Conquistando respeito no trabalho
dez 09

Pesquisa comprova que o respeito conquistado no ambiente corporativo não tem lastro para compras de cerveja
Estou há pouco mais de seis meses no meu atual trabalho e assumo que fico feliz com o respeito que conquistei. Obviamente não me refiro à parte profissional da coisa, esse respeito provavelmente desencarnarei sem saber como é. Na letra fria e fonte Times New Roman da verdade, se eu chegar a algum lugar no futuro, vai ser exclusivamente por simpatia e bom humor. A diferença entre ser um profissional de merda e um respeitado é um grande bolo na meiuca. Fico pendulando nessa área mediana, tal qual uma bolinha de Arkanoid.
Bom, agora que escrevi uma excelente carta de recomendação a futuros empregadores, posso explicar que respeito é esse que foi conquistado. Pegue um Doritos, ou um Chokito, ou um café, ou uma dose de heroína e vamos à história.
Meu amigo estagiário e eu somos aquele tipo de gente que tem uma genialidade tão grande e cristalina que vira motivo de chacota em qualquer lugar decente. Na faculdade, com pessoas da nossa idade, a gente já não é o bastião da respeitabilidade, no trabalho, então, com pessoas mais velhas e maduras, a falta de dignidade é quase tão certa quanto a morte.
Assim que ele entrou, começamos a jogar totó durante a hora de almoço. A rotina passou a ser essa: almoçar e ir para a área de lazer até completar a hora de intervalo. Só que nós não tínhamos habilidade suficiente para jogar na mesa principal com os caras bolados da empresa, então ficávamos no totó pequenininho, chamado carinhosamente de Engenhão ou série B.
E assim foi por semanas. Os caras bacanas transformando um jogo de pebolim na continuação do filme Esporte sangrento (muita agressividade e rivalidade em jogo), e a gente no totó café com leite adquirindo skills, subindo levels no duro RPG que é a vida no ambiente corporativo.
Aos poucos fomos nos enturmando com o pessoal da série A, mas não sem dor, porque não tínhamos know-how suficiente para fazer frente às lendas. Mas um dia a primeira vitória veio, e a gente se mijou nas calças de tanta emoção (claro que sem ninguém ver). Começava o filme adolescente daqueles alunos mongóis que vão ficando amigo dos caras que roubam o lanche dos mais mongóis ainda.
Estávamos subindo no estrato social da empresa, conquistando aquele tipo de respeito que só as pessoas que não nos conhecem bem podem depositar sem desconfiança. Os cumprimentos no corredor começaram, os “vai pro totó mais tarde?” ficaram constantes e a sensação de que éramos cools passou a borrifar na nossa alma. Mais tarde, quando chegamos ao totó, as lendas passaram a falar “ih, chegou a dupla, os caras são bons”. A respeitabilidade alcançou níveis nunca antes atingidos.
Até que um dia, abrimos nossa caixa de e-mail e vimos uma mensagem determinante. Era uma convocação dos caras para o paintball, esporte muito mais viril que totó, uma verdadeira guerrilha misturada com arte. Evoluímos de “frango de leite” para “galo de briga” graças a Deus, o grande Ash Ketchium da história. Ser chamado para participar do paintball era como um certificado de que tínhamos passado para o BOPE da empresa. A gente se abraçou emocionado, pois chegar à tropa de elite era um marco.
A guerra será hoje, o que provavelmente gerará um post falando que todo o respeito conquistado em seis meses foi sublimado em duas horas.
***
Contei essa história para o meu irmão, e ele, com o semblante mais solene que já havia cunhado na vida, me disse:
- Caralho, Pedro, sua vida é patética…




Cara, esse exemplo de vida e ascensão profissional merece virar um livro de auto-ajuda. Sugiro o título: “Como conquistar respeito no trabalho – Trabalhar não tem nada a ver com isso”. E parabéns, o próximo passo é ser convidado a tomar vinho com o diretor!
E esse estagiário deve ser mais patético ainda só pelo fato de ser estagiário.
“A gente se abraçou emocionado, pois chegar à tropa de elite era um marco” – Eu não duvido que essa cena tenha realmente acontecido e exatamente dessa forma.
Excelente livro, Rômulo, vou tentar produzir aqui! E, sim, esse estagiário é muito patético, coitado. Acho que ele faria um favor à humanidade se ficasse em reclusão eterna em casa.
E Zé, não posso afirmar isso nem negar. Bem. Faz parte do show, né?
“Meu amigo estagiário e eu somos aquele tipo de gente que tem uma genialidade tão grande e cristalina que vira motivo de chacota em qualquer lugar decente”
HAHAHAHAHAHA Confesso que é divertido conviver com vocês todo dia.
E lamento te dizer, de novo, que concordo com seu irmão. E o cú de vocês para aceitar o paintball foi a grande prova disso. É, Pedro, sua vida é patética! Mas me diverte todos os dias. hahahaha
Bom demais o texto, Pedro. Como sempre.
Devo confesar que já passei por histórias mais ou menos parecidas, e também patéticas, na época de Canal Futura. Era uma grande dupla! E que conquistou respeito também! Ne?
Grande saudade você, meu irmão!
Beijos
Aquela dupla foi do completo desconhecimento para a alcunha de caras inteligentes que ainda compunham uns funks inesquecíveis. Saudades de você, Sperndio dio dio, sempre!
Meus parabéns! Estou orgulhosa de você e de seu amigo estagiário. Quase cheguei nesse nível no dia em que, por um gol só, não ganho do cara fodarástico da gráfica! E eu sou menina, tá?
Quero estar viva para ver o dia em que você vai ganhar vários chocolates da sua mais nova chefe e diretora. (Eu já ganhei! E não é pq sou menina tá?) rsrs! Tô brincando hein?! Vai que ela lê seu blog….
É amigo. Boa sorte com os hematomas.
Parabéns por alcançar este nível tão renomado! Ficarei na torcida, cara, pra que você possa ser convidado para beber um whisky também!
Agora se empenha pra mandar um head shot. Depois dessa, meu amigo, ou você terá o desprezo infinito ou a glória eterna. Amém.
Hahahaha, Ash e Pikachu (estagiário) do mundo corporativo.
Só uma pergunta: seus coleguinhas sabem que vc tem um blog? xD
hahahahahah, excelente pergunta. Mas não, eles não sabem!
E que continuem sem saber, pelo estagiário. Ser chamado de Pikachu acabaria com a moral de qualquer um. Já sinto pena dele.
Ca La Ro que concordo com seu irmão!!Brincadeirinha!!!
kkkkkkkkkkkk
E eu levando a sério sua respeitabilidade no emprego!!
kkkkkkkkkkkkkkk
Quero bem saber o desfecho dessa história. Tomara que consiga passar do paintball!
Queria ler um depoimento do seu amigo estagiário!
Muito bom o texto, Pedro!
Ps- o tuba é foda.. rsrs