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Archive for the ‘Corra Mary’ Category

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out 01

As amigas do namorado

Toda mulher que já namorou pelo menos uma vez na vida, sabe que um dos maiores problemas são as amigas do namorado.

Acredite leitora, não importa o quão forte seja o seu relacionamento, o quanto vocês se amem, ou a confiança absurda que um tenha no outro, os seus problemas começarão no momento em que ouvir a simples frase:
“Ai, amor, é só minha amiga”


  • A amiga carinhosa

De primeira ela parece mesmo uma amiga, mas há um probleminha que se não for resolvido, poderá virar um problemão: Ela é carinhosa. Muito carinhosa, mas muito mesmo. Ela é realmente carinhosa, e não faz questão de disfarçar.
Ela sentará no colo do seu namorado, o chamará por apelidinhos, ligará para dar boa noite, bom dia, boa tarde, feliz natal, feliz aniversário, feliz finados, e tudo mais que possa parecer um bom motivo para uma ligação. Isso para ela, porque para todo o resto da humanidade, seria altamente desnecessário.
Mandará recadinhos cheios de corações, escreverá no caderno, no braço engessado, no tênis, na mão, e viverá pendurada feito um bicho preguiça no namorado que em teoria é seu.

O que fazer:
De a ela de presente, um cachorro. É ótimo para casos de carência exagerada.

  • A amiga coitada

O tão temido “Ai, amor, é só minha amiga”, será seguido de “coitada”.
Ela teve uma infância difícil, foi estuprada pelo tio/vizinho/cachorro/padre, a mãe morreu de câncer, o pai foi comprar cigarro e nunca mais voltou, a irmã mais velha é prostituta (e nem de luxo é), mora com os avós fanáticos, e estuda de bolsista.
Ela sofre mais do que Maria do Bairro, e sabe quem ela escolheu para se apoiar, dar toda a atenção, carinho, amor e curar seus traumas?
Sim, exatamente ele: O seu namorado!

O que fazer:
Lembre-se sempre: Quem tem pena, toma no cu. Indique a ela um bom psicólogo. Caso a mesma não possa pagar, faça uma vaquinha com as outras namoradas dos “amigos”.

  • A amiga ex

Ex nunca é coisa boa. Se fosse bom, seria atual.
Ela parecerá bem resolvida, dirá que foi passado, que foi namorico de criança (mesmo que os dois já tenham passado dos 20), e manterá o discurso de que eles são pessoas evoluídas, porque “o importante é manter a amizade”, mas não evitará as indiretas de lavagem de roupa suja. E achará que seu namorado tem algum caso extremo de amnésia, fazendo com que ela precise efusivamente relembrar coisas do passado, achando a maior graça em dizer no meio da galera, com você junto:
“Lembra da viagem pra Búzios que a gente quebrou a cama do hotel e fugimos pra sauna antes que o gerente chegasse? Foi tão engraçado, né!?”
(É… Muuuito engraçado!)

O que fazer:
Diga para o seu namorado: “Amor, achei muito legal você ter amizade com a sua ex. Tanto que ontem liguei praquele meu ex que minha mãe adora, de 1,85 de altura, corpo escultural, fluente em 5 línguas, que me deu um anel da Tyffany. Agora nós somos amigos.”

  • A amiga sijoguda

Ela é a super bem resolvida com a sua sexualidade: Gosta de tudo, e pronto. Já pegou metade da torcida do Flamengo, incluindo o mascote, e dirá incansavelmente que sempre preferiu ter amizade com homens, porque segundo a mesma, eles são muito mais “confiáveis” que as mulheres.
O final de semana para ela começa na quarta, e você terá que incorporar Buda, quando ela estiver com vocês.
Ela adora dançar. Ela vai descer até o chão, grudada feito um cachorro no cio, na perna do seu namorado, mesmo que esteja tocando Caetano Veloso, e achará a coisa mais normal do mundo, apoiar a mão na virilha do seu namorado, quando for pedir um gole de canudinho da bebida que ele comprou para você.

O que fazer:
Afogue a bendita na água quente e faça uma canja.

