Mês do desgosto

ago 04

“Enfim, eis os teus irreversíveis versos.
Limpamo-nos um do outro sem maior dano
que acrescentar descrença a um sonho já roto.
Não houve fotografia para rasgar, nem um cão que
sinta tua falta ou crianças para dividir. Nenhum amigo
lamentará nosso triste fim e servirá de memória do que fomos.”
(Alessandra Bonrruquer)

Notícias ruins deveríam ser dadas pausadamente, sílaba por sílaba, para que a espera, no começo do 9 mês em que pequenos-fudidos nascem, não traga aquela sensação babaca de desconforto. O ridículo que se presta para gritar todos os demônios, só para se sentir mais gente. E ninguém quer ser gente. Só na dor. Na dor todo mundo quer, mesmo que para isso aquela cara escrota de coitado seja o seu cartão de visita menos medonho.

A corrida por um vagão no metrô será o suficiente para as lembranças possuirem os pensamentos livres e não haverá “Mãe” que possua os búzios e cartas necessários para explodirem o presente sem regugitar o passado.
Uma só palavra é tudo o que fica e ela bate lentamente para machucar e incessantemente para não deixar esquecer.
É a morte da espera escondida, ridícula mas esperançosa de que num timbre de brincadeira misturado com irônia (bem aquela), o que se perdeu, volte, sem chuva de tempestades anteriores, que já toda encharcada, o seu desespero de se molhar beira a fobia.

A fase final, virá após um verão quente, em que cabelo, pêlos e roupas, tornam-se tão incomodos quanto a existência de fotos guardadas na caixa de sapato número 38. E apelidos, mãos, risadas e tudo mais de lindo que doa, farão gritos, chutes na parede e promessas quebradas, se tornarem bancos de praça: Verdes, descascados, e jazidos ao lado de estátuas que sorriem o ano inteiro enquanto servem de banheiro público para pombos que se bronzeiam no sol do meio-dia.

Hoje o corpo putrefato, morto, ressuscitado, e morto novamente, fora sepultado. Sem flores, só velas. E velhas.
Com os dizeres: Canta, canta, canta, que enquanto você canta, o pensamento desencanta.


11 Comentários

  1. No segundo trecho de seu texto ví minha semana atual.

    …mas infelizmente as notícias ruins andam acompanhadas, e gostam de companhias da pesada, pode acreditar.

    Não me importo, sou bastante forte e bato nelas, de frente ou do jeito que eu puder, nunca se intimidar, o desafio é o melhor em tudo.

    Um beijo linda senhorita!

  2. Nossa querida, nem me fala em desgosto e Agosto…
    Os dois nunca rimaram tão bem!
    Texto foda :D
    Adorei o:
    “Uma só palavra é tudo o que fica e ela bate lentamente para machucar e incessantemente para não deixar esquecer.”

    ;/

    Beijão linda

    (jabuticaaaabaa)

  3. Marina linda,

    Você escreve com personalidade. Gosto de como você mistura assuntos intensos com características do dia-a-dia, como o pequeno trecho: ” A corrida por um vagão no metrô será o suficiente para as lembranças possuírem os pensamentos livres.”

    Faço questão de virar freqüentadora (com trema ainda?) assídua daqui.

    Como combinado…

    Aqui estão meu perfil do orkut e msn:

    http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=10136403661619827143

    carolharleira@hotmail.com

    Adorei você! :)

    Beijo!

  4. agosto definitivamente é o mês do desgosto. Nele eu descobri que meu ex namorado, ou seja, aquele que eu namorei quase 3 anos e que fez td mundo pensar que ia casar cmg (inclusive eu mesma e a avó dele, que fez até enxoval) e que do nada, me deu um pé na bunda, está com outra. e detalhe: a outra é muito mais bonita que eu, o que deprime qualquer uma. Porém, me (re)apareceu alguém maravilhoso, e que seria perfeito pra mim se não fosse meu irmão de consideração. Não é que eu to com o guri, mesmo achando que n tem nada a ver eu e ele? Mas te digo uma coisa: ele tb é bem melhor que meu ex!

  5. naum sei se eh porque sou dislexico, ou se seu texto estah muito complexo. mas eu li 3 vezes e naum entendi.

    me identifiquei com um trecho ou outro, mas meio na duvida de voce estar falando o que acho que estava, pois de fato eu naum tive uma compreensao absoluta da coisa.

    e pra constar. eu sou de agosto.

    Ace

  6. Lindo poema. De onde é?

  7. Sim, vi que era de Alessandra Bonrruquer.

    Mas não consigo encontrar nenhuma referência sobre essa autora.

    Você sabe quem é?

    Obrigado.

    • Na verdade não é nenhuma autora conhecida não. É uma amiga de um amigo. Ele me mostrou esse poema dela, e gostei tanto que usei no inicio do post.

  8. Oi,

    Desculpe não ter dito que eu sabia quem era a autora no meu último comentário mas não achei que houvesse necessidade, já que a minha pretensão era apenas a de ser capaz de presumir de uma eventual resposta sua se tal pessoa estava bem. E somente isso.

    Os motivos para a minha provavelmente infundada preocupação expliquei em um mail que mandei pro contato do blog, mas para o qual não tive resposta, portanto não sei se vc o leu.

    Razão da inconveniência de estar eu aqui insistindo em mais um comentário.

    Mas tudo bem, se tb esse comentário não obtiver resposta eu vou presumir que vc tem alguma razão para não responder e, seja ela qual for, respeitarei e fim de papo.

    Grato,
    Pedro.

    • Pedro, vou entrar agora no e-mail e dar uma lida no comentário, e então responderei.
      Se não respondi ainda, é pq realmente não li.
      É um e-mail que uso pouco, então não é sempre que entro lá.

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>