“Restaurante que vende farofa, não tem ventilador de teto.”
Eram sempre em dois. Mãos dadas, unidos por uma semelhança enorme. Ele com um pronto pensamento e fala mansa. E seu ego, dilacerado e inconstante.
Ele se sentou na cadeira de balanço em frente ao velho rádio e escreveu:
Relações vulneráveis. Agora é tratar o outro com um rio de cuidados, como algo que se quebra e danifica. Em que num desavisado movimento, escape pelos dedos, fuja e se perca, sem esperanças de volta, sem possÃveis comparações ou trocas.
Uma nota para o tanto de pessoas em volta, suas alegrias, suas dores, suas experiências esquecidas, guardadas e novamente esquecidas, que sempre deixam alguma coisa.
Uma nota para as frustrações dos adultos, a inocência perdida e exagerada, a ambição, a solidão e a carência. Os motivos para comemorar, as festas, e a volta pra casa. As ligações perdidas, a doença de dar febre, deixar de cama e o cansaço excessivo.
Uma nota pelo pensamento, pelas desculpas, pela consideração, e pela falta dela.
O carinho guardado que de nada serve, a tranca da porta quebrada e a as enormes olheiras de uma semana de insônia, maquiadas com base cor de pele.
Enquanto não houver culpa, o museu das decepções estará sempre aberto, com a alta classe batendo ponto, sorrindo para as paredes, com champagne em uma das mãos, e a outra tocando em quem passa. Puxando roupas, cabelos e enrolando chicletes duros e sem gosto nos longos dedos.
Enquanto os próprios desejos, superarem as necessidades, ninguém terá nada a ver com ninguém, e bastará uma gota do adoçante caindo para fora da xÃcara, para encurtar os dias e transformar Ãntimas relações em estranhas convivências.
O ego empurrou a mesinha, sentou no pequeno espaço de chão, segurou o caderno e escreveu:
A vergonha de amanhã, será algo para se levar pro túmulo, embarcando de cabeça em tudo que cheira culpa.
Um sentindo o gosto da bosta do outro, catando o que sobrou da coleta de lixo do ano passado, respirando o ar que meus pulmões rejeitaram, comendo e se deliciando com carne de segunda.
De vigÃlia pelos próprios erros, durando a vontade de fantasiar os dias que já não existem mais, numa ponte aérea de Berlin ao Japão, de Nova Iorque a Madri, consumindo cada rosto que passa, desejando a vida do passageiro ao lado, escondendo a cara escrota atrás dos óculos escuros durante o sol da meia-noite.
Abra as pernas para o gentil rapaz que te paga mais uma bebida.
Coma a garota de olhos profundos, que chora a noite e tem vontade de voltar pra casa.
Eu quero mais é que vocês se fodam.
Corra Mary

















Estou viciada em seus posts, juro!
Você escrever perfeitamente bem.
Beijos
Um pouco descrente?
é confortante chegar aqui e me deparar com sesus textos.
bjus!
Oi Marina, desculpe pelo post sem os devidos crétidos, não tive intenção alguma de coloca-lo como minha autoria.
Lembro-me de postar por ter me indetificado pelo momento e só!
Em todo caso, já foi retirado.
Boa semana e também espero que entenda.