  • A amiga você-merece-coisa-melhor

Antes de mais nada, você precisa saber de duas coisas:
Ela o ama. (como amigos, claaaro)
Ela odeia você.
Ela se dirá muito amiga do seu namorado. Tanto, que para ela, você não é boa o suficiente para ele. A verdade é que ninguém será boa para ele, a não ser ela mesma (mas isso ela não admitirá).
Ela vai te ignorar. Não falará nem na entrada, e nem na saída, mesmo depois daquele abraço apertado que ela vai dar no seu namorado, que aliás está de mão dada com você.
Para ela, o seu namorado é tão lindo, inteligente, bom partido, e merece uma mulher a altura. E mesmo que você seja a cara da Megan Fox, PhD em física, e ostente um “Orleans e Bragança” no nome, essa mulher não é você.

O que fazer:
Nada.
É, simplesmente nada.
Ela não lava as suas calcinhas. Ela não te carregou na barriga por 9 meses. Ela não beija a sua boca. O que ela acha ou deixa de achar, não influencia em muita coisa.
Entre bilhões de outras possibilidades, a mulher que ele escolheu foi você, então quem tem que te achar boa o suficiente, já acha.

  • A amiga que era sua

Ela é aquela amiga que era sua, e que um belo dia você vê nas chamadas recebidas e/ou discadas do celular do seu namorado.
Ela começa a ligar para ele, conversar demais no MSN, e quando você for visitar a sua tia-avó doente em Petrolina, eles sairão para tomar um inofensivo chopp sábado à noite.

O que fazer:
De todos os tipos, é o mais delicado. Você não quer perder nem a amizade, e nem o namorado, mas sabe que os dois nunca deveriam ter esquecido que a relação dos dois só é ligada por você.
E quando não existe mais o “você” interligando as duas relações, é porque algo desandou.
Ele tem os amigos dele, e mesmo sendo importante ter uma boa relação com as suas amigas, as amigas ainda são suas.

P.s.: Levo em consideração que ele tenha amigos, até porque, quem namoraria uma pessoa tão problemática a ponto de não conseguir fazer amigos?


  • A amiga amiga

Essa é a amiga que vai estar louca para te conhecer. Afinal de contas, se ela gosta tanto do seu namorado, vai adorar conhecer a pessoa que ele escolheu para estar ao lado dele.
Ela agirá com ele, da mesma forma que os amigos homens agem, e não passará dos dois beijinhos na hora de se despedir.
Por maior que seja a intimidade que eles tenham, ela pensará duas vezes antes de falar ou fazer qualquer coisa que possa criar um clima ruim, porque ela se preocupa com ele, e sabendo que ele está feliz com você, ela detestaria saber que uma situação foi criada por culpa dela.

O que fazer:
Você acaba de ganhar uma amiga.

Corra Mary

ago 22

Sobre a saída de Fulana e Helô

Achei que deveria fazer esse post explicando o porque das minhas duas amigas não estarem mais escrevendo aqui.
No começo do blog, chamei três amigos para escrever. Primeiro foi o Pedro, amigo antigo, uma inspiração para mim. Adorei quando ele aceitou, era mesmo a minha primeira opção. Sou fã dos seus textos há uns bons anos.
Logo depois a Helô me mandou um texto dela por e-mail. Adorei. Ela tinha a ironia necessária, e mandava bem na escrita. Com esse único texto, chamei-a para o blog.
Logo após, chamei outra amiga que eu sabia que tinha sagacidade suficiente para completar o grupo. A Fulana.
Fulana foi a que menos escreveu, mas posso garantir que criatividade e genialidade não faltam naquela cabecinha. Mas quando entrou, estava em época de mudança, o que prejudicava bastante sua concentração e seu tempo.

Sei que elas curtiram bastante o tempo que passaram escrevendo aqui. A gente ria dos comentários, contava o que havia por trás de cada texto, bolava idéias, e enfim, realmente gostava do blog, mas elas estão com o tempo muito curto agora.
Helô está estudando bastante, Fulana mudou de cidade, e agora, no momento atual, ficarão fora do blog.

As portas estão abertas para qualquer uma das duas, quando as coisas acalmarem. E espero de coração que elas voltem. Além de minhas amigas, são escritoras geniais.

Sendo assim, por enquanto ficará eu e o Pedro no blog somente.
Se alguém vai entrar, se as meninas vão voltar, ou se não, só Deus sabe…
Eu e Pedro estamos conversando bastante sobre isso, e há a possibilidade de outras pessoas entrarem, mas não queremos nos precipitar por agora. Funcionamos bem em dupla, e se for para alguém entrar no blog, será para acrescentar, nunca para diminuir. Sendo assim, ainda é uma idéia a ser pensada e discutida.

