Tristeza, dor de cálculo renal, traição, bolada no saco, quebrar a perna… Ninguém gosta dessas coisas. Outra infelicidade criada por Deus, ou por aminoácidos safados que se juntaram errado, são os artrópodes voadores. Qualquer ser que faz “clec” quando é esmagado e “bzzzz” quando voa não poderia existir. É covardia. Se eles soubessem o poder que têm sobre nós, o mundo já teria ido para o saco. SerÃamos escravos das baratas, e os únicos livres seriam os chineses, pois eles comem todos esses animais bizarros. Eta povinho mais morto de fome, hein? (desculpem, chineses, é brincadeira, eu só odeio o governo de vocês. Bem preferia uma barata no partido comunista).
Estava agora tentando escrever outra coisa, mas um insolente voador praticamente pediu para que eu escrevesse sobre ele. O puto vem, tenta entrar na caverna mágica (vulgo minha orelha), eu não deixo, ele foge… Aà ele esquece que tem uma mão gigante impedindo a entrada na caverna mágica, e vem de novo! Porque mosquitos gostam tanto de ouvidos!? A sabedoria popular diz que eles amam a luz, e eu concordo, mas porra, quer coisa mais escura que um ouvido?
Hoje, quando estava pronto para entrar no banho, entrou uma abelha no banheiro. Vesti minha roupa imediatamente, pois só a mais remota ideia de ser picado em partes indevidas me deixava em pânico. Comecei a lutar esgrima com ela. A vaca (digo, abelha) com o ferrão e eu com a toalha de rosto do banheiro. Quando a perdi de vista, ouvi um “toc!”, e vi que ela tinha dado de cara na lâmpada acesa. Ser um inseto e bater de cara com uma lâmpada deve ser a própria visão divina para ele. Desisti da contenda e apaguei a luz. Ela saiu pela fresta do basculante (vasculhante? Vasculante? Que merda de palavra) e meu banho pôde começar em paz.
Eu tenho certeza de que, assim como Emilio Santiago toca nos elevadores, a música ambiente do inferno é um zunido daqueles bem escrotos. A frequência emitida por esses mosquitos entra em choque com o que estamos habituados a ouvir (isso é uma teoria totalmente infundada, não acredite nisso, nem coloque no trabalho de ciências), tanto que, quando há zumbido, não tem como conversar. Preferiria que eles apitassem em vez de zunir, sei lá. Preferia que eles não existissem, na verdade.
É por essas e outras que eu dificilmente irei para a Amazônia algum dia. Se em cidades menos urbanizadas, a gente já encontra coisas que não dá para acreditar que voam, de tão grandes, imagina na Amazônia? Sério, em Maricá, terra de coração da minha avó Zinda, volta e meia éramos assolados por mangangás. Bom, não sei qual é o nome verdadeiro, mas na literatura entomológica maricaense, é mangangá mesmo. O troço é uma bola preta voadora de uns cinco centÃmetros. O ferrão dele deve fraturar um braço, parar um coração, sei lá! O que me deixa satisfeito é que esses desgraçados morrem depois que picam. Se fuderam.
Se é assim em Maricá, cidade a meio quilômetro daqui, imagina lá naquela vastidão de árvores e tudo mais que um bicho voador pode pedir? Eu consigo imaginar autênticos pokemóns, com punhais na bunda, prontos para assassinar seringueiros, Ãndios, sertanistas e biólogos. Bom, antes que você me ache preconceituoso (Campello me traumatizou – vide comentários do “Aliste-se no exército”), eu sei que na Amazônia moram outras pessoas. Eu só não quero citá-las, ok? Se eu me cago de medo de um marimbondo, imagina da vespa real amazonense? Má nem fudendo…
Mas a maior sacanagem já feita foi a barata voadora. Porque a barata que não voa, por mais velocista que seja, dificilmente te pegará por cima, desprotegido. Mas a barata voadora não, ela pode ir direto no seu pescoço, te dar uma gravata psicológica e te matar de pânico.
Não adianta, tirando o papel que eles fazem na cadeia alimentar, não tem outra coisa que se pode dizer de bom deles. Aqueles cupins de luz, chatos pra caralho; o percevejo, mais fedido que a tristeza; a esperança, que só te faz ter a esperança de vê-la longe da sua casa; as abelhas, que invadem o seu ecossistema (ou o seu ônibus) e te picam suicidamente; os mangangás, que me aterrorizavam na infância… Resumindo: o mundo tem muito mais artrópodes do que seres humanos, e constantemente eles nos infernizam para mostrar que são maioria.
