Circuncisões e afins
mai 20
(Eu espero que todos saibam o que acontece numa circuncisão. Se não souberem, eu entendo, uma vez que nem eu sei EXATAMENTE o que fazem. Só sei que deve doer se eu fizer agora e sem anestesia.)
No meu antigo estágio, fiz amizade, que levo até hoje, com uma judia extremamente simpática. Graças a ela, eu reparei que judeus não são mãos-de-vaca, como prega o senso comum, pois se fossem, ela jamais aceitaria receber trezentos e sessenta e poucos paus por mês para trabalhar que nem uma corna mansa. Eu sempre soube que judeuzinhos Little babies eram circuncisos, depois cresciam e participavam de Bar Mitzvahs e jejuavam no dia do perdão. O que não estava no meu hall modesto de conhecimento eram as implicações que circuncisões traziam à vida amorosa do varão sionista. Coisa que o varão católico ou o varão Pedro Staite não vivem.
Em dado dia, saímos todos da Band e fomos beber um chopp malandrinho em um bar das redondezas. A conversa, como haveria de ser, rolava astutamente, super divertida. Das três mulheres da mesa, duas tinham alguma relação com o judaísmo. Uma era a minha amiga do início do texto, e a outra era uma amiga que tem um marido judeu. Bom, se ele é judeu eu não lembro, mas que circuncidaram o garoto, isso sim. Bom, grosso modo, a intimidade com a falta de prepúcio era um elo forte que unia as duas mulheres na nossa mesa.
Assim como em toda conversa de animais, em dado momento enveredamos para sexualidades. Eu sempre fazendo gracinha, falando mal de mim mesmo; outros falando sobre aventuras e afins. Nesse momento, minha amiga judia começa a falar que é muito melhor o homem que passou pela circuncisão.
- Ahhh, é bem melhor sem aquela capinha. (isso lá é maneira de falar??? Capinha???)
Bem, embora estava na mesa, não conversava diretamente com ela. Estava falando sobre coisas sérias com meus amigos (mentira). Só que volta e meia ela reiterava:
- Sem capinha é muito melhor… É mais prazeroso o ato…
Eu já tinha captado a conversa, mas ainda não havia me manifestado, pois estava com vergonha, uma vez que eu havia passado por toda uma vida infantil cunhada nos maiores preceitos da educação católica – aguinha na cabeça e piruzinho intacto.
Aí ela solta outra palavra de especialista:
- Além do mais, sem capinha é mais higiênico também.
- Vem cá, minha querida, vai ficar me chamando de porco assim na cara dura?
Ela esqueceu de reparar que os quatro rapazes da mesa tinham genitálias católicas, agnóticas ou espíritas. Ela falar sobre uma parte delicada de uma pessoa, faz com que as outras pensem nisso imediatamente. E, porra, éramos quatro desfavorecidos pelas circunstâncias históricas religiosas. Ela não precisava bradar aos quatro ventos.
Saí da conversa me achando um merda horrível. É uma pena, porque antes do papo só me achava um merda mesmo. Saí de lá pensando “como poderei fazer para tirar meus excedentes corporais?”;”Será que eu carrego algo genuinamente católico, ou ele é aceitável?”; “preciso comparar com alguém…”… “NÃO! Que mané comparar?”; “Vou perguntar para a próxima peguete qual é a sua religião. Se for judia, estou fora…”.
Estabelecemos conexões valiosas graças a uma parte escrota (haha, escrota?) da anatomia do homem. Ali, naquelas horas, a amizade entre nós cresceu um pouco mais. Era o início da “gangue da capinha”.




Não sou anti-higiênico intencionalmente. Sou um produto da sociedade ocidental.
pedro, querido… desculpaê, mas sua amiga tem razão. sem capinha é melhor mesmo
“gangue da capinha”, eu tive que rir, muito bom!
Discordo de você Layana. Não faz muita diferença, na minha opinião.
Bruno, gosto é uma questão pessoal, né? Pra vc tanto faz, com capinha ou sem capinha… eu prefiro sem capinha ;P
Mas não é nada que se diga “EEEECA! Tem capinha, não quero!”
“aguinha na cabeça e piruzinho intacto” sempre foi meu lema!
Estava lendo o blog inteiro sem parar, mas diante deste post senti a necessidade de comentar.
Em primeiro lugar, a “capinha” se chama prepúcio.
Em segundo lugar, saibam (por favor) meninos, que é MUITO IMPORTANTE erguer o bendito (ou bendita para os leigos que insistirem em chamá-lO de “capinha”) para fazer a higiene do local.
Em terceiro lugar, há uma longuiiíssima discussão sobre se é certo ou errado fazer a tal da circuncisão… Nos EUA e no Canadá há enormes movimentos absolutamente contra a prática que apelidam “carinhosamente” de “mutilação infantil”. (a partir de agora chamarei – apenas na minha cabeça – de “movimento do piruzinho intacto”, gostei =D)
E pra finalizar (e aqui vale ressaltar que eu sou mulher) não acho que faz muita diferença se tem prepúcio ou não. Tanta outra coisa acontecendo na hora H que pelamordedeus, não é uma “capinha” que vai fazer eu me emocionar mais ou menos né…