Corra Mary
11 abr 2013

O nosso amiguinho foi embora

Nosso amiguinho foi embora

— O nosso amiguinho foi embora… O nosso amiguinho foi embora.

Ela, 84 anos, na iminência do sexagésimo aniversário de casamento, sobre o marido, para os dois netos. Seu marido, meu avô, sorteado pela impossibilidade da morte, agora era só uma alma partilhada em frações desiguais nos interiores da gente viva que gosta dele. A morte é a única coisa impossível que acontece. É impossível e repentina, independentemente da idade, das condições de quem se desfaz disso aqui, porque não existe preparação suficiente. A morte é impossível até que se prove o contrário, e quando o contrário é provado — sempre —, é uma surpresa terrível.

E o que sobra para ela, 84 anos, 59 deles numa referência involucrada num caixão? Não sei, deve ser muito pouco. Mais de meio século compartilhando os hábitos, as tarefas e os sonos com alguém sugere que a morte também deveria ser compartilhada. É essa a injustiça que torna a vida muito mais difícil do que bonita.

Mas, e é quase uma afronta dizer isso a quem se perdeu da metade de si com a morte do outro, ela, aos 84 anos, tem um resquício de consolo. Esse resquício se encontra nos suportes familiares de que ainda dispõe.  Chegou o momento de usar a família em uma de suas maiores finalidades: neutralizar precariamente a dor pelas peças que a desfazem aos poucos. Pelas peças que deixam de existir, impossível e repentinamente. É um suporte insuficiente, porque a verdadeira sustentação acabou de deixar de ser, mas sofrer acompanhado já é algo perto de quem só tem os próprios ombros para chorar.

Ela, 84 anos, não é António Jorge da Silva, 84 anos também, cria de Valter Hugo Mãe. Ele, apenas mais uma ficção real da literatura, perde a esposa, se vê sozinho (mesmo com filhos) e é mandando para um asilo, onde se ultraja com o tratamento infantil que recebe, se deprime, vê a morte ceifando seus companheiros, se reinventa à força e convive com a saudade constante.

“passados vinte e três dias, a elisa e o meu genro vieram visitar-me. traziam os meus netos, o miúdo e a miúda, e eu senti que já não poderia adiar mais o encontro. assim que entraram no meu exíguo quarto, as portadas abertas para mostrarem que vivemos em profunda claridade, fizeram fila no correr do roupeiro e permaneceram esticados como para revista de tropas. verifiquei que estavam de gala, todos adomingados para me verem e eu imaginava bem a elisa a dar ordens precisas sobre isso. quero-vos arranjados porque vamos ver o avô. e eu senti-me um idiota por ter julgado algum dia que as suas visitas iam ser constantes, coisa do quotidiano, para que eu acreditasse ainda na união da família. que idiota fui, de facto, assumindo ali diante deles que se punham embonecados no disparate de acharem que assim devia ser para irem ver quem outrora viam todos os dias. era como transformarem-me num passeio aborrecido…”

Ela não vai passar por isso. Enquanto a impossibilidade não lhe tomar a vida e lhe devolver a companhia do marido em alguma instância das suas crenças, ela jamais será um passeio aborrecido.

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25 mar 2013

Cheeseburger de azulejo

azulejo

Se existe uma coisa que me deixa um pouco constrangido em trabalhar com palavras, além de não ter certeza absoluta de que a regência nominal de “constrangido” é realmente “em”, é o excesso de questões esquisitas que envolvem a nossa língua. Essas questões existem em outros idiomas? Sim. Eu vou abordá-las? Sim. Estou mentindo? Sim. Este texto é em vão? Se depender do primeiro parágrafo, sim.

A língua é um gigantesco organismo vivo que vai evoluindo com o passar do tempo, e há alguns timoneiros essenciais nesse trajeto. Eles vão conduzindo o idioma, com um propósito universal de extrema nobreza: não virar zona. Eles analisam, por exemplo, se “queijo” continua significando “alimento derivado do leite da vaca, da cabra, do besouro etc.”. Se em algum momento, “queijo” significar “ladrilho vidrado por um lado, com desenhos e cores variadas, que se usa para cobrir superfícies”, teremos três opções: ou a língua evoluiu rápido demais, ou as pessoas começaram a colocar azulejo no cheeseburger, ou algum dicionarista acabou de receber uma demissão por justa-causa.

E, para não virar zona, esses timoneiros discutem o que é certo e o que é errado. É aí que muitas vezes começa o problema. Eles não concordam entre si; há uma trava na matrix que os impede de dizer “beleza, tô contigo nessa”. Há milhões de casos nos quais “os gramáticos não chegaram a um consenso”, o que, a bem da verdade, abre um precedente confortável, porque podemos colocar a culpa neles se escrevermos alguma blasfêmia constrangedora. Se nem eles, que já conjugavam o verbo “anuir” no jardim II, chegaram a um acordo, eu não sou absolutamente ninguém para acertar tudo por, aí.

