E aí, Deus
fev 14
Tenho uma amiga com um enorme coração partido. Na verdade tenho milhares de amigas com corações tão enormes e tão partidos quanto, mas foi com essa amiga que passei a última madrugada conversando até às 6 da manhã sobre corações e todas as suas peculiares formas de serem partidos.
Essa amiga já gostou de alguém. Já gostou muito. Já sentiu falta de ar. Já sentiu as pernas tremerem. Já sentiu borboletas no estômago. Já vomitou pra tentar tirar alguém de dentro dela. Já achou que fez tudo errado e depois achou que fez tudo certo. Já se sentiu idiota, criança, mulher. Mas de tudo que o gostar causou nela, a mais forte, a mais impactante, a mais louca foi acreditar em Deus.
Não o Deus cabeludo, de pele branca e olho claro, mas um Deus produzido pela sua felicidade e só por ela. Um Deus que nem importava se existia ou não. Um Deus que se alimentava de sua vontade de acreditar e mais nada. Uma luz, uma voz, um sentimento, uma vontade incontrolável de ser.
E gostar de alguém é isso mesmo. Gostar de alguém produz uma felicidade tão grande que te anestesia de todo o resto. As tristezas do mundo param de doer e aí um outro mundo, cheio de alegrias, se abre. E você que não acreditava em Deus, começa a acreditar. E você percebe que poderia acreditar até em unicornios coloridos e se esses unicornios não fossem coloridos o suficiente, você inventaria novas cores só pra poder oferecer àquela pessoa.
E aí você que abominava casamento, passa a assistir Discovery Home & Health só pra babar nos vestidos de noiva se imaginando um dia dentro. E aí você que achava criança tudo pentelha, já tem nome pros seus primeiros 5 filhos. E aí você que detestava cachorro, já sonha com o seu canil de Labradores superdotados. E aí você que odiava futebol, compra calcinha, sutiã, meia e adesivo pra unha do time dele. E aí você que mal sabia esquentar o leite, aprende a cozinhar só para ouvir o quanto você é maravilhosa em tudo. E aí você que não suportava acordar cedo, acorda às 7 da manhã só pra dar bom dia pra ele. E aí você que tinha nojo de Motel, tá transando até na escada do prédio. E aí você que só usava Gabriela, começa a usar Samba Juliana.
E aí tanta coisa, mas tanta coisa que você se perde, se acha e volta a se perder em tanto aí.
E no final de tudo você percebe que o que você é, não é ser ateia, morar junto, não ter filho, ter gato, preferir basquete, comprar comida congelada, dormir até o meio dia, transar só na caminha de casa ou pintar a unha de vermelho. A sua essência é gostar. Dele, dos outros, de você. A sua essência é gostar tanto, mas tanto, que até o impossível se torna possível. E aí o que é Deus, quando você tem uma genuína vontade de apenas ser melhor?




Texto foda! Perfeito!
Maravilhoso como sempre!
Já sofri algumas vezes como sua amiga, mas hoje posso dizer que tenho alguém que me faz querer ser melhor pra sempre merecer tê-lo ao meu lado. As semanas, em busca de emprego, não tem sido fáceis, mas os fins de semana em qualquer programa com ele me fazem esquecer tudo.
Pena que hoje é segunda-feira!
A propósito, foi ele quem me apresentou o Corra Mary.
Sou sua fã, Marina. Bjs.
Texto mais do que inspirado, Marina. Tá lindo. A parte que você descreve o que é gostar foi simplesmente perfeita.
Nossa!
Mto bom o texto.
O bom dos corações partidos é q as feridas saram e o coração fica mais forte.
Mais seletivo, ñ se apaixona tão fácil, mas qdo acontece é uma paixão imoral de tão explícita.
bjo
xD
preciso dizer que eu achei foda e que to arrepiada aqui?? acho que nao né!! arrazou, amiga!!!
gostei do teu texto
Amar é foda mesmo!
Ó, não foi comigo (infelizmente) que vc ficou conversando ate as 6 da manha, mas que vc falou de mim.. Ahhhhhhhh falou. Hahahah
Sensacional esse texto.
Não sei se ela está feliz hoje, mas de repente sua amiga deveria ler O Tratado.
Dizem que sou meio sádica por acreditar que sofrer de paixão seja tão prazeroso quanto ser correspondida por ela. Quando o telefone toca, eu me sinto bem. Quando ele não toca, eu me sinto viva. E isso só sente quem sabe o quanto é ruim não ter nada para sentir.
Sendo a sua amiga, eu agradeceria pelo coração partido. E digo isso porque conheço a depressão, tanto em forma de visita, em forma de literatura e em acompanhar meus pacientes. E o fundo do poço, ao contrário do que se pensa, não é sentir tristeza. É não sentir absolutamente nada. E era isso que me matava.
E foi aí que eu aprendi a apreciar as dores porque até elas são bem-vindas. É claro que essa idealização que fazemos do parceiro e do amor é uma felicidade inigualável, mas aquela dorzinha de coração partido não deixa de ser uma forma de felicidade, mesmo que seja a felicidade em descobrir que nos livramos de um traste que não nos deu valor. rs. Enfim, o sentir é sempre válido. Seja lá o que sentimos.
Putz Marina, arrasou no texto!!!!
Tenho certeza que vou refletir sobre ele o dia inteiro hoje.
beijo
Seus textos são fantásticos! Adoro o blog!
Lindo texto. Sim, gostar é isso: é tentar deixar o nosso mundo um pouco mais colorido. É tirar a poeira enjoada do sépia e enfeitar com mil cores, inventadas ou não.
Pena que às vezes essa tinta borra…e vai borrando tudo, e tudo.
Depois, é só recomeçar. Viver é isso.
NÃO ENTENDI!!!