Archive for the 'Pedro' Category

Pedro

- Mas esse ônibus que não passa hein? Eu não agüento mais esperar.

-Cara, eu faria tudo pra passar um ônibus agora…

- Tudo? Até favores sexuais desagradáveis?

- Nããão… Isso não… Quando eu falo que eu faria “tudo”, você tem que pôr o bom senso pra funcionar e sacar que não é realmente tudo. Cometeria pequenos delitos ou passaria por pequenas privações… Sei lá! Coisa pequena…

- Como assim?

- Tipo… Se Deus aparecesse agora e falasse: “meu filho, eu troco a sua espera pelo ônibus por uma crise de soluços”, eu iria pra casa tranqüilamente soluçando no ônibus. Eu odeio soluçar, mas eu odeio mais ainda esperar um ônibus às 4 e meia da manhã… Entendeu?

- Mas você cometeria até delitos?

- Pequenos delitos… Sei lá… Deixa eu ver… Cuspir pela janela do ônibus na cara de alguém… Usar dinheiro falso… Matar três chineses…

- É um pequeno delito matar três chineses??

- Tem tanto chinês no mundo… Três não vão fazer falta. Se Deus aparecesse e falasse: “Meu filho, troco a sua espera pelo ônibus pela morte repentina de três chineses à sua escolha”, eu aceitaria na hora… Ainda deixaria Deus escolher os três coitados, não tenho raiva de nenhum chinês especificamente. Eu não gosto muito daquele sovina metido a malandrote daquela pastelaria perto de casa… Mas eu não sei se ele é realmente chinês, não mataria o cara à toa.

- Mas você não teria pena não? Chinês tem mais de um bilhão no mundo, mas são gente como nós! Têm carne, osso, sentimentos… Se ainda fosse um norte-coreano, tudo bem, mas chineses têm vida, vai… Imagina a tragédia que você iria cometer…

- Não exagera rapaz. Você sabe como é absurdo lá… Aqui uma enchente mata 4 pessoas… Lá uma garoa mata 5 mil. Aqui cai um avião e o país pára. Lá um terremoto mata 100 mil pessoas e o país continua pomposo, crescendo 10% ao ano. O peso é diferente… Eu matando 3 pessoas, acho que eles nem perceberiam… Aqui daria merda.

- A China fica pra onde?

- Hummm… A praia de Copacabana está pra lá, logo, a África deve ser pra ali… Hummm… Bem, a China, indo pelo pacífico, é aqui atrás eu acho.

Eles viram pra trás…

- É pra cá? Que coisa, né? Se eu ligasse aquele laserzinho vermelho, só que super potente nessa direção, eu poderia cegar um chinês daqui a um segundo!!!

- Pois é, o mundo não é ta grande assim, vai…

Depois de 3 minutos virados para trás, passa o ônibus desgovernado voando pra calçada…

VRUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUMMMM!!

Os dois são esmagados pelo ônibus que estavam esperando…

E, no mesmo momento, em algum lugar na China…

- jingo lingo nakamura okanoka…

(Mataria dois brasileiros pro ônibus passar logo…)

- Chang jong sei mei lin!!!

(Ahh, cara, eu também!!!)

Pedro

Em um tranqüilo dia, Juca estava vendo o jornal da tarde, quando uma notícia o deixou atônito, incrédulo, embasbacado. Counter Strike estaria proibido a partir daquele dia por incitar a violência nos cérebros em construção dos jovens. O jogo seria retirado das lojas e as Lan Houses não poderiam conter o jogo em seu catálogo. Quando ele ouviu aquilo, seu copo de Nescau pós-almoço deslizou de suas mãos sem ação e caiu no chão, fazendo com que todo conteúdo fosse projetado para o alto, daquele jeito inconveniente e fisicamente alucinante que só os copos cheios que caem perpendicularmente ao solo sabem fazer.

- O que vai ser de JucaDemon93?

Foi a pergunta mais profunda que Juca se vez em 15 anos.

- O que vai ser do clã DemonStrike?

Foi a segunda pergunta mais profunda, cinco segundos após a primeira.