P.s.: Sei que estou sumida também, mas é temporário.

Corra Mary

jul 23

O formulário

- Oi, bom dia… Aliás, boa tarde. Já passou do meio dia.
- Boa tarde.
- Eu vim aqui pra falar com o Sr. Bittencourt
- Ele te espera?
- Sim.
- Um segundo…

–

- Alô, Sr. Bittencourt? Tem um jovem na portaria que… Ah, sim. Mando subir? Ok.

–

- O Sr. Bittencourt liberou a sua entrada.
- O elevador é por onde?
- O Senhor preencheu o formulário?
- Que formulário?
- O de subir o elevador.
- Não.
- Então não pode subir.
- Mas você acabou de dizer que o Sr. Bittencourt liberou a minha entrada.
- Meu jovem, eu só cumpro ordens.
- Olha, eu só vim falar com o Sr. Bittencourt!
- Pra isso também tem que preencher um formulário, mas aí já é com a secretária dele.
- …
- …
- Não vamos a lugar nenhum assim.
- O senhor é quem não vai a lugar nenhum.
- Você venceu. Onde arrumo esse formulário?
- Ao lado da samambaia ali. O senhor pode se sentar nas cadeiras vermelhas enquanto preenche.
- Obrigada.

–

- Psiuuu… Eu disse nas cadeiras vermelhas.
- É onde estou.
- Não, não. Essa é laranja. As cadeiras laranjas são para deficientes físicos. As azuis para idosos. As amarelas para gestantes. E as verdes para desempregados a mais de dois anos.
- Mas não há nenhum deficiente físico aqui.
- Imagina se chega um e vê o senhor sentado na cadeira dele. Onde ele vai sentar? No chão?

–

- Ei, moça…
- Já terminou de preencher o formulário?
- Não, não. É que me ocorreu uma dúvida.
- Do formulário?
- Não. Sobre o que você acabou de dizer. Daquele lance das cadeiras… E as cores.. enfim.
- Hm
- E se por acaso aparece uma deficiente física, gestante, idosa e que nunca trabalhou na vida?
- Impossível. Já viu uma grávida com mais de 40 anos de idade?
- Mas é um caso hipotético. Um exemplo.
- Nós não trabalhamos com exemplos. Isso só na outra filial. Se o senhor quiser, só precisa preencher esses formulários aqui que encaminho…
- Não, não. Obrigada. Já estou terminando esse aqui.

–

- Opa. Acabei. Aqui está meu formulário.
- Ah, sim. Pode subir. Primeira à esquerda.

–

- Oi. Licença de novo. A senhora disse primeira à esquerda, mas eu não achei os elevadores.
- É porque eles são para a direita.
- Então porque você me mandou para a esquerda?
- É onde ficam as escadas.
- O escritório do Sr. Bittencourt fica no 26 andar.
- Eu sei.
- E porque você acha que eu subiria pelas escadas e não pelo elevador?
- Porque o senhor preencheu o formulário das escadas, e não o do elevador.
- Mas isso é ridículo.
- Meu rapaz, aqui não há nada de ridículo. Somos muito simples. Priorizamos a organização e nosso método tem se mostrado muito eficaz no controle das pessoas que entram, das que saem e das que apenas perambulam pelos corredores da empresa fingindo para as esposas que trabalham.
- Mas eu nem trabalho aqui. Eu só quero falar com o Sr. Bittencourt.
- É a primeira vez do senhor aqui?
- Sim!
- Ah, então eu preciso fazer um cadastro do senhor. Olha aqui pra webcam.
- Isso é mesmo necessário?
- Se o senhor quiser, pode só deixar seu e-mail.
- Meu e-mail?
- Isso mesmo. Para receber as nossas informações.
- Que tipo de informação?
- Ah, o senhor sabe… Aquelas que vão sempre direto pra lixeira automática e os cartões virtuais de aniversário e Natal.
- Então tudo bem. Eu fiz um e-mail no Gmail esses dias que quase não uso.
- Ah, perdão. Eu me esqueci de avisar. Só aceitamos e-mails da empresa.
- Mas eu não tenho um e-mail da empresa.
- O senhor gostaria de fazer? Máximo de 13 caracteres, mínimo de três. Precisa conter pelo menos uma letra, e um número.
- Não, não. Obrigada. Que mal lhe pergunte, essa empresa é de que?
- O senhor não sabe?
- Não.
- Fabricação de formulários.

