Corra Mary
13 nov 2009

Fim de Semana Drunk Love – Parte III

Em oito a cada dez textos meus no blog, eu faço alguma menção à cerveja em particular e ao álcool em geral. A tulipa e a garrafa sempre aparecem em algum momento, sejam como personagens principais ou como figurantes: apenas um gole, rapidamente, só para pontuar uma questão. Mas eu não sou um bêbado convicto, não subo na mesa, não vomito no meu pé, não mostro a bunda e nunca acordei nu sem saber por que dormi nu. Para mim, cerveja, a musa master, é excelente até te dar o primeiro soluço, depois uma água está de ótimo tamanho. A foda é beber cerveja boa – ela nunca te dá soluço, aí você bebe para sempre.

Pus esse parágrafo para aliviar minha consciência. São três posts seguidos sobre álcool, amizade e amor. Os três fazem bem e começam com a letra A, olha que fofo. Mas só o álcool e o amor também podem te matar. Pior: só o álcool te causa desarranjos intestinais. Ou seja, numa hierarquia cabalística, manejamos da seguinte forma: amizade em primeiro, amor depois e álcool por último.

De qualquer forma, a primeira bebida que eu pus na boca, no agradável sábado, foi justamente um chope. Mas esse foi em homenagem aos 15 anos de casamento da minha mãe e do meu padrasto. Quando o matrimônio, num mundo desgraçado como esse, perdura até as bodas de cristal, um chope é o mínimo que eu deveria beber para homenagear. Nunca vou esquecer quando Alicio, que já foi “tio Alicio” quando só dava uns pegas escondidos na minha mãe há 15 anos, começou a morar com a gente. Na primeira noite, ele brincou comigo e com o meu irmão (duas porrinhas de oito e dez anos) até a meia-noite, e falou cheio de alegria: “amanhã, vamos brincar assim que vocês acordarem!”. Levantamos às seis e pulamos nele… Ele alegou uma dor no rim… Como eu não sabia direito o que era rim, voltei desolado para o meu quarto. O puto tinha conquistado a gente e arranjado uma dor no rim!

Enfim, depois dessa comemoração, fui encontrar Thiago, meu parceiro de aventuras, e mais dois amigos. Fomos fazer aquilo que deixou os últimos dois posts fedendo a álcool: beber e beber. E assim foi, num boteco que cobra couvert às vezes (logo, às vezes é bom não ir), até as 4 da manhã engolindo malte, lúpulo e cevada sem o menor discernimento.

Domingo eu fui à missa, fiz a confissão e pensei coisas boas. Fim.

Mentira, eu acordei já notando que o apodrecimento corporal estava próximo, mas não poderia findar meus bons dias com marasmo e desarranjos – a gente deixa isso para segunda-feira. Fomos para um churrasco na puta que o pariu, ou seja, Barra da Tijuca, um dos poucos lugares – juntamente com o Polo Norte, a Terra do Fogo e Campo Grande – longe de absolutamente tudo.

A pior coisa da Barra é a quantidade inescrupulosa de condomínios-bairros-fechados. O churrasco ficava dentro de um – o Nova Ipanema. Entrando lá, eu fiquei com a impressão de que a criança que nasce num lugar como aquele, não desenvolve absolutamente nenhuma resistência ao mundo de verdade: se comer um camarão, se esvairá em merda; se pisar na areia, vai ter uma micose bizarra, bicho geográfico etc; se pegar uma menininha sem sangue nobre, vai se encher de DST … É uma pena como se criam pessoas pasteurizadas nesse mundo. Para entrar, eu precisei mostrar identidade e pegar um crachá escrito “visitante”, que eu orgulhosamente deixei no pescoço, para mostrar que eu não sou desse mundo polido e altivo. Por último, era só tirar uma foto… Entrar na festa foi tão burocrático que eu pensei que ficaria estagnado para sempre no espaço cósmico entre o mundo real e o churrasco.

