“É difícil perder-se. É tão difícl que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.”
(Clarice Lispector)
A primeira coisa que tenho pensado todos os dias quando acordo, nesses últimos meses, é que hoje é o dia em que vou escrever para amigos, família, amores, desamores e mais uma porção de estranhos, tudo o que tem acontecido desse lado de cá.
Não que vá mudar alguma coisa, mas só de saber que também não piorará, parece bastante vantajoso, para alguém que em momentos de tristeza, se afunda mais e mais em músicas, versos, textos e o que mais puder encontrar que não deixe esquecer daquilo que diz para todos que já passou, enquanto observa a obsessão ganhar pernas, mãos e independência.
Novos dias, novas experiências, novas pessoas, novas tristezas, novas brigas. Teria um milhão de motivos para escrever um livro inteiro de novos assuntos, mas quando sento nessa cadeira, em frente a esse computador, nesse quarto cheio de lembranças, é só isso que consigo pensar, e começo a perceber que tudo o que sou é baseado numa inspiração. Para escrever, dar conselhos e falar como se soubesse realmente do que estou falando. Mas em momentos como esse, quando não se tem mais a tal inspiração, ela vira uma fixação infantil, tudo parece inútil, e não serve pra mais nada além de fazer sofrer.
Não dá para se tirar conclusões, para ser feliz, para se inspirar, já foi tão enxugada que nem mais palavras bonitas se consegue tirar de lá, é só tristeza, é para isso que ela serve, para machucar e doer como se fosse a primeira vez.
Tudo parece velho e batido, como nas milhares de vezes em que os amigos fazem todo aquele discurso chato de “amor próprio” em que tudo o que você pensa é “To cagando para isso”.
Prometo que esse é o último texto que escrevo pensando nisso, da mesma forma como prometi inúmeras vezes não voltar àquele inferno, e que nos segundos em que pensava em voltar, eu via que era um daqueles momentos em que o melhor a se fazer é sempre a pior opção. Nunca haveria paz para aqueles que já começaram no errado, se mantiveram no errado, e a única coisa de certo que fizeram foi se encontrarem sabendo que seria a última vez. As pessoas têm medo de despedidas, mas o meu grande medo sempre foi não ter uma.
Dizem que a vida não nos dá mais do que podemos suportar, mas acho sim que a vida errou de destinatário dessa vez. Não suporto, não agüento, não quero ser forte e principalmente não quero passar disso. É o ponto em que deito de barriga pra cima, abro os braços e digo: “Eu desisto”.
Porque eu desisto mesmo. Não quero dar a volta por cima, não quero enriquecer com livros de “eu consegui, você também pode”, não quero me sentir livre daqui há 5 ou 50 anos, porque não quero que isso passe.
Acho que essa é sempre a parte que as pessoas nunca conseguem entender: Eu não quero que isso passe. Não quero mesmo, de verdade, do fundo de tudo o que me tornei, isso faz parte, e não quero perder toda a amargura que sou.
Não estou disposta a mandar tudo pro inferno, a não mais lembrar das partes boas e ruins sem conseguir distinguir qual era qual, não quero esquecer como se nunca tivesse existido, só tenho como meta, aprender a viver sem, e vou seguir com ela enquanto fizer sentido.
O fim não me faz mal, o que me faz mal é saber que esse fim traz consigo a obrigação de evidenciar o que já não se tem mais.
Corra Mary

tmb desisto ….
afffff =/
Sei lá como vim parar aqui, mas enfim, li e achei interessante. Houve momentos em que me senti do mesmo jeito, sem forças, desistindo mesmo de tentar abrir os olhos. Mas isso só aconteceu pq eu tentei esquecer o que me deixava down… só quando comecei a aprender com a minha dor, consegui começar a levantar. E concordo quando você diz que não quer esquecer. Eu também quero lembrar de tudo – inclusive me revolto com a minha amnésia alcoólica -, para poder, no mínimo, tirar algum proveito da minha experiência. Sei lá pq escrevi aqui tb. Não é conselho, nem julgamento, apenas desabafo.