Corra Mary

jun 25

Os homens da minha vida – Parte 1

Um fato curioso em se estar solteira, é que as pessoas falam com você como se estivessem morrendo de pena:
- Você namora?
- Não. Solteira.
- Ah, não se preocupa. Qualquer dia você acha alguém.

Oi? A pessoa por estar solteira, necessariamente TEM que estar desesperada por alguém?
E logo então vem aquela pergunta que nenhum solteiro mais agüenta ouvir:
- Solteira? Mas por quê?
Juro que em quatro anos de solteirice, eu ainda não aprendi a responder essa pergunta. Vario bastante na resposta. Às vezes digo “porque eu quero” ou “porque ainda não é a hora” ou quando o saco já se foi, um sorrisinho responde tudo.

Depois da 77829179 pergunta, comecei a pensar se haveria algum porque, e vi um certo padrão em relação aos homens da minha vida, a cada homem que eu me envolvia, focava no que mais me incomodava para achar o próximo, não me importando com o pacote que viria junto. O que me fez chegar há apenas uma conclusão: Não há conclusão nenhuma para se chegar.

Os homens da minha vida:

1)    O primeiro
“Ex-namorado é que nem vestido velho: Você olha depois e diz: Como eu pude sair com isso?”
Esse ditado fez muito mais sentido depois do “primeiro”.
O “primeiro” foi a iniciação para tudo o que veio depois. Chega até a ser emocionante relembrar tudo o que ele me proporcionou primeiro do que qualquer outro que se seguiu (que depois fatalmente fizeram um ótimo trabalho em propagar seu invejável trabalho):
A primeira mentira
O primeiro chifre
O primeiro choro
A primeira briga…
Dizem que a primeira transa é inesquecível, mas na verdade o que é inesquecível mesmo é a primeira decepção.

Decidi então que eu queria alguém mais maduro.

2)    O mais velho
Ele era oito anos mais velho do que eu, morava sozinho, tinha carro, trabalhava e adorava me ensinar física quando a semana de provas da escola se aproximava. Sua mãe me odiava, mas como eu não a namorava, estava cagando. Pena que ele era igual comigo, exceto pelo fato de que sim, ele me namorava.
Era um namoro totalmente morno. Um não morreria pelo outro, e era perceptível que eu não passava de um enorme travesseiro fofo que consolava as mentirosas tristezas de seu passado.
Um dia cansei de tanto drama mexicano e acabei sem a menor tristeza.

Decidi então que queria mais paixão.

3)    O apaixonado
Minha mãe diz que meu Santo Antônio é meio desregulado. Eu digo que é completamente.
Quando eu pedi “mais paixão”, obviamente pedia para os dois lados.
Sabe aquela coisa bonita em que a gente vê em filme? O casal que se esbarra no mercado e se descobrem loucamente apaixonados? O menino que ama a menina secretamente e quando se declara, descobre um enorme amor por parte dela também? O casal de velhinhos juntos há 50 anos e ainda se amando?
Pois é, filha, isso só existe em filme mesmo. Na vida real o casal se casa por culpa de uma gravidez precoce, se separam depois de 6 meses, e ela descobre que contraiu hpv.
“O apaixonado” era um cara que parecia ter saído de um desses filmes da sessão da tarde (tirando aqueles em que os animais falam. Por Deus, esses não!). Eram abraços demais, beijos demais, declarações demais, nhenhenhes demais. Tanta coisa que comecei a adquirir uma certa fobia dele. Ele vinha com aqueles braços enormes me prender só pra ele, e eu me concentrava no meu mantra secreto: “calma que daqui a pouco tudo isso vai acabar e você estará em casa assistindo televisão”.
Aprendi então que quando assistir televisão em casa é melhor do que estar com um cara, já passou a hora de terminar esse relacionamento.

Decidi então que queria alguém com mais amor próprio

4) O bonito
O que não faltava nesse era amor próprio. Na verdade seu amor era tão próprio, mas tão próprio, que não havia lugar para mim naquela relação. Todo o amor girava em torno dele, e ele mesmo.
Para alguém que era tão perfeito, era difícil aceitar que os outros podiam ter defeitos. Ele me fazia sentir feia, velha, gorda e burra, e antes que me sentisse pior, mandei-o tomar no meio de sua linda bunda, e depois me senti melhor do que qualquer experiência que eu tenha vivido com ele.