Estabelecido na solenidade, causo um espanto nos meus amigos só porque eu peguei um guaraná. Nesses momentos você repara que está entrando na pecha de bebum. Outra pecha que eu conquistei até o final do churrasco foi a de homossexual. Dona Filomena, a mãe do aniversariante, perguntou para seu rebento se “aqueles dois meninos eram gays”, sabe Deus por que ela ficou encafifada com isso, mas enfim. De qualquer forma, eu e Thiago, o meu namorado, de acordo com as caraminholas triviais da Filomena, rimos disso, pois temos plena convicção de que somos os maiores pegadores do pedaço, a gente só não tem a mínima sorte e nem muito atributos, mas um dia vão notar nosso valor.

E no fim de domingo, estava eu em casa, pensando apenas em cama, sonhando por antecipação e profundamente marcado pelo banho de álcool, de amizade e pelas gotinhas de amor que me encharcaram nos últimos quatro dias – que valeram como quatro semanas.

Postado por Pedro | Categorias: Crônicas, Pedro
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07 nov 2009

Fim de semana Drunk Love – Parte II

(A primeira parte já foi e a última das três já vem)

Sexta-feira doía como um Sol no olho. Parecia que eu tinha engolido a Mariuzzin, afinal, uma festa horrível acontecia dentro do meu estômago. Para se ter uma ideia, cuspi na pia uma saliva anil que quase me embrulhou, aí lembrei que o nome do drink era Lagoa Azul. Fui para o estágio com o maior mal estar que poderia me aparecer – era uma mistura de sono com língua seca, estômago raivoso, cabeça pesada… Um inferno.

Minha vida começou a melhorar quando tomei um remedinho e terminou de melhorar quando bebi a primeira cerveja da sexta numa adorável festa chamada “Drunk Love”. Foi uma festa inversamente proporcional à do dia interior. As bebidas não eram agressivas e as músicas, muito menos. Ninguém apanhou, aliás, só se gastou energia para dançar e exercer o argumento da festa – o amor (só não pense que era Woodstock. Eu disse amor. Amor livre, não! Amor livre entre hippies então, nem pensar: deve ter um cheiro pior do que o da 2ª Guerra Mundial, Deus me livre).

Ao som de Mutantes, Los Hermanos, Jorge Ben, Sá, Rodrix e Guarabira, a festa transcorreu como uma criança obesa num tobogã: varada e risonha.

A festa acabou, não sem antes aparecerem alguns resquícios de “Love” no meio do “drunk” todo que foi esse fim de semana. Uma menina absolutamente interessante e com uma quantidade infindável de fantasmas do passado me apareceu depois de me fazer pensar “Bom, com ela não rola mais”. Com Thiago, meu companheiro nessa história alcoólica, as coisas foram um pouco mais complexas, múltiplas, mas ainda sim espetaculares.

Quando estava perto de chegar ao lar, achando que já tinha registrado todas as impressões válidas da madrugada, acontece algo que derrubou tudo o que eu assimilei de razoável até então. Éramos quatro amigos ébrios vagando pelo bairro com mais pombo e vida no mundo, Copacabana, quando passamos por um coroa que deve ter bebido a soma de nós quatro. Ele mexeu com a gente, mas um amigo nosso mexeu com ele… Exageradamente. Eles começaram a conversar por minutos a fio, quando de repente os dois figuras se ajoelham e meu amigo começa a pregar a palavra de Deus. Os dois de mãos dadas, ajoelhados, o coroa aos brados “Eu estou cheio de pecados!!!” e o meu amigo gritando a palavra divina em espanhol. Qualquer coisa servia de inspiração, um entregador de pizza passou e ele pregando a importância do “motopizza”, pois ele repartia o pão, o corpo de Cristo. Aquilo não era uma cena normal, não sei se foi uma crueldade sem tamanho com o velho ou se foi tudo aquilo de que ele precisava. Bem, de qualquer forma foi um jeito além-imaginação de começar um sábado: um bispo paraguaio, o velho Marcílio (sim, o coroa tem nome), uma mulher falando que isso era excesso de maconha, que eles deveriam procurar Jesus, e eu rindo que nem uma criança.

