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abr-24-2009

Aliste-se no Exército!

Escrito por Pedro

- Você, que vai completar 18 anos neste ano, procure a junta militar mais próxima e se aliste no Exército brasileiro.

- Você não perde por esperar por uma vida cheia de emoções e aventuras.

- Você vai ver a vida de um outro ângulo!

(Hora da descida alucinante de rapel. Os três viram de cabeça para baixo e ligam o foda-se – descem exageradamente rápido e sem freio. O Chroma Key é a dádiva dos comerciais de baixo orçamento.

Alguém já viu esse anúncio escroto?

São três rapazes representativos (um branco, um negro e um índio) super-simpáticos e quase fofos. O que era para ser um comercial sobre o alistamento militar, mais parece uma cena de filme pornô gay. É um comercial tão feio que chega a dar raiva. Só que o que mais irrita é ver que o mundo no alistamento militar não é cheio de aventuras e emoções. É simplesmente uma experiência infeliz – a menos que o sujeito queira servir, é claro.

Nos idos de 2004, fui me alistar naquela porra. Cheguei à 5ª circunscrição de não sei o quê, às 5h15 da manhã. Nesse dia, para começar uma delícia, o aquecedor estava escangalhado e eu tomei banho frio. Nada como sair da cama no outono e ir direto para um banho gelado na madrugada. Na rua não havia ninguém, até os assaltantes estavam dormindo nessa hora. Os únicos acordados eram os retardados na fila.

Eu fui o segundo a chegar. Tinha um cara mais velho na minha frente, o que me fez pensar em coisas desconexas (para quem acorda às 4, o estranho é pensar com nexo, mas enfim). Duas horas depois, quando a fila estava imensa, um riquinho chegou e trocou de lugar com o velho na fila! Ou seja, ele pagou para o cara guardar o lugar dele. Ter dinheiro deve ser uma delícia, mas só de pensar que eu poderia me tornar algo parecido, fico mais confortável na classe média. É mais meritocrático. Mas o riquinho em questão era meu amigo, então ficou tudo bem. No final, ele até trocou de lugar comigo, só porque eu, dentre as pessoas honestas, fui o primeiro a chegar realmente.

Eu, que nessa hora já reclamava da vida, mal sabia que aquilo era sorvete de limão perto da chatice psicológica que é o alistamento propriamente dito.

Dias depois, fui para Triagem. No mundo dos homens, sempre há dias específicos que ficam ou vão ficar como marcos. Um deles é o dia de ficar peladinho no Exército. Uma coisa bem desagradável, mas que passei sem ser zoado (até porque, zoar anatomia dos outros é vacilo).

Para você se livrar do exército, basta ter algum daqueles problemas que não chegam a ser assustadores: miopia e similares (de dois graus para cima, de preferência), pé chato, escoliose, hérnia, fratura bizarra, essas coisas. Nessa época comecei a reparar que, embora branquelo e fraco, era uma pessoa sem esses defeitos chatinhos, porém mãos-na-roda. Ou seja, não consegui ser eliminado de primeira. Tive que continuar indo diversas vezes até que eles constatassem detalhadamente que eu era indigno de entrar nas Forças Armadas.

Para piorar a situação, eu fui distribuído para Deodoro. Se antes eu tinha que ir ao cu do mundo, agora estava indo ao cólon – sempre há um jeito de ir mais profundo. Foram 10 lancinantes dias no 30º tal Batalhão de sei lá das quantas. Só sei que às vezes alguns paraquedistas voavam no céu – era um divertimento coletivo torcer para que eles morressem, mas nada grave acontecia.

Depois de ficar peladinho novamente; assistir a 318 vídeos do Exército (uma coisa meio TV Educativa feita por pessoas que não têm o mínimo de educação); ir miseravelmente mal em exercícios como barra, corrida e flexão (tinha gente que fingia ir mal para não servir. Eu nem precisava interpretar); torrar no Sol, finalmente chegou o último dia.

O último dia é o momento em que somos recebidos pelos Sargentos (a patente mais detestável do Exército – Um bando de Zés Bucetas que suaram para chegar a essa merda de posto, e que nunca mais vão ser graduados. Não fedem nem cheiram, coitados). Eles sabem que a grande maioria dos alistados vai embora, então eles meio que infernizam a gente só pelo bel prazer de deixar alguma marca em nossos corações.

