Aborto – Quando a vida começa?

jul 26

Toda discussão sobre aborto, gira sempre em volta do mesmo impasse: O direito à vida.

Mas para discutir o direito à vida, é fundamental traçar em que momento exato ela começa. Há quem diga que a vida começa no momento do nascimento, após os 9 meses de gestação. E ninguém melhor do que eu mesma para reivindicar essa teoria. Nasci aos 6 meses. Enquanto a maioria de vocês ainda estavam no conforto do útero de suas mães, eu já estava aqui fora lutando por esse direito. Eu ainda não estava completamente desenvolvida, mas já havia alguma chance, mesmo que mínima, de’u conseguir sobreviver. Ou como dizia o médico, do feto conseguir vingar.

Aos 6 meses, eu já possuía o necessário para existir fora do útero da minha mãe. O que não ocorreu com o feto do aborto espontâneo aos 2 meses que minha mãe sofreu alguns anos antes do meu nascimento. A diferença é que eu, aos 6 meses fui um nascimento prematuro, o feto, anos antes, um aborto espontâneo.

O que separa o homem dos animais é a consciência. É o que dá a ele não a vida, mas o direito a ela. A consciência faz de um amontoado de células, um ser humano. Sem ela, não há vida. Apartir do momento em que cessam as atividades cerebrais de um indivíduo, é decretada sua morte. Sendo então a morte o contrário de vida, a mesma se inicia quando começam os estímulos cerebrais.

O cerebro começa a se formar no embrião aos 3 meses, é quando ele começa a adquirir individualidade. Isso quer dizer que antes disso, aquele embrião tem a mesma consciência que a samambaia da casa da sua vó. Aquele organismo não é uma vida, mas sim uma vida em potencial. Assim como os óvulos que se perdem antes da menstruação ou os espermatozóides liberados de uma punheta descompromissada. Uma vida em potencial, não é argumento válido para o direito à mesma. O direito deve ser dado não a pontencialidade, mas sim ao que chega a ser.

Não faz sentido querer dar direitos a uma potencialidade de vida e esquecer completamente de uma vida já concreta. O direito à vida não está com o embrião, e sim, independende das causas e motivos, com quem o carrega.

38 Comentários

  1. O melhor texto que eu já li sobre o assunto, sem aquele monte de clichês, ou sentimentalismos baratos.
    Parabéns

  2. Que medo, meu pai diz exatamente isso (sobre a vida começar no momento que neuronios se desenvolvem, ou qualquer coisa assim), e eu concordo. Não teria problema algum em aceitar um aborto até uns 3 meses de “existência” do feto, visto que não é uma vida, não seria um “infanticídio”, mas mulheres que decidem não ter o filho quando este chega aos 6, 7 meses de gestação deviam morrer queimadas.

  3. Assassina :P

    Este assunto pra mim eh mais complicado do que um boi em loja de ceramicas.

    Como homem (esta eh umas da 5 razoes pela qual gosto de ter nascido homem) não consigo entender ou chegar perto de entender lance de gravidez / aborto. N sei como a mulher sente. N sei se aquilo dentro dela realmente esta vivo. Para mim não passa de uma ideia, entretanto imagino que a para mulher aquilo eh algo real, tangente.

    Por isto unica coisa que eu defendo é o direito da mulher ter liberdade de poder fazer a escolha dela.

    Infelismente, as vezes, a liberdade vai ser paga com o sangue…

  4. Ótimo texto. Concordo que até os 3 meses é uma vida em potencial e não uma vida existente.
    Mas sou a favor do aborto apenas em casos que envolvem estupro ou risco de morte da mãe ou da criança.
    Com tantos meios contraceptivos, engravidar “sem querer” é irresponsabilidade. E como adultos, acredito que devem assumir as consequencias dos atos.
    Eu fui mão aos 16 anos, nunca justifiquei dizendo que foi “acidente”. Sempre soube as consequencias e as assumi.

      • Chico Bigorna /

        Oi, Vera. Você disse que “engravidar ‘sem querer’ é irresponsabilidade” ao mesmo tempo que defende o direito ao aborto “apenas em casos que envolvem estupro ou risco de morte da mãe ou da criança”.

