P – É uma doideira essa vida. A gente tem milhares de momentos ordinários, cansativos ou chatos, e um momento ou outro de alegria. É um saco…
T – Pois é…
P – Mas acho que é bom, sabe? Porque aà a gente passa a dar mais valor à felicidade. Com um monte de momentos ordinários, cansativos ou chatos durante o dia, quando temos algo feliz, esse algo é muito feliz! (aquele que se contenta com pouco)
T – É…
P – É foda. Sei lá, se eu tivesse 10 milhões de dólares, ia fazer festa o dia inteiro, ia me divertir em todas as ocasiões. Mas no final de algum tempo, ia pensar “ai, que chato!”
T – Ok, mas é melhor assim do que passar por milhões de momentos infernais durante a vida e pensar “ai, que chato”.
P – …Tem razão…
G – Um dia, eu li na PatrÃcia Kogut uma nota que falava de uma BMW com o adesivo “se a minha situação está ruim com a crise, imagina a sua”.
P e T – Hahahahahahaha
P – Deus anota essas coisas.
T – Vão destruir essa BMW…
T e G – Hehehe…
T – É uma babaquice esse negócio de “dinheiro não traz felicidade”. A vida é bem mais fácil com dinheiro.
É verdade. Não que eu esteja nadando em verba, tal qual o Tio Patinhas, aliás, meu último post denuncia que eu estou na bancarrota. Apenas imagino que ter uma condição boa é simplesmente melhor do que ter uma condição ruim (bela análise, já me sinto um antropólogo descobrindo os grandes mistérios dos homens).
As pessoas percebem que grana não é tudo quando a grana não resolve. Eu até entendo, apesar de não vivê-lo, esse insight que dá quando algo maior (não Deus, e sim câncer, Aids, acidentes fatais…) passa por cima de sua condição e não te dá chances de pagar pela resolução do problema. É uma maneira escrota de perceber o óbvio, mas enfim…
Aà Fulano Terceiro, o rico empresário, perde a famÃlia em um acidente de avião, e Fulanete, a empregada que está vendo o empresário chorar na Tv, filosofa: “viu, Cicrana? Dinheiro não traz felicidade, minha filha…”.
Tudo bem que, pelo menos, Fulano Terceiro não precisará esperar 48 horas para enterrar seus parentes e nem se preocupar com o ônus dos enterros. Quer coisa mais triste do que ter perrengue de grana para enterrar alguém? A tristeza e a dor do momento deveriam se concentrar em dar adeus aos falecidos – algo que Fulanete infelizmente não viverá, pois Fulana Odebrecht, sua patroa, não paga bem o suficiente para que uma ocasião catastrófica como essa cause apenas a dor necessária.
Ou seja, Fulano Terceiro, Fulanete e Fulana Odebrecht acreditam que dinheiro não traz felicidade. No entanto, só mesmo a Fulanete sabe que a pobreza traz menos ainda.
Pedro
Excelente texto. Nao mudaria uma palavra. perfeito.
Cara, dinheiro traz comida, casa, roupa lavada. É muito fácil dizer que dinheiro não traz felicidade quando você tem muito, dizer que precisa abdicar dos bens materias e tals. Eu, sinceramente, vivo num mundo materialista que dinheiro é necessário. Não que traga felicidade, mas facilita a chegada desta, né…
Valeu. _o/
Ó-T-I-M-O texto, esse papo de “dinheiro não traz felicidade” é o maior papo de placa de caminhão que já vi, quer dizer o cara vê o filho chorando de fome e vai falar “ah filho papai não tem dinheiro pra comprar, mas não esquenta, dinheiro não traz felicidade!, dinheiro não traz felicidade, mas ajuda a encher a pança fato!
Tá até acredito que dinehiro em excesso, faz a pessoa que num tem pé no chão passar a deixar isso domina-lá, mais pow alguns zeros a mais na minha conta bancaria não me faria mal algum, alias alguém tem 20.000 pra me emprestar?