Semana mamilos – Polemizando a Internet

jul 20

Um blog sabe o quão legal ele é. O quão moderno, revolucionário e interativo. Nós, do Corra Mary, por exemplo, sabemos que não somos nada disso. Sabemos que não fazemos promoçãozinha de RT no Twitter, nem sorteio no Facebook. Sabemos que não fazemos absolutamente nada de novo no próprio blog. São textos, por volta de 4 por semana, vez ou outra uma tirinha e só.

Vira e mexe tentamos inovar, o falecido FAQ deu uma movimentada por aqui, as tirinhas tem sido bem aceitas e uma vez na vida e outra na morte rola uma Twitcam. Mas queríamos mais! Queríamos algo para dar aquela apimentada necessária, por isso então pensamos: Porque não mostrar os mamilos? Polêmica sempre cai bem!

Resolvemos então dedicar uma semana inteirinha aos assuntos mais mamilescos que vossas mentes pertubadas conseguirem pensar. Isso quer dizer que: Semana que vem, começando na segunda-feira, o blog será alimentado com textos diariamente, nos temas sugeridos pelos leitores. A única regra é que o tema sugerido seja polêmico. Aborto, Deus, pena de morte, bla bla bla, Whiskas Sache… Pode tudo, vale tudo, só não vale homem com hom quer dizer, isso vale também!

Sugira o seu tema ultra-super-hiper-mega-power polêmico nos comentários abaixo.


Dúvidas que a infância não levou com ela

jul 13

A parte ruim de virar adulto, é que boa parte da sua infância se torna um mar de dúvidas. Tudo aquilo que você antes engolia facilmente, agora você se pega repensando e se enchendo de porquês. Desde brincadeiras infantis preferidas, a histórias contadas pelo papai e pela mamãe antes de dormir. Tudo perde o sentindo que tinha a partir do momento em que a infância dá um enorme pé na sua bunda.

Chapeuzinho vermelho

Não sei se o problema é da nossa geração, onde até para se ir na padaria da esquina é preciso tomar cuidado com a violência, mas é difícil entender o porque da mãe da Chapeuzinho Vermelho ter deixado a filha levar doces para a avó sozinha no meio de uma floresta. A menina devia ter o quê? Algo em torno dos 9 anos, certo? Então como uma mãe deixa sua própria filha, uma criança, levar doces para uma velha que mora no meio de uma floresta?

A irresponsável mãe da Chapeuzinho, a manda levar doces para a vovozinha, porque segundo ela mesma, a velha está doente. E sou só eu que me pergunto o porque alguém levaria doces para uma velha que está doente? Não seria mais fácil levar remédios? Ou ligar para a farmácia e deixar que se alguém for se foder com o lobo mal, que seja o motoboy da entrega, e não sua filha de 9 anos?

Como se uma mãe irresponsável e burra não fosse o suficiente, a vó também não se salva. É uma idosa, sozinha, e mora no meio de uma floresta, onde para chegar, só há dois caminhos. Sendo que o mais “seguro” não possui nem nome, é apenas chamado de “estrada do rio”. Certamente não é a habitação mais segura para uma idosa, ainda mais debilitada e doente.

Coitada da Chapeuzinho, nasceu numa família de imbecis, e como se já não estivesse na merda o suficiente, provavelmente não tinha pai, porque não é possível. Onde tá o pai dessa criança que não tá vendo isso?

Jokenpo (pedra, papel ou tesoura)

Ficava puta dentro das calças quando brincava de Jokenpo e a minha pedra era vencida por um caralho de um mísero papel. Uma tesoura vencer do papel, é cabível. A tesoura corta o papel e não há nada que ele possa fazer para se defender quanto a isso. A pedra vencer a tesoura também. A pedra quebra a tesoura e não é cortada por ela. Mas alguém pode me explicar em que mundo um papel vence uma pedra? O que o papel faria para a pedra tremer nas bases? Nada, absolutamente nada!

O papel é um ninguém entre uma tesoura e uma pedra, e não há embrulho que impeça qualquer um dos dois que fazer seja lá o que for. Até porque se a pedra ganha da tesoura, e a tesoura ganha do papel, a matemática me ensinou que é impossível a pedra não ganhar do papel também. Onde está a lógica nessa brincadeira do demônio? Esse papel é feito de que? De diamantes?

Podem ter certeza, meus filhos não viverão com as mesmas dúvidas que eu. Daqui há 20 anos, os pequenos Magalhães dormirão com a historinha do menino Carlinhos, ou da menina Madeleine e no dia seguinte, brincarão no pátio da escolinha de Pedra, papel ou britadeira.
A coerência em primeiro lugar sempre!

Tirinha #3 – O miserável e a mercenária

jul 09

Autoria Marina e Pedro
Ilustração Daniel Cramer

Amores impossíveis

jun 30

Impossível é enganar a morte. Impossivel é vestir uma calça 36 depois dos 25 anos de idade. Impossível é não fazer careta comendo chouriço. Isso é impossível. Amores, não.