        Corrija-me se eu estiver errado: pelo seu raciocínio, você acha então que deveria ser obrigatório que seja gerada uma criança com os pais que você chamou de irresponsáveis, do que permitir o aborto de um feto que, segundo suas próprias palavras, “é uma vida em potencial e não uma vida existente”?

        Você termina o seu texto dizendo que os pais, “como adultos, … devem assumir as consequências dos atos”. Na minha opinião, quem vai ARCAR com as consequências toda vai ser a pobre criança, gerada de forma indesejada, por pais despreparados e, segundo suas palavras, irresponsáveis.

        Usar a si mesma como exemplo não quer dizer nada, não é algo representativo. Você é uma exceção.

        Então, na sua opinião, a criança que será gerada que se vire para ter uma vida boa, digna e produtiva sendo criada por pais irresponsáveis? É isso mesmo?

        Eu só queria entender…

  5. Felipe Aguiari /

    essa marina me enche de orgulho, hahaha disse o q eu sempre pensei e nunca consegui dizer de forma tao clara !!! execelente , vc ta cada dia melhor nisso ;)

  6. Caralho, não concordo com você, acho mal exemplo, e estimulo para a promiscuidade, mas seu argumento está inquestionável, melhor texto sobre o assunto que eu já li. Só não concordo porque sou radical de direita e ignorante.

    • onde tá o estímulo a promiscuidade?!

      • Eu entendo o pensamento dele.

        A maior punição atualmente por sexo desprotegido eh um gravidez. A AIDS perdeu a liderança graças ao avanços da medicina.

        Seguindo a linha logica deste pensamento, com aborto liberado, se vc tem uma gravidez não esperada, basta apenas abortar e sua vida volta normal certo?

        Pensamento idiota isto. So quem ja fez um aborto sabe como eh e nao eh algo tao simples assim…

        • Aborto não é metodo contraceptivo. Nunca abortei, mas imagino que não seja mesmo tão simples assim.

          • não é porque a garota faz unsafe sex que ela é promíscua, galera! ela pode muito bem transar várias vezes com um mesmo cara, tipo…o namorado dela, sabe? fora que na verdade o fato dela ter engravidado nem significa que ela fez sexo várias vezes, se fizer uma uma vez só sem se proteger já basta!

          • Triste pensar o feto tentando se defeder na hora do aborto. Vi um vídeo de um médico( que praticava aborto).Horrível.Mas para evitar essa dor (para mãe e bêbe) é só se prevenir.Camisinha sempre!

        • É verdade né… Abortar não deve ser nada agradável; Nem pilula do dia seguinte as mulheres gostam de tomar né… Calma que eu aprendo.

    • Parabéns Mary, adoro os teus textos. E você conseguiu expressar exatamente o que eu penso nas últimas linhas: “O direito à vida não está com o embrião, e sim, independende das causas e motivos, com quem o carrega.”
      Beijos, é bom saber que ainda tem blogs legais na internet.

  7. antes abortar do que colocar filho no mundo e não cuidar, largar na vida como se fosse obrigação dos outros (do governo, da escola, dos professores, de quem quer que seja) cuidar, alimentar, limpar… já trabalhei com crianças e sei o efeito devastador no psicológico delas causado pelo abandono afetivo por parte das mães. ainda penso que o melhor é PREVENIR, mas se ops, aconteceu, mas não quer, não acha que tem condições, então o melhor é abortar, sim.

  8. Falou e disse, mulher! Eu só ficaria com um pé atrás mesmo de fazer um aborto no brasil porque é ilegal. Não por ser ilegal em si, mas porque você acaba se submetendo a técnicas possivelmente precárias, sob péssimas condições, um lugar sem fiscalização sanitária ou qualquer exigência, e que se você se ferrar depois, simplesmente não tem a quem recorrer ou com quem reclamar. Claro que essas condições variam também da sua situação financeira, mas isso acontece com qualquer serviço médico em geral mesmo.