Decidi então que eu queria alguém que me tratasse bem.

5) O namorando
O “namorando” é aquele tipo irresistível. Sabe que tem uma enorme desvantagem por ser “namorando” e por isso usa todo o charme e lábia que puder.
Sempre tratando a mocinha como uma princesa. Afinal, é o mínimo que pode oferecer a alguém que não terá espaço algum em sua vida.
Para mim era perfeito. Alguém que quando eu quisesse, estaria lá para me dar toda a atenção do mundo (por aquela noite, é claro.), não me importaria com as suas mentiras, e nem ele com os meus perdidos, e seríamos felizes para sempre até ele ter que atender o celular.
Tivemos uma ótima relação, onde fingíamos ter alguma relação, até que um dia eles acabaram.
Pareceu bem claro o que eu devia fazer, quando me peguei numa discussão com ele em que eu dizia: “Vocês não podem ter acabado!”

Decidi então que eu queria alguém com perspectiva

6) O não-dá-mais
Mesmo que não houvesse perspectiva alguma, eu criaria. Eu estava apaixonada. Daquele tipo em que você passa a ter 13 anos de novo e se pega escrevendo suas iniciais dentro de enormes corações em todas as folhas do caderno durante uma aula chata. Eu tinha certeza de que havia achado o cara certo, ele é que ainda não tinha a mesma certeza, e isso ficou claro quando num belo dia chegou na minha casa, sentou na minha cadeira, fumou do meu cigarro, e então se virou e disse: “Não dá mais”.

[continua...]

Corra Mary

jun 17

Parei de fumar

Ou pelo menos é o que estou tentando fazer.
Lembro que comecei com o cigarro numa propícia viagem a Guapi há três anos. Muita caipirinha, piscina e amigos. Por que não adquirir um vício novo?

Meu primeiro cigarro fumado inteiro foi um Marlboro (marca que mais tarde virou minha preferência), mas logo após o primeiro, entrei de cabeça nos mentolados, que devo admitir, são deliciosamente malignos. Sentia-me fumando uma Halls preta, com aquele lindo e fino cigarro preto entre os dedos. Eu era um luxo de se ver, um lixo de se cheirar.

Já fazem 24 horas que não boto um cigarro na boca. O que para os não fumantes deve soar como piada, para os fumantes soa como tortura medieval.
Vivi 18 anos sem saber o que era uma deliciosa tragada de Marlboro light, mas depois de descobrir essa iguaria da nicotina, como, COMO ficar sem meu cigarrinho logo após aquela refeição caprichada?
Hoje depois do almoço, tive a árdua missão de resistir ao cigarrinho pós-almoço. Bolei um plano infalível:
Como, e durmo.
Parecia que não tinha como dar errado. Afinal, eu estaria dormindo e sem sentir meu corpo desejando os 4 Carltonzinhos que estão na gaveta para uma possível “emergência”.

Enquanto dormia parecia o plano perfeito, mas não me toquei de que uma hora, obviamente eu iria acordar. E devo admitir que meu corpo não estava nem um pouco feliz.
Recomendaram chupar balinhas ou mascar chiclete cada vez que eu quisesse um cigarro.
Mas a vontade de parar com o cigarro foi justamente a do dinheiro gasto com um vício tão desnecessário.
Não estou disposta a largar um vício, e entrar de cabeça em outro. Sendo assim, balinhas e chicletes não me são a solução.

Recomendaram também tomar água sempre que a vontade aparecer. Ok, isso não faz o menor sentido e sinceramente não está ajudando em nada.
Essas soluções da “psicologia moderna” só devem funcionar em drogados já altamente viciados e sem um pingo de sanidade para conseguirem perceber o quão sem sentido isso é. Certas horas a loucura pode até ajudar.

Espero de verdade conseguir parar. Já viram como os maços estão cada dia mais caros? Alguém finalmente ouviu minhas preces e resolveu colocar os bons cigarros (se é que isso existe) a preços absurdos, enquanto o “ministério da saúde” continua insistindo em fotinhos de pulmão de argila atrás dos maços.
Alguém fazendo o favor, avisa logo que entre a possível falta de saúde e falta de dinheiro não há como discutir qual das duas é mais eficaz.

Corra Mary

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