  • Papel lixa

Mesmo que tenha papel higiênico no banheiro, é  melhor não comemorar antes da hora. Dificilmente o papel será um *Neve, então é melhor ir preparada para um peeling involuntário desde a perseguida até o bumbum que mamãe passou talquinho.

Solução
1) O já falado lencinho de papel é a alternativa ideal.
2) *Hipoglós – É sempre bom ter em casa.

  • Pia decorativa

Você sai da cabine e corre pra lavar as mãos, quando percebe uma verdade desagradável: Não tem água e a pia tá ali só fazendo parte da decoração. E agora? Passar o resto da noite com a mão imunda?

Solução
1) Bebedouro quebra galho – Dificilmente um lugar em que falta água no banheiro, terá um bebedouro, mas não custa nada procurar, e se tiver, lave as mãos ali mesmo. É meio porco? Sim, mas mande um lindo foda-se para isso, já que é melhor do que ficar com a mão suja.
2) Álcool em gel para as mãos – Não é a mesma coisa que água e sabão, mas é melhor do que nada, por isso, tenha sempre na bolsa.

  • Porta que não fecha

Pior do que se equilibrar pra fazer xixi enquanto segura a bolsa no pescoço e toma cuidado para não encostar em nada, é fazer tudo isso e ainda ter que se preocupar se alguém vai entrar ou não na sua cabine.
Fechadura com defeito não é apenas exclusividade de rodoviária. Muitos banheiros lindos e cheirosos pecam por esse pequeno detalhe. Toda mulher deveria receber um prêmio por conseguir urinar ao mesmo tempo que segura a porta com a perna. É um exercício de equilíbrio e concentração que aula de Yoga nenhuma seria capaz de proporcionar.

Solução
Ajudinha da amiga – Homens, vocês entendem agora porque mulher não vai ao banheiro sozinha? Não, não há uma mesa de ping pong lá dentro, antes fosse, o que acontece é que enquanto uma usa, a outra vigia a porta para nenhuma desavisada entrar.

* Sabe quanto o Neve pagou pela propaganda nesse post? Nada.
* O Hipoglós idem.

Pais heterodoxos

ago 12

O pai e o filho pequeno estavam na calçada, mais precisamente na porta do meu trabalho. Havia alguns cachorros vira-latas vadiando ao redor, quando dois deles resolveram “se cumprimentar” na frente do menino. Ele ficou horrorizado ao ver que um cachorrinho estava farejando a bunda do outro (que delícia, pena que a gente não cultiva isso em nossa cultura), com a naturalidade de um beijo na bochecha entre nós. Cão cheirando bunda fica com um misto de curiosidade de jornalista investigativo com o prazer de uma criança que ganhou um saco de M&Ms de um estranho e percebeu que não estava envenenado.

O garotinho, aflito por uma explicação, olhou para o pai. Eu supus que ele iria dizer “Ah, filho, é assim que os cachorrinhos se cumprimentam, afinal, eles não têm mãos para apertar.” Mas a explicação foi um pouco diferente:

- Ih, filho… Eles cheiram o cu um do outro porque uma vez teve uma festa no céu só para cachorros. Aí para entrar, eles tinham que deixar o cu na porta e só pegar quando saíssem. Só que deu uma merda danada no meio da festa, e a cachorrada foi embora correndo. Na pressa, cada um pegou um cu qualquer na porta. Aí hoje em dia eles cheiram o cu um do outro para ver se reconhecem o cu que perderam no dia da festa.

Obs. #1: Os cinco “cus” da explanação acima foram realmente usados – compromisso zero com o eufemismo educacional.

Obs. #2: Poderia jurar pela felicidade do meu pelicano que esse garoto é uma das crianças mais bem-comportadas que eu já vi.

Meu padrasto foi outro usuário da educação heterodoxa durante a minha formação. Na hora de dar conselhos amorosos, ele falava jorrando verdade nos olhos:

- A menininha deu mole? Bota pra fora e manda ela chupar. Passa o rodo.

Só que ele falava isso quando eu tinha 12 anos. Imagina a tragédia que seria se eu seguisse o exemplo de vida do meu padrasto? “Botar pra fora e mandar chupar” não é abrir uma janela ou estacionar um carro, é botar pra fora e mandar alguém chupar, isso é bizarro em quase todas as ocasiões que vida proporciona (eu disse “quase”). Seria pior ainda comigo na sexta-série, em um colégio de freiras, sendo o aluno-propaganda dos professores.