Pra mim, português tem ao menos uma conexão com a cocaína: quanto mais puro, mais mortífero. Se um alucinado cometer o ultraje milagroso de gravar todas as regras do português e resolver aplicá-las numa revisão, o resultado só poderá ser lido com naturalidade na ABL.

Só que, apesar das estranhezas que a deixam meio turva, a norma culta é bacana. Ela deve ser seguida, senão realmente as coisas viram uma zona (e só quem já comeu um cheeseburger de azulejo sabe como isso é doloroso — todos os meus dentes de fundo estão quebrados, isso sem contar com uma pequena farpa de cerâmica que ficou presa entre o meu siso e a minha gengiva). Não precisamos peidar alfazema a cada frase, até porque pompa nunca significou decência, mas seguir a norma é uma excelente maneira de evitar a encheção de saco das pessoas.

Estou, se você reparar, pregando para o português a mesma coisa que o Dove pregou para a estética quando falou em “Real beleza”. Ninguém precisa falar um português perfeito, mas você vai esfregar merda na cara antes de sair de casa? A menos que a festa tenha um tema controverso, não. Então acho que a pessoa não precisa escrotizar o idioma. A língua, querendo ou não — e eu não tenho habilidade para mudar isso —, é um artifício que, noves fora a literatura, só sobressai no erro ou na pompa. A mensagem muitas vezes é descartável. O erro é inesquecível.

 

Adendos que, por falta de competência, não consegui incluir no texto:

1)      A propaganda que eu fiz do Dove foi involuntária. Na verdade, aquele ¼ de creme hidratante deixa o sabonete molenga em três banhos. Eles precisam decidir se querem ser um sabonete em barra ou um sabonete líquido.

2)      Ainda estou avaliando se os dois moleques que testaram (sem aspas, eu acredito neles) os corretores do Enem são geniais (sobretudo o do miojo, que ainda escreve bem) ou dois completos idiotas. A verdade é que o Enem não pode sair dando zero para todo mundo. O Enem é um professor bonzinho, dá ponto onde consegue. Toda avaliação revela o resultado de duas partes: a do avaliado (a óbvia) e a da instituição do avaliador. Os colégios mais precários, por exemplo, são aqueles nos quais você consegue tirar as melhores notas, e geralmente sem ser provocado intelectualmente. É exatamente o mesmo panorama do Enem e do Mec, imaginando-se que um seja a prova e o outro, a escola.

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09 jan 2013

Arroto do Diabo

diabo-rindo

É tempo de dobrinhas encharcadas; tempo de estar molhado durante 100% do dia; tempo do sol lunar flambando a sua alma até de noite; do ódio moroso que dá por ter que seguir caminhando com o cu do astro-rei encravado na nuca; de dar valor ao mínimo momento de frescor que brotar na sua frente, nem que seja o calafrio de uma fila de banco. Nesse arroto do Diabo, a prisão de uma fila fria às vezes vale mais que a liberdade na quentura.

Eu, dono de uma melanina que não preenche metade da pinta da Angélica, não tenho cacife dermatológico para gostar do Sol. Ele sabe muito bem disso e sempre me arrebenta quando baixo a guarda (e baixar guarda quer dizer “pegar sol sem um tapume de adamantium em cima”). Mas a maldade climática que está acontecendo agora realmente está acima de qualquer nível suportável.

Você sai de casa com a certeza de que vai fazer 35ºC, pois viu na tevê, e a tevê nunca mente (assim como os assassinos nunca assassinam e os entregadores nunca entregam). Ok, já é um calor de chocar seus ovos, garantindo dois novos pintos internos, mas a maldita, desgraçada e rasgadeira sensação térmica sempre deixa tudo pior. O termômetro na estação meteorológica marca 35ºC, perfeito, mas em Bonsucesso passa de 45ºC sem pedir licença, sem chamar para uma limonada no Gigabyte, e estupra o meu bem-estar deixando pra outro dia os métodos contraceptivos.

É por isso que eu só confio nos termômetros-relógio que há nas esquinas da cidade. Eles são vagabundos: se algum cuspir neles, já dá defeito (e aí passam a apresentar algarismos em escrita cuneiforme). Mas você não vai detestar algo só porque é vagabundo. O Brick Game, com 7999 jogos em um (no fim são todos realmente o mesmo), é vagabundo, mas é impossível não lhe dedicar verdadeiro carinho.

