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mar-20-2009

Enriquecendo loucamente

Escrito por Pedro

Eu nunca tinha achado dinheiro na vida. Nunca dei a sorte de contar com o azar de algum desatento que tenha deixado uma grana para mim em algum lugar que ele tenha esquecido. Pelas relações justas da humanidade (HAHAahashahaAHAha), pelo menos eu também nunca perdi um real sequer, a menos quando vinham meliantes me obrigado a perdê-lo para eles.

Eis que essa história de sorte começou a mudar no dia 28 de fevereiro. Estava num bloco de carnaval, o último de todos e o único em que desafiei o choque de ordem, pois mijei na rua na maior felicidade. Pelo menos segui o meu lema de urinar sempre na mesma árvore, pois assim há cumplicidade. Bem, voltando ao assunto, após o bloco, fui com meus amigos para a praia.

Nas escadas que dão para a areia, havia grupos de pessoas e, no espaço vazio entre seus espaços vitais, 16 reais relaxavam pegando o sol lunar das 20 horas. A culpa e a excitação tomaram conta de minha amiga:

- Olha, tem dinheiro ali! Ahh, não tenho coragem de pegar (excitada).

- Eu pego (Pedro Staite Robin Hood – o desbravador)!

Fui em direção ao dinheiro, olhei para ele, ele não me olhou porque dinheiro não tem olho, que ideia… Abaixei, coloquei a bufunfa no bolso e perguntei:

- Tem alguém me olhando?

- Não!

- Uhul!

O curioso disso é que eu tinha saído com apenas 20 reais de casa e voltei com 26. Antes de me chamar de ladrão aproveitador, eu não tinha a menor condição de sair pela praia perguntando “hey, alguém perdeu 16 paus?”, afinal, todos falariam que sim, o que me levaria a acreditar que a praia tinha uns 32 mil reais perdidos pela areia. Uma autêntica corrida ao tesouro.

Na terça-feira seguinte estava perambulando pela faculdade (é o que mais se faz em uma faculdade de picaretas) quando vejo uma nota no chão. Dessa vez pensei que Deus tivesse ido pessoalmente (ou caracolmente, vai que Deus é um caracol e ninguém sabe?) colocar a nota lá, uma vez que não havia sequer uma alma viva para disputar o galo comigo. Nada mais do que 50 reais sedutores, levemente esvoaçantes, prontos para serem engolidos pela minha carteira.

Só que esse me causou um pouco de culpa e angústia, mas também uma felicidade que botava os dois sentimentos anteriores no chinelo. Esse dinheiro poderia ser de algum amigo meu, e isso me deixava triste… Mas para esquecer a tristeza, eu comprei uma camisa com os 50 reais. Mentira, eu comecei a perguntar para amigos e conhecidos se eles haviam perdido o galinho.

No entanto, como esse mundo está cheio de espertalhões, abordei o assunto da maneira mais malandra possível.

Numa grande roda de colegas e amigos -

- Fala aí galera! E aí… Como é que anda a vida financeira de vocês?  Tudo tranquilo? Todo mundo com dinheiro no bolso? Tem que tomar cuidado para não perder né?

Todo mundo olhou estranho, é lógico. Mas, depois de tantas menções a dinheiro sem que ninguém se manifestasse, joguei a verdade.

-Caralho, achei 50 reais agora!

- Ohhh!

Quando cheguei ao estágio (Bandeirantes nunca mais, meu negócio agora é o Futura, o canal do conhecimento), contei essa história para o pessoal e todo mundo achou louco. Uma hora depois, a chefa passa e fala: “meninos, a bolsa de vocês vai aumentar!”. Pensei “Jesus… Vou enriquecer se eu continuar assim! É sorte demais!”

Eu comecei a desenvolver teorias teológicas, cosmológicas e mentirológicas sobre o porquê dessa revolução na vida financeira.

- Ou é uma resposta divina a todas as picas amorosas (para um homem hétero como eu, não pode ser boa coisa) vividas no último ano. Algo meio “sorte no jogo, azar no amor”, em que o jogo é a vida e o amor é uma merda.

- Ou eu vou morrer em breve e Deus está me dando vida de patrão, só para não morrer reclamando que nem um chato(espero que não seja essa).

- Ou então Deus é um dos 420 membros da nossa comunidade e costuma ler meus textos. Leu o  “devendo na praça” (está nos arquivos, veja lá), ficou com pena de mim e começou a me ajudar a limpar meu nome – que está na beira da imundice.

Se eu achar mais um real nos próximos dias, vou começar a ficar com medo… E se tiver um caracol do lado, eu saio correndo e vou direto para a igreja.

Pedro

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  1. Emy em 20 de março, 2009

    Quem tem azar nos dois ganha sorte em que?? rsrs
    Seja o que for eu trocaria fácil pelos presentinhos do caracol!

  2. Corra Mary em 20 de março, 2009

    Esse texto é antigo, né? Pq a comu já tá em 446. hahaha

  3. Leo Coutinho em 21 de março, 2009

    Certa vez achei um bolinho de dinheiro no chão. Se não me falha a memória, tinha algo aproximado de 500 reais ali… Isso ! 500 reais! Achei que fosse meu dia de sorte, até chegar em casa e descobrir que meu falecido vovô, consumido pelo alcool, havia perdido o resto da aposentadoria dele… Tava bom demais pra ser verdade… Sorte!? Eu?! Uhum… Tá bom. =P

  4. Helo em 24 de março, 2009

    talvez seja um pagamento antecipado pra uma merda grande que vem por aí.

    Sim, eu animo muito as pessoas, uma cheerleader do capeta.

    tá, eu não tenho nenhuma relação com o capeta.
    sou agnóstica, mas morro de medo do diabo, mesmo a minha alma não valendo muito.

  5. paula em 24 de março, 2009

    o máximo de dinheiro que já entrou fácil em minha vida foi um real que ganhei nos bons e velhos tempos da raspadinha! hahah

  6. Thaiz em 29 de março, 2009

    Eu já achei 10 reais no chão de uma pousada. Daí eu perguntei pra dona se alguém tinha perdido e ela falou pra eu dar pra ela, e caso alguém procurasse ela devolveria. É, eu dei. O que eu tinha na cabeça? Mas acho que a minha propaganda negativa da pousada dela após o fato já cobriu os 10 reais que ela ganhou naquele dia :D



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