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02 nov 2009

Fim de semana Drunk Love – Parte I

Algumas viagens trazem nostalgia. Basta passar alguns dias com os amigos e sem as obrigações que, quando se volta para o lar insosso e para a vida já previamente dividida em blocos modorrentos da rotina, tudo fica uma tristeza só. Passei quatro dias de uma semana curiosa em agosto que me trouxeram essa mesma sensação na segunda-feira, o dia oficial de ódio à vida.

Na quinta, estive em um bar inteiramente despretensioso, em Copa, com dois excelentes amigos. Estava me resguardando para o dia seguinte, pois haveria uma festa de arromba que eles estavam produzindo. Conversa vem, conversa vai quando um deles me faz a proposta mais indecente que eu tinha ouvido em 23 anos:

- Pedro, vamos fazer amor?

Mentira.

- Pedro, vamos pra Mariuzzin?

Obviamente, a minha resposta foi um “lógico que não!”. Mariuzzin para mim sempre foi – embasado em um preconceito sem tamanho – o inferno instalado em duas sucursais: Centro e Copacabana. Nada ali me agrada, desde o nome “Mariuzzin Disco Club”, que mais parece um revival dos tempos da brilhantina, só que com o capeta no lugar do John Travolta; até as filas intermináveis de pessoas que poderiam fazer algo melhor de seus fins de semana.

No entanto, me bateu uma neura sociológica de que eu tinha que aproveitar todos os meus momentos e carimbar guinadas na minha vida para que eu tivesse histórias para contar. Além do fato do meu amigo – o outro havia ido embora – ter se comprometido a pagar a maior parte da conta, é claro.

Fomos com o compromisso de usarmos as roupas mais fuleiras possíveis: eu estava com mesma roupa com a qual acordei praticamente, uma blusa de uma série do Steven Spielberg; ele estava com uma blusa larga com uma foto do Cartola. Além disso, beberíamos aquele drink mortal e dançaríamos como se não houvesse amanhã. Se as gatinhas aparecessem, ótimo, se não, ótimo também.

As gatinhas não apareceram, as músicas foram tensas (dancei “sou praieeero, sou guerreirooo”. O Thiago, meu amigo, não dançou porque ele já estava dilacerado pelas circunstâncias alcoólicas) e as bebidas derrubaram a gente. Aliás, uma lenda daquele limbo louco é a bebida… Jesus Cristo, aquilo é um sacrilégio misturado com urânio. Por apenas 10 reais, você paga uma passagem para o mundo da meia-alucinação. No caminho, tem o pedágio – outro drink – e aí sim você começa a voar ao som de Asa de Águia.

O Thiago, talvez por se odiar e querer se matar, tomou três. Foi defender uma amiga de um varão chegador e acabou tomando um soco na cara. Fato de que ele só se lembraria ao acordar no dia seguinte vendo o roxo na têmpora. Pelo menos não foi no nariz. Voltamos trôpegos para casa cantando as loucuras da vida e nem um pouco preparados para a tremenda ressaca que viria no dia seguinte.

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26 out 2009

Cuecas da solidão

Acordei 17 de outubro com um dia a mais de vida, assim como faço a cada vez que a Lua vira Sol. A diferença é que era o 365º de um bloco, o que me credencia a dizer que estou um ano mais velho, o 23º de muitos (ou não, eu não sou vidente). Estou pujante na juventude, já com uma linha que divide minha testa ao meio, o que me traz um ar de extrema experiência de vida – meu padrasto, quando tinha um ano a mais do que eu, arranjou de morar com uma mãe solteira, de dois filhos… Para você ver minha enorme vivência.

De qualquer forma, depois de acordado, combinei com dois amigos um programa absolutamente varonesco e macho: fazer compras à la Sex and the city no shopping, amigaaaa! Queria comprar uma camisa ou outra e, por que não, uma calça também. Quando estava voltando da minha empreitada consumista, lembro que a última cueca que eu ganhei de titia, eu deveria ter emoldurado, porque fazia tanto tempo que eu nem imagino como elas não andam sozinhas.