  9. E vamos nós de novo, dessa vez, felizmente, em um texto mais sussa.
    O problema de se associar a vida à consciência é o fato de que existem gradações de consciência, o que assumiria a possibilidade de assumir gradações de vida. O próprio estado comatoso possui graduações de inconsciência. Ou o sono.
    O meu argumento anti-aborto é apenas um: tudo o mais constante, havendo gravidez, o que tende a acontecer é que o feto nasça, da mesma forma que tudo o mais constante, o que tende a acontecer é que você viva até amanhã.
    Claro, merda acontece: você pode ter um infarto fulminante. Pode acontecer aborto espontâneo. Mas tudo o mais constante, não é o que acontece.
    Nesse sentido, interromper uma gravidez é interromper o desenvolvimento de uma vida que, repito, tudo o mais constante, vai nascer. Da mesma forma, se eu mato alguém, eu estou interrompendo o desenvolvimento de um ser humano que, tudo o mais contante, vai viver.]
    O argumento de que o feto não possui condições de sobreviver é meio fraco, porque se você colocar um bebê de duas semanas no meio da sua sala com um cartão de crédito e o telefone da pizzaria, ele vai morrer de fome do mesmo jeito.
    Agora, se é pra polemizar mesmo, vamos baixar o nível de verdade.
    A discussão a respeito do aborto não é uma discussão sobre a vida humana. É uma discussão sobre Responsabilidade e Poder.
    É sobre pessoas que preferem abortar a terem que assumir a Responsabilidade de criar um filho que foi resultado direto dos seus atos (perceba que estou excluindo a gestação advinda de estupro).
    É sobre pessoas que preferem interromper uma vida a abrirem mão da sua liberdade, expectativa de uma carreira, conforto, baladas, namoros, etc, etc, etc.
    É primordialmente sobre Liberdade: Você não pode me obrigar a gestar e criar essa criança.
    É, primordialmente, sobre Poder: Eu não quero me sacrificar, portanto, eu vou sacrificar esse feto, porque eu POSSO.
    Discutir quando começa ou não a vida é o que a gente chama de “cortina de fumaça”. Tática Diversionista.
    A questão que fica é apenas uma: o fato de eu ter o Poder de fazer algo significa que essa conduta deve ser permitida pelo Estado? Cuidado com a resposta porque ela pode se virar contra você.
    Para mim, aborto é assassinato. Eu nunca disse que era contra o assassinato: eu tenho 1,95m, 100 kilos, faixa preta de esgrima coreana, instrutor de duas artes marciais e de combate com facas, já saí na porrada com dois cara ao mesmo tempo numa balada, já parti pra cima de um assaltante que tava armado com uma chave de roda, rendi ele com uma faca e cogitei esfaquear ele nos rins.
    Mas se é para permitir, vamos permitir direito.

    • Vou jogar lenha na sua fogueira para ver como fica o calor.

      Vc defende a constante da vida. Aonde se pessoa / feto vai provavelmente viver no futuro imediato, então seria assassinato interromper esta linha.

      Mas e a eutanasia? Como vc classifica ela?

      • Bom ponto, e vc já pegou o espírito da coisa: Coerência.

        Eu classifico a Eutanásia como “Suicídio Assistido”. É o auxílio prestado a alguém que está em Estado Terminal e incapaz de, por força própria, acabar com a própria vida.

        No caso, no meu entender, a Eutanásia se distingue do aborto e do assassinato porque na Eutanásia o doente está em plenas condições de sanidade mental e apto a escolher, conscientemente pela morte. A única coisa que ele não consegue fazer é pular de uma janela porque, veja bem, ele está preso numa cama.

        Na minha opinião, no caso do aborto e do assassinato você está escolhendo terminar com o potencial de continuidade da vida de outra pessoa.

        Obviamente não precisamos de exemplos (recurso inferior de argumentação), mas o filme “Menina de Ouro” é um ótimo exemplo da diferença entre eutanásia e assassinato.

        Diga-se de passagem, o Dr. Jack Kevorkian (o famoso Dr. Morte) desenvolveu um método de suicídio assistido no qual a pessoa teria apenas que apertar um botão, de forma que a grande questão era: se eu coloco uma agulha no baço de alguém e falo: “olha, tá aqui, aperta esse botão e você morre sem dor” e essa pessoa aperta o botão, eu posso considerar isso assassinato?

