Assassinos de nome fofo
jan 04
A história mundial é caprichosa, salpica a cronologia com bastante sangue e dengo, uma controvérsia bélico-fonética difícil de descrever.
Houve, nos idos dos anos 70, um ditador cambojano que possuía uma convicção sanguinolenta e uma maldade minuciosa que chegava a dar medo. Ele, comuna bizarro, tinha um grupo guerrilheiro chamado “Khmer Vermelho” (Semioticamente, esse vermelho é de comunismo, não de hemácia) que, numa paranoia convulsiva, resolveu tolher qualquer resquício de intelectualidade em seu país. Destruiu as universidades, transformando-as em chiqueiros (literalmente), matou praticamente todo mundo que gritou “ai” contra ele. Quem pensou “ai” morreu também, diga-se de passagem.
O governo dele, sem um puto no bolso, fazia fila com os pobres-diabos na hora da execução. Uma bala para atravessar o máximo de gente possível, uma grande economia. Quando não havia fuzis, o negócio era saco plástico: era menos rápido do que um projétil, mas para matar sem pressa era um adianto. Quando não havia saco plástico, eles usavam a criatividade – estraçalhar crânios jovens em troncos de árvore, por exemplo.
Estima-se que entre 25% e 40% da população cambojana tenha morrido nos quatro anos em que ele ficou no poder. Dos mais de dois milhões de mortos, grande parte foi assassinada. A outra morreu em decorrência de trabalhos forçados e doenças. Ou seja, se esse massacre se desse de forma igualitária em todo o território, é bem possível que cada cambojano que não morreu arcasse com a tristeza de chorar por quem não tivesse a mesma sorte.
Talvez você saiba que eu estou falando de Pol Pot. Sim, um dos caras com o maior débito com Deus que a história já viu, tem nome de Fox Paulistinha, de Poodle. Tudo bem que seu inimigo número 1, o general Lon Nol, também tinha um nome gostoso de se falar. Mas acho que Lon Nol (um palíndromo, se você reparar) não matou ninguém. Na verdade, Pol Pot se chamava Saloth Sar, outro nome neném, mas resolveu mudar para um nome super comum na época, sei lá, acho que para rolar mais empatia com o povo. Acho que se eu fosse um cambojano, nem se ele tivesse o nome da minha mãe, eu ia gostar dele.
Como uma pessoa com esse nome pôde matar tanta gente? O curioso é que muitos outros ditadores, cujo principal ofício era finalizar vidas, tinham nomes mimosos como o de Pol Pot.
Idi Amin (Uganda) – Torturou e matou quase 300 mil.
Mao Tsé-Tung (China) – Suas perseguições e torturas levaram mais de um milhão de chineses para o céu (O que me traz a dura constatação de que o Céu também está entulhado de chinês… Merda!).
Pinochet (Chile) – Responsável pela morte de 3 mil opositores e pela tortura de 30 mil pessoas que deram bom dia depois das 12 horas.
Stalin (União Soviética) – Há quem diga que ele matou 12 milhões de pessoas.
Fanatismo, paranoia, maldade, sangue frio, loucura… O que passa na cabeça de gente assim? Só sei que graças a essas barbáries, perdemos nomes lindos, afinal, quem se arriscaria a dar nome de assassino pro filho ou pro cachorro?
Não pensem em Hitler. O nome dele não era nem um pouco fofo.




“Nome neném” foi ótimo. Belo texto, Pedro!
achei o blog Corra Mary pelo twitter de alguém, que tem Twitter, sei lá. O importante é que viciei nos textos, bem escritos, com conteúdo e sarcásticos (porque não basta ter vocabulário, tem que saber usar).
Obrigada por mais uma dessas bençãos raras na internet, mundo cheio de miguxos e miguxas.
Beijos,
L. Clementine
Mao Tsé-Tung nao conta Pedro! Ele tem “Maodade” no nome.. han? han?
hahahahaha