- Então masturbação é isso?

Foi a terceira pergunta mais profunda. Mas essa foi há uns 4 anos atrás, posta aqui somente para título de curiosidade.

Juca chorou. Entrou no Msn e falou com JôDarkLight, BibinhoAlucard94, LuluAngelModel e ClozinhaGossipGirl, seus melhores amigos. Os cinco resolveram passar na Lan-House para ver se a notícia era verdade. Afinal de contas, como jornalista é tudo prostituto e mentiroso, vai que esse tormento não passava de balela?

Chegando ao local marcado, Robson tonelada, o cara que ficava na bancada controlando o sistema da casa de computadores, já demonstrava, com o semblante da mais pura tristeza, que o jornalista prostituto e mentiroso falara a verdade. Nada de Counter-Strike. A partir de agora somente Puzzles nas Lan Houses. Agora só teria Tetris, Doctor Mario, Columns e os tetris da Sailor Moon e dos Tundercats.

A entrada da Lan House estava tomada por garotos espinhosos, mocinhas com dentinhos lindos, porém acavalados, e gordinhos melequentos fazendo piquete. Alguns deles já empinavam placas com os dizeres: “Queremos Head Shot” e “Faquinha no Presidente”. Seria um fato muito curioso se fosse isolado, contudo, a gravidade do problema era muito maior do que o esperado.

Simplesmente todas as Lan Houses aderiram à manifestação, tirando as Lan Houses institucionais, que eram as usadas pelos filhos “dusverme” de Brasília. Nessas o jogo mais famoso era o “Contiendo los terroristas”, que era uma espécie de Counter Strike em que você é um militar brasileiro matando venezuelano de boina vermelha na fronteira Brasil/Venezuela em plena Amazônia. Esses jogos entocados do governo eram uma loucura!

Os clãs, assim como as famílias tradicionais do Nordeste nos séculos passados, se odiavam assustadoramente. Mas diante dessa gravidade, não houve escolha: união.

Acabou que o governo arranjou briga com as pessoas erradas. Se a gente deduzir que no Brasil devem existir umas 10 mil Lan Houses, e, em média, cada uma tem umas 50 pessoas fiéis, vai um zero, passa o cinco, pronto, 500 mil nerds em ação conjunta. Como a maioria dos nerds tem inteligência acima do normal, podemos considerar esse grupo formado como uma potência demasiadamente relevante.

Pouco a pouco os nerds criaram uma intrincada rede de influência (que eu nem ouso a detalhar) e passaram a ter um poder de locomoção e tele-transporte fora do comum. Eles estavam em TODOS os lugares.

Até que no dia 7 de setembro, o dia fatídico, o dia do desfile das forças armadas, a história começou de verdade. Membros da Mão Negra (o clã dos clãs) se esconderam em prédios da redondeza e ficaram de tocaia para quando o carro do presidente passasse. Juca, nesse momento, um alto graduado no clã, recebera a Sniper que daria o desfecho na estratégia.

Juca mirou e esperou o tempo certo. Na hora da saraivada alegórica de tiros do exército…

Pápápápápápápápá!!! Pápápá!

… Houve despercebido o tiro de Juca

PÁ!

Head Shot no Presidente da república.

Resumindo, em nove meses, os nerds se rebelaram, armaram todos os planos possíveis e deletaram o presidente da vida pública do país (aliás, não só da pública, mas de qualquer uma). Uma semana depois, Hugo Chávez dava um golpe de estado e assumia o controle do Brasil.

É por isso que eu digo… Não mexam com nerds, eles são muito…muito perigosos…

Pedro (um nerd)

Pedro

Doralina Fernandez de Albuquerque era casada com Josival Albuquerque, um magnata do ramo dos laticínios. Josival fez muito dinheiro em cima de sua mais rentável invenção: “Foffy cheese”, uma espécie de polenguinho com aromas especiais como cebola e salsa, frango à passarinho, macarrão à balonhesa entre outros. Era um estouro entre a criançada. Dora achava as idéias do marido um pouco femininas demais, mas nunca foi capaz de contestá-lo, afinal, foffy cheese era a razão do luxo dos Albuquerque.