Meu sogro, cujo espermatozoide ajudou a compor um ser humano que me traz imensa felicidade, foi muito heterodoxo com a filha. Ele falou que ela não precisava estudar porque todos os nerds da época dele ficaram na ruína depois que cresceram. Esse deve ser um fenômeno local de Campo Grande, bairro longínquo entre Manaus e Netuno, pois só lá mesmo tenho registros de que os nerds se fodem quando saem da escola. E é chato, porque pelo menos o nerd que vira chefe devolve com juros brasileiros o bullying no empregado. Se ele não virar chefe, haverá uma raiva acumulada que não vai ter por onde sair, a menos que ele assassine pessoas.

Vale lembrar que ele só disse isso porque queria companhia para tomar sorvete, mas a filha estava estudando para o vestibular.

Além disso, quando a minha sogra (obrigado pelo óvulo e pelos genes) pedia ao marido para que ele desse papinha para a filha, ele dividia o almoço com a pobre criança. O almoço dela. Sim, ele, em uma tentativa questionável de motivação, comia metade da papinha da garota. Foi uma maneira arrojada de fazer a filha dar valor à comida (espero que tenha sido isso). Quando a mãe observava “ué, a Larissa comeu tão rápido”, o pai, com a boca suja de papinha (nem para apagar o flagrante), concordava sem se tocar que a filha poderia ter um probleminha chamado desnutrição.

Mas me parece que tudo deu certo com os três pobres filhos deste texto. Feliz dia dos pais (heterodoxos ou não).

A ovelha vermelha

ago 10

Meu pai ultimamente anda muito preocupado com o futuro de sua filha (eu). Ok, sei que todo pai se preocupa, mas vejo um ingrediente a mais no meu: O desespero. Tá querendo dar uma direção, pra quem não sabe e nem nunca soube pra onde tá indo (mais uma vez, eu).

Não vou cair no clichê dizendo que ser adulto é complicado. Não que não seja, é, mas ser adolescente e criança também não é fácil, e imagino que ser velho, não seja nada diferente.

Complicado mesmo é a definição. Seja lá do que for. Excluir outras possibilidades e subir uma ao posto de oficial é complicado pra caralho.  E me incomoda demais. Não é fácil decidir algo definitivo para a vida.

Se não consigo nem manter uma cor de cabelo por mais de 1 ano, vou lá conseguir definir um rumo? Posso acordar hoje querendo ir pra esquerda, me decidir amanhã pela direita, e na semana que vem não sair do lugar.

Sempre que me decido por um caminho e resolvo seguir sua estrada, não consigo parar de pensar no que posso estar perdendo por não ter escolhido as outras opções.
Acho que o meu problema é a pressa. Quantos anos de vida eu ainda tenho? Uns 60? 70? (Isso se um caminhão desgovernado não me pegar em cheio e resolver adiantar) E então é só isso? Não vou conseguir em tão pouco tempo ser escritora, bailarina, bombeira, veterinária, astronauta, esposa, mãe, madre Teresa de Calcutá e ainda ganhadora de qualquer prêmio importante (podendo variar desde prêmio Darwin a Nobel).
É pouco tempo pra muita pressão.

Eu quero tudo, e quero hoje. Quero pegar todas as opções que eu tiver e levar para onde eu decidir ir na sacola improvisada com a barra da camisa.
E não quero só isso não. Quero poder ser o que quiser, mesmo que esse quiser, seja não ser absolutamente nada. A pressão de ter que ser alguma coisa sufoca.
E se eu quiser só deixar a vida acontecer e fluir sem nenhuma necessidade em ir com ela? Ficar sentada, esperando os dias passarem, sem a pressão de ter que dar orgulho a alguém. Quero essa possibilidade também!

Ter filho é um investimento. Você investe hoje, pra ele te dar orgulho amanhã. Dá amor, carinho, dinheiro, estudo e cursinho de inglês pra ele se formar e arrumar um trabalho sufocante que pague as contas e quando você não for mais socialmente útil, aula de hidroginástica semanal, e excursão da terceira idade pra você.
E ser filho é um desespero. Você segue com a pressão de ter que dar orgulho aos seus pais, até conseguir. E se não conseguir, problema todinho seu, vai continuar seguindo com esse peso do mesmo jeito.

Você não assinou nenhum contrato, não clicou no “aceito os termos de uso” ao nascer, mas até o leite do peito da sua mãe já veio repleto de uma proteína chamada pressão da responsabilidade.
É como se você tivesse que se sentir super privilegiado apenas pelo fato de ter nascido. E como nada na vida é de graça, nem ela própria, terá que passar sua vida inteira tentando pagar os juros caríssimos desse presente que você nem se quer pediu.

Nasci de seis meses, e se nem pra nascer eu consegui seguir uma simples regra de tempo, é dificil seguir qualquer outra agora. E que me perdoe meu pai.

Outras considerações sobre superstição

ago 08

- Graças a Deus meu braço está melhor.

- É, mas foi graças a quem você caiu? Ao Diabo?

- Que horror, menino (toc toc toc).