        EU, Anarcoplayba, acho que não: as pessoas têm total direito de se fuderem como bem quiserem. Só não têm o direito de fuder com as outras.

        • Gostei. Mas agora que o bixo pega de vez.

          Nos EUA tem um grande numero de pacientes em estado de coma vegetativo. O estado vegetativo eh classificado como uma pessoa que teve um dano cerebral, entretanto não tem morte cerebral e inclusive pode se recuperar e voltar ao normal(muito improvavel, mas eh possivel).

          Uma das grandes discussões com relaçao à eutanasia estaria relacionado justamente com estes pacientes. Quando podemos julgar à aplicar eutanasia em alguem em coma vegetativo? Quando ele deixou de ser uma vida em potencial para ser um vegetal?

          Maioria das pessoas que entram em coma deste tipo não se recuperam.

          Entretanto, sempre temos os contra-exemplos pra infernizar nossa vida.

          • Pois é… essa é realmente uma boa questão e, como tal, depende de cada um… pessoalmente, eu defendo que se mantenha a vida, uma vez que os riscos no erro são muito grandes: 99% nunca se recupera, mas e
            o 1% que se recupera?

            Mas até aí também, eu tenho amigos que defendem a esterilização de mendigos como forma de limpeza social…

  10. Mari Ramoa /

    Apesar de ser a sua opinião, esse foi um dos melhores textos que já li sobre o assunto e expõe muito do que penso a respeito disso. Excelente texto, parabéns! :*

  11. Marão, discordo de uma porrada de coisa no texto. Não concordo, por exemplo, com o conceito de vida de que só existe vida depois da formação dos neurônios. Sim, antes dele o feto nada mais é que um organismo como a samambaia da casa da sua avó, mas a samambaia da casa da sua avó É uma vida. E sem seres como essa samambaia não haveriam bichinhos que comem plantinhas e nem nós, que comemos os bichinhos que comem plantinhas, as plantinhas e etc.

    Concordo que é a consciencia que faz de um amontoado de células um ser humano, mas sem ela há vida sim, e pelo que tenho observado do ser humano e dos animais, a vida “sem consciencia” desses animais é muito mais digna que a nossa. O ser humano é podre, ele mente, ele trai. Um cão, nunca faria isso.

    Quanto ao aborto em si, sou a favor do direito de escolha em prol da vida que está já concreta. Sou a favor do direito de opção. É um direito por exemplo, que está na natureza em si, nesses animais que vc disse não serem “vida”. Cavalos por exemplo, podem reabsorver o feto quando consideram que o ambiente em que vivem não é propício (quando tem pouca comida, ou poucos recursos para se sustentar um filhote), eles tem a capacidade inclusive de retardar o momento do parto se se sentirem em perigo. Da mesma forma que hamsters comem suas crias quando estão em gaiolas, pois o instinto calcula que não há espaço ou comida naquele ambiente (que eles não fazem idéia que é controlado por nós) para 10 ratinhos pequenos.

    Eu sou a favor da opção de escolha, e acho que ser a favor da escolha é ser a favor da vida, é se certificar que a mãe e o filho tenham CONDIÇÕES para que essa vida prospere de alguma forma.

    • Gabi, a comparaçãoação embrião X samambaia era sobre quando o nosso Estado laico deve considerar um abrião como um cidadão digno de direitos.

      • Claro Marão, concordo, só quis apontar as partes em que a forma de expressão foi ligeiramente infeliz e citar um detalhe sobre a natureza que pouca gente conhece.

  12. Giovana Marques /

    Quando o aborto é discutido não se pode deixar de lado a questão financeira. Como uma mulher que sabe que seu filho morrera de fome não tem a opção de não te-lo? Mesmo que digam que é apenas leva-lo ao um orfanato, pensem em quantas mulheres tem a coragem de olhar para o seu filho lindo em seus braços e abrir mão dele!
    Concordo que o Brasil não tem condições para liberar totalmente o aborto, mas por que não começamos estudando caso a caso, limitando o numero de abortos por mulher?
    E como uma menina que nao tem condições emocionais para cuidar da propria vida cuida de duas? A falta de escolha das mulheres resulta no jovens que nos conhecemos, na continuidade eterna do habito de passar a responsabilidade de cuidar dos seus filhos para os outros!
    E como uma pessoa acha que tem o direito de obrigar uma pessoa a viver na miseria ou no odio restringindo o aborto a pouquissimos casos? É exatamente o que nos fazemos!

