É Natal

jun 10

“É Natal.
Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua à outra , de continente a continente, de cortina de ferro a cortina de nylon – sem cortinas.” (Carlos Drummond de Andrade)

claus clones
Creative Commons License photo credit: macwagen

Natal nunca me é a época mais feliz do ano. Simplesmente não consigo ser aquela pessoa socialzona que a família toda espera que eu seja, não sei chegar em frente a árvore de Natal e fazer todos rirem com a minha descrição super-hiper-mega descolada do amigo oculto, e me sinto um alguém totalmente aleatório entre a minha mãe me ignorando e as crianças (que nunca param de nascer) derrubando refrigerante e pisando nos cachorros (que também nunca param de brotar).

Passei a noite de Natal em família, tomando cerveja quente e comendo chester. Eis que a meia-noite eu vejo um ser grande, gordo e vermelho entrar pela porta.

Ótimo, era tudo o que eu queria. Meu tio bêbado, suando mais do que geral do Maracanã, fazendo mil e uma gracinhas, vestido de Papai Noel. Toda essa alegria que eu deveria estar tendo e não tinha, começou então a me lembrar das minhas desgraças…
Dos 5 kgs que eu não perdi, da minha vida amorosa decadente, dos amigos ausentes, do livro que li até a metade, de logaritmo que não faço a menor idéia do que seja, da minha mãe reclamando, etc.

Foi me subindo uma raiva, um ódio tão absurdo, tão grande que chegava a me dar medo.
Enquanto isso lá vinha Papai Noel, cheio de amor pra dar. Brincava com tudo e todos, era o ponto auge da festa.
As criancinhas pulavam e rodopiavam de tanta felicidade. Era a festa mais alegre do bairro. Todos se amavam como não amaram o ano inteiro, eis então que eu vejo aquela criatura medonha se aproximando de mim. Tento manter a calma, aperto o ombro de um dos 87381719 primos e digo em voz baixa “Eu não, pelo amor de Deus”. Quando aquela porra gorda e vermelha parou do meu lado segurando um chocolate nojento (eu odeio chocolate), não me contive e foi imediato:

- VAI TOMAR NO CÚ!

-…

Silêncio… Por uns bons 10 segundos foi isso o que tomou conta do lugar.
As crianças pararam de correr e gritar, a tia gorda parou de comer a aletria, a música natalina soava como cântico demoníaco, meu irmão abriu a boca e jogou a mão na testa, minha mãe me beliscou, os cachorros pararam de trepar com as pernas das visitas e, foi então que eu percebí:

Merda, estraguei o Natal!


6 Comentários

  1. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Adorei.
    Seus textos são maravilhosos.
    A parte do cachorro é verdade. Sempre tem um cachorro tarado insuportável.
    O ruim é quando a nostalgia não é tão boa quanto pensamos que poderia ser. Quando aquela sensação de “estou lembrando de alguma coisa”, “eu lembro disso”, e o pior: “na minha época”. Esse é o mal de quando refletimos no natal. =)

    ;* beijinhos!

  2. UHAAHUAHAUHAUHA MTO BOM ESSE MARÃO, tinha lido uma vez no seu fotolog, genial!

  3. @ddegrossi /

    uhahuauhauhauhahua trelassss
    otimo o texto

  4. Oh, god. Ri bastante. O pior do natal são as crianças.

  5. #TENSO

    Feliz Natal, Marina!!

    Beijos

  6. Eu não curto natal, acho uma data triste e sempre quando chega perto a minha vida vira de cabeça pra baixo, namoro termina, trabalho te ferra, familia te suga a grana, todos ficam sem educação na rua e o risco de ser assaltado triplica… fora as pessoas que quiseram te ferrar o ano todo vem toda sorridente dando feliz natal…aahhh me poupe

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