Bom, fico por aqui.
Beijos.
Nem por sedex essa resposta chegaria tão rápido.
talvez um dia vc simplesmente se canse de conviver com tudo isso…
ou talvez não, quem sabe?
vai que esses “fantasmas” sempre voltem pra te atormentar?
isso te faz bem? então tá ótimo
isso te faz mal? vc gosta de se sentir assim? então tá ótimo tb
Seria muito cliche escrever “eu te entendo perfeitamente”?
Também não quero perder toda minha amargura, também me afundo na tristeza, mas minha melhores idéias surgem quando estou assim.
Nem tenho mais forças pra desistir
“/
aiiiiiiiii, momento deprê aqui.
adoro seus posts!
;*
Uma força estranha me trouxe até aqui hoje. Agora eu entendo que era pra que eu me sentisse acompanhada.
Coisa linda, precisamos conversar, porque, se isso tudo não for só o seu eu lírico, casaremos amanhã mesmo!
Saudades de você.
Beijinhos.
É, quando eles estiverem em greve, vc será uma boa alternativa.
Afinal, é preciso ligeireza pra correr tanto.
“Pain, without love, pain I can’t get enough. Pain, I like it rough, ’cause I’d rather feel pain than nothing at all…”
Não sei porque, mas seu texto me lembrou dessa música e consequentemente das coisas que eu também não quero esquecer.
Quisera eu ter a força e a coragem que você tem !!!
Sou sua fã!!
bjokinhas
Quisera eu ter a força e a coragem que as pessoas acham que eu tenho.
A vida é isso… Então quanto maiores forem as experiências que vc vive, maior será a dimensão da sua vida.
Adoro seus textos!!
Saudade mega de ti.
Sei que é horrivel quando as pessoas vem com comparações, mas senti isso =P Até que eu entendi que nao adianta querer esquecer nada. Não adianta querer esquecer os momentos ruins, as coisas ruins as pessoas ruins. O que deve fazer eh olhar pra tudo isso e dizer “fiquem no lugar que vocês pertencem: a minha memória” e tocar a vida pra frente. Chega uma hr que vc ve o tanto de gnt q deixou pra tras, o tanto de coisa que voce podia ter feito e nao fez… mas nao passa a olhar mais com dor pra tudo isso, mas simplesmente com uma leve saudades… ou um leve repudio… ou os dois. Se esquecessemos das coisas que nos ferem, nunca aprenderiamos a cair e se levantar. Acho que ninguem passaria vivo dos 20 anos se a vida fosse uma eterna aminésia (bom, eu pelo menos acho que me mataria no primeiro problema de adulto hehe)
Bjo minha lindona! Teu blog ta muito interessante!!! Li TODOS os posts, de todo mundo =)
Nossa, eu ja me senti assim zilhoes d vezes. ja invejei a coragem d mta gente, a força d outros… mas mtas vezes eu simplesmente chorei, sozinha, e sem nem saber o motivo direito, mas na verdade era uma mistura d motivos, sei la.
Mas nessas hrs dificeis, eu nao procuro me manter superior, nao procuro me levantar. Eu procuro simplesmente me ocupar. Pq fingir q os problemas nao existem, ás vezes é uma forma bacana d esperar q eles passem sem me afetar d mais
Ontem estava lendo a história de um tal de Kelvin no Flickr. Não sei porque, quando comecei a ler este texto aqui, me lembrei do Kelvin.
Ontem estava lendo a história de um tal de Kelvin no FLickr. Não sei poque, quando comecei a ler este texto aqui, me lembrei dele.
Link:
http://flickr.com/photos/zollo/2460682776/
Eu penso que quando começamos a perceber que é importante manter nossa memória viva, conseguimos evoluir. Ter memória é fundamental.
Essa foi profunda, superou todas .
To pensativa agora ;/
é eu tbm gostaria de ter a forca q os outros pensam q eu tenho