Pronto, agora que a minha avó bateu três vezes na madeira (o que, na hora do desespero, pode ser substituído por plástico, acrílico, a própria cabeça ou absolutamente qualquer coisa), abriu um campo de força espiritual e ela está protegida até alguém falar outra heresia. Anualmente milhares de pessoas morrem justamente por isso: não bateram três vezes na madeira para afastar alguma maldição, olha o que deu.

O mundo seria um lugar melhor se não existisse superstição. Conheço muitas pessoas supersticiosas e acho que são esquisitas demais. Sério, olhe nos meus olhos e me diga POR QUE você fica mais tranquila se bater três vezes na madeira. Por que o código universal de afastamento de pragas é mandar um toc toc toc? Fazer isso é ao mesmo tempo dar importância profética às coisas que outros falam (como se eu fosse ficar rico se alguém gritasse “você vai ficar rico!” Ou tivesse aids se falassem “você vai ter aids!”) e se ligar demais em energia negativa.

Igualmente estranho é quem não passa por baixo de escada com medo de ter sete anos de azar. Tem gente que corre o risco de atravessar a rua fora da faixa (coerente, é impossível ter azar se você estiver morto) só porque o portal de maldição está aberto na calçada. Tadinho do cara que está pintando a parede; deve ser chato carregar o fardo de estar destruindo vidas de inúmeros pedestres.

A escada não deve ser tratada como a provável ruína da sua vida nos próximos sete anos. E sim como algo usado para que uma pessoa alcance lugares mais altos (no mundo empresarial, sexo também pode ter esse efeito). Passar por baixo dela só vai te fuder o juízo se respingar tinta na sua blusa nova, ou se o balde de cimento cair em você e deslocar seu ombro (mesmo se você fosse atleta olímpico de arremesso de peso você não teria sete anos de infortúnio nessa ocasião). Mas se a escada estiver lá sozinha, não precisa desviar. Mas em vez de pensar que o pintor deu uma pausa para o almoço, você prefere crer que aquela escada está ali sozinha por algum motivo cabalístico.

Mas se você passar por baixo de uma escada, talvez dê para reverter a tragédia se você puser um copo cheio de sal grosso no canto da sala, traz sorte. Os churrasqueiros devem ser as pessoas mais sortudas do mundo. Desde, é claro, ele não tenha seu caminho violentado pela passagem de um gato preto. De acordo com a Idade Média, gatos pretos eram bruxas disfarçadas, e como naquela época não existia Harry Potter, bruxas davam um azar supremo.

Uma das maiores fontes de superstição é dinheiro. Reza a lenda que se você puser a bolsa no chão, perderá grana. Logo, se eu inverter o pensamento e puser a bolsa da minha mãe em cima do armário, ela provavelmente ficará mais perto de um caixa eletrônico divino e todos os nossos problemas financeiros estarão resolvidos. É claro que para complementar a renda, basta colocar uns bibelôs de elefantinho com a bunda virada para a porta. Se isso fizesse sentido, minha família seria mais rica que a do Eike Batista: a gente tem uns 18 elefantes em casa, praticamente o Jumanji inteiro. Trabalhar duro serve para retardados que não sabem onde colocar a bolsa ou os elefantes…

Para o TOC, a superstição é um pulo. O nosso bem-estar já depende de tanta coisa, tudo fica pior se botar mais um monte de treco que a avó da avó da avó ensinou porque ouviu uma lenda.

A vingança das feias

ago 04

Doda Elektroda. QI 156, 4 pontos abaixo do de Albert Einstein.

Em 1953, o sucesso de Marilyn Monroe em “Os Homens Preferem as Loiras” incomodou tanto que a vingança das morenas veio no mito da loira burra.
Mas o mito trouxe consigo algo maior: A concepção de que beleza e inteligência são incompatíveis.

Não importa se é loira, morena, ruiva ou azul. Se a mulher for indiscutivelmente bonita, a primeira pedra jogada contra ela, mesmo sem abrir a boca, será a da falta de inteligência.

A bela, que além de mulher, ainda caiu no erro de ser bonita, tem que se superar 200 vezes mais que um homem, ou que uma mulher desprovida de beleza (só pra não dizer feia que não fica legal, né?). Porque na primeira escorregada, carregará nas costas o título de burra até o fim dos seus dias. Ou de sua beleza.

Nem todas nascem Brigitte Bardot, e para quem passou reto pela fila da beleza, é difícil aceitar que enquanto gasta dinheiro e tempo para consertar o inconsertável, há quem o único trabalho que teve para ser linda, foi o de nascer.
Então é quase como uma afronta pessoal ter essa verdade esfregada em sua cara diariamente pelas bonitas. É preciso puní-las por isso.