Amores impossíveis não precisam de tempo, de paciência ou de remédio. O que eles precisam é serem encarados como verdadeiramente são: Amores que não querem acontecer.

O que ocorre é que é mais bonito culpar o pobre do amor do que os envolvidos nele, ou na falta dele. Ninguém escreve livros ou faz filmes sobre pessoas com preguiça de amar. A verdade não vende. As pessoas querem sempre comprar a dor. Por mais mentirosa que a causa dela seja.
E coitado do amor. Não tem nada a ver com isso e sempre acaba levando a culpa. Tá ele lá, super disposto a nascer mas sem ninguém disposto a parir.

Quem já amou sabe o quão possivel o amor é. Quem não amou, sabe o quão acomodado ele pode ser. Ninguém tira a bunda do sofá por amores que se esqueceram de acontecer. Só o amor e o ódio movem. O desamor acomoda.

É ruim pro ego aceitar que aquela pessoa que você amou, não estava tão disposta a amar você de volta, e então você procura novos culpados. Culpa o amor, nunca o amado. Culpa Deus, que nem existe, mas tá lá levando a culpa também. Culpa a vida, que de alguma forma te avisou – ela sempre avisa – mas você resolveu não considerar. Culpa até mesmo você, mas o amado não. O amado é intocável. Ninguém pode culpá-lo de nada. Nem você. O amado tem a licença não tão poética assim de quebrar seu coração quantas vezes você deixar, e quantas não deixar também. O amado pode impossibilitar o possível, seja por preguiça, por capricho ou por falta de amor. Ele pode se retirar e voltar à cena quantas vezes e quando quiser, e você que antes era diretor, vira espectador da sua própria vida.

Os amores mentirosamente impossíveis são o que fazem valer a pena esse lance de amor. A graça do amor é sofrer por ele. A graça do amor são as madrugadas chorando no chão da cozinha, para no dia seguinte enxugar as lágrimas e ir em busca de um novo amor fresquinho, saindo do forno. A graça do amor é se quebrar e se reconstruir para depois se quebrar novamente. O amor é contrário a ele mesmo. Tá ruim, mas tá bom. Dói, mas conforta. É amargo, mas é doce. É vilão, mas é mocinho. Mas ele é possível. O amor é sempre possível.

Se o amor é uma merda, a ausência dele são as moscas que rodeiam essa merda.

Homens de sunga

jun 29


Fonte: Google Imagens

Não é muito difícil descobrir que não sou uma fã de praia. Meu bronzeado dinamarques não me deixa mentir. Tenho um medo sobrenatural de mar, nojo de areia, minha pele é sensível demais ao sol e morro de vergonha de desfilar de biquini no meio da muvuca semi pelada. Ou seja, não há nada que eu goste na praia. Mas vez ou outra, pela insistência dos amigos, eu até me aventuro. Algo em torno de uma vez ao ano, e olhe lá.

Das minhas poucas experiências com praia, há algo que sempre reparo e sempre me traumatizo: Homens de sunga.

Na praia, os homens se separam em duas categorias. Aqueles que usam bermudas e aqueles que usam as horrorosas sungas. Acho que se for a praia com algum paquerinha e ele usar sunga, perco 40% da minha paixão por ele. Se a sunga for branca, perco 60%.

Não é tão fácil desviar o olhar da sunga do indivíduo, eu até tento, mas parece que aquela peça tem um imã, é quase hipnótico. Depois de um banho de mar, as sungas parecem fazer parte do corpo do cara. Como se tivessem sido colocadas a vácuo, e me pergunto se foi o cara que vestiu a sunga, ou se foi a sunga que vestiu o cara.

As sungas não cobrem completamente o que deveriam cobrir. Quer coisa mais vomitável do que pelos pubianos escapando de uma sunguinha super atochada? Porque levando em consideração que homens não se depilam, e que há pelos rebeldes naquele corpo que nunca encararam uma gilete, é praticamente impossível uma sunga cobrir todos.

Mas o pior de tudo, pior do que a estética de uma sunga, ou pior até mesmo do que pelos pubianos escapando, é o volume que a sunga deixa a mostra. Há informações que deveriam pertencer apenas ao dono daquele piru. Como para qual lado ele o guarda. Acho muito indiscreto descobrir se o cara é de direita ou de esquerda na primeira ida a praia. Além do mais, o volume entre as pernas pode ser uma armadilha das grandes (com o perdão do trocadilho). O cara pode parecer super bem dotado, quando na verdade aquele volume não passa de sacos escrotais enormementes desproporcionais. O que me dá calafrios só de imaginar.

Imagino que homens não usem sempre bermudas, para bronzearem as pernas também. O que, devo admitir, faz sentido. Mas não muda em nada o fato de que sungas são horrorosas e deviam ser queimadas em praia pública. Se o único motivo para usá-las é evitar as pernocas brancas, sei lá, use-as para pegar sol na laje da casa da avó, no sítio de Guaxexé ou o mais escondido da civilização possível. Não há desculpas para usar sunga em plena praia de Copacabana e ainda achar que está arrasando.