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Já é Natal na puta que pariu ou Amarguras de Natal

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Publicado em 23 de novembro de 2009 por Pedro
nov 23

Antes que você pense que eu sou trisaneto de Judas Iscariotes e primo da Suzane Von Richthofen, deixa eu explicar esse título indigno e deturpador dos bons costumes. Você já pode reparar que o Natal está chegando, certo? Por quê? Porque começou a nevar? Não… E sim porque a Leader Magazine já está veiculando aquela música gostosa, repetida à exaustão nessa época tão feliz. E isso irrita! E o pior é que esse comercial entra no calendário cada vez mais cedo – Lá para 2015 (isso se a Terra não for destruída três anos antes) vai ser assim:

- Já é Natal na Leader, já é hora… Só que antes vem o dia dos pais…

O nosso espírito natalino tem hora para começar – a bondade, o altruísmo e o caralho a quatro despertam quando aquele gordo barbudo e pedófilo retoma o expediente anual nas propagandas de supermercado e lojas de departamento. É hora de montar a árvore, comprar presentes e continuar sendo o ser humano mesquinho, ordinário e preconceituoso de sempre. Fazer o bem vai para a caixa junto com a árvore de Natal, depois do dia de reis. A humanidade deve acreditar que a memória de Deus é perecível que nem a dela.

A família Staite (a minha) é a típica família de classe média semi-fudida, daquelas em que alguns componentes não podem se orgulhar do nome (não porque são feios, e sim porque são sujos), aliás, o nome de um deles, que jamais ousaria identificar, é tão sujo, que só de ele se apresentar numa roda de amigos, alguém pergunta “alguém peidou?” (hoho, piadinhaaa!). Mas isso não quer dizer que eles não tenham caráter… Dever as calças, assim como fumar maconha, é visto de soslaio e narinas tortas pelos perfeitos, mas, se a gente reparar bem, dá para sobreviver com dignidade sendo inadimplente ou maconheiro… Os dois eu não garanto.

A mesma família Staite, frente ao capitalismo selvagem e impiedoso que o Terceiro Mundo importou do Norte maravilha, é um autêntico surfista amador metido a besta. Ela entra na onda, mas toma caixote até na marola: os pais apresentam Papai Noel para as crianças, mas não conseguem arcar com as consequências. Afinal, a gente não para pra pensar na impossibilidade de um coroa obeso levar um bilhão de presentes ao redor do mundo. A gente acredita que ele é capaz de tudo… E que se você pedir algo bizarro, porra, ele é o cara, ele consegue trazer o que for!

Em um ano remoto do passado, eu e meu irmão perdemos a força para acreditar nele (aliás, se você acredita em Papai Noel, pense que essas coisas natalinas são pura religião. Acreditar em Papai Noel é que nem acreditar em Deus – em ambos, o que você ganha é trazido por alguém, mas são Eles que ficam com a fama; eles levam benesses para o mundo inteiro ao mesmo tempo e ambos foram criados pela Coca-cola – A diferença é que quando o que você pede não vem, só o Papai Noel perde a credibilidade. E a existência. Deus sempre ganha outra chance).

A gente resolveu pedir uma televisão para a baleia barbuda, essa é a verdade (e olha que nem é um presente tão bizarro, mas se você me acha um pobre, vá para a Disney e dê sua bunda para o Pateta). Minha mãe, desquitada do real coroa barbudo que tomaria a trolha (meu pai), mais dissimulada do que o capeta, disse para a gente:

- Ué, faz a carta então… Eu entrego pro pai de vocês e ele dá pro Papai Noel…

- Ieeeei! (alegria infantil com prazo de validade – um prazer que faz a vida valer a pena).

Fizemos a carta colocando a alma e a fé na ponta da caneta. Uns dias depois, vem o nosso pai, que fez as vezes de intermediador com o além, tentando arranjar um jeito de desencorajar a gente sem acabar com a magia natalina.

- Filhos, o problema é Papai Noel precisa de uma ajuda financeira, e eu estou sem dinheiro…

- Papai Noel???

Nesse momento, a nossa mente entrou em colapso, primeiro porque é uma doideira pensar que o meu pai era o credor do Papai Noel; segundo porque se nosso pai ajuda a comprar o presente, então, indiretamente, ele está pagando as horas de serviço dos duendes da fábrica mágica; terceiro porque se o Papai Noel pede ajuda para o nosso pai, ele deve pedir para muitos outros pelo mundo afora… Ou ele fazia só o meu pai de otário? Quarto porque a gente ia ficar na mão. E isso sim é que embaralha mais que tudo uma mente pueril.

Ps.: É óbvio que nós ficamos na mão.

2 Comentários

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  1. Caio em 24 de novembro, 2009

    Rapaz, tu vai ser martirizado um dia desses… tiro no peito, saindo de casa, estilo jonlleno… o marido da minha amiga… tem que tomar cuidado com as blasfemias, principalmente no brasil, cujo estado é laico… NOT! wawaweewa!
    tá, principalmente no oriente médio, mas bastante no brasil.
    mas eu te entendo rapaz… essa parada de blasfemar é realmente muito divertida… já dizia nofx: “blasphemy, blasphe-you, jesus christ, the blackest jew… blasphemy, want some more? mother mary, the virgin whore”
    Então eu digo para os evangélicos, cristãos, espiritas, papais-noeistas, coelhinho da pasquais do meu brasil: relaxa a divina chama que queima no vosso cu e vote for pedro.
    Quem disse que eu precisava fazer sentido?

  2. Bruno em 28 de novembro, 2009

    Sou só eu, ou o primeiro comentário demora um pouco para entender? Estou me sentindo até burro agora. Gostei muito do texto. Você soube refletir muito bem quando uma criança perde a crença no Papai Noel. Eu nunca tive isso, nunca acreditei em papai noel. Eu perguntei uma vez para a minha mãe e ela me disse que não existia e eu aceitei numa boa. Cético da minha parte, não?



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