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Kriptonita

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Publicado em 14 de dezembro de 2008 por Corra Mary
dez 14

Outro dia fomos a uma festa. Eu e as meninas. Sempre elas, sabe? O telefone tocou, já estava de pijaminha, mas então elas falaram com aquele jeito carinhoso que é impossível dizer não:
- Vaquinha, bota um decote que vamos a uma festa.
Ah, a amizade feminina…
Pegamos um taxi, e em 10 minutos chegamos na tal festinha.
Bastante gente conhecida, eu sem o menor saco de fazer social, e morrendo de vontade de fazer xixi.
Não era possível que eu já tivesse enjoado daquilo tudo. Acho que quando passo muito tempo com as mesmas pessoas, se eu não as amo, acabo enjoando. Porque só com muito amor para aturar manias, defeitos e jeitos talvez um tanto quanto exagerados.

E era tudo muito exagerado. Gente legal, admito, mas do tipo que você esbarra no shopping e dá “oi”, ou encontra numa festinha dessas e passa 5 minutos trocando uma idéia, mas vê-los todo final de semana começou a me dar nos nervos.
Estava subindo as escadas quando me deparei com ele.
Devia ter ficado em casa fumando meu cigarrinho e assistindo Zorra Total que ainda estaria ganhando mais.
Ele estava lindo, e… Ok, falemos a verdade: Ele não estava lindo, ele nem se quer era bonito, mas ele continuava carregando a palavra ele em letras garrafais no meio da testa.
Ele era ele, e isso já era o bastante para me dar friozinho na barriga.

Olhei pra ele, ele olhou pro decote, e o decote não olhou pra lugar nenhum. Fiz cara de empadinha, levantei as sobrancelhas e continuei em direção ao banheiro.
Ele não fez mais nada, não me puxou pelo braço, não me deu um beijo hollywoodiano, e eu não tive a oportunidade de dar um tapa na cara dele como seu eu não quisesse aquele beijo.

Esperei na fila do banheiro feminino ao lado de duas garotas conversando.
Uma chorava compulsivamente, e aquilo me dava uma agonia tremenda. Não importava o motivo, a razão, o homem ou em casos modernos, a mulher que fosse. Mas chorar na fila do banheiro era o fundo do poço para qualquer ser humano.
A amiga tentava acalmar a outra, oferecia água, e ela respondia:
- Não quero água. Isso não resolve nada.
E eu achava que o que deviam ter feito mesmo era ter suspendido a bebida da menina há pelo menos duas horas atrás.

Dentro do banheiro, enquanto mirava o xixi no azulejo pro barulho não ficar tão grotesco, as duas continuavam a conversar:
- Mas amiga, você sempre foi tão forte, tão corajosa. O que é isso agora?

Como se coragem tivesse alguma coisa a ver. Isso não é força, não é coragem, é burrice que acaba sempre em humilhação na fila do banheiro, e se para todo Homem Aranha existe uma Mary Jane, para todo Super Homem também existe uma kriptonita.

Ele era minha kriptonita, e eu teria que conviver com isso. Não ia chorar em fila de banheiro, não ia reclamar com as amigas, não ia agir como se tivesse 15 anos, porque eu não tinha.
E se era então inevitável encontrá-lo, que fosse da melhor maneira possível, e que ele passasse então a ser o que era antes de estar entre minhas pernas: Um cara qualquer.

E era isso mesmo que ele era. Um carinha qualquer, um esbarrão no meio da pista, mas ainda assim, minha kriptonita.

Corra Mary

8 Comentários

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  1. alana em 15 de dezembro, 2008

    FANTÁSTICO!!!!!

  2. Thatá Onofre em 15 de dezembro, 2008

    Foda!

    Simplesmente isso.

    Bjs!

    Vai pra onde no reveillon?

  3. Carla G em 15 de dezembro, 2008

    Incrivel!!!!
    me identifiquei tanto com o texto que tive que copia-lo, com algumas adaptações e os devidos creditos obviamente.

    beijos.
    Carla G

  4. Magskull em 17 de dezembro, 2008

    Massa, tenho uma kriptonita tambem, afinal não é só mulher que passa por isso.

    Ela “minha ruivinha”, que na ultima sexta passou a ser “aquela ruivinha”, infelizmente é assim que forço a me pensar, mas sempre quando nos cruzamos rola um olhar lancinante que não entendo, nem mesmo ela pra dizer a verdade.
    Amor, pra que entender, deixa rolar.

  5. Adriana em 17 de dezembro, 2008

    Eu tenho uma kritnonita, mas ao menos não usa cueca. O que pode ser bom ou mortífero.
    Beijo

  6. Raquel em 21 de dezembro, 2008

    FODA. Acho que o melhor que li aqui! =]

  7. Desi em 13 de janeiro, 2009

    Seu humor é ótimo! Acho que o problema das pessoas de fins de semana é que elas tendem a querer reviver o ensino médio…

    Abraços ^^

  8. Lú em 4 de setembro, 2009

    porra. perfeito.



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