Dar mole

jan 13

Momento exato em que as mulheres consagram a sua homossexualidade por não ter notado o mole que elas deram

Se todas as pessoas do mundo passassem a pensar como homens, a Terra comportaria uns 50 bilhões de habitantes em 10 anos. Multiplicaria o número de pais dos próprios sobrinhos (porque os primos todos iam se comer loucamente); possivelmente a literatura médica teria uns 2/5 a mais de DSTs em seus compêndios; a indústria pornô seria maior do que qualquer igreja, fundação, empresa, e só encontraria rivais nos videogames (bem, isso é quase realidade); o mundo ia ser tomado por um senso de praticidade tão grande que, se bobear, até o amor acabaria. Mas ele seria muito bem fingido por algumas gerações.

Se todas as pessoas do mundo passassem a pensar como mulheres, o planeta teria a densidade demográfica da Groenlândia. O mundo seria absurdamente mais gentil, cortês e simpático (o que mascararia muito mal a falsidade e a falta de cumplicidade pelas quais o sexo feminino é conhecido). De qualquer forma, os habitantes (todos de mente feminina) esbarrariam em algo que as mulheres afirmam saber fazer, mas fazem de um jeito tão controverso que parece que não sabem: dar mole. É a partir daí que a raça humana poderia estar em risco.

Partindo de uma ordem mais ou menos comum, sem dar mole, não tem beijo, sem beijo não tem caso, sem caso não tem namoro, sem namoro não tem casamento (união, morar junto, pacto de sangue, sei lá), sem casamento não tem rebento. Sem rebento não tem população e sem população, a densidade demográfica se joga no poço. Ou seja, num mundo em que as pessoas não sabem dar mole, os sucessos reprodutivos despencam, porque a chave da ignição de tudo é se embrenhar no approach.

Se pelo assassinato de um arquiduque bunda acontece uma guerra mundial de quatro anos, um mole no começo da relação gera um bebê. O início da concepção da criança não é quando ela nasce, ou quando o espermatozoide invade o óvulo: ele acontece na night, no boteco, na festa, em qualquer lugar onde se dê mole (Jesus Cristo, hoje estou conceitual demais).

 

O outro lado – o paradoxo do mole feminino, a população tem salvação

 

Já antevejo no horizonte mulheres com archotes dizendo “Hey, senhor Pedro Staite, deixe de ser um desqualificado, você não entende picas do mundo feminino. Espero que o senhor broxe cinco vezes a cada seis tentativas”. Obviamente vou concordar pedindo desculpas, mas elas vão me interromper: “Ahhh, senhor Pedro Staite, espero que seu pênis fique como um vídeo cassete: empoeirado, com duas cabeças e sem funcionar. Nós sabemos dar mole, sim, vocês é que não têm sensibilidade para entender.”.

Esse é o flat do problema: se as mulheres, que são sensíveis, sabem que nós não somos assim, por que o mole que elas dão requerem sensibilidade? Hoje em dia, quando a mulher dá mole, ela não está dando mole, e sim uma minúscula abertura para você implorar. Mulher é tão incoerente que é o único tipo de ser que nega o que quer só por esporte. E, claro, se você não entrar no jogo e desistir de implorar (com charme), sua farda ganha uma condecoração homossexual.

Pior ainda é quando você não nota a micro-brecha que elas dão. Às vezes, um olhar de 16 milissegundos condensará TODO o interesse que ela demonstra por você numa noite. Se você não perceber, for míope, achar que foi um olhar à toa ou estiver com ebola, pronto, além de ter perdido a chance pro resto da vida, volta pra casa com a alegria de ter despertado no grupo de amigas dela a conversa “humm, ele deve ser gay, só pode ser”. E sabe por que isso acontece? Responde-se em uma palavra: oferta.

Mas a controvérsia desemboca agora. Mulheres notam os moles que as mulheres dão.

1) É por isso que amigas mulheres são importantes: se as mulheres de quem você é a fim fossem jogos de videogame, as amigas seriam a revista de detonado, com todos os cheat codes para você zerar o jogo.

2) É por isso que talvez em um mundo onde todos tivessem pensamento feminino, as pessoas dariam moles mínimos, mas teriam sensibilidade para captá-los. Isso poderia ser uma salvação para a população.

Ao final do texto, elas voltam a reclamar comigo: “ahh, senhor Pedro Staite, você merece morrer com os epidídimos entupidos, aprende a dar mole, faça o seu papel direito antes de falar de mim”.

E eu vou concordar chorando.

