Conto da mulher compreensiva
out 16
Se mulher tivesse manual de instruções, não digo que a vida seria mais fácil porque ele provavelmente viria em mandarim arcaico. Muito pouco em relação ao sexo feminino é fácil, e acho que esse excesso de complicação contribui para a nossa imagem pública de sexo imaturo. A gente não entende nada delas enquanto nós, mesmo com alguns nós cegos na essência, somos autoexplicativos demais. É óbvio que a gente acha milhares de exceções, mas se nos preocuparmos com isso, nunca brincaremos de cagar regra sobre algo.
O que não tem exceção é que todos os homens que se relacionaram minimamente com alguma mulher já sofreram com o conto da mulher compreensiva. Toda guerra dos sexos já teve pelo menos uma vez uma batalha iniciada por causa de uma pseudo-compreensão da mulher que vai se transformar em chuva de ódio se você entendê-la errado.
Exemplos não faltam. Às vezes a namorada tem o aniversário do primo do avô da madrasta de um outro primo, e o namorado, teoricamente a priori, não está escalado para ir. Mas eventos familiares de namoro são que nem os de facebook, só que obrigatórios. Por você, ignoraria quase todos, mas a facada metafórica que vem embutida nesta deserção será enfiada no seu cu metafórico em algum momento.
A namorada diz “ahhhhh, se você não quiser, não precisa ir”, o namorado pergunta incrédulo “jura? Não tem problema mesmo?”, a namorada, fazendo estágio para Madre Maria das Criancinhas Necessitadas, retruca “nããão, não tem problema mesmo”, o namorado acredita e fala “tá, não sei, acho que não vou então, mas depois te digo”. A namorada fala “tudo bem”, mas os níveis hormonais do início da conversa já se desregularam. Duas horas depois ele diz que não vai mesmo, e ela mantém a classe. Ele sai dessa pensando “eu tenho a melhor namorada do mundo”.
No dia seguinte, quando o namorado ligar dizendo “oi, meu amor”, ela vai responder “oi…”, ele vai perguntar “aconteceu alguma coisa?”, e ela vai responder “não”. Pronto, coloque as luvas, o protetor de dentes porque o MMA (Momento da Mulher Assassina) vai começar. Será uma briga que teoricamente não tem o menor sentido, afinal, tudo foi concordado à luz de alguma razão aparente, ela liberou o namorado de não ir. Mas não, ela não havia liberado porra nenhuma. Foi simplesmente uma oportunidade que ela deu ao namorado de esboçar a vontade de ir a algo que ele jamais quereria se não estivesse sob pressão.
De quatro, uma:
- O namorado realmente acredita na namorada quando ela diz que não há problema de ele não ir. E isso prova que ele acredita nela. Só que não é assim que ele vai ser visto. Ela vai pensar que ele não tem sensibilidade para entender as entrelinhas. Sim, se você, namorado, não for e disser que acreditou nela, você caiu num ardil. Coisas que só ditadores russos faziam.
- O namorado não acredita nela, o que prova que ele tem sensibilidade (ou que já apanhou em outras 29 ocasiões), e vai mesmo contra a vontade. Chega lá e fica com cara de bunda a tarde inteira. A chance de que a briga que ele evitou aceitando ir se inicie no meio da festa é enorme.
- O namorado não acredita nela, mas já que ela jogou o jogo da compreensão infinita, ele vai fingir que acreditou. Se tem colhões para bancar essa, que banque até o fim. Essa é a mais complicada, mas mostra que o namorado se preocupa com a honestidade da garota. Ele meio que a condiciona a sempre falar a verdade, porque charminho não vai colar.
- O namorado não acredita, pois tem sensibilidade, e aceita ir com toda a boa vontade do mundo, o que mostra que o namoro ainda não passou de três meses. O começo do namoro é o momento mais carinhoso, mais apaixonado e mais inspirador de todos, mas quando o tempo passa, os dois já têm mais segurança em tudo, inclusive para dizer que não gostariam de ir a algum programa tido como chato. Isso pode ser bom, pois o contrato de namoro não prevê simbiose, mas pode ser ruim, porque pode passar a ideia de falta de companheirismo. Decidam-se.
Mas uma coisa é certa. De acordo com as minhas pesquisas para realizar este artigo científico, muitas mulheres ficam chateadas com isso, mas não querem ficar. Elas realmente acreditam no que estão falando na hora que desobrigam o namorado a fazer algo que ele não está muito a fim de fazer. Mas depois acabam magoadas sem querer e sem ter coragem de empregar 100% da culpa no cara. Outras fazem o jogo mesmo, querem que eles queiram, mas não dizem isso com todas as palavras. Essas merecem ir para o inferno, pois se acham que o homem é imaturo, precisam usar de mais clareza então.
Acho que não custa fazer três coisas. Ser sincero e evitar jogos, porque isso pode minar a credibilidade do que é dito (mulheres). Ter um pouco de boa vontade, afinal, se você está namorando alguém, supõe-se que você quer estar perto dessa pessoa em muitos momentos (homens). E, por último, ter a consciência de que faltar a um compromisso chato não significa o fim do amor, mas só um exercício do livre-arbítrio. E não há coisa pior do que estar num namoro em que você sente que não tem poder de escolha.




Concordo em gênero, numero e grau!