Aonde estou querendo chegar? Quero mostrar que, mesmo vagabundo, o termômetro de rua se banha de uma essência que nos é cara: ele registra a verdade de que precisamos. Mas há pessoas no mundo que não compreendem isso:

— Ah, ele tá marcando 48ºC, mas é só a sensação térmica. Na verdade, tá muito men…

— FODA-SE, FERA, FALA ISSO PARA A MINHA VIRILHA SUADA, PARA VER SE ELA SECA.

E noves fora o oceano em gotas que sai de você durante o dia calorento, há uma porção de efeitos nojentos que vêm de brinde. Tudo coça, até partes em que você não imaginava que enfiaria a unha um dia, é um inferno, parece a mais inconveniente das sarnas. Nunca tive sarna e nunca enfiei a unha no reto, só a título de curiosidade (tá, uma vez, mas foi em uma viagem muito louca).

Quando eu era criança, ficava com brotoeja no verão, aquelas coisas que, juntamente com catapora e fimose, parece que só criança tem. Elas aumentam ainda mais a coceira, fazendo com que dê uma irremediável vontade de pôr uma pedra de gelo debaixo da língua e meter outra cólon adentro, para ver se esfria o sangue nas áreas mais irrigadas. Dá pena.

Mas de quem eu tenho pena mesmo é daquelas pessoas que usam terno no centro da cidade. Pessoa de terno no centro da cidade perdeu o jogo da vida. Ela pode ser rica, pode ter dinheiro suficiente para comprar felicidade, Deus e amigos dedicados, mas não interessa. É uma camisa social, uma gravata, , uma cueca, um terno, um par de sapatos, uma calça e um crachá (que é o que mais esquenta). É muita roupa para ter que aguentar, é uma roupa que esquenta até quem olha.

Meu sonho é trabalhar com uma cueca cheia de gelo. E só. Não ligaria a mínima se eu, acidentalmente, fizesse das minhas sementes da vida (porra) um sorvetinho estéril por um tempo. Como isso não é possível, eu já aceitaria trabalhar com as canelas à mostra. Há uma ditadura da canela feminina em relação ao mundo corporativo, e eu realmente não entendo por que isso acontece. Mulheres podem mostrar os ombros, os pés e as canelas no trabalho, acho excelente, mas queria essa bocada também (tirando a parte dos ombros, porque tenho travas mentais com regatas, e acho uma trava muito bem-justificada).

Quando vejo uma mulher de saia no trabalho, penso: “que delícia, eu quero… a saia”. Deve ser uma dádiva trabalhar no calor sem as pressões do fundilho. Inveja alucinante.

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26 dez 2012

Sua foto no álbum dos outros

Um exemplo de foto que não estaria no Facebook do modelo em questão.

Um exemplo de foto que não estaria no Facebook do modelo em questão.

 

Em épocas de batalha na selva do lésco-lésco, intensa especulação e avalanche de informação, os cientistas chegaram (ou deveriam chegar) a uma conclusão que todos sabem: comparando com as fotos do próprio álbum no Facebook, qualquer pessoa fica em média 66% mais feia em álbuns de amigos e 79% no de familiares.

A primeira conclusão é a de que a família atua num paradoxo em relação à sexualidade e ao amor dos filhos. O objetivo primário de pais, mães e avós é, por meio de comentários públicos constrangedores e, sobretudo, fotos bizarras, atrapalhar a busca do filho ou neto pelo sexo. Por um lado, isso se torna uma das ferramentas contraceptivas mais eficazes já inventadas, pois age antes que qualquer possibilidade sexual apareça. Na China, por exemplo, para conter o avanço populacional, o governo obrigou os familiares a entrar nas redes sociais do filho. Não nasce um chinês há quatro meses. Por outro lado, eles causam uma fonte de constrangimento tão grande que às vezes dá vontade de matar os pais (o que, ocasionalmente, gera um benefício não previsto para o governo chinês).

Mas por que o paradoxo (primeira linha do segundo parágrafo, seu sequelado)? Porque os primeiros seres humanos a cobrar um neto ou um bisneto a você, quando chegar aos quarenta anos, vão ser os mesmos desgraçados que queimaram o seu filme na internet e mostraram a futuros parceiros sexuais o ultraje que você era na vida real. Eles pedem que você tenha um filho, mas lutaram a vida toda pela intocabilidade da sua pélvis. Só faz sentido em alguma dimensão que provavelmente não existe.

A segunda conclusão a que os cientistas chegaram (ou deveriam chegar) é a de que os amigos são indivíduos extremamente egoístas. É muito simples notar isso: há 18 pessoas juntas tirando determinada foto. Assim que o fotógrafo clica, vai sempre um gavião feroz até a câmera para ver como ficou o resultado. O gavião leva exatamente 23 milésimos para exclamar “vixe Nelson, a foto ficou ótima!” ou “Nossa Senhora da Baixa Guadalupe, tira outra, ficou horrível!”. Você realmente acha que ele fez uma média de beleza dos 18 rostos e corpos e somou à qualidade da luz e do enquadramento? É evidente que não. Ele se viu, se achou bonito, e você que morra à vontade cinco vezes seguidas.

