“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusivé muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida.” (Clarice Lispector)
Aos 5 anos de idade, Fernando queria ser astronauta. O colega da escolinha tinha dito que seria legal conhecer Marte.
Aos 11, queria conhecer o Egito. Ganhou de presente da avó um livro sobre os mistérios do Egito, que ele mais via as figuras, do que lia.
Aos 14, queria uma namorada. Beijou a prima por pura curiosidade, e achou um tanto quanto estranho aquele monte de lÃngua e baba.
Aos 16, queria ter 18.
Aos 18 queria um carro. Ganhou uma bicicleta e olhe lá.
Aos 19, queria mais do que tudo a Carmem Electra. Se apaixonou por uma japonesinha com problemas com a balança e foram felizes para sempre… Bem, até o carnaval.
Aos 23, queria um emprego. Trabalhou no Mc Donald até se cansar de cuspir no Mc Lanche Feliz e pediu demissão.
Aos 26, queria casa própria. Foi morar com os amigos, e tinha festa o dia inteiro.
Aos 29, queria casar. Até se lembrar de um pequeno detalhe: Não tinha namorada.
Aos 33, queria ganhar na Mega Sena. Logo após, caiu na gargalhada.
Aos 38, queria ter 18.
Aos 42, queria sair de balada, voltar a ser porra louca, transar no primeiro encontro, partir corações e beber até cair. Vestiu seu pijaminha de seda e foi dormir.
Aos 45, Fernando se contentou com uma casa na Barra da Tijuca, um cachorro São Bernardo e não queria nada mais que paz e ração importada.
Corra Mary