    • Eu consigo ver a nobreza da sua linha de pensamento ao acreditar o quão doloroso deve ser para uma mãe que ama o seu filho para poder admitir para si própria que seu filho teria uma vida muito melhor sem ser estar com ela. Eh o famoso: “Se vc o ama, deixo partir”.

      Entretanto, eh um caminho muito perigoso este. O Aborto na minha opiniao seria ideal para casos como estrupo ou perigo de vida para mulher.

      Para os outros casos, temos adoçao. Nao quer o filho / nao pode cuidar dele, etc, coloque para adoção. Faça isto com consciencia de que nao tem capacidade / responsabilidade.

      O aborto nao pode estar ligado à classificaçao de quem esta apto / inapto para ter um filho. Senao, como tive numa discussão anterior, vamos começar obrigar a pobres terem abortos / ficar estereis para ter melhor controle de populaçao.

      • sim, mas ligação de trompas hoje em dia já é oferecido gratuitamente em hospitais públicos, felizmente! pelo menos se a mulher for realizar um parto por cesariana, eu sei que é oferecido, não sei se posso chegar lá e pedir simplesmente.

  13. Como essa é a Semana de Peh (depois eu explico), vou continuar colocando lenha:

    Outra coisa que é interessante em se olhar para os argumentos pró-direito de escolha é que eles, quase sempre, possuem um caráter egoísta travestido de liberal.

    Vira gente e fala: Ah, é melhor abortar do que colocar o filho numa vida de sofrimento e violência. Tipo assim, oi? Melhor pra quem? Obviamente é melhor pra mãe que não vai ter que se esforçar para criar o filho. Melhor pra gente que não vai ter mais um moleque chato pedindo trocado no farol e enfiando realidade na nossa vida. Melhor pros NOSSOS filhos que não vão correr o risco de ser assaltados.

    Se crianças indesejadas são um problema, oras, joguemos o problema pela privada.

    “Colocar uma criança no mundo par sofrer.” Sorry, mas a vida é dor, e nossos pais tentam nos ensinar isso desde crianças: http://anarcoblog.wordpress.com/2008/08/05/cancoes-de-ninar/

    Como uma criança que não sabe nem cuidar de si vai cuidar de uma criança? Resposta: Mal. A pergunta é: é viver mal ou morrer? E mais: você tem o direito de escolher pelos outros? De definir que uma vida boa tem renda familiar per capita acima de X ou não?

    Se você quer me dizer que prefere ter a possibilidade de fazer um aborto sem correr o risco de ir para a cadeia dada a hipótese de engravidar (ou engravidar alguém) e não querer correr o risco de ter que abrir mão do carro do ano e cuidar de uma criança, ok, mas sem argumento de pseudo-altruísmo.

    Novamente: eu não sou contra guerras, assassinatos, etc, etc, etc… mas eu tenho em mente o tempo todo que eu posso ser vítima da minha paixão pela violência.

    Por outro lado, Mari, agora em um comentário menos amargo, o feto, embora não seja ainda uma pessoa é sujeito de expectativa de direitos… da mesma forma que o direito tutela nossas expectativas (e eu teria uma dezena de exemplos técnicos para te dar) não é um absurdo do ponto de vista jurídico.

    Na verdade, do ponto de vista jurídico é coerente: se se tutela a expectativa de herança de um feto, quem dirá da vida.

    A única pergunta que deve ser questionada em se tratando de aborto, na minha opinião, é se a vida ou expectativa de vida deve ser tutelada pelo Estado. Hoje ela É. Acreditamos que deva ser? Vai de convicções filosóficas.

    Onde começa e onde termina a legitimidade do Estado? Assassinato? Ok. Banir drogas? Eu acho que não deveria. Lei seca? O Estado deve banir comportamentos ARRISCADOS ou apenas punir os que causaram dano? A discussão é longa, mas é possível fazer dela algo proveitoso.

