Contos da urologia
set 22
“Se o urologista gostar de pênis, travará uma batalha vã durante a vida contra a tentação. Se ele não gostar, haverá uma contenda inglória para arrefecer sua ojeriza diária. O meio do caminho é de um equilíbrio precário dificilmente alcançável”
(Hipócrates)
(aham, Hipócrates, claro)
- Vamos lá ver isso.
- Ali?
- Isso. Tira a calça, o tênis e a cueca.
- (esse meu nervoso vai me diminuir penianamente e vai ser vergonhoso. Mas tudo bem, o que ele já deve ter visto de moléstia pélvica nessa vida não está no gibi. Se estivesse, o gibi seria para maiores de idade).
- …
- Vou tirar a meia também para não ficar feio, tá?
- Não. Fique com as meias.
- (isso é fetiche ou procedimento padrão?)
***
Oito, igual, igual, igual, dê maiúsculo. Um pênis média nacional em símbolos.
***
- Eu estava com ejaculação precoce. Não sabia o que estava acontecendo, só sei que era ridiculamente rápido.
- Aí você foi ao Boston Medical Group?
- Cara, quase. Eu via o anúncio na tv e pensava “caralho, será que eu vou ter que ir ao Boston Medical Group com a minha idade?”.
- Tenso.
- Pois é…
- Mas aí você foi a um urologista qualquer então.
- Fui. E na sala de espera tinham vários velhinhos “Boston Medical Group”. Foi desesperador.
- Mas você melhorou da ejaculação precoce?
- Não sei. Não fiz sexo desde então.
- Tenso.
***
- Meu pai foi a um urologista há uns quatro anos para fazer exame de próstata pela primeira vez.
- Não é o proctologista que faz isso?
- Ele foi ao urologista. Próstata, né?
- E como é que foi? Deve rolar toda uma psicologia.
- Pior que não. É direto: “tira a calça e deita ali”.
- Mas não tem nem uma historinha?
- Seria pior se tivesse.
- Por quê?!
- A pessoa pode ficar nervosa, o cu travar…
- É… Melhor sem historinha.
A medicina apregoa aos quatro ventos seus enormes avanços tecnológicos: as cirurgias cardíacas com robôs, os transplantes faciais, as trocas de sexo… Mas enquanto uma dedada no cu se fizer necessária para formular um diagnóstico, a medicina continuará convivendo com uma baita lacuna.




Pára de frescura, o que é uma dedada uma vez na vida perto do que as mulheres sofrem durante toda a sua vida desde a puberdade?
Apesar de se tratar de um Conto, concordo, plenamente, que “enquanto uma dedada se fizer necessária para formular um diagnóstico, a medicina continuará convivendo com uma baita lacuna”.
Abraços!
Ahh, quanta frescura. Mulher vai ao ginecologista sempre e não fica cheia de mimimi.
Queria ler seu texto se ao invés de uma dedada anualmente, fosse um bico-de-pato de 6 em 6meses ( isso se não rolar alguma merda entre esse tempo, tipo, uma puta e vergonhosa cistite )
Em algum momento da vida todos os homens tomam no cu.
Mulheres, pensem: se exame de próstata fosse feito com você usando o seu membro para fazer o que ele veio fazer na Terra, ok. Mas ao contrário: esse exame é feito, paradoxalmente, por outro homem (maioria das vezes), enfiando o dedo no seu rabo.
Ginecologista: o órgão feminino foi feito para ser futricado, massageado e penetrado, uma olhadinha lá não oferece paradoxo nenhum! E, admitam, mesmo vocês têm restrições quanto ao modo de usar os fundilhos….
Edu, Vicente, essa é uma discussão vã, haha, mas obrigado pelo respaldo!
Pedro,
sem quebrar a magia do conto, mas os uros, proctos, ginecos, gastros, otorrinos, vêem os oríficios como…simplesmente orifícios. O problema é que alguns médicos evoluem pra ver o paciente só como orifício também, aí é malz.
Médico normal depois de fuçar no seu buraco o trata como gente. Mas buraco é só buraco mesmo, doente ou não.
abs
Miss Me Forever, MD