Padrinhos…
nov 28
- Meu amor, a gente vai ter que ter uns 15 filhos
- Ué, mas a gente não combinou em adotar só o Maddox? Nada de parto? Nada de colocar mais pessoas no mundo?
- Eu sei, eu sei… mas é que eu to pensando… Se a gente tiver um filho só, como eu vou fazer pra escolher o padrinho? Eu tenho pelo menos uns 12, 13… Talvez 15 amigos apadrinháveis. Quer dizer, apadrinhadores… Apadrinhantes… Não sei!
- Ah amor, mas eu também tenho amigas, mas vou escolher só uma… Sei lá, chama o seu irmão pra ser.
- Ele sem dúvida é um dos candidatos. Mas é que eu acho um desperdício de parentesco eu dar a um tio o posto de padrinho. A minha madrinha é minha prima… Eu nunca soube como tratá-la… Com a benevolência filial de um afilhado ou com a simpatia hedonista de um primo. AHah, brincadeira, meu amor… Ela já tem seus 40 e tantos anos… É que a minha avó pariu minha mãe por último e bem depois das outras filhas. Aí eu calhei de ter primas velhas.
- É, eu sei. Bem, chama uns deles para serem padrinhos de casamento, sei lá.
- Mas vai ficar chatão, porque o amigo que for padrinho do nosso filho vai causar ciúmes nos outros. Além do mais eu não posso chamar 14 padrinhos… Parece casamento árabe.
- Na Arábia é assim?
- Não sei… Mas tem cara de ser, não?
- Chama alguns para serem padrinhos de casamento… Aí chama algum pra ser padrinho da casa que a gente comprar, ahah, ia ser engraçado.
- Hahaha, é verdade, aí a gente poderia ir distribuindo cargos pros amigos… Tipo, padrinho do nosso barco a vela, do nosso carro, do jogo de panelas…
- Eu não gostaria de ser madrinha do jogo de panelas.
- Mas o que você prefere? Ter 15 filhos ou ser madrinha do jogo de panelas?
- Panelas… Sem dúvida!
- Então é melhor se acostumar com a idéia =)
Bem, eu não sei no que acredito, mas com certeza não tenho religião alguma. É tipo aquelas pessoas que não têm time de futebol, mas torcem pela seleção brasileira na copa do mundo. Eu não tenho religião, mas não desconsidero Deus totalmente, coitado.
O batizado, se não me engano redonda e ridiculamente, serve para apresentar a pessoa que nasceu a Deus. Antes do batizado, o neném, ao olhar divino, está com uma espécie de saco de batata com dois furinhos, Ele simplesmente não sabe quem é. Até porque a onisciência Dele não é bem “eu sei de tudo, tudo”. É uma coligação de sistemas: quando molham a cabecinha da criança, uma garra celeste invisível puxa o saco da cabeça do nascido, e aí sim, pessoa e divindade são apresentados.
Minha ex- namorada (com quem travei esse papo acima – relevando as modificações), por exemplo, até hoje vagueia pelo mundo com o saco de pão na cabeça. O pai é cosmólogo, gosta mais das estrelas do que de religião. Ou seja, ela pode aprontar o zaralho que Deus nem sabe quem é.
De qualquer forma, pra mim esse negócio todo de batismo é puramente simbólico, até porque nem pretendo batizar o rebento, cujo poder de escolha nem estaria formado ainda. Vai que o menino sonha em amar o demônio. Ia ser intenso e louco, mas eu não poderia fazer nada, teria que respeitar.
A minha prima de primeiro grau vai ter um filho, que pela lógica parentescal (já vi que não existe essa palavra) será meu primo de segundo grau. Ela quer que eu seja padrinho dele, e isso está me encafifando, porque eu não seria dos melhores e mais dedicados padrinhos. Ela é cristã fervorosa, tem muitos princípios e eu sou um largado e em todas as vezes em que fui à missa, não me diverti. Não que missa tenha de ser divertida, mas se muita gente vai sempre, é porque tem alguma coisa legal lá.
Eu com certeza não daria um bom padrinho de alguém que tem uma mãe tão diferente de mim. E infelizmente estou torcendo para que ela fique confusa entre outros nomes e que eu seja preterido na disputa. Eu espero que ela não leia isso, mas espero também que, se ela ler, tome as decisões certas e me deixe ser padrinho do jogo de panelas dela… Isso eu faria com o maior prazer!




Caso as panelas fiquem velhas, o padrinho deve comprar novas, ou não deixar que as velhas sejam jogadas no lixo?
Na verdade, os padrinhos servem pra dar os melhores presentes no aniversário / natal / dia das crianças e ensinar coisas erradas pros afilhados. Ou deixar se entupir de doces, quando a mãe não deixa. E levar pra passear no parque de diversões e andar nos brinquedos que a mãe tem medo.
É bacana! Ainda mais quando vc pode subverter todas as regras que a mãe impõe
meu filhote não é batizado, ainda anda por aí com um saco na cabeça. mas tem madrinha
minha amiga teve um problema parecido. Mas, como ela se casou com um francês, ela pode encher de padrinhos dela do lado dele também. E eu fiquei como madrinha do narguile dela. Acho ótimo, o narguile só precisou de amparo financeiro meu uma vez, e nunca mais.
o pedro aparentemente tem uma caracteristica que eu tambem tenho. que eh de ‘pensar em dialogos’.