Existem coisas que trazem consigo um sentido acoplado, que é automático e serve para quase todo mundo. Você pensa em um troço, mas automaticamente esse troço te traz outra lembrança ou sentimento. Gripe suína – caralho, será que eu vou pegar? / Estar com gripe normal – Caralho, será que eu estou com gripe suína? / Lagosta – ui, coisa de rico; / Gringo – São sempre otários; / Rio de Janeiro – Todo mundo que eu conhceço já foi assaltado lá; / Montanha Russa – Tomara que eu não morra nela; / Montanha Russa da Terra Encantada – Tomara que eu não… Porra, por que eu estou fazendo isso com a minha vida?
Mudança também traz um pensamento automático imediato – é um saco. Não há pessoa no mundo que goste de fazer mudança, só mesmo o dono da empresa que leva os seus móveis para a casa nova. Mas o próprio dono da empresa, quando tem que se mudar, acha insuportável, eu aposto. Não existe muitos pontos positivos em tirar tudo de onde está, colocar em caixas e sacos e lembrar que vai ter que tirar tudo dessas caixas e sacos para devolver aos lugares onde elas sempre estiveram, só que em outra casa.
E alguns objetos realmente SEMPRE estiveram lá, seja lá onde esse “lá” fica. Todo mundo tem em casa um armário ou uma cômoda onde as famosas louças chiques ficam. A menos que você seja filho de um embaixador (com certeza esse não é o meu caso), não há ocasião para usar uma louça chique. A xícara de porcelana se sentiria maculada em ser usada num réles cafezinho. O que me vem à cabeça é que nossas mães NUNCA encontram um momento realmente especial para usar as tais louças, mas como elas foram caras e dadas de coração, é melhor não se desfazer. Talvez no dia em que eu me case e ganhe na mega sena no mesmo dia, minha mãe faça um jantar com elas. No dia em que eu ganhar na mega sena, eu destruo a louça da minha mãe e peço desculpas comprando uma casa para ela.
Eu me mudei em julho e passei por essa chatice. A única coisa curiosa é que você redescobre as suas próprias coisas no meio do entulho inútil que você guarda. É possível fazer um safári, ainda que sentimental, nas suas bugingangas. Tem sempre uma carta perdida da ex-namorada; uma camisa da escola assinada pelos amigos; um pombo morto que você ia usar para fazer magia negra… É muito gostoso rever isso tudo.
Mas tirando isso, é só mau humor. A mudança, além de ser o fenômeno em que sua mobília e sua família mudam de domício, é também uma situação que o seu humor muda de grau. Você vai da alegria ao mais completo ódio gratuito em cinco caixas.
Na nossa mudança, o que mais me impressionou foi a quantidade semi-infinita de coisas que a minha mãe guarda no armário dela. E por ser um montante astronômico, o armário dela é algo assim monumental. Das obras humanas que podem ser vistas a olho nu da Lua, o armário da minha mãe só perde para a Muralha da China mesmo. Quando uma pessoa é enorme de musculosa e nego diz que ela é que nem um armário, eu imagino que essa pessoa nunca vai ser musculosa o bastante a ponto de ser comparada com o armário da minha mãe. Ainda bem que ele entrou desmontado (150 mil peças) no quarto, porque se ele entrasse montado, o quarto dela se sentiria estuprado.
O que me consola é que a mudança acabou e estamos todos vivos. As louças já estão guardadas para sempre; o armário da minha mãe foi remontado (o quarto dela está constipado, coitado); o dono da empresa está alguns reais mais rico e o humor de cada um já voltou ao normal, tirando o do meu irmão, porque ele tem alguns probleminhas psicológicos. A família Staite, eterna nômade, mais uma vez começa uma história dentro quatro paredes desconhecidas. Sorte das paredes (e da gente) que elas me parecem bem simpáticas até o momento.


Eu nunca fui assaltada (será que na verdade eu não moro no RJ?)
Eu já comi lagosta (Será que na verdade eu sou rica? *.*)
NOT
=(
hehehehehehehhehe
Vem cá, vai ficar me contradizendo, porra?!
Hahaha
Duvido que você, antes de comer a porreta da lagosta, não pensou “ui, que coisa de rica, hihi”.
Nunca fiz mudança, mas imagino que não é o momento mais agradável na vida de um ser humano. Mas posso falar das louças que sempre ficam guardadas, porque falei isso para minha mãe na semana passada. Acho que é só uma tradição ancestral que sobrevive às famílias do nosso tempo.
E não dá pra ver a Muralha da China na Lua. Eu nunca estive lá (na Lua), mas não dá.
adoro mudanças, bjs.
ps: minha mãe não tem louça chique.
toda mãe é por natureza megalomaníaca.
Sentindo falta dos posts da Marina aqui.
Boa, Pedrão…
O pior é que vou lendo e imaginando suas caras.kkk
Mudança…ta aí, nunca fiz…=/
ok, ok..sou um alienigena
também estou prestes a fazer uma mudança e já estou com os cabelos em pé…claaaro que vou postar em meu blog a experiência…mas já posso dizer que é uma ansiedade no pré, uma loucura no durante e um alívio no pós.
http://asfasesdaminhalua.blogspot.com/