24 Comentários

  1. Existe uma solução pro mole feminino. Chama-se álcool.

  2. Muito bom Pedro, ri muito…mas vc está enganado, nem todas as mulheres são iguais e muitas vezes os homens não sabem o q querem. Qnd as mulheres são sutis, não sabem dar mole, qnd vão direto ao ponto, são atiradas e oferecidas. Na verdade os confusos são vcs homens, decidam-se! rs

  3. Não vamos te xingar, senhor Pedro Staite… nós mulheres temos que aprender a ser mais diretas na hora de dar mole mesmo. O problema é que quando fazemos isso corremos o risco de ficar “mal faladas” e ainda tem gente que se importa com isso. Além disso, corremos o risco de levar um fora e isso acaba com a auto-estima feminina, porque nossa concepção machista de paquera nos diz que o homem pega qualquer uma que der mole e se isso não acontecer com a mocinha ela vai se sentir o último biscoito mofado do pacote. É mais seguro dar mole sem dar mole, entendeu?

    • Isso é uma faca de dois gumes: ou a mulher arrisca levar o toco e ter a baixa na auto-estima, ou o homem se arrisca ao mesmo. Por isso as mulheres reclamam dos homens, que ficam taxados de insensíveis; a gente leva tanto toco que acaba bloqueando a sensibilidade para não sofrer com o toco. E sem essa sensibilidade, nem notamos que vocês estão dando mole e acabamos indo atrás de quem aparecer pela frente (já que é tudo igual). Para dançar essa dança precisa ter dois e os dois precisam querer dançar. E os dois precisam mostrar interesse em dançar também.

  4. Hummm, a autoestima em frangalhos e a pecha de mal-falada. É, foram duas lacunas não exploradas no texto. Sinto que vocês têm razão nesse aspecto (embora eu ache lamentável o mundo ser assim).

  5. gostei do texto, mas uma observação… vocês se sentem atraídos por uma determinada guria BEM por causa disso: porque o mole é feminino, é sensível, não fala a língua de vocês; se déssemos mole de um jeito que vocês entendessem, vocês nos identificariam como “um de vocês”, masculinizado, e não se sentiriam atraídos. o jogo não é só nosso nem só de vocês, é recíproco, e se um dos dois não joga, não tem beijo, rolo, namoro, casamento…

  6. Ah, deixa de ser bobo.
    Só não fique sempre esperando o momento certo. Não existe isso.

    Se rola um clima, e você as vezes fica imaginando “rolou mesmo?”
    Sim, rolou. Não tem avaliações mais profundas, não tem chatisses ou mistérios. Alguma parte dela está afim de você. Mesmo que 90% não esteja, tem 10 % aproveitáveis por aí.

    Se você quiser pegar na amizade, “Vamos lá, facebook!”, com uma boa dose de flerte online e depois um convite ( se ela não cansar até lá ), talvez consiga.

    Mas a melhor atitude mesmo é ter a atitude. Não dá para ficar safe ali no flertezone com medo de ser rejeitado. Vai fundo.
    O máximo que vai acontecer é não acontecer.

  7. É aí que está o charme! (e também é aí que reside todo o meu fracasso – tá, não todo ele, o desfavorecimento estético e o fato de eu não ter um blog também me empurram pro buraco)

  8. Tábata Flores /

    Tava esperando esse texto desde que fui embora..hahaha
    Pedro, você é tão você que até me assusta!
    E sim, pare de falar mal de nós e analise menos nossas reações..Quase sempre elas simples e diretas, mas os homens ficam criando caramiolas na cabeça.
    Enfim, good luck, man!!!
    Beijos e saudades!

  9. Don’t hate the player, hate the game.

  10. Felipe Aguiari /

    mulher só é sutil demais quando ela nao ta muito interesada ! é obviamente ela nao vai ficar muuuito interesada num completo desconhecido !
    quando ela está…. não é nada sutil

  11. Yasmin Baron /

    é que a gente deixa pros homens o trabalho de fazer papel de bobo
    tipo se a mulher estiver a fim mas o homem não, a gente não vai escancarar pra depois sair com o rabinho entre as pernas

  12. Mari Ramoa :) /

    “cheat codes” ahahahahaha

  13. Tudo que é bom é dificil msm!!!Mulheres são demais!

    E falando sério: graças a Deus tem muita mulher nesse mundo, da até para os prequiçosos e desatentos se darem bem…

  14. Isabelle Caceres /

    Inteligente, engraçado e super apoiado. Mulher é um bicho complicado mesmo, eu que sou eu, na maior parte do tempo não me entendo. Mas seu texto foi um raio de luz na minha vida! Revolucionou o meu conceito de paquera.
    Obrigada! ;)

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