Fui até o final de uma famosa loja de departamentos (daquelas em que praticamente toda peça tem um elemento enfeiedor básico) e peguei um pacote com cinco, do tipo que NÃO desperta uma tigresa em você, sabe?

Parêntese familiar

O engraçado é que todo mundo tem essa tia cuja única função na Terra é tapar suas partes íntimas. Ela foi programada a sempre te dar umas cuecas (ou calcinhas, caso você goste de usá-las, ou então se você for menina). E é irônico, porque você já sabe de cor e salteado que ela vem com aquele pacote recheado de boas intenções, mas sem a menor criatividade, totalmente imersa na rotina do presente utilitário anual. Você odeia, é claro, mas cuecas são como pratos: nunca se dá o menor valor, até chegar um dia em que você fica sem. Aí vem a dúvida aflitiva: onde colocar a sua comida e a sua pélvis?

Fecha parêntese familiar

O problema é que eu nunca havia comprado cueca na vida (se nem para mim eu comprei, não há de imaginar que eu compre para alguém, certo?). Fui ver os tamanhos – Tinha o P, o M, o G e o GG. Peguei a M na mão, mas do nada me bateu uma superestima pélvica que me fez trocar pelo G. “Assim vai ficar bem confortável”, pensei. Mas é claro que eu errei. Não estou dizendo que Deus me cortou as coisas, mas simplesmente havia tecido demais na cueca, o bastante para proteger um gordinho sem ficar apertado. Se minha genitália tivesse um patinete, daria para ela andar nele, tamanho o espaço que ficou vago ali nas vergonhas. Por um lado, a ventilação era total, por outro, a impressão de que eu estava vestindo um blusão no lugar errado era considerável também.

Parêntese familiar

E é isso que acachapa a alma. A sua tia, por mais que só te veja nas datas especiais (leia-se “obrigação de ver e abraçar gente pentelha”), sabe exatamente o seu molde, não sei como! Deve ser uma propriedade especial das tias. Só sei que ela nunca errou a mão e sempre me deu cuecas que nem eu mesmo escolheria melhor. Que deprimente!

Fecha parêntese familiar

Mas o que mais me abalou foi que eu me senti um pouco solitário nessa hora. O simbolismo do momento em que eu mesmo buscava o que me faltava foi enorme, eu estava entrando na fase em que sua tia já tem mais o que fazer e outros sobrinhos mais novos para presentear (com cuecas, é fato. Ou com alguma coisa do Ben 10 – nunca vi um desenho ser tão popular. Fui ao shopping no dia das crianças e vi uma quantidade infindável de Bens 10zes com seus relógios porta-monstro. Se eu fosse tia, daria cuecas do Ben 10 só para continuar na essência e agradar o mínimo).

Desse episódio, posso tirar algumas lições:

- A vida está passando, estamos envelhecendo e, num futuro distante, quando meu irmão tiver um neném, ocuparei o lócus do “tio das cuecas”. E virar o tio das cuecas é o primeiro e mais importante indicativo de que estamos mudando de geração.

- Eu errei em comprar a coisa mais normal do mundo pra mim mesmo. A minha ruga na testa está ali só para sacanear, pois não tenho experiência alguma nessa vida.

- No aniversário que vem, a menos que haja uma hecatombe e eu inche de repente, comprarei um pacote de M, com toda certeza.


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20 out 2009

Como eu quero que meu filho seja

Deveria ser proibido abrir textos com pegadinha. A coisa aqui mal começa e eu já te apresento um paradoxo, afinal, nunca fez parte do meu plano de vida ter um filho. Geralmente as pessoas compartimentalizam a sua própria cronologia, dando a cada época seu contingente ideal de produção (seja de trabalho, seja de filho) – “Aos 24 eu vou me formar; aos 28 já vou estar com emprego estável; aos 29 no máximo, eu quero ter um filho”. Tem gente que dá mais ou menos prioridade a uma coisa ou outra. Eu tenho uma amiga que valoriza DEMAIS a profissão, mas não quer deixar de parir uma criança. O problema é que ela quer parir tão tarde, que fica a impressão de que ela pretende usar o último óvulo antes da menopausa para ter um filhote. Também pudera, ela faz jornalismo, se já tem uma vida de risco por que não ter uma gravidez de risco também, não é?