    Por isso que quando eu entro nessa discussão meu trabalho não é discutir valores absolutos (se a vida deve ou não ser respeitada: um país que tem serviço militar obrigatório é meio incoerente ao afirmar que a vida deve sempre ser defendida), mas sim as contradições internas do discurso.

  14. Tiago Assis /

    Perde-se muito tempo no debate de quando podemos considerar o começo da vida, já que a partir da vida tira-la seria “assassinato”, e na verdade compactuo com a ideia dos 3 primeiros meses de formação. Mas para mim o verdadeiro debate devia ser em cima principalmente do que leva uma futura mãe a abortar seu futuro filho e as implicações disso na vida da mesma e na sociedade.

    Eu sempre digo que o aborto é um CRIME SOCIAL, uma vez que na grande maioria das vezes “a futura mãe aborta seu futuro filho” simplesmente por ter medo do futuro, e esse medo é real uma vez que criar um filho é uma grande responsabilidade e a incerteza de como este filho será aceito na sociedade e as condições de “sobrevivência” que esta ira oferecer ao mesmo faz com que muitas futuras mães adiem essa experiência. Não é apenas estes motivos que levam ao aborto, mas também outros bem egoístas como a vergonha, mas independente de motivos é fato que o aborto sempre estará rondando nossas casas e é errado a forma com que nos lidamos com ele.

    Religiões e seres politicamente corretos enchem a boca de merda para decretar o aborto induzido como sendo o mais perverso dos assassinatos e isso é foda porque muita gente da ouvido para eles. Enquanto isso morre milhares de adolescentes todos os anos tentando realizar um aborto sem nenhuma instrução, já que a maioria não tem condições de pagar um medico, e muitas outras sofrendo dia-a-dia devido a complicações de um aborto mal feito.

    Isso tudo é muito triste, e a discussão sempre fica no discurso do papa e o da ciência.

  15. Adorei o texto, mas também não acho que a o direito da vida depende do ser ter consciência.

  16. Creio eu, que uma mulher que decide abortar um feto está sem nenhum opção. Pra mim, aborto é algo bem complexo. Mas não podemos julgar pois não estamos sobre o ponto de vista de uma pessoa que se vê sem saída para sua própria vida e que ‘aguarda’ outra em seu ventre! O bom seria prevenir, não é mesmo?

    • Verdade, Viviane. Embora eu seja contra a criminalização do aborto, eu espero nunca fazer um, acho mais correto. Ainda assim, não gosto de dizer “desta água não beberei”, em especial numa situação (para mim) extrema como esta, não acho que eu consiga conceber racionalmente minha reação caso eu ficasse grávida. Com isso, também não penso ser certo julgar quem aborta. Na verdade, mesmo se eu tivesse meu potencial filho indesejado, não me sentiria neste direito, porque as pessoas reagem emocionalmente de formas diferentes à mesma situação.

  17. Ótimo texto! Dentro do libertarianismo, no entanto, os debates são mais voltados para quando um ser humano se torna dono de si mesmo e pode, portanto, reclamar seus direitos de propriedade. (= Isso me faz lamentar não só a existência de fetos, mas também crianças e outros “incapazes” por criarem confusões ideológicas na minha cabecinha, mimimi. :P

  18. Concordo com tudo o que aí está, mas também tenho uma opinião pessoal.

    Se uma mulher NÃO QUISER MESMO ter o filho, não me parece justo ela trazê-lo mundo e ser infeliz a cuidar dele, arriscando-se a fazer também a criança feliz, que não tem culpa de ser indesejada. Claro que há outras opções, dar a criança para adoção uma delas. Mas sejamos justos: já viram a quantidade ENORME de crianças que já há para adotar? E o quão INFELIZES elas são? Nem sempre os lares de adoção são um mar de rosas, muito pelo contrário.

    Por isso, sim, preferia abortar a dar à luz uma criança que vai ser infeliz.

    Não faço nos casos de violações e semelhantes, acho que isso seria ir ao extremo, e acredito que aí, SIM, talvez o aborto seja o melhor. Mas de resto, acho que se deve pensar MUITO bem. Não considero o aborto homicídio, mas sim uma forma de evitar que a criança que viria dali seja infeliz.

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