• Home
  • Contato
  • Sobre
Blue Orange Green Pink Purple

Fim

Receba as novidades do blog sempre que ele for atualizado. Assine o feed!

Publicado em 21 de setembro de 2008 por Corra Mary
set 21

“‘Não quero ter esperança de mais nada. nao quero rezar para que Max esteja vivo e em segurança. Nem Alex Steiner.
Porque o mundo nao os merece.
”
(A menina que roubava livros)

Porque não podíamos ser como os amigos? Os felizes amigos que dentre as milhões de ligações, queixavam-se de tamanha felicidade, de sua sorte surreal do mesmo caminho que percorri, mas não passei da linha que separava a luta da condecoração. Era isso o que eu queria, era tudo o que eu mais queria, mas sabia que nunca se tornaria real. Pensava nas vezes que quase cheguei lá, cheguei, chegamos, perto, pertíssimo, tão perto que tocávamos todas as arestas existentes, e antes de ser jogada para fora com toda a raiva de quem me odeia, eu disse a mim mesma “É o fim”, e essa certeza já trazia o fim consigo.

Embora já não exista mais qualquer rastro disso tudo que eu falo, eu ainda sigo e vivo de um nome que não continuou. Não há verdade em não existir desde quando me lembro de estar padecendo no que eu amei como uma mãe ama seu filho, e seja lá qual for a solução, eu a afasto e nego veemente enquanto saboto dias de livre escolha, optando pelas noites na cama, sentindo tudo de ruim que desejo igualmente a você.

Já não vejo mais necessidade em buscas cansativas pela esperança. Esperança da qual na verdade, eu nunca soube traduzir em palavras exatas. Era mais como um sonho de criança, ter o que se podia ver, mas se expressar se tornava tão difícil quanto buscar. Seguia com a cabeça cheia, e os olhos cegos, por horas que se tornavam dias, e aqueles minutos sobre manchas frias, passavam correndo, quando eu pouco me importava com o que passasse, queria mais que o mundo explodisse, e o depois, a gente arrumaria.

Não te sataneio. Por mais que meu ódio seja inegável e minhas palavras duras, não te quero na lama da pior tempestade que eu posso imaginar, mas é impossível não desejar que comas da mesma fruta podre que me sirvo nesse banquete eterno ao qual você me pôs sentada com a mesma obediência de um animal de estimação com seu dono.


Corra Mary

5 Comentários

Quer que sua foto apareça nos comentários? Faça um Gravatar!

  1. Rick em 22 de setembro, 2008

    No cabeçalho do texto “As palmeiras” você usou a frase “A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.” extraída de um texto do Fernando Pessoa. No texto original dá pra entender bem em qual sentido ele relaciona esta dependência. Porém acho que essa frase se enquadra também agora nesse seu texto, uma vez que fiquei com impressão de que o estado de espírito do personagem da crônica é fortemente influenciado por outra pessoa, o que vejo, de certa forma, como uma certa forma de dependência.

    PS. Vou tentar ser mais breve quando voltar a comentar aqui

  2. Felipe Magalhães em 22 de setembro, 2008

    Eu tenho tomado cuidado com o que como e com o que bebo, a gente acaba exteriorizando, sendo reflexo do que ingerimos, mesmo não digerindo muito bem. Quando comecei a fazer isso, comecei por coisas que não agredissem tanto o estômago… acabei descobrindo que tem umas frutas frescas bem saborosas na feira, ou no hortifruti…

  3. Marcus em 22 de setembro, 2008

    Você falou em Fim, isso me lembrou muito, irônicamente, uma crônica do Sabino que, se chama Última Crônica.

    “A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
    Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
    Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
    São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “Parabéns pra você, parabéns pra você…” Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
    Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.”

  4. Thatá Onofre em 25 de setembro, 2008

    Como todos os fins….

  5. Ace em 25 de janeiro, 2009

    voce as vezes me arrepia. a ultima estrofe eu achei foda.



Deixe um comentário

Leia também:

  • Eu desisto
  • As palmeiras
  • Céu
  • Fim de semana Drunk Love – Parte I
  • Considerações essenciais sobre Pokemons, Orkut e vergonha

  • Receba as atualizações!


  • Blog
    • Contato
    • Sobre
  • Autores
    • Corra Mary
    • Pedro
  • Arquivos
    • julho 2010
    • março 2010
    • fevereiro 2010
    • janeiro 2010
    • dezembro 2009
    • novembro 2009
    • outubro 2009
    • setembro 2009
    • agosto 2009
    • julho 2009
    • junho 2009
    • maio 2009
    • abril 2009
    • março 2009
    • fevereiro 2009
    • janeiro 2009
    • dezembro 2008
    • novembro 2008
    • outubro 2008
    • setembro 2008
    • agosto 2008
    • julho 2008
    • junho 2008
  • Favoritos
    • Anderssauro
    • Blog da Bispo
    • Blog da Dorinha
    • Descaminhos
    • E agora, Guto?
    • Faz Sentido
    • Fazendo Nas Coxas!
    • Gabbibi
    • Ideias sem acento
    • Morróida
    • Museando
    • O filho do dono
    • Puta q paliu
    • Severoh
    • Trivial demais
    • Um nome bem legal
  • Divulgue

    follow corramary at http://twitter.com

  • Busca pelo blog


  • Home
  • Contato
  • Sobre

CorraMary.com © Copyright . Todos os direitos reservados.
Designed by FTL Wordpress Themes e modificado por Marcio Pinheiro

Voltar ao topo