Corra Mary
16 nov 2011

Chifre de unicórnio

Às vezes as conversas chegam a pontos tão esquisitos que a gente fica sem saber se as pessoas não têm o que falar ou se elas têm em excesso. Duas amigas e eu conversávamos sobre a hipótese de haver um indicativo explícito de que uma pessoa fez sexo (implícito há milhões, desde bom humor repentino até autoconfiança eterna que expira em 5 dias). Dentre o que listamos, elegemos o que seria mais legal: assim que a pessoa consumasse o lesco-lesco, brotaria em seu crânio um chifre de unicórnio. E ele adornaria a cabeça do felizardo por uma semana, com direito a renovações a cada coito antes de findar o prazo de validade.

Imagina que coisa acordar de ressaca no dia seguinte com um chifre na cabeça.

Seria divertido, porque com um chifre de unicórnio, tudo ficaria mais na cara. Os nossos pais dariam sustos na gente, pois reza a lenda que quando o filho transa, os pais voltam à virgindade, mas obviamente não é assim que o leite vira iogurte. Eles fazem, e a gente saberia já no café da manhã. Mais bizarro ainda ia ser quando os nossos avós estivessem na semana do aniversário de casamento (data comumente considerada “o dia nacional da obrigação em mão dupla”). Mas provavelmente os avós não sairiam de casa, nem para almoço familiar, até que o chifre sumisse. Eles sempre querem passar uma mensagem de moral e bons costumes para os mais novos.

Mas do jeito que o ser humano é 50% teatro, provavelmente a gente criaria uma indústria enorme que manipulasse o chifre nas pessoas. Haveria, por exemplo, clínicas clandestinas para extirpar o chifre de adúlteros. Aquele tipo de clínica que ninguém conhece, mas que sempre um amigo pode te indicar. A remoção obviamente não deixaria cicatriz, senão de nada adiantaria.

Na verdade, se a história da humanidade tivesse essa bizarrice, a nossa cultura se encarregaria de tampar os possíveis chifres de todo mundo. Seria uma peça comum do vestuário um elmo pontudo para esconder o que você fez ou deixou de fazer na última semana. Não importa se houvesse algo a esconder, todos usariam por via das dúvidas (só os humanos fingem que não são sexuais). Menos, é claro, quem tivesse feito votos de castidade – inclusive, a forma de mostrar ao mundo a manutenção do voto seria a ausência de apetrechos na cabeça.

Por outro lado, como um espelho, haveria outra indústria igualmente poderosa para fazer justamente o contrário: implantar o chifre. Lojas e mais lojas onde você poderia comprar logo um pack com quatro chifres e passar a impressão mensal de que estivesse funfando como um touro. Ou então um unitário, só para usar em momentos estratégicos. É claro que também teríamos um exército de cirurgiões plásticos habilitados para fazer um implante mais elaborado, que durasse pelo menos um ano. Provavelmente casais num casamento de aparências seriam os maiores clientes de um consultório que fizesse o implante.

Milhares de coisas mudariam. A indústria pornô teria categorias a mais (usem a perversão e a criatividade), o código penal forjaria uns parágrafos a mais sobre crimes passionais (a mulher descobre que foi traída, serra o chifre do marido e enfia nele onde couber – 10 anos de cadeia), os casamentos durariam menos ainda, nasceriam grupos de funk como “Bonde dos chifrudos”… Seria uma existência surreal.

Tô começando a achar que preciso beber menos…

Postado por Pedro | Categorias: Crônicas, Pedro
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Este post tem 6 comentários

  1. Bonde dos chifrudos KKKKKKKKKKKKKKKKKK gargalhei
    muito bom

    Comentário por Guile @ 16/11/11 - 1:00
  2. Um chifre pra cada indivíduo consuma(i)do e ia ter uma porrada de protagonista de Hellraiser andando pela Terra… =P

    Comentário por Leo Coutinhio @ 16/11/11 - 9:24
  3. Muito boooooom!!! hahahahhahahahahahahaha!!! Super me imaginei cometendo o crime passional! kkkkkk

    Comentário por Gabriela @ 16/11/11 - 10:25
  4. ieashuiaehsuihuiase
    E eu achei que era criativa

    Comentário por Thais @ 16/11/11 - 11:48
  5. Sexo oral e masturbação também entram nessa história?

    Comentário por Larissa @ 16/11/11 - 16:01
  6. Realmente, acho que você bebeu um pouquinho demais… Mas adoreeeeeeeei, muito engraçado ! Fiquei aqui imaginando os constrangimentos que nós iriamos passar !!!

    Comentário por Isadora Lobo @ 19/11/11 - 21:58
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