Depois que Frederico, o segundo filho, nasceu, a cabeça de Josival entrou em parafuso. Começou a ficar frio e distante, já não beijava a mulher com aquele velho ímpeto dos adolescentes, era grosseiro com a família… Estava infeliz. Foi quando ele percebeu que, na verdade, amava homens. Josival deixou um pequeno recado em cima da mesa e nunca mais apareceu:

“Querida Dora. A chama apagou. A culpa não é sua, meu amor. Preciso de mais do que você pode me oferecer. Vou embora com Renato, meu sócio… Espero que você se recupere.

Obs.: Não se preocupe, vou pagar a pensão direitinho…”

Dora pensou em se matar, mas depois pensou nas crianças, elas só tinham a mãe no mundo agora. A amarga mulher se comprometeu a criar os filhos numa ditadura total, para não haver um “desvio de rumo” que a falta de uma figura paterna poderia ocasionar nas crianças. A partir daquele dia, Dorinha criou uma tabela de regras rígidas:

- Nada de priminhas com as suas barbies contaminadas por perto.

- Nada de Discovery kids.

- Nada de desenho do Bob esponja ou afins.

- E nada que pudesse sugerir qualquer coisa que Dora achasse no mínimo maculador.

Frederico e Rogério cresceram héteros, só que humanistas e prafrentex. Também pudera, com anos de repressão da coronéia Dora, os dois começariam a questionar a hierarquia uma hora ou outra. É aquela coisa, os filhos sempre vão ser diferentes dos pais, não adianta. Os dois viviam discutindo com a mãe, falando que ela era muito homofóbica, e que todos deveriam ter direitos iguais e tal e coisa e coisa tal. Dora achava muito estranho, mas não falava nada, afinal, os filhos foram criados com total rigidez e sem espaço para “desvios” (Isso é uma história, ok? “Desvios” sempre com aspas).

Até que um dia Frederico e Rogério estavam conversando sobre suas namoradinhas…

- Fui lá na casa da Lalá ontem, cara…

- E aí? Rolou? Bimbou? Funfou?

- Nããão… Ela só pegou no meu pênis…

- Cara, eu não sei por que, mas eu odeio falar “pênis”, sabia? É tão… pouco sexual, tão ultrapassado… Acho que até D Pedro I deveria achar “pênis” brega…

- Porra, você prefere “piru”?

Nesse momento, Dora, a ditadora, passa pela porta do quarto, e não consegue deixar de ouvir a conversa…

- É, eu prefiro piru…

-Ah, não sei… Eu gosto de pênis…

E no dia seguinte, há 519 km dali, o ex-marido Josival lê uma nota no jornal:

“Mulher desesperada se joga do 15º andar.

“Doralina Fernandez deixou um recado dizendo que desgostos familiares seria a razão de seu suicídio.”

