(A)normal

jun 10

“A vida é cheia de mudanças. Às vezes elas são dolorosas, outras vezes são lindas e, na maioria das vezes, ambas as coisas.” (Dawson’s Creek)

Ela não conseguia lavar todo o amontoado de roupa suja que parecia interminável.
Ela tirava uma por uma e aquilo era infinito. Parecia que tinha engolido a cama para sempre.
Não importava, ela não dormia mais.

Ela andava por todos os lados da casa sem conseguir se lembrar de verdade o que estava fazendo ali. Como se toda sua memória estivesse sendo apagada de segundo a segundo, não a deixando ter memórias novas, pensamentos novos, e ela estava presa ao segundo anterior disso tudo ter começado. E nem disso ela conseguia se lembrar. Na verdade dizem que ela apenas não queria e que inventara uma língua só sua, para não dividir com mais ninguém.

Ela não era louca daquelas que se sentem pena por aí, daquelas que assustam ou a fazem pensar na tal lucidez ausente, ela apenas tinha cansado. Seja lá do que fosse, era evidente que ela tinha cansado, e que ficara presa naquela linha que divide um lado do outro.
Não era louca o suficiente para ser chamada de anormal, e nem normal o suficiente para ser chamada de qualquer uma.

Nunca se soube quando nem aonde. Nunca vieram nos contar o porque daquela moça nunca ter saído da linha divisória, mas minha última recordação dela, era quando se sentava e começa a escrever todas as cartas que ela costumava a escrever na sua língua e lia alto para que o mundo todo soubesse do que ninguém conseguia entender.
E por fim, todos permaneceram sem entender uma só palavra.


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