Tinha um gordinho que, tadinho, era o mais zoado. O outro era um rapaz de trancinhas. O terceiro era um branquelo da Zona Sul, com cabelo esquisito. Sim, era eu. Eu era o único da zona sul, logo, era tido como o milionário, filhinho de papai, vovô e mamãe. O sargento Zé Buceta-mór chamou os “três patetas“ para uma conversa na frente do pelotão dos recrutas. Aí um deles me olhou e começou a defecar pela boca:

- Ih, olha o soldadinho de Hitler!

Aí eu, mesmo querendo fazer um holocausto com eles, protestei.

- Que isso, gente, Hitler não…

- Opa! Ele sabe de história! Fala aí de Hitler pra gente, Jardim Botânico (esse era meu apelido).

- Hitler era um cara muito babaca e preconceituoso… Tipo vocês.

- Qual é meu irmão!? Perdeu a noção do perigo!?! Tá maluco?

Aí vem um e solta uma pérola da intelectualidade:

- A gente não é preconceituoso, você que é diferente.

Nessa hora você respira… Porque é só isso mesmo que dá para fazer.

Quando pensei que ia apanhar, eles mandaram a gente sentar. O gordinho zoado falou “pô, bem feito pra eles!”, e começou a contar para todo mundo sobre meu ato heroico. Virei o rei dos zoados, dos que perdiam o lanche na escola e dos bundões em geral.

Cinco anos depois, ainda sinto um ódio intenso dentro de mim. Um bando de embotados com fuzis na mão, que maravilha. Ainda bem que o Brasil não entra em guerras, senão estaríamos fudidos e mal pagos. Pior é que, se o Brasil entrar em guerra, eu ainda vou ter que torcer por eles…

Pedro

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  1. Corra Mary em 24 de abril, 2009

    Nunca entendi isso de pé chato. Pq não pode? Qual o problema com pés chatos? Atrapalham? hahaa

  2. Joana em 24 de abril, 2009

    Hahahah
    Não sabia desse seu episódio heróico do exercito! Muito bom!!

    ps: quem tem pé chato tem dificuldade pra correr. ;)

  3. Fulana em 25 de abril, 2009

    bah como se não me bastassem os problemas que eu tenho acabo de descobrir que tenho dificuldade pra correr.

  4. Aline Santos em 27 de abril, 2009

    É mais importante a inteligência do que um corpo atlético. =)

  5. Mari em 27 de abril, 2009

    Por que militares são sempre tão detestáveis? Ainda bem que eles não e obrigaram a ficar!

    P.s.: Meus pés têm curvinha mas eu sou menina, oba! \o/

  6. stef em 27 de abril, 2009

    isso me lembra uma história muito boa de quando o meu namorado foi se alistar.
    o chefão lá falou “não pode cabelo colorido. não quero saber de ‘ah mas eu sou emo’. emo é o caralho, tu é viado!” hahahaha

  7. Flavia em 27 de abril, 2009

    To rindo MUUUUUITO da parte “nos nao somos preconceituosos, vc que eh diferente” ahhahaha
    Pra vc ver o nivel de inteligengia dos caras responsaveis pela seguranca nacional! Eh amigo, esse eh o pais em que vivemos. Mas ainda assim, eu sou patriota… E tb vou ser obrigada a torcer por esses mini-hitlers numa guerra…

  8. Flavia em 27 de abril, 2009

    ps.: rindo pra nao chorar

  9. Ulrich em 28 de abril, 2009

    Eu tenho um amigo na ‘guerra’ no haiti… Ou na força de paz… Levou um tiro de raspão no braço (nadica de nada) ele disse q foi bobeira dele…
    Enquanto ao pé chato… Imaginae vc no meio da bagunça e tem um pé chato enchendo o saco? eh um puta pé no saco isso… iueahaiuehaeuiae (tá… foi um trocadilho muito mal feito eu admito…)
    Mas adorei c soltando a do hitler ueahaiue

  10. Débi em 3 de maio, 2009

    Hahahaha!!! Um dos três do comercial é meu amigo… e… sim, parece um filme pornô gay, ha.