E se a mulher além de linda, souber que é linda, a raiva aumenta. Pior do que uma mulher bonita, só uma que sabe que é bonita (E não faz o menor esforço para esconder).
Aí então ela passa do nível “burra” para o “burra, vagabunda e sem conteúdo”. É um up que só é conquistado quando a bonita resolve se aproveitar de sua beleza. Se encaixam nessa categoria, mulheres que fazem algo com a dádiva (ou maldição) que ganharam. Seja para trabalho ou passatempo (Modelos, capas da Playboy, etc). Se usar a beleza a seu favor, não escapará das garras afiadas das feias.

Não estou querendo dizer que a Juju Panicat secretamente é PhD em física quântica ou que a Carla Perez se faz de completa imbecil, mas seu livro de cabeceira é “O Universo numa Casca de Noz”. Mas uma coisa, temos que concordar: Independente de sua inteligência, ou da possível falta dela, elas souberam usar a beleza que possuíam, e a prova disso é que estão ganhando por mês mais dinheiro do que eu e você ganhamos juntos por ano. Como se pode chamar uma pessoa dessas de burra?

Beleza e inteligência não são opostos. A presença de uma, não é o decreto de ausência da outra. Assim como usufruir da própria beleza, não anula a possibilidade da pessoa usar a cabeça para algo além de pentear o cabelo.
Burrice é julgar a capacidade mental de alguém pela sua aparência.

Tirinha #4 – No restaurante japonês

ago 03

Autoria Marina e Pedro
Ilustração Daniel Cramer

Amizade além do vômito

ago 02

Estava num queijos e vinhos, quando um amigo resolver ignorar os queijos e se afogar nos vinhos. A sua fala torta chegou quando ainda tinha queijo brie na mesa. Pensei “vai dar merda”. Uma hora depois, ele deu a primeira demonstração de que o corpo havia perdido a luta contra o álcool: foi tirar um cochilo jogado no meio da sala, deixando fatores bobos como a dignidade e amor-próprio fora da brincadeira.

Uma das maiores ilusões que os trêbados têm é a de que quando deitarem, o estômago vai enteder o recado e ficar na moral. Mas não adianta, não dá para fintar o destino nessas horas, maktub, como diria o pessoal d’O Clone. Aconteceu que ele vomitou… Três vezes… Sendo que uma em si mesmo. Na hora de limpar, rolou aquela cena que os astronautas fizeram em Armageddon: tiramos no palitinho para ver quem ia se fuder.

Chegamos à conclusão de que o meu estômago seria o mais forte na hora da limpeza. Porque nessas horas, não adianta bancar o boladão, ir limpar, mas acabar vomitando em cima do vômito de quem já vomitou. Aí teríamos que arranjar uma terceira pessoa para limpar duas nojeiras, e poderíamos correr o risco de causar uma cadeia de vômitos sucessivos, uma Torre de Babel de bile, álcool, queijo e suco gástrico que provavelmente ficaria para sempre no apartamento da anfitriã.

Quando você se encarrega (ou é encarregado) de limpar o vômito de álguém, automaticamente você ganha respeito dos outros e de si mesmo. Ao desempenhar essa tarefa nojenta e necessária, você sente que está fazendo alguma coisa pelo bem-estar alheio, e todos querem te abraçar e te fincar na farda medalhas de bons serviços prestados à sociedade. Ou seja, você vira o herói da festa.

Olhei meu amigo, olhei o chão e olhei o pano. A gente costumar ter know-how em limpeza dessa natureza quando nossos queridos pets vomitam em casa. Você pega alguns pedaços de papel toalha, circunda o pequeno vômito do seu gato, dirige as mãos em direção ao centro e torce para o vômito não molhar o papel, nem sua mão. Se molhar, vida que segue, você nunca vai ter sucesso na vida se tiver nojinho das coisas (isso constará no meu livro de autoajuda). Eu deveria fazer o mesmo no queijos e vinhos, só que numa escala oito vezes maior.

Mesmo bêbado, limpei tudo (tive que cometer a indecência de respirar pela boca) e o encaminhei para um banho. Minha vontade íntima era violentá-lo durante o banho, só para que ele tivesse um motivo marcante para não exagerar nos alcoolismos. Todo grupo de amigos tem uma cota social para aqueles que sempre desaguam felicidade e suco gástrico nas festas. Esse amigo preenche a cota do nosso. Mas neste caso ele tinha vomitado no maço de cigarro e numa nota de 5 reais. Pensei “é, quem vomita no cigarro e no dinheiro só pode estar à beira da morte, é bom não violentar o rapaz”.

 Ao final da festa, ele estava impecável a ponto de tirar a onda de ir de ônibus. Deixei-o no ponto, como todo bom amigo faz. E divulguei em blog o caso dele, como todo bom amigo deveria fazer.

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