Considerações sem pé nem cabeça sobre War

jan 19

Quem nunca jogou War, não é verdade? Aquele jogo excitante de sorte e estratégia, em que você comanda seus exércitos e tem que dar cabo a um objetivo inteiramente nada a ver como “conquistar em sua totalidade a Ásia e a América do Sul”. Todas as pessoas se reúnem, cheias de animação, em volta daquele tabuleiro mais ou menos feio, em que o Sumatra tem um território só seu e a França, Itália, Portugal e Espanha são uma coisa só.     Ótimo?

Não!

War é um jogo demoníaco, isso sim. Demoníaco porque eu não sei por que as pessoas jogam, tem gente que simplesmente não se diverte, mas não nega uma partida! Por quê?!

É aquele tal negócio, numa partida com cinco sujeitos, por exemplo: você só joga a cada meia hora, briga com as pessoas (às vezes parte até para o pessoal), fica três horas tentando conquistar o Sumatra, e no final das contas, plim, você perde. Você sempre perde. Sabe por que você sempre perde? Porque sempre tem um puto que sempre ganha…

Você tem que se perguntar: “Eu quero isso para a minha vida?”; “Eu quero gastar três horas do meu dia, sentado, com a bunda quadrada, dor nas costas, para jogar War???”.

Eu joguei há meses atrás, mais deprimentemente no sábado à noite. Porque todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite, eu com certeza não esperava por isso, mas na época eu tinha namorada e amigos presentes. E com namorada, irmão e dois amigos, até suicídio coletivo é divertido.

Usei meus exércitos verdes da salvação, e tinha que conquistar a Ásia e a América do Sul. Aí eu pensando “Ô raios, o que tem a ver alhos com bugalhos?”. “Qual ditador gostaria de ter a América do Sul, tendo a Ásia já?”. A Ásia tem mais gente, mais dinheiro, tudo bem que também tem gente mais feia, mas tem mais mão-de-obra semi-escrava, tem a China e a Índia, dois países do Bric, a sensação da recessão… Pra quê gastar exército com a América do Sul? Foi assim que eu pensei. Mentira, é que a América do Sul estava sendo disputada por três jogadores, e eu só tinha a Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, ou seja, um território só.

Aliás, o mais curioso da partida é que eu tinha o território do Oriente Médio e nada, nada aconteceu. Foi o lugar mais pacífico do planeta. Nenhum míssil, nenhum bombardeio na Faixa de Gaza, nenhum homem bomba, nenhum embargo econômico. Uma uva!

Depois de uma hora e meia e glúteos cúbicos, hora da reunião da Onu: o cara da pizza (aliás, uma ótima por apenas R$16,00) estava tocando o interfone. Trancamos o quarto para ninguém roubar e fomos comer na sala, discutindo sobre os caminhos da guerra. Minha namorada queria que eu me aliasse a ela, mas eu estava de complô com o meu amigo, cujo objetivo era matar o meu irmão (ou melhor, exércitos azuis). Eu ajudei o meu amigo porque ele estava indo para os estrangeiros no final daquele mês, ou seja, fiz uma delicadeza de despedida, fora também que ele nunca tinha jogado.

É pura burrice fazer panelinha, porque no final só dá para ganhar um, e quando não é você, não adianta que não satisfaz nem um pouco o seu amigo de complô ganhar. No final, ele ganhou e eu não fiquei satisfeito.

Se War existisse há uns 200 anos, com certeza a geopolítica do mundo seria diferente. Simplesmente porque as pessoas não conheceriam o conceito de Fair Play e se matariam. E essas mortes desencadeariam outras, e outras e outras. Famílias partiriam para o massacre mútuo, até que líderes políticos tivessem suas vidas afetadas. Seria um fuzuê, vários limites territoriais seriam modificados diariamente, os governos cairiam sucessivamente até que o jogo fosse extinto. E Sumatra provavelmente seria uma potência hegemônica.


14 Comentários

  1. ahhhh mas eu sempre ganho no war. :)

  2. Sempre jogo War.. Mas só acontecem duas coisas.. ou eu perco do começo ao fim, ou vem um FDP e esbarra em tuudo e mistura os exercitos ¬¬ mas nunca, NUNCA ganhei uma partidinha. :(

  3. Filipe Coronel /

    A melhor parte de uma partida de War, é a reunião da ONU com a tal pizza de R$16,00

  4. eu nunca joguei war :(

    to me sentindo um E.T.

  5. Eu gostava de Banco Imobiliário.

  6. tem gente que fica muito puto com war mesmo, mas normalmente ficam putos com qualquer jogo, até jogando jo ken pô… o engraçado é que todo mundo acha que eu jogo bem por estudar relações internacionais… apanho absurdamente nesse joguinho…

  7. Eu sempre gostei de jogos de tabuleiro, tirando que eu nunca fui muito honesta e não aceitava perder (não passificamente) era até divertido jogar comigo! rs
    Mas eu gostava emsmo era de Detetive e banco imobiliário!

  8. Esqueceu de dizer que sua namorada ficou muito puta com você porque ela tava quase ganhando, até você se aliar com o inimigo!

  9. E uma personagem que viveu a história vem se manifestar… E dizer que ficou puta comigo, hehehe. Peço desculpas em público para a minha ex-namorada =D. Paz!

  10. “Você sempre perde. Sabe por que você sempre perde? Porque sempre tem um puto que sempre ganha…” AIUhsIAUhsiAUshIAHSIAUSIAhsiAush!!!

  11. O bom mesmo é perder, o cara que ganhou fica com todo mundo puto com ele por um tempo, enquanto os que perderam criam uma solidariedade patética, e ficam achando o cara que ganhou o mais maquiavélico e sem coração do quarto! Ou seja, à merce da opinião pública, e provavelmente a pizza dele vem com um têmpero desnecessário.

  12. Glúteos cúbicos são definitivamente o resultado de QUALQUER jogo de tabuleiro. Adorei, abraços.

  13. Eu nunca joguei war…. simplismente porque nunca entendi as regras e sempre me entediei vendo as pessoas jogando. Muito bom o texto :D

  14. Pobre Pedro, tão puritano. O Fernando está certo, não dá pra chegar ao topo jogando limpo. Eu lembro que a primeira vez que eu ganhei eu me aliei a um amigo, o Cyrus, pra acabar com o Gustavo, enquanto convencia o Bruce (irmão mais novo do Cyrus, de 8 anos) a destruir todos os exérictos do Cyrus. No final, sobrou o mais fraco, o Bruce, para eu exterminar, simples assim. Ao término da partida fui comparado a Bismarck, por outros jogadores que queriam me linchar. Eu havia me tornado o puto que sempre ganha, sem coração e sem amigos, no final.

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