Dona Dora F. 51 anos, homofóbica e suicida
set 17
Doralina Fernandez de Albuquerque era casada com Josival Albuquerque, um magnata do ramo dos laticínios. Josival fez muito dinheiro em cima de sua mais rentável invenção: “Foffy cheese”, uma espécie de polenguinho com aromas especiais como cebola e salsa, frango à passarinho, macarrão à balonhesa entre outros. Era um estouro entre a criançada. Dora achava as idéias do marido um pouco femininas demais, mas nunca foi capaz de contestá-lo, afinal, foffy cheese era a razão do luxo dos Albuquerque.
Depois que Frederico, o segundo filho, nasceu, a cabeça de Josival entrou em parafuso. Começou a ficar frio e distante, já não beijava a mulher com aquele velho ímpeto dos adolescentes, era grosseiro com a família… Estava infeliz. Foi quando ele percebeu que, na verdade, amava homens. Josival deixou um pequeno recado em cima da mesa e nunca mais apareceu:
“Querida Dora. A chama apagou. A culpa não é sua, meu amor. Preciso de mais do que você pode me oferecer. Vou embora com Renato, meu sócio… Espero que você se recupere.
Obs.: Não se preocupe, vou pagar a pensão direitinho…”
Dora pensou em se matar, mas depois pensou nas crianças, elas só tinham a mãe no mundo agora. A amarga mulher se comprometeu a criar os filhos numa ditadura total, para não haver um “desvio de rumo” que a falta de uma figura paterna poderia ocasionar nas crianças. A partir daquele dia, Dorinha criou uma tabela de regras rígidas:
- Nada de priminhas com as suas barbies contaminadas por perto.
- Nada de Discovery kids.
- Nada de desenho do Bob esponja ou afins.
- E nada que pudesse sugerir qualquer coisa que Dora achasse no mínimo maculador.
Frederico e Rogério cresceram héteros, só que humanistas e prafrentex. Também pudera, com anos de repressão da coronéia Dora, os dois começariam a questionar a hierarquia uma hora ou outra. É aquela coisa, os filhos sempre vão ser diferentes dos pais, não adianta. Os dois viviam discutindo com a mãe, falando que ela era muito homofóbica, e que todos deveriam ter direitos iguais e tal e coisa e coisa tal. Dora achava muito estranho, mas não falava nada, afinal, os filhos foram criados com total rigidez e sem espaço para “desvios” (Isso é uma história, ok? “Desvios” sempre com aspas).
Até que um dia Frederico e Rogério estavam conversando sobre suas namoradinhas…
- Fui lá na casa da Lalá ontem, cara…
- E aí? Rolou? Bimbou? Funfou?
- Nããão… Ela só pegou no meu pênis…
- Cara, eu não sei por que, mas eu odeio falar “pênis”, sabia? É tão… pouco sexual, tão ultrapassado… Acho que até D Pedro I deveria achar “pênis” brega…
- Porra, você prefere “piru”?
Nesse momento, Dora, a ditadora, passa pela porta do quarto, e não consegue deixar de ouvir a conversa…
- É, eu prefiro piru…
-Ah, não sei… Eu gosto de pênis…
E no dia seguinte, há 519 km dali, o ex-marido Josival lê uma nota no jornal:
“Mulher desesperada se joga do 15º andar.
“Doralina Fernandez deixou um recado dizendo que desgostos familiares seria a razão de seu suicídio.”




hahahah Já tinha lido esse e adoro.
Pois eu gosto é de rôla!!!
UAHUIAHUI! MEu Deus do céu, quase morri ao ler esse texto! Pedro, escreva um livrooooooooooooo! HAHA!
AUsIAUSHIAUSHAI muito bom!!!