Eu não quero parecer um ditador anti-humanidade, mas é que quando eu penso na minha prole, só me vem coisas ruins à cabeça. Ao invés de pensar em alegria, amor, carinho e recomeço, penso em dívidas, limitações de vida, vômito e muitas dívidas (é fralda pra caralho, um “dívidas” é só para elas, o outro “dívidas” é para todo o resto – Um filho custa um milhão até os 21 anos…). Imagino que ter um júnior não deva ser tão simplório dessa forma, tudo se mistura, é óbvio. Mas eu tenho medo… Muito medo!

Uma vez me fizeram acreditar que eu iria ter um Pedro II. Minha ex estava convicta de que sua sanguinolência havia se prendido nas paredes uterinas junto com o zigoto “Pedrinho + namoradinha” – na verdade, era apenas um rebento psicológico. Eu, com todo o complexo retal enfiado na minha mão, fui comprar um teste de gravidez na farmácia. É engraçado porque esses testes ficam escondidos lá no fundo, como se eu quisesse comprar, sei lá, um livro do Hitler na livraria. Achei a prateleira com várias marcas e analisei, meio sem graça, de longe. Do nada, me vem um cara atrás de mim:

- Precisa de ajud…

- Nãão, não, tudo bem, tudo bem…

Peguei o teste e imaginei “preciso despistar o caixa da farmácia… Maior derrota comprar só o teste… Ah! Já sei… Vou levar um desodorante também…”. Aí, na hora de pagar, éramos eu, o teste de gravidez, o desodorante, o caixa e o silêncio. Foi ótimo. Melhor ainda quando deu negativo.

Mesmo que meu futuro neném não tenha vingado, essa história foi a primeira a me instigar a pensar como seria se eu tivesse um filho. Ele seria branquelo ou pálido, com certeza, porque meus genes descoloridos atacariam como uma enxurrada de leite qualquer coisa que viesse pela frente.

Filhos às vezes são diferentes dos pais. Tenho medo de que a personalidade do meu jovem me cause algum tipo de constrangimento, mesmo sabendo que eu serei parte integrante de seus valores. O problema é que os marginais dos amigos dele serão a outra enorme parte. Eu tive a sorte de crescer com pessoas absolutamente interessantes, despidas de preconceito, amorosas e tal. Minha gangue adolescente pegava mulher, é claro, mas a gente tinha ética uns com os outros, botava a amizade acima de qualquer coisa, éramos sempre o “grupo meio baitola”, porque a gente se abraçava… Era (e é) ótimo.

Aliás, eu prefiro 10 vezes que o meu filho seja alvo de preconceito a ter um filho preconceituoso. Prefiro que ele chegue em casa e exclame “papiiii, cheguei!”, a falar “porra, vi dois viados na rua, que merda”. O mais louco é que sempre quando eu digo isso, o interlocutor sentencia:

- Quero ver você dizer isso quando tiver filho…

Mas ora bolas, as pessoas acham que eu quero o quê? Ganhar o prêmio Nobel da paz? Só não quero alguém que me envergonhe. E parir um ser humano que não respeita as diferenças é vergonhoso.

- Mas ele vai dar a bunda!

- Mas ele não vai dar a minha! Deixa ele dar a dele!

E assim o papo continua sem ninguém concordar com ninguém.

E por último: meu filho com certeza, nem que eu esteja louco, embasbacado, alucinado de amor, NÃO vai ter nome escroto. Por mais que a minha mulher me obrigue a chamá-lo de Muriá, eu vou dar um jeito de mudar para Mauro no escrivão.

Postado por Pedro | Categorias: Crônicas, Pedro
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