Loucura incabível
jul 21
“Lying is the most fun a girl can have without taking her clothes off.”
Não que eu tivesse medo da solidão, ou algo parecido, mas depois de termos dividido inúmeras madrugadas, na última terça sem ele, aquilo bateu feio, tipo pedrada na cabeça, e eu não conseguia não pensar no que ele estaria fazendo, naquele momento, em que, pensava nele.
Devia estar fazendo qualquer coisa de ordinário, dormindo, lendo algum livro merda, ou nos piores dos casos, vendo leilão de boi na TV, mas certamente, seja lá o que estivesse fazendo, não pensava em mim.
Me controlava para não pegar o telefone e num impulso besta, ligar sem dó alguma do seu sono. De certo que me acharia uma louca, oquê, são duas da manhã, e todo aquele teatro de pessoa equilibrada que por noites eu fingia ser, iriam por água abaixo.
O que vamos concordar, é mesmo coisa de louca. Mas eu vivia bem na minha loucura, era feliz assim, e enquanto eu fantasiava com situações inexistentes que eu apertava bem forte os olhos e desejava que acontecessem, uma vida me esperava por trás do vidro, e ela acontecia sem mim. Por baixo da chuva, do sol e da areia, pessoas passavam, conversavam, faziam juras que nunca conseguiriam cumprir, nasciam e morriam, mas eu não saía daquele sofá.
Pensava em fazer a minha melhor cara de coitada e chorar até ficar sem lágrimas, mas ele não me era importante o suficiente para isso.
Ele não era meu salvador, não era um amor, nem quem eu esperei a vida inteira, nem ele, nem porra nenhuma de qualquer outro homem.
Ele era um motivo para eu afundar a cabeça em paranóias infinitas e sofrer como se nunca tivessem me feito sofrer antes, era a minha desculpa para a minha vida lá fora, de que eu definitivamente era uma pobrezinha merecedora de cafuné e chá quente enquanto me lamentava para as amigas.
E sim, uma louca. Uma louca que usava a dor como combustível de sua existência.
E quantas lembranças eu já colecionava, para fazê-lo alguém com o mínimo de relacionamento possível, simplesmente, para mim, existir.
Que por mais que ele sempre estivesse fazendo presença lá, era agora que ele existia. Ele fazia parte dos meus pensamentos e se antes eu cagava para se ele estava vivo ou não, agora eu vivia em função disso. Eu comia para alimentá-lo, eu dormia para descansá-lo. Se num acesso de sadismo, ele me pedisse para ajoelhar no chão e latir, era exatamente isso que eu faria.
E se por algum motivo, alguém sem o menor entendimento da minha forma de ser, me criticasse, eu levantaria e socaria na boca, por Deus, isso não é justo, porque na minha loucura incabível, não havia espaço para racionalidades.




adorei esse texto!
me identifiquei demais, embora seja difícil reconhecer..
mais um texto seu que achei ótimo =D
Oi marina, adorei o texto!
Beijinhos e boa semana!
sem palavras…
qualquer elogio seria pequeno diante de um texto tão maravilhoso…
sei que é cliché dizer isso — AMEI O TEXTO!!!
bjokinhas
Muuito bom! Adorei.
O último parágrafo disse tudo, odeio pessoas que tentam nos encaixar em suas próprias filosofias de vida. Cada um sabe aonde e quando dói, não?
Beijo! ;*
eu to passando exatamente por isso, sem tirar nem pôr. é incrível, mas esse texto foi escrito pra mim!
XD
obrigada!
Porra, esse texto me deu vontade de tomar um vinho.
Estranho, né?
Me identifiquei muito com o texto.
oO
Putz, que vacilo, sempre coloco a fonte, não sei pq diabos eu não coloquei naquele texto. Foi mal, agora já consertei, beijos.
É. É isso o que sou: uma louca que usa a dor como combustível de sua existência.
Beijo!
Eu acho que é normal as pessoas precisarem de uma dor pra viver. Sei la, sentir um pouco de prazer na dor.
Eu namorei com um cara q era odo babao por mim. e chegou uma hr q akilo começou a me irritar. Pq a gente nao brigava nunca!! Eu nao sofria d noite, e por mais doente q isso pareça, eu sentia falta d ter um motivo pra sofrer, pra ligar pras amigas chorando. Eu keria encher a cara pra afogar as magoas e coisas do tipo!
E aí acabamos por monotonia no relacionamento
Texto sensacional…é aquela loucura incabível que bate mesmo sem amar…apenas por sermos loucos e precisarmos disso,dessa loucura sem fim,desse ataque de quero-muito-isso-o-tempo-todo.
Poxa!!! Como as pessoas são parecidas…
E eu achando que era quase exclusiva nesse universo.
Como dói a dor de uma AMOR incerto.
Me identifiquei HORRORES com esse texto !!!
Principalmente com:
“e todo aquele teatro de pessoa equilibrada que por noites eu fingia ser, iriam por água abaixo.”
&
“e enquanto eu fantasiava com situações inexistentes que eu apertava bem forte os olhos e desejava que acontecessem, uma vida me esperava por trás do vidro, e ela acontecia sem mim.”
Muito bom mesmo.
a frase em ingles que eu achei foda. mas o texto naum condiz muito com minha realidade. pois estah completando 5 anos que matei minha necessidade de amar. e antes disso, sempre fui contra o lema ‘antes soh do que mal acompanhado’.
Ace