Dona Maria Luiza
mar 14

Dona Maria Luiza, mais conhecida por mim como vó, uma simpática senhora na casa dos 80 (não se sabe muito bem ao certo sua idade, a mesma nunca divulga os números exatos), fala três línguas, o que devido ao Alzheimer, a fez começar a falar as três ao mesmo tempo, e num súbito de consciência entre o Francês, o Alzheimer e os óculos que misteriosamente se perdem em sua própria cabeça, achou que era de suma importância se adequar aos tempos modernos.
Fora exatamente essa a expressão usada “Preciso me adequar aos tempos modernos”, o que também poderia ser traduzido em “Minha neta terá a árdua tarefa de me ensinar sobre coisas que eu nem faço idéia de que existam”.
Pois bem, depois de tanto pensar em como começaria, decidi que o celular era a melhor opção. Afinal, não havia mistério, minha vó estava acostumada a usar o telefone. Celular, ela tiraria de letra.
E era aí que eu estava enganada.
- Vó, isso aqui é um celular.
- Isso eu sei. Não sou tão velha assim também.
- Ok. E você sabe ligar?
- Ligar? Mas já não está ligado?
- Não, vó. Tem que pressionar esse botãozinho daqui. Assim ó.
Maria Luiza se maravilha com a modernidade a sua frente: luzes, som, cores vibrantes. E eu poderia até jurar que sua cabeça acompanhou a musiquinha de abertura.
- E agora é só discar?
- Isso. Agora você disca o número e aperta o verdinho.
- Ah, se é só isso, é fácil.
- Ótimo. Tenta você sozinha agora. Liga aqui pra sua casa.
- Mas porque eu vou ligar pra cá? Se eu quiser falar com você é só abrir a boca. Que idéia besta.
- É só um teste, vó.
- Ah, ta.
Parecia difícil segurar o aparelho micro com os botões mais micros ainda, mas nessa tarefa até que ela se saiu bem. Botou o aparelho no ouvido e num susto só, reclamou:
- Ah, isso ta com defeito. Não ta dando sinal.
- Vó, celular não dá sinal. Não é que nem telefone.
- Ah, não? Mas aí como que eu vou saber se pode discar?
- Discando, oras.
- Ah, então ta.
- Olha, não ta funcionando não.
- Você apertou o verde?
- Tem que apertar é?
- Marina, continua não funcionando, e eu tenho certeza que apertei. Ta vendo, o problema não é comigo.
- Qual você apertou, vó?
- Esse aqui.
- Esse é o vermelho. Você tem que apertar o verde.
- Ah, mas é que são tão parecidos.
E diálogos como esses perduraram a noite inteira. Era uma luta não declarada entre a simpática velhinha e o satânico aparelho da modernidade. E era inegável a boa vontade de ambos. Tanto do celular, quanto dela, mas parecia ser preciso muito mais que boa vontade para fazer aquela conexão de mundos funcionar o mínimo possível para uma agradável convivência, em que o dono controlava o aparelho, e não o contrário.
Vovó resistiu bravamente, não era difícil perceber que ela realmente queria aquilo. A cada acerto, (que na tentativa de repetição seguinte era abolido de sua mente) seus olhinhos brilhavam na esperança de finalmente estar desvendando a misticidade dos tempos atuais, felicidade tal que durou pouco mais de 20 minutos, quando cansada, largou o pequeno aparelho na cômoda principal e preocupadíssima perguntou:
- As pessoas ainda usam telefone residencial, né?




AHAHAHAHAA isso me lembra o dia que eu fui ensinar a minha avó a usar o mouse do computador…
hahahahahaha com celular e computador a minha mãe se vira bem, agora quando os controles da TV e da Sky se misturam, ai fode a porra toda!!! Eu ja tive de dar explicações, por telefone, a ela, de como fazia pra tv voltar a funcionar no meio de uma viagem com amigos…
Eu passo por essa experiência todo dia. já que trabalho com telefonia
hehehe
bem divertido!
ainda mais pra quem tem paciência como eu!
NOT!
Eu não uso mais telefone residencial… rs.