A pessoa diz que a foto ficou ótima, mas, se você olhar bem, vai ver que há uma profusão de esquisitice.

- Há sempre alguém que pisca. Sempre. É natural do ser humano burlar pequenas regras. Minha namorada, por exemplo, quando era um bichinho menor ainda do que é hoje, jogou pela janela a couve-flor que tinha que comer no almoço. Burlou uma pequena regra. O problema é que a janela estava fechada, e a mãe lhe obrigou a comer a travessa inteira, inclusive a própria travessa. Ela vomitou em si mesma e perdeu 14 dentes.

- Há sempre alguém que fala justamente na hora do clique (possivelmente falando algo imbecil, pois nunca foi dita uma só palavra útil por alguém posando para foto). E os movimentos da fala, sempre tão sutis na vida em movimento, se tornam medonhos quando capturados na foto. Não tem como explicar, você simplesmente se assusta com a quantidade de gengiva aparecendo ou a posição bizarra do lábio na hora H.

- Há sempre alguém que consegue fazer uma pose monstruosa; alguém com cara de assustador.com; alguém com cara de que está se segurando para não cagar; alguém com cara de que não aguentou segurar e se cagou; alguém que, independentemente da cara, de fato se cagou. Na foto tem de tudo, mas, se você está bem, é isso que importa.

E aí o seu álbum se torna fonte oficial de informação: pouco confiável e totalmente parcial. Os pecados estéticos que você se recusar a mostrar por livre e espontânea vontade são jogados de bandeja no álbum dos outros, só dependendo de quem saiu bonito na foto. Ou de quem está querendo que você não transe.

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17 dez 2012

Considerações sobre anjos

Em algum momento do passado, quando minha alma era suscetível a qualquer conversa mole astronáutico-celeste, descobri qual era o meu anjo da guarda. Todas as pessoas, inclusive as que morrem quando crianças e as que são deixadas bem velhinhas no desamparo cruel da rua, têm ou tiveram anjo da guarda (o que provavelmente me leva a crer que os anjos são uma espécie de aspones do Céu. Por favor, não se ofenda, pense na grande maioria de seres humanos desalentados sobre a Terra, e calcule que a desgraça que eles passam é brutalmente maior do que qualquer coisa que você leia aqui).

Fazendo umas contas na revista de anjos que eu tive com 12 anos (aí você vê o tipo de publicação que um menino que só teve uma Playboy na vida costumava apreciar), cheguei à conclusão de que meu anjo era o Manakel. A função disso na minha vida é nula, fato que me fez chorar por sete meses seguidos em 1998. Em todo caso, cada anjo (há 72 no mercado) possui características boas e más, assim como os signos do zodíaco. O gênio contrário do meu anjo da guarda oferece a seus regidos as seguintes características:

Estimula o egoísmo, o oportunismo, a inconsequência, a injustiça, a raiva, a falta de solidariedade e de educação com os outros, a angústia, a acomodação, o desânimo, a ingratidão e os escândalos. Acentua as más qualidades morais e incentiva a poluição das águas e o sacrifício de animais.

Resumindo, se meu anjo estiver de ovo virado, me transformo na nova encarnação do demônio. Se em algum momento eu for pego em flagrante tacando fogo numa cabra sem uma pata (previamente arrancada por mim), já sabem qual é o motivo.

Uma característica da língua que embeleza a identificação dos anjos é a de que praticamente todos os seus nomes terminam em “el”: Manakel, Juliel, Sitael, Lelahel… Mas tome cuidado, porque Anel, Cascavel e Carretel, até que me provem o contrário, não são anjos (muito menos Troféu, que nem a mesma terminação tem).

Um dado curioso é que os anjos não têm sexo. Sempre quando há uma discussão que não apresenta um consenso, as pessoas dizem: “Não adianta discutir o sexo dos anjos.” Mas alguns seres angelicais do mainstream, como Gabriel e Miguel, têm nomes que acabaram sendo direcionados ao público masculino. Minha prima Gabriela, por exemplo, recebeu um nome teoricamente unissex na essência, mas com flexão para o gênero feminino. Safadeza.

É por isso que eu acho que está na ordem do dia trocar esses nomes por alguns que condigam com a situação de gênero angelical. Por que Gabriel e Miguel se temos Guaraci, Silvimar, Taylor, Zezé…? Se anjos não têm sexo, precisamos deixar claro desde o começo. Essa é a minha campanha. “Deus enviou Darcy para visitar Maria”: era assim que tinha que ser desde o começo dos tempos.

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