Pedro

Pedro

Em dado momento de 2005, estava eu em uma festinha na Lagoa. A casa estava permeada de biricoticos gostosinhos, parceiragens descoladas e menininhas sensuais. No meio de tudo isso estava eu, com uma menininha não tão sensual, mais ainda assim com certa beleza interior e exterior, bebinho com os amigos e me sentindo o rei do mundo.
Depois de tanto beber, meu estômago se tornou uma espécie de casa de suingue alcoólica que fervia a valer. Meu affair, coitada, sentada no meu colo, pressionava de certa forma a minha barriga com seu dorso, e eu já pensando no pior: vou vomitar na nuca dela se não agir a tempo… Levantei tropeçando até nas formigas e fui ao banheiro para negociar com a privada a limpeza da orgia no meu estômago.
Passei mal, mas com iniciativa própria, algo típico dos fortes.
Levantei e comecei a conversar com o espelho, coisa que toda pessoa faz nas 317 vezes em que vai mijar numa festa.
- Fudeu. Estou todo poluído por dentro e ela vai reparar imediatamente, o que eu faço!? Já sei! Vou escovar os dentes com essa escova… Bom, não sei de quem é, mas com certeza ela está mais limpa do que eu.
- Humm… E se a escova for dela?
- For dela é quase um cacófato… Bem, eu bochecho antes de usar, ninguém vai perceber.
Depois de conversar comigo mesmo, escovei os dentes, dei descarga e saí prontíssimo para outra. Fui tomar uma coca para disfarçar o gosto da pasta de dente que foi usada para disfarçar o gosto do leque de bebidas que eu expeli. De qualquer forma, no final deu tudo certo!
Só contei essa história para mostrar que o banheiro é o cômodo mais especial da casa e é o que mexe com mais energias e anseios do homem, sejam eles os mais primitivos ou os mais derivados. Ele é tão importante que merecia um livro tipo “Feng Chui só para toaletes”.
É só reparar que nunca entramos no banheiro à toa. Sempre há um propósito que nos transformará em pessoas diferentes das que entraram. É como se fosse uma sala da transformação: saímos do banheiro mais limpos, ou mais aliviados, ou mais frescos, ou mais cheirosos. É um lugar que cria cumplicidade com seus ocupantes. Ele, no mínimo, te vê pelado, ou em posições super constrangedoras pelo menos uma vez por dia. Tem gente que tem tanta cumplicidade com o próprio banheiro, que nem defecar fora de casa consegue. É um misto de serenidade, aconchego e costume que só o próprio lar pode oferecer, a tal ponto que há praticamente um contrato não-verbal entre ânus e privada. Grosso modo, fazer fora de casa é como trair a própria bunda.
Clichês a parte, eu só tenho a agradecer a quem inventou esse cômodo, embora seja apenas lembrado nas horas difíceis e preterido ao longo das décadas.

Pedro

Pedro

Skills

Eu tenho uma amiga chamada R, que mora no bairro R e que encontrou em seu estágio na TV B, um lindo rapaz chamado J (é que ela pediu para não ser identificada, uma vez que ela acabou de começar a namorar o H). Sempre quando R falava de J, seus olhinhos brilhavam, suas sobrancelhas arqueavam e sua voz cantarolava. Aliás, eu acho que a R nunca falou o nome de J sem cantar. Aquela coisa tipo “aaaai aaai, meu herói”, tal quais as figurantes gostosíssimas de A Bela e a Fera morrendo de amores pelo Gastão.

- Pedro, no mundo tem os horríveis, os feios, os mais ou menos, os bonitinhos, os lindos, os maravilhosos como você (mentira, essa parte eu inventei) e acima de todo mundo está o J caminhando pelo Edem da beleza com um cetro na mão.

Eu comecei a calcular. Primeiro porque tem aquela premissa básica de que se a pessoa é linda demais, só pode ser chata, burra ou ambas. Segundo porque Deus não deixaria alguém assim existir porque a criação da vida nada mais é do que um jogo de RPG em que há um número padrão de skills para serem distribuídos. Tipo no The Sims.

- Aaai, ele é bronzeado, acabou de voltar de um intercâmbio na França e mora no Leblon.

- Uau, o cara é demais! (Mordendo de inveja algum pedaço da minha alma).

Mas ainda assim, não acredito que ele seja o rei do balacobaco. Acho que J só gastou todos os seus Skills em características mais flagrantes e se esqueceu de pôr nas mais recônditas. R diz que ele é lindo, bronzeado, simpático e inteligente. Pois bem, mas deve ter problemas nas glândulas sudoríparas… É fato!

Ele deve ter algum problema psicológico, sei lá, deve sonhar todo dia com um homem usando roupa de banana batendo nele com uma vara de marmelo. Ou então sonha em ser do N’sync, ou então já fez um filme pornô com anões. Se ele não tiver nada disso, então eu tenho pena dele. Porque só sobrou para sua genitália, que deve ser azul turquesa com verrugas amarelas.

No fundo, eu imagino que ele deva ser uma espécie de Palace II entre os homens– Perfeito por fora, mas com tantos probleminhas estruturais que deve estar todo estragado, coitado.

E eu sou um invejoso de merda.

Pedro