  11. Campello em 10 de maio, 2009

    Ser militar não é sinônimo de baixo nível intelectual.
    Tem muito troglodita, mas generalizar é coisa de ignorante.
    Assim como o Sgt foi preconceituoso, você também foi.
    Eu servi em 2004. Contra minha vontade, mas valeu pela experiência.
    Pondere mais antes de postar o que você pensa aqui.

  12. Corra Mary em 10 de maio, 2009

    Pedro, favor não ponderar antes de postar aqui. haha
    Essa é a graça desse blog.

  13. Pedro Staite em 11 de maio, 2009

    Valeu, Campello, anotado.

    Valeu, Mary, anotado também!

  14. Hihi em 9 de julho, 2009

    Affs vo ter q ir nesse treco ai hoje ainda,ja é 3:26 das madrugas … ja achei umas bouas deculpas
    para enrolar eles xD , fico la nem fodendo hihi.

  15. Aninha em 12 de julho, 2009

    hahahahha e o menino riquinho era meu amigo, hauhauhauhauhauahuahuahuahuahuahhauhauhauhauhauhua

  16. EVAN em 20 de setembro, 2009

    ESTOU AQUI LENDO ISTO,ME VEIO UMA LEMBRANCA TAO DISPENSAVEL TE TUDO ISSO, JA SE PASSARAM 20 ANOS E ESTA MARCA QUE FICA EM NOSSOS CORASALZINHO NUNCA SE APAGA MESMO MUDANDO DE PAIS, COMO EU AQUI NA AMERICA HA TANTOS ANOS 15 NO TOTAL. AQUILO QUE PASSAMOS ALI NAQUELE LUGAR E DA MAIS ABSOLUTA HUMILHACAO AO SER HUMANO “AINDA MAIS PO SER HOMEN RECEM FORMADO”. SOMOS ALI TRADATOS COMO INIMIGO DELES PRISIONEIROS DE GUERRA E NAO COMO “MENINOS” QUE ESTAO ALI OBRIGADOS A SUJEITAR AQUILO TUDO AQUILO ‘MALDITO SEJE ESSE EXERCITO BRASILEIRO .

  17. Celso Roncarati em 6 de abril, 2010

    Impressionante como não mudou nada em quase 40 anos, tempo no qual eu estive lá, no tal do Forte Copacabana. Pode ter mudado o país, o regime, a sociedade, mas o tal do exécito continua igual, um bando de imbecis. Esse negócio já tinha que ter mudado faz tempo: nada de obrigatoriedade; vai lá quem quer; se profissionaliza naquela bosta e ganha direito que é para parar de ter idéias de minhoca na cabeça, tipo prestar serviços na área de segurança sabe-se bem a quem. E para ganhar direito, trabalha direito, se especializando numa área. A guerra das Malvinas mostrou berm isso, a diferença entre um exército de meninos conscritos à força (os argentinos) e um exército de soldados profissionais. Chegou uma hora que a maior aspiração dos meninos portrenhos era ser capturado logo por uma unidade inglesa e ficar tomando sopa quente às custas do contribuinte inglês. Uma tragicomédia.

  18. thiago em 13 de julho, 2010

    quem tem cirurgia de retirada de BAÇO {orgão sem utilidade} pode se alistar?????

  19. fabiano em 4 de agosto, 2010

    só quero morre de lembra qe tenho qe ir nessa merda daki a 5 horas !, o incrivel é que existem muitas pessoas qe qerem servir e são dispensadas, principalmente as que tem ateh 7ª série, e eu que tenho E.M e técnico concluido invez de poder arrumar um emprego e continuar os estudos tenho q e ir nessa porra, ouvi grito de homens qe NAO sao meus pais, engolir sapos, ser forçado a fazer atividade física desnecessária ( barra, sentado 1-2, de pé 1-2) só para nao foder com os companheiros de pelotão. E ainda me dizem qe vou aprender disciplina, minha mãe ja me ensino isso, nao preciso qe nenhum marmanjo de baxo salário e de baxo alta estima me ensine isso, ele que tenha filhos. Brasil = se não toma no cú, toma na cara.



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