Vou ver uns episódios de Black Kamen Rider, ou filmes como Formiguinhaz, Vida de inseto ou Joe e as baratas. Senão daqui a pouco eu incito um genocÃdio e os meus amigos biólogos não vão gostar nada disso.
Pedro
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Olha, medo de inseto eu ja ouvi falar, mas voce tem uma repulsa quase indescritÃvel! Como assim morrer de pânico ao sentir uma barata voadora te dando uma “gravata psicológica”!?!?!
hahahahahha
ta vai, td bem, barata voadora é uma criatura aterrorizante de fato.
Hahahahaahahah!!!! Entendo completamente esse repudio aos artrópodes, todos em geral tb me aterrorizam.
Bju
Não é só você que odeia zumbidos. Acredito que a humanidade inteira faça parte desse grupo. Ou, pelo menos, é o que os criadores do filmes “O Exorcista” acham. Não me lembro agora se é lenda urbana ou se foi a própria equipe de filmagem que disse ter usado, nos surtos da menina, sons emitidos por porcos (para combinar com a imagem alterada dela) e abelhas (devido ao medo natural que todos sentem ao ouvi-las).
Também não pretendo chegar muito perto da Amazônia. Se sobrevivermos aos insetos, tem um monte de piranhas, jacarés, cobras gigantes e onças esperando o rebote.
Dizer que os artrópodes são o subfilo mais numeroso do reino animal não é exagero. Estima-se que a soma da massa (!) de todos eles supere a de qualquer outro subfilo. Imagine então se considerarmos quantidade de espécies e espécimes!
Por fim, não sou a favor do fim dos artrópodes, porque os crustáceos são muito importante na minha cadeia alimentar. Os outros poderiam ser exterminados. Seria goleada!
UoU…Fiquei surpreso com sua capacidade de transformar um simples zumbido ou uma minuscula abelha num terrivel outro, do mal, aterrorizante….MALIGNO.
Confesso que fui lendo seu texto e me vendo em algumas palavras, não em relação ao escrito própriamente dito, mas em vista a criatividade…Certa vez me peguei escrevendo sobre um grão(Até hoje não sei se a areia tem realmente grão ou tem outro nome) de areia, que por infelicidade caiu em meu olho…Pronto, criatividade a postos, caneta a mãoo e fu@#$%#
Não publiquei, achei que seria “nada a ver”, taÃ, me arrependi.kkk
AHUAHAUHUAHUAH cacete peter, na mosca! nunca na vida nada será mais amedrontador e panicante do que o “nnnnnnnhé” no meu ouvido enquanto eu tento dormir…
a raiva que dá desses insetos é que a existencia deles parece que tem as prioridades embaralhadas: incomodar em primeiro, machucar em segundo, servir o ecossistema em terceiro
só isso explica a indole kamikaze das abelhas, marimbondos, bolas de tenis negras voadoras de maricá…
Realmente Pedro, não importa o que nossos amigos biólogos pensem, insetos são pragas. Esses dias mesmo já tive que dividir meu capuccino com uma abelha, ganhei milhares de mordidas de pernilongo, fora aquele bolo que vc espera encontrar em cima da geladeira e esta com cobertura de formiga. Até mesmo aquele mais adorável por todos, a borboleta, já foi um treco rastejante e asqueroso que são como ninjas pulando das árvores no seu pescoço para aplicar a gravata psicológica. Parabéns Pedro, tema show de bola.
hahaha eu ODEIO insetos, ODEIO ODEIO ODEIO!! São asquerosos e irritantes -.-
Adoro vir por aqui ler vcs
oi nunca tive medo seus medrosos
Estou adiministrando um blog sobre artropodes, estava pesquisando no google blogs sobre artropodes e o seu blog foi o primeiro da lista. Entendo perfeitamente o seu sentimento em relação aos artropodes, também sinto nojo de muitos deles, especialmente das baratas que constituem um trauma de infância na minha vida.
O que eu queria comentar é que todas as baratas tem asas e todas podem voar, na verdade todo inseto tem 2 pares de asas e isso pode ser melhor visualizado em borboletas, mariposas e libélulas, em espécies de hábitos terretres, por exemplo as baratas, o primeiro par de asas é mais queratinizado formando uma carapaça dura para proteger o animal, por isso ele faz “clec” quando é esmagado, o segundo par de asas fica abaixo do primeiro e quando a barata sente a necessidade de voar ela engole ar e infla esse segundo para de asas.
Espero que com essa informação vocês naõ sejam pegos de surpresa por nenhuma barata voadora disfarçada de terrestre.