Cara, comigo sempre aconteceu o contrário: eu sempre liberei os meus namorados de todos os eventos chatos porque eu mesma não tenho saco de ir. Só vou quando é mortalmente necessário. Sempre liberei, e libero de verdade, sem jogos, porque prefiro sofrer sozinha numa ocasião dessas a ter que brigar por um motivo estúpido (obrigar o cara a dividir o meu sofrimento) ou a ter que ficar ouvindo sermão – “O que que eu tô fazendo aqui? Por que vc me trouxe?” – no meio do evento. E faço isso pelo simples motivo de que, quando o evento chato fosse da família deles, eu também gostaria de ser liberada sem mágoas. Uma mão lava a outra, certo?
No entanto, não sei o que acontece: ou eles ficaram receosos de eu ficar chateada depois, como vc relatou, ou eles realmente queriam estar comigo mesmo na dor e no sofrimento. Eu acredito realmente que seja a segunda opção, pois nenhum deles reclamou um pio sobre estar no evento chato. Pelo contrário, quem reclamava era eu – e eles que tiveram que me aturar. rs
“(…)Ser sincero e evitar jogos(…)” Eu tento (: Mas eu digo “não tem problema” e não tem mesmo, por que as vezes sou EU quem não quer ir a algum lugar e odiaria se ficassem me pressionando a ir, então não faço o que não quero que façam comigo.
E, normalmente, sou EU quem não entende entrelinhas .-.
Às vezes eu tenho problemas no namoro por conta disso. Eu detesto estar em festas na qual não conheço ninguém, ainda mais quando é organizado pelas amigas dela. Sempre que tem um convite, eu o recuso. Depois vem toda aquela conversa mole de que eu não tenho sensibilidade e que não custa nada acompanhá-la, mas tenho certeza de que é melhor eu não ir e ela ficar chateada comigo, do que eu ir, ficar com cara de bunda a festa inteira e ainda ser alvo de comentários malditos das amigas dela. Essas briguinhas de namoro com pouco tempo se resolvem. Uma fama feita por demônios travestidos de mulheres gostosas se espalha mais rápido que fogo em colchão.
No fim das contas, eu só repeti o texto todo.
Ahhh, a gente até pode tentar ser sincero e evitar joguinhos… Mas prepara a vaselina porque o seu “cu metafórico” vai ser fodido de qualquer jeito…
Huahuahuahuahuahua
Excelente texto, pedrão.
Por isso eu criei um mantra que eu repito para mim msemo há alguns anos: “Posso estar em fase de vacas magras, mas elas não podem ser nem gordas nem loucas.”
Mina louca trepa bem, mas fode com toda a sua vida.
Incrível o blog de vocês. Uma amiga havia recomendado e fiquei de ler depois. Daí vi o comercial na Sony, logo depois de ter lido o post sobre Grey’s Anatomy, que também é minha série preferida. Estão de parabéns, me espelho no sucesso de vocês para o meu blog! Em breve quero comprar o livro. Grande beijo!
Depois vou ler as aventuras de uma tal aspirante a trompetista, Juliana! Obrigadão pelos comentários =)
Eu sempre tenho que paparicar e adular muito meu namorado para ir nas coisinhas da minha familia, almoco, aniversarios e tudo mais. Sempre quee obrigo ele, realmente ele fica com a cara de bunda la, ahha
Mas, j[a dei mt ataque com ele, por isso antes.
Pedro,
feliz aniversario atrasado!!!
to atrasada pq meu niver foi ontem tbm!!
adoro seus textos!!
sou sua fã!!! rsrsrs
beijosss
Caraca, eu sou um escroto insensível! Não tinha visto esse comentário =(. Feliz aniversário mega atrasado, Débora, haha! Obrigado pela fofura. Beijão =**
Realmente o sexo feminino é uma eterna incógnita. Parabéns pelo texto e blog. Ta nos favoritos cá.
http://www.bergamotas.com/ciumes/ <-me lembrou teu texto
abraço
Eu acredito que a namorada até queria libera-lo, nas primeiras tentativas, mas quando ela chega no aniversário, sempre tem as tias chatas, as primas invejosas que vão perguntar, cadê seu namorado, com a entonação, como assim ele não veio? ele não vai casar com vc, viu?.
Ai fodeu!
Prq vai começar a passar um monte de merda na cabeça da garota. Ela vai pensar, nossa! É isso, ele não quer nada sério comigo, ele não me leva a sério, eu sou só uma companhia pra ele, ele tá procurando coisa melhor pra casar. Mesmo se ela nem quer casar com vc, ela pensa isso, prq pra ela, tudo bem ela não querer casar com vc, mas vc não querer casar com ela? como assim? ela?
E daí manolo, vão ser constantes as brigas por motivos idiotas.
arrasou no comentário Leonardo!! hauahuahauhauahua é tipo isso!
“Elas realmente acreditam no que estão falando na hora que desobrigam o namorado a fazer algo que ele não está muito a fim de fazer.”
Gostei é isso mesmo, sao atitudes mulheristicas que nem a gente entende pq as tomamos =P
Eu liberava meu namorado de todos os eventos, a fim de evitar comentários familiares a respeito das tatuagens e barba dele… mas ele sempre achava q eu nao o amava ou que eu tinha algum primo gatão